
DICIONRIO DE SOCIOLOGIA

Sob a direco de RAYMOND BOUDON, PHILIPPE BESNARD, MOHAMED CHERKAOUI e BERNARD-PIERRE LCUYER

Traduo de Antnio J. Pinto Ribeiro

PUBLICAES DOM QUIXOTE
LISBOA
1990

 1989, Librairie Larousse

Ttulo original: Dictionnaire de la Sociologie

Licena editorial por cortesia do Crculo de Leitores

1 edio: Setembro de 1990

Depsito legal n 36 895/90

Fotocomposio: Fotocompogrfica, Lda.

Impresso e acabamento: Resopal, Lda.

Distribuio:
Diglivro - Rua llha do Pico, 3-B, Pontinha, Lisboa
Movilivro - Rua Gomes Leal, 93, Porto

ISBN: 972-20-0809-9




PRLOGO
O Dicionrio de Sociologia procura conciliar duas exigncias: pretende-se simples porquanto se dirige ao
estudante e ao grande pblico; mas esfora-se igualmente por propor definies rigorosas e completas dos
conceitos sociolgicos mais correntes e mais fundamentais, assim como curtas monografias sobre os
principais socilogos clssicos e modernos.
Trata-se de uma obra colectiva para a qual se mobilizaram as competncias de cerca de sessenta
professores universitrios e investigadores que aceitaram participar nesta iniciativa. As diferenas de
orientao e as particularidades de estilo foram respeitadas, sendo cada autor responsvel pelos artigos que
redigiu.
Os limites de volume impostos pela coleco em que se insere este Dicionrio obrigaram a opes e a
sacrifcios por vezes dolorosos. Esperamos, no entanto, nada ter omitido de essencial. Encontrar-se-o as
referncias bibliogrficas completas das obras mencionadas na bibliografia apresentada no fim da obra.




COLABORADORES
Andr AKOUN (A.A.) Professor da Universidade de Paris-V
Pierre ANSART (P.A.) Professor da Universidade de Paris-VII
Bertrand BADIE(B.B.) Professor da Universidade de Clermont-I
Jean BAECHLER (J.B.) Professor da Universidade de Paris-Sorbonne
Francis BALLE (F.B.) Professor da Universidade de Direito, Economia e Cincias Sociais de Paris, vice- reitor das Universidades de Paris
Andr BJIN (A.B.) Responsvel pela Pesquisa no CNRS
Philippe BNTON (P.B.) Professor da Faculdade de Direito de Rennes
Jean-Michel BERTHELOT (J.-M.B.) Professor da Universidade de Toulouse-II
Philippe BESNARD (P.B.) Director de Pesquisa no CNRS
Pierre BIRNBAUM (P.B.) Professor na Universidade de Paris-I
Raymond BOUDON (R.B.) Professor na Universidade de Paris-Sorbonne
Franois BOURRICAUD (F.B.) Professor na Universidade de Paris-Sorbonne
Michel BOZON (M.B.) Responsvel pela Pesquisa no INED
Jean CAZENEUVE (J.C.) Professor jubilado na Sorbonne, presidente do Conselho Nacional de Comunicao
Bernard CAZES (B.C.) Chefe da Diviso de Estudos a Longo Prazo, comissrio-geral do Plano
Franois CHAZEL (F.C.) Professor da Universidade de Bordus-II
Mohamed CHERKAOUI (M.C.) Director de Pesquisa no CNRS
Yves CHEVALIER (Y.C.) Professor da Universidade de Tours
Jacques COMMAILLE (J.C.) Director de pesquisa no CNRS, director do CRI de Vaucresson
Charles-Henry CUIN (C.-H.C.) Professor-conferencista da Universidade de Bordus-II
Jean-Pierr DECONCHY (J.P.D.) Professor da Universidade de Paris-X, director do Laboratrio de Psicologia Social
Daniel DERIVRY (D.D.) Responsvel pela Pesquisa do CNRS
Lilyane DEROCHE-GURCEL (L.D.G.) Funcionrio do Ministrio da Indstria
Marcel DRULHE (M.D.) Professor-conferencista no Instituto de Cincias Sociais da Universidade de Toulouse
Franois DUBET (F.D.) Professor-conferencista na Universidade de Bordus-II
Patrice DURAN (P.D.) Professor-assistente do Centro de Sociologia Poltica da Universidade de Bordus-II
Jacqueline FELDMAN (J.F.) Director de Pesquisa do CNS
Erhard FRIEDBERG (E.F.) Director de Pesquisa do CNS, conferencista do Instituto de Estudos Polticos de Paris
Alain GIRARD (A.G.) Professor jubilado da Universidade de Paris-V, consultor cientfico no INED
Yves GRAFMEYER (Y.G.) Professor-conferencista de Sociologia da Universidade de Lyon-II
Jean-Paul GRMY (J.-P.G.) Professor da Universidade de Paris-V
Franois GRESLE (F.G.) Professor da Universidade de Paris-X
Anne-Marie GUILLEMARD (A.-M.G.) Professor da Universidade de Paris-I
Nicolas HERPIN (N.H.) Professor-conferencista na Universidade de Paris-VIII
Claudine HERZLICH (C.H.) Director de pesquisa do CNRS, director de Estudos do EHESS
Jean KELLERHALS (J.K.) Professor da Universidade de Genve
Grard LAGNEAU (G.L.) Director de Pesquisa do CNRS
Jean-Claude LAMBERTI (J.-C.L.) Professor da Universidade de Paris-V
Barbara LASLETT (B.L.) Professor da Universidade de Minnesota
Bernard-Pierre LCUYER (B.-P.L.) Director de Pesquisa do CNRS
Patrice MANN (P.M.) Professor-conferencista da Universidade de Bordus-II
Benjamin MATALON (B.M.) Professor da Universidade de Paris-VIII
Nonna MAYER (N.M.) Director de Pesquisa no CNRS
Sylvie MESURE (S.M.) Pesquisador da Fundao Thyssen
Raymonde MOULIN (R.M.) Director de Pesquisa do CNRS
Claire PETROFF-BARTHOLDI (C.P.-B.) Socilogo da Universidade de Genve
Patrick PHARO (P.P.) Director de Pesquisa do CNRS
Claude RIVIRE (C.R.) Professor da Universidade de Paris-V, director do Laboratrio de Etnologia
Michel ROBERT (M.R.) Pesquisador do CNRS, professor auxiliar da Universidade de Paris-X (Nanterre)
Philippe ROBERT (P.R.) Director de Pesquisa do CNRS
Dominique SCHNAPPER (D.S.) Director da Escola de Altos Estudos de Cincias Sociais
Denis SEGRESTIN (D.S.) Professor-conferencista do Conservatrio Nacional de Artes e Ofcios, Paris
Jean SEGUY (J.S.) Director de Pesquisa do CNRS (Grupo de Sociologia das Religies)
Franois de SINGLY (F.S.) Presidente da Seco de Sociologia e Demografia do Comit Nacional de




Pesquisa Cientfica
Jean-Ren TRANTON (J.-R.T.) Professor da Universidade de Lille-Flandres-Artois
Bernard VALADE (B.V.) Professor-conferencista da Universidade de Paris-Sorbonne
Philippe Van PARIJS (P.V.P.) Pesquisador da FNRS, professor da Universidade Catlica de Louvain
Jean-Marie VINCENT (J.-M.V.) Professor da Universidade de Paris-VIII (Saint-Denis)






A
Absentismo: A noo de absentismo  estudada pelos socilogos no sentido especfico de ausncia do
trabalho.
O estudo do absentismo pe problemas de definio e de medida. Antes de fazer a soma dos tempos de 
ausncia,  preciso saber que tipos de ausncia sero contabilizados: assim, as mulheres tm a reputao de se 
ausentarem mais que os homens, mas, se se exclurem as licenas de maternidade, a diferena apresentar-se- 
bem pequena. A medida do absentismo implica que se disponha do meio de controlar as ausncias de um 
assalariado, o que nem sempre acontece: assim, determinada categoria poder parecer mais absentista que 
uma outra simplesmente porque as suas ausncias so mais perceptveis.
Um estudo efectuado pelo INSEE permitiu, entretanto, estabelecer que o absentismo representava, em 
1978, cerca de vinte dias teis por ano, ou seja, 8,5 por cento do tempo de trabalho. Calcula-se que esta cifra 
mdia baixou sem dvida a partir de ento. Pde verificar-se que os assalariados se ausentam com maior 
frequncia quando so pouco qualificados, quando esto h pouco tempo ainda no seu posto de trabalho, 
quando so muito jovens ou, pelo contrrio, muito idosos, quando trabalham numa grande empresa, quando 
os salrios so baixos e as taxas de doena profissional e de acidente de trabalho elevadas.
Nos estudos econmicos, a ausncia do trabalho  principalmente encarada como uma perda para o 
aparelho de produo e um comportamento desviante que convm canalizar. No quadro da sociologia das 
organizaes, o absentismo pode ser compreendido como uma das sadas do sistema de interaco que 
constitui a organizao, como uma estratgia racional de compensao.
D. D.

Abstencionismo: Chama-se abstencionista ao cidado que, gozando do direito de voto, no participa numa 
consulta eleitoral.
O estudo do abstencionismo pe problemas de medida, de contedo, de observao e de interpretao. 
Nos Estados Unidos da Amrica, o abstencionismo  medido pela diferena entre o nmero de cidados com 
idade de votar, fornecido pelo recenseamento, e o nmero de votantes. Na Frana s so contabilizados os 
eleitores inscritos numa lista eleitoral e que no participam no escrutnio; ora, pde estabelecer-se que cerca 
de um francs em dez no estava inscrito nas listas eleitorais. Sobreavaliado sem dvida no primeiro caso, o 
abstencionismo  subavaliado no segundo. Em alguns pases, como a Blgica, o voto  obrigatrio. O 
abstencionismo encontra-se, portanto, l limitado aos casos de fora maior. Por outro lado, nos regimes de 
partido nico o abstencionismo no tem evidentemente o mesmo significado que nas democracias pluralistas. 
Os meios de que se dispe para o estudo do abstencionismo so reduzidos: as informaes fornecidas pelas 
listas de votantes efectivos so mais que limitadas e os dados de sondagens s com prudncia podem ser 
utilizados.
O abstencionismo foi durante muito tempo considerado como um disfuncionamento do sistema 
democrtico. Nessa lgica foi interpretado como um indcio de despolitizao, de insuficiente integrao 
poltica, que seria a consequncia de uma dbil insero social. O estudo

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sociolgico do abstencionismo parece confirmar parcialmente essa tese. As categorias sociais mais 
abstencionistas so os jovens, os velhos, as mulheres - sobretudo quando so no activas, idosas, divorciadas - 
e os grupos de fraco nvel sociocultural.
Admite-se actualmente que a relao verificada entre uma dbil insero social e o abstencionismo no 
poder ser tida como uma explicao suficiente do fenmeno. No permite, de facto, compreender nem as 
diferenas de abstencionismo verificadas entre os vrios escrutnios nem o abstencionismo intermitente, que  
o mais frequente. Longe de ser necessariamente um sinal de despolitizao, a recusa da opo partidria 
proposta pode efectivamente assentar numa postura poltica racional.  por isso que, nos trabalhos mais 
recentes, o abstencionismo  analisado como um comportamento poltico autnomo, uma opo estratgica do 
cidado em face da oferta poltica que lhe  proposta.
D. D.
- Lancelot (1968), Lancelot, Memmi (1985), Subileau, Toinet (1985).

Aco colectiva: Aco comum que visa atingir fins partilhados. Segundo A. Bentley (1949), grupo e 
interesse so inseparveis. Os membros do grupo so solidrios na aco e para a aco a empreender. Nesse 
caso, a mobilizao em ordem a uma aco colectiva no levanta nenhum problema. 
A ideia segundo a qual um grupo (ou uma classe) constitui uma unidade de anlise  combatida por 
algumas teorias utilitaristas. M. Olson (1966) mostra que a lgica da aco colectiva no pode reduzir-se  
lgica da aco individual. No basta que um conjunto de indivduos partilhe um interesse comum para que 
estes se empenhem numa aco colectiva em ordem a satisfazer esse interesse. A entrada na aco colectiva 
implica, para cada um dos membros do grupo latente, um certo custo de participao (tempo, dinheiro, etc.). 
Ora, se se verifica que o bem obtido graas  aco colectiva pode aproveitar a todos, no se v porque  que 
cada um dos membros do grupo no seria tentado a deixar aos outros o cuidado de suportar o custo da aco 
colectiva. Torna-se evidente, nestas condies, que a pura expectativa generalizada gerar um "efeito 
perverso" (Boudon 1977): com efeito, se todos os membros optarem pela estratgia do "bilhete gratuito" (free 
rider), o bem colectivo deixar de ter qualquer possibilidade de ser obtido. A dimenso do grupo deve ser tida 
em conta: nos pequenos grupos, cada um ter de facto compreendido que "a aco de cada indivduo conta", o 
que j no acontecer nos grandes grupos (por exemplo, os grupos de consumidores), em que os indivduos 
tero tendncia para pensar que a sua participao apenas pode ter uma eficcia despicienda. O recurso s 
medidas coercitivas ou aos incitamentos selectivos permite aos grupos organizados limitar essas estratgias de 
defeco. Um oferecimento paralelo de bens individuais (lugar de responsabilidade ou qualquer outra marca 
de distino que confere prestgio e respeito) ser um meio para estimular os recalcitrantes:  assim que a 
esperana de ter acesso a posies electivas poder levar um indivduo a aceitar o custo implicado por um 
militantismo activo dentro de um partido poltico. Um tal oferecimento s  possvel se o grupo se dotou de 
uma estrutura organizacional.
Minimizados na teoria da escolha

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racional (fundada no paradigma econmico), os incitamentos morais e "solidrios" desempenham, na 
realidade, um papel importante na emergncia da aco colectiva. Agir colectivamente numa colectividade, 
em que predominam os laos de solidariedade e de amizade pode constituir uma obrigao moral para o 
indivduo, podendo tornar-se igualmente, para ele, um prazer. Sob este aspecto,  a no participao que ser 
custosa, pois que poder pr em questo a imagem e a estima que o indivduo tem de si prprio. A. Oberschall 
(1973) mostra que a ausncia de laos e a decomposio das redes de interaco so um obstculo importante 
 mobilizao. A capacidade de conduzir uma aco concertada depende, pois, estreitamente do grau e do tipo 
de organizao inerentes  colectividade considerada. Se a ameaa de uma represso da parte do poder 
poltico constitui um outro obstculo  mobilizao, razes de ordem tica ou ideolgica so sempre capazes 
de desviar os actores dos seus interesses pessoais. A escala de avaliao "custos/vantagens" , portanto, 
sempre susceptvel de ser perturbada por uma ideologia portadora da esperana de um mundo melhor.
P. M.
- Birnbaum (1971), Chazel (1986), Hirschman (1970).

Aco (sociologia da): Praticar uma sociologia da aco equivale a tentar explicar os factos sociolgicos 
enquanto aces produzidas por indivduos em resposta a uma dada situao - por outras palavras, a 
concentrar o interesse da investigao nas decises individuais dos actores, na sequncia de autores como M. 
Weber e G. Simmel, e no na aco hipottica de factores gerais como as leis da histria, as ideologias, etc. 
Uma sociologia da aco deve preencher duas condies:
1. no recorrer a uma explicao de tipo historicista, muitas vezes tautolgica (por exemplo: as classes 
oprimidas no se revoltam neste ou naquele estdio histrico porque ainda no tomaram conscincia da sua 
opresso). Isso no significa, todavia, que nos desinteressemos dos dados histricos concretos;
2. produzir uma explicao compreensvel das decises individuais que esto na origem dos fenmenos 
estudados, graas a modelos anlogos aos da economia; nesses modelos, o actor escolhe uma soluo porque 
sabe ou julga saber que  esse o seu interesse.
Infalivelmente aparece aqui a teoria da compreenso weberiana, que tem o estatuto de modelo e no o de 
estudo psicolgico de cada um dos autores. A sociologia da aco propor, portanto, hipteses que pretendem 
explicar os fenmenos verificados e no reproduzir exactamente a sua realidade intrnseca. A sociologia da 
aco de T. Parsons tende, assim, a elaborar uma lista de tipos de aco possveis neste ou naquele meio.
Esta tomada em considerao das escolhas individuais nem por isso desemboca numa coleco 
desordenada de fenmenos cujo fio condutor no poderamos propor. Os indivduos no fazem seja o que for 
porque agem dentro de um sistema constitudo pelo estado da sociedade na qual se encontram, sistema que 
limita o nmero das possibilidades que lhes so oferecidas. Os indivduos tm, pois, tendncia a escolher de 
preferncia determinada soluo que se v aparecer sob a forma de dados estatsticos ao nvel do conjunto do 
sistema. As regularidades verificadas explicam-se pelo nmero limitado de opes concretamente

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disponveis. Os valores ambientais no podem explicar mecanicamente as escolhas individuais, ainda que as 
orientem.
A sociologia da aco visa, pois, determinar como  que uma acumulao de reaces individuais a uma 
situao geral produz um fenmeno geral. Porqu este desvio pelo indivduo? Porque, se a relao entre a 
aco individual e o efeito geral  muitas vezes imediatamente perceptvel, noutros casos, uma explicao que 
faz a economia da deciso individual falha perante um fenmeno aparentemente inexplicvel: a soma das 
decises individuais ultrapassa ou contradiz as decises individuais dos actores e conduz ao overshooting ou 
efeitos perversos. Por exemplo, o eleitor descontente com a poltica seguida recentemente pelo seu partido 
decide abster-se a ttulo de aviso; mas, quando vrios dos eleitores do mesmo partido adoptam este mesmo 
raciocnio, este ltimo acaba por ser derrotado. A inteno consciente de cada um dos actores  ento 
ultrapassada, porque eles no podiam combinar entre si e porque as possibilidades se limitam a trs: a favor, 
contra, absteno.
L. D.-G.
- Boudon (1984), Crozier, Friedberg (1977), Parsons (1949).

Aculturao: Segundo o "Memorandum" de R. Redfield, R. Linton e M. J. Herskovits, publicado no 
American Anthropologist de 1936, a aculturao  o conjunto das mudanas que se produzem nos modelos 
culturais (patterns of culture) originais, quando grupos de indivduos de culturas diferentes entram em 
contacto directo e contnuo. Esta definio implica que cada cultura constitua um sistema, cujos vrios 
elementos se reelaboram por ocasio desses contactos. Sublinha ainda que, sejam quais forem as ocasies 
(invaso, colonizao, migrao), h aquisies, trocas e reinterpretaes entre as duas culturas e que 
nenhuma cultura se impe completamente  outra, embora, com toda a evidncia, dado que as condies 
histricas criam sempre uma situao objectiva de desigualdade, o contributo de umas e de outras seja 
desigual (Redfield, Linton, Herskovits 1936; Herskovits 1952).
Os processos de aculturao assumem formas variadas. Na sequncia de R. Bastide (1970), fala-se da 
aculturao material quando populaes adoptam marcas e modelos da cultura dominante na vida pblica e 
nas relaes secundrias, mantendo, no entanto, o seu cdigo cultural de origem no domnio do privado e das 
relaes primrias.  com muita frequncia o que se passa com as populaes imigradas. Fala-se de 
aculturao formal quando as populaes em presena modificam as prprias estruturas do seu modo de 
pensamento e da sua sensibilidade, o que traz consigo uma nova cultura, sntese das duas culturas de origem. 
 a forma de aculturao dos filhos de imigrados (vd. migrao). Noutros casos, verifica-se um processo de 
sincretismo: populaes pertencentes a duas culturas diferentes, colocadas em contacto prolongado, elaboram 
uma outra, diferente das duas culturas de origem. Assim, por exemplo, temos o caso do mundo religioso 
brasileiro, sado ao mesmo tempo do catolicismo e dos mitos e ritos negro-africanos (Abov 1981).
O conceito de aculturao  muitas vezes utilizado de maneira mais ampla para designar todos os 
processos de aquisies, trocas e reinterpretaes que conduzem  elaborao cultural ou colectiva, o que 
acaba por fazer dele um quase-sinnimo

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do conceito de cultura. Substitui, alis, com vantagem o de cultura, quando este ltimo designa, segundo a 
tradio da antropologia social, o conjunto das maneiras de pensar, de agir e de sentir de uma comunidade na 
sua tripla relao com a natureza, com o homem e com o absoluto. Por um lado, a polissemia do termo 
"cultura" torna muitas vezes a sua utilizao imprecisa e ambgua; por outro lado, empregar o termo 
"aculturao" lembra que uma cultura no  nunca um dado ou uma coisa adquirida, mas um processo em 
elaborao e reelaborao contnuas.
D. S.

Acumulao do capital: Na terminologia marxista, reproduo dos meios de produo e de troca graas ao 
investimento da parte no consumida do lucro. No deve ser confundida com as diferentes formas de 
entesourizao. Para que haja acumulao do capital,  preciso que o investimento procure a mxima 
rendibilidade, ou seja, desemboque na produo do mximo de mercadorias vendveis no mercado, nas 
melhores condies possveis. Os mltiplos capitais em presena devem confrontar-se na concorrncia sobre 
a melhor maneira de combinar o trabalho morto (os meios de produo) com o trabalho vivo, de maneira a 
subtrair aos trabalhadores assalariados a maior quantidade possvel de trabalho no pago. A acumulao do 
capital deve ser encarada como uma actividade determinada por fortes constrangimentos objectivos. Os 
capitais que no se reproduzem de maneira alargada so chamados a desvalorizar-se ou a desaparecer. No 
pode, pois, tratar-se de atribuir  subjectividade dos capitalistas o papel principal na dinmica da acumulao. 
Tudo se passa, diz Marx, como se um imenso autmato imprimisse o seu movimento  economia e  
sociedade, controlando e refreando as iniciativas humanas. A produo dos conhecimentos e a cincia, nas 
suas orientaes e aplicaes, so tambm elas apanhadas nesta lgica mais forte que as relaes sociais.
J.-M. V.

Administrao: A palavra "administrao" designa ao mesmo tempo uma actividade (a de administrar ou de 
gerir) e o organismo encarregado de efectuar essa actividade. Nesta segunda concepo "orgnica", esta 
palavra designa na Frana o conjunto dos organismos encarregados da gesto dos negcios pblicos.
Em virtude, nomeadamente, da tradio centralista, a administrao do Estado desempenha um papel 
preponderante em Frana. Implantada aos nveis central e local, inclui os servios centrais dos vrios 
ministrios, por um lado, e os seus servios externos departamentais e regionais, por outro. Em 1986, 
empregava cerca de 2,2 milhes de agentes, perto de metade dos quais na Educao Nacional. Criando um 
quadro nico para a gesto dos pessoais pblicos, o "estatuto geral da funo pblica" codifica os direitos e os 
deveres dos funcionrios, garantindo-lhes, designadamente, a segurana de emprego, garantia de continuidade 
e de um mnimo de independncia em relao s flutuaes polticas. Desde 1945, os domnios, prerrogativas 
e modalidades de interveno da administrao foram consideravelmente aumentados e diversificados. Da 
resulta uma fragmentao crescente do aparelho administrativo (Dupuy, Thoenig 1985) e uma interpenetrao 
cada vez mais pronunciada entre as vrias administraes sectoriais e os seus meios

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de interveno. Isso manifesta-se, nomeadamente, no facto de um nmero cada vez maior de postos dirigentes 
nos sectores industriais e financeiros serem ocupados por antigos altos funcionrios, membros dos chamados 
grandes corpos do Estado (por exemplo, a Inspeco das Finanas, o Corpo das Minas, o Conselho de Estado, 
entre outros), que de elites administrativas se transformaram em elites sociais sem mais.
De resto, a fronteira entre a administrao e a poltica tem-se confundido cada vez mais. Por um lado, os 
gabinetes ministeriais, espcie de charneira entre uma administrao e o seu ministro, desempenham um papel 
cada vez mais importante desde a chegada da V Repblica. Por outro lado, o nmero dos antigos altos 
funcionrios no Governo e no Parlamento aumentou de maneira paralela, a ponto de ter-se podido falar de 
uma "funcionarizao da poltica", que contrabalana uma politizao acrescida da administrao (Baecque, 
Quermonne 1982).
Por fim, as leis de descentralizao votadas em 1982 modificaram a repartio das competncias entre os 
escales centrais e locais a favor destes ltimos e aumentaram a autonomia das colectividades locais e dos 
seus representantes eleitos face  administrao central (Rondin 1986).
E. F.
- Crozier, Friedberg, Grmion et al. (1974), Dreyfus, d'Arcy (1987).

Adolescncia: Perodo que separa a infncia da idade adulta. Esta caracterizao levanta vrios problemas. 
No sc. XVIII (o mile de Rousseau), assimilava-se a adolescncia  crise da puberdade, que era mais tardia 
que actualmente. S em finais do sc. XIX, particularmente sob o efeito do prolongamento dos estudos que 
mantm os alunos numa espcie de infncia prolongada,  que a adolescncia emergiu verdadeiramente como 
classe etria e como cadinho de uma cultura especfica. Entre as duas guerras espalhou-se a ideia de que a 
adolescncia no era necessariamente uma transio entre duas idades mas que a pessoa podia sentir-se bem 
nela e nela instalar-se deliberadamente durante um perodo relativamente longo. Essa dificuldade ou essas 
reticncias em sair da adolescncia  hoje ligada ao facto de os acontecimentos que poderiam funcionar como 
"ritos de passagem", como ritos de entrada na idade adulta, terem sofrido nas nossas sociedades uma dupla 
alterao. Revestem cada vez menos o carcter de provas, arriscadas e probatrias (a evoluo do servio 
militar  disso testemunha). Por outro lado, apagou-se, mais ou menos, o seu carcter de cerimnias pblicas 
(o casamento, por exemplo,  cada vez menos uma cerimnia solene). Assim, a maioria dos indivduos passa 
insensivelmente da adolescncia a uma aparente maturidade atravessando uma idade mal definida que alguns 
denominam "ps-adolescncia" (e que pode durar at aos 35 anos, por vezes mais).
A. B.
- Le Bras, Bjin, Yonnet (1983), Erikson (1968).

Agregao: A combinao de um conjunto de aces individuais pode, enquanto tal, produzir efeitos 
colectivos no procurados pelos prprios actores sociais e que podem a posteriori apresentar-se como 
desejveis ou indesejveis. A esses efeitos d-se muitas vezes o nome de "efeitos de agregao", ou de 
composio.

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Assim, quando vrios indivduos escolhem simultaneamente orientar-se para tal tipo de carreira, contribuem 
todos, sem desej-lo, para obstruir a carreira em questo, para exacerbar a "competio", pelos lugares 
disponveis, eventualmente para criar desemprego. Estes efeitos de agregao revestem uma grande 
importncia nas cincias sociais, e designadamente na anlise da mudana social. Assim, M. Weber (1920) v 
no desenvolvimento do capitalismo um efeito no desejado dos princpios ticos inspirados pelos puritanos. 
K. Marx e H. Spencer interpretam ambos o devir histrico como um tecido de efeitos de agregao. Assim, 
segundo Marx, o progresso tcnico  um efeito no desejado da concorrncia a que os capitalistas se dedicam 
entre si. A noo de "efeito de agregao" tem, relativamente  de "efeito no desejado", a vantagem de 
sublinhar que os efeitos em questo resultam da combinao de uma pluralidade de aces individuais. 
Quando os efeitos de agregao so indesejveis, fala-se de efeitos perversos.
R. B.
- Boudon (1977), Schelling (1978).

Alienao: O termo alienao pertence a diversos registos de linguagem (jurdico, mdico, teolgico, etc.). 
Em filosofia e em sociologia, descobrimo-lo em J.-J. Rousseau, que o define assim no Contrato Social (1766): 
cada associado, "dando-se a todos, no se d a ningum" e abandona os seus direitos naturais para fazer 
nascer o corpo poltico. Mas  na filosofia alem (Fichte, Hegel e depois Marx) que ele recebe a significao 
que hoje lhe  atribuda: a transformao da actividade prpria do homem num poder que lhe seria estranho, e 
que o domina.
 em Marx que a noo se torna, de algum modo, numa noo de sociologia. Em O Capital (1867), l-se: 
"A alienao do operrio significa no apenas que o seu trabalho se torna um objecto, uma existncia exterior, 
mas que o seu trabalho existe fora dele, independentemente dele, estranho a ele e se torna um poder autnomo 
em relao a ele; que a vida que ele conferiu ao seu objecto se lhe ope, hostil e estranha." A partir de ento, a 
alienao vai tornar-se o sintoma de todos os "incmodos" do homem moderno e das diferentes variedades do 
seu sentimento de espoliamento de si prprio.
A extenso de um conceito faz-se sempre  custa do seu rigor. Falar-se- da alienao colonial, da 
alienao feminina, da alienao da "sociedade de consumo" ou da "sociedade do espectculo". Seja como 
for, a noo mantm-se inseparvel dos pressupostos teolgicos ou filosficos que presidiram ao seu xito: 
uma concepo do sentido da histria e do destino do homem, da sua queda na alienao  sua redeno.
A. A.

Anarquismo: O anarquismo  uma doutrina poltica que repudia toda a ideia de autoridade contrria ao 
princpio da liberdade individual, e em primeiro lugar a autoridade do Estado.
Saint-Simon d uma imagem dessa sociedade libertria: "No h aco til [...] para alm da do homem 
exercida sobre as coisas. A aco do homem sobre o homem  sempre em si mesma prejudicial  espcie." 
Tal sociedade  concebida como um grande conjunto de contratos especficos, nem imutveis nem definitivos, 
sados de debates livres em que os interessados acabam por pr-se de acordo e que correspondem  
heterogeneidade da vida social.

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Profissionais, regionais, nacionais, aparentemente incoerentes, esses mltiplos contratos geram o 
federalismo que se substitui ao Estado tal como o concebe Hobbes no Leviathan. O anarquismo v na poltica 
um espao perverso onde se perde a autonomia da pessoa. Por isso, privilegia a aco sindical, a aco 
mutualista e todas as formas de solidariedade e de associao que lhe parecem "vivas", no "abstractas e 
annimas". Da resulta uma utopia cujos contornos nos so dados por M. Bakunine (1873): "Quando os 
Estados tiverem desaparecido, a unidade viva, fecunda, benfazeja, tanto das regies como das naes e da 
internacionalidade, primeiro de todo o mundo civilizado e depois de todos os povos da Terra, pela via da livre 
federao e da organizao de baixo para cima, desenvolver-se- em toda a sua majestade..." 
P. J. Proudhon (1846), M. Stirner (1842), Bakunine (1873), etc., o terico anarquista, seja ele qual for, 
ope-se radicalmente aos tericos do colectivismo e do comunismo, que, na sua opinio, levam at ao fim o 
espoliamento do indivduo pela sociedade.
A. A.
Sergent, Hammel (1949).

Anomia: Pela sua etimologia, a palavra significa ausncia de normas, de regras ou de leis; mas a histria 
singular deste termo conferiu-lhe significaes diversas e mesmo contraditrias.
J.-M. Guyau (1885) forja a palavra para designar a individualizao, inevitvel e desejvel das regras 
morais e das crenas. E. Durkheim toma-lhe de emprstimo a palavra empregando-a em sentido oposto quele 
individualismo anarquizante, pois que, a seu ver, todo o facto moral consiste numa regra de conduta 
sancionada. Na obra de Durkheim De la division du travail social (1893), a anomia  uma das formas 
patolgicas da diviso do trabalho, a saber: a carncia temporria de uma regulamentao social capaz de 
assegurar a cooperao entre funes especializadas. Tem como origem a insuficincia dos contactos entre os 
papis sociais. Em Le Suicide (1897), a anomia  concebida como um mal do infinito proveniente da 
ilimitao do desejo humano e da indeterminao dos objectivos a atingir.  caracterstica do sistema de 
valores, das instituies e do funcionamento das sociedades industriais modernas.
Desaparecida da obra de Durkheim a partir de 1902, a palavra anomia  redescoberta nos anos 30 pelos 
socilogos de Harvard, nomeadamente por T. Parsons e R. K. Merton. O texto deste ltimo, Structure sociale 
et anomie, contribuiu muito para difundir a noo de anomia alterando o seu contedo. Sem dar dela uma 
definio clara, tende a identific-la a uma situao em que o indivduo no encontra as possibilidades de 
atingir um objectivo definido e mesmo prescrito pela cultura. Esta contradio entre o objectivo cultural e a 
ausncia de meios lcitos pode gerar comportamentos desviantes pelo recurso a meios ilcitos.  noo 
durkheimiana de ilimitao dos fins substitui-se a de limitao dos meios.
A revoluo semntica  plenamente levada a cabo com o uso de escalas de atitude que  suposto medirem 
a contrapartida psquica da anomia social, sendo a mais clebre a escala de anomia, elaborada por L. Srole. 
Esta escala reflecte uma viso pessimista do mundo, o sentimento de que no se pode tomar em mos a sua 
sorte e a renncia

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a toda a esperana, caractersticos em Durkheim de uma situao fatalista, oposta  anomia.
O sucesso desta palavra da tribo sociolgica nos anos 60, particularmente na sociologia americana, teve 
mais a ver com o seu cariz decorativo que com o seu poder cognitivo.
PH. BD.
- Besnard (1987), Merton (1949).

Anti-semitismo: De criao recente - foi provavelmente formada por volta de 1870 por um jornalista alemo, 
W. Marr -, a prpria palavra "anti-semitismo"  inadequada, mas foi imposta pelo uso. Designa a atitude 
hostil para com uma minoria particular, a minoria judaica, hostilidade que, ao longo da histria, fez apelo aos 
motivos mais diversos e se traduziu por comportamentos variados, indo da rejeio e da marginalizao social 
at  exterminao. Alguns, como H. Arendt (1951), propuseram que se reservasse esta palavra para designar 
a hostilidade contra os judeus, que, na poca moderna, surge no contexto especfico da sua emancipao 
quando aparecem dificuldades econmicas, polticas ou sociais - sendo ento denominada de antijudasmo a 
hostilidade de base religiosa que prevaleceu na Idade Mdia. Mas pode defender-se a ideia de que h uma 
continuidade para alm das diferenas, de que o antijudasmo da Idade Mdia e o anti-semitismo moderno so 
uma mesma rejeio do grupo judeu que se exprime ora em categorias de pensamento ainda religiosas ora em 
categorias j laicizadas.
Y. C.
- Chevalier (1988), Isaac (1940), Poliakov (1956-1977).

Antropologia e sociologia: Entendida no sentido restrito de antropologia social e cultural, de que a palavra 
"etnologia"  sinnimo em Frana, a antropologia constituiu-se em relao estreita com a sua irm, a 
sociologia. No sc. XIX, uma necessidade de reorganizao social aps as revolues poltica e industrial 
suscita o nascimento da sociologia. Pouco depois, o interesse romntico pelo extico converge com o desejo 
kantiano de criao de uma antropologia e com o projecto colonial na fundao da etnologia. Esta tem como 
padrinhos a histria natural e o esprito de antiqurio; a sociologia, por seu turno, enraza-se no reformismo 
social e na filosofia. O pensamento reflexivo (pesquisas classificativas, esquemas de evoluo, valorizao 
dos tipos sociais, tais como raas e etnias) escora a aco de reforma social e visa "civilizar" os ditos 
primitivos. Embora as primeiras pesquisas de J. J. Bachofen, E. B. Tylor, L. H. Morgan, nos anos de 1860-
1870, sejam contemporneas das de F. Le Play, K. Marx, H. Spencer, a etnologia e a sociologia afirmam-se 
diferentes pelo seu campo de investigao. Para a primeira: as sociedades relativamente homogneas en de 
pequena escala, sem histria conhecida, ditas primitivas, tradicionais, sem escrita; para a outra: as sociedades 
complexas, heterogneas, ditas civilizadas, industrializadas, modernas. O objecto do socilogo apresenta-se 
mais visvel que o do etnlogo, e a sociologia escolhe para mtodo preferido a sondagem aferida, ao passo 
que a etnologia pretende operar inventrios descritivos completos das culturas de pequena dimenso.
Mas as duas cincias humanas caminham a par seguindo sucessivamente a via dos grandes frescos 
histricos e depois a da acumulao de documentos. Mantm-se ligadas s teorias e s polticas da sua poca, 
encontram perspectivas comuns

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(organizao, integrao, adaptao), constroem-se por trmites de comparao e de crtica bastante 
semelhantes. O interesse dos socilogos e dos etnlogos converge doravante para a pesquisa das estruturas e 
funes sociais e para uma anlise da dinmica das sociedades actuais. Ao mesmo tempo, no incio dos anos 
50, os antroplogos comeam a dedicar-se ao estudo das sociedades complexas (redes polticas na ndia, 
parentesco americano, economia informal), os socilogos debruam-se sobre os aspectos simblicos do 
comportamento, sobre as micro-relaes de ordem ritual, jurdica, cultural e adaptam os seus mtodos para 
abordar a poltica, o econmico, o cultural nas sociedades do Terceiro Mundo.
C. R.
- Boudon (1969), Cuisenier, Segalen (1986), Grawitz (1986), Mead (1964).

Apolitismo: Atitude de neutralidade, ou mesmo de recuo, em relao  poltica. Um fraco grau de 
empenhamento e uma escassa competncia cognitiva constituem as suas duas principais dimenses. Na 
incapacidade de posicionar-se num eixo esquerda-direita, porque privado dos conhecimentos indispensveis  
expresso de preferncias partidrias, o indivduo apoltico seria tentado pela absteno eleitoral. Alguns 
autores sublinham, no entanto, que, se se ligar demasiado estreitamente participao poltica e competncia 
cognitiva, em ltima anlise j no poder explicar-se o empenhamento de certos operrios comunistas. A 
razo deste mal-entendido tem a ver em parte com a extenso varivel que pode ser conferida  noo de 
campo poltico. Encarada unicamente no espao estreito da poltica "poltica" em si, a competncia poltica  
muitas vezes concebida como o domnio de uma sbia utensilagem poltica, e a participao v-se reduzida 
unicamente ao comportamento eleitoral. Sob este aspecto, o apolitismo doutrinal do anarquista pode levantar 
alguns problemas de interpretao (ao recusar situar-se no espao poltico institudo, o anarquista toma 
posio em relao ao poltico).
P. M.
- Lancelot, Memmi (1985), Gaxie (1978), Lipset (1960), Michelat, Simon (1977).

ARON (Raymond), socilogo francs (Paris 1905 - id. 1983): Rompendo com os herdeiros de A. Comte (. 
Durkheim, F. Simiand), Aron introduz na Frana a sociologia alem, dominada pela figura de M. Weber (La 
Sociologie allemande contemporaine, 1935). Sobre a interrogao, sada de W. Dilthey, sobre a objectividade 
das cincias histricas, ele articula uma reflexo sobre a aco humana na histria e as condies da opo 
poltica (Introduction  la philosophie de l'histoire, 1938a; La Philosophie critique de l'histoire, 1938b).
Depois da guerra, Aron ajuda a descobrir, atravs do seu ensino, as obras de Tocqueville ou de V. Pareto 
(Les tapes de la pense sociologique, 1967). As suas pesquisas orientam-se para o estudo das sociedades 
industriais, das relaes que nelas se instauram entre a estrutura social e o regime poltico (Dix-Huit Leons 
sur la socit industrielle, 1962). Confrontando a experincia dos regimes "constitucionais-pluralistas" com 
os processos habituais dos totalitarismos (Dmocratie et totalitarisme, 1965), as suas anlises comparativas 
fazem ressaltar a fragilidade e as hipteses das sociedades democrticas: a igual distncia de um sistema 
negador das liberdades e de um Estado

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que no se encarregasse de "atenuar os rigores do acaso social", a realidade das sociedades ocidentais esboa 
uma sntese cuja frmula as utopias polticas falharam demasiadas vezes.
S. M.

Arteso e artesanato: Mais que para outras categorias sociais, as definies mantm-se tributrias de 
consideraes jurdicas e administrativas contingentes. O artesanato coincide praticamente com o sector das 
profisses e supe uma inscrio no "Registo" do mesmo nome. Da resulta que o arteso  em primeiro lugar 
um trabalhador manual, formado no trabalho, por aprendizagem directa;  um independente, exercendo por 
sua conta, sozinho ou com a ajuda de membros da sua famlia e de alguns companheiros. O artesanato assim 
designado  uma denominao recente que remonta ao perodo entre as duas guerras. At  Revoluo 
Industrial, o termo "arteso" aplicava-se ao operrio, sem referncia a uma profisso. No sc. XIX, assinalava 
um estatuto (o de "patro") que o distinguia da massa dos assalariados e o aproximava do lojista: uma 
confuso motivada pelo facto de os actos de produo e de venda se recobrirem largamente; donde tambm 
um problema difcil de delimitao que, ainda hoje, no est totalmente resolvido. A dar crdito aos 
recenseamentos, o nmero dos artesos regrediu bastante depressa de 1954 a 1975. O seu efectivo estabilizou-
se em seguida. Uma certa retoma  mesmo sensvel desde 1982 (beneficiando dela, sobretudo, os chefes de 
empresas artesanais de mais de cinco assalariados). No total, a populao activa compreende 760 mil artesos 
autnticos, uma vez descontadas as ajudas familiares que so cerca de 150 mil. A parte dos jovens de menos 
de 35 anos  de 26 por cento. Em relao s outras categorias patronais, esta proporo no  fraca, mas 
mantm-se inferior  revelada na maior parte das categorias de assalariados. A falta de jovens explica-se pelo 
facto de a instalao por sua conta exigir um capital econmico que se adquire por herana ou por 
acumulao. Trata-se de factores que jogam nitidamente em desfavor das mulheres: estas no representam 
mais de 10 por cento dos artesos instalados e encontramo-las reunidas nas actividades de servio, o txtil e o 
vesturio. Quanto ao resto, a construo civil acolhe os efectivos mais numerosos (312 mil), ao passo que os 
artesos de fabrico no ultrapassam os 100 mil, se se exclurem os ofcios de arte. Dir-se-, pois, que o arteso 
resiste muito melhor onde no entra em concorrncia directa com a indstria e onde pode evidenciar uma 
grande competncia individual.
A sociologia no se interessou verdadeiramente por uma actividade e por um grupo que a histria parecia 
condenar. As raras anlises propostas divergem tanto pela sua orientao terica como pelo seu ponto de vista 
metodolgico. B. Zarca (1983) insiste na necessidade de tomar em considerao a identidade do grupo, que 
ele julga encontrar no esprito de profisso visto como instrumento de legitimidade e tambm como elemento 
de distino e de reconhecimento mtuo. Para C. Jaeger (1982), em contrapartida, a especificidade do 
artesanato consiste no facto de ele no permitir acumulao do capital e menos ainda a reproduo alargada 
da empresa. A referncia aos valores de profisso permanece secundria relativamente s condies reais que 
permitem  pequena produo mercantil

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viver nos interstcios do capitalismo moderno. Mas pode igualmente procurar-se fora da situao de trabalho e 
da empresa os elementos necessrios  compreenso do artesanato (Gresle 1981). O grupo assinala-se por 
uma morfologia e uma condio sociais prprias. A funo de produo tal como a prtica do ofcio perdem 
ento a sua funo distintiva em benefcio de determinantes familiares e patrimoniais que esclarecem o seu 
verdadeiro alcance.
F. G.

Arte (sociologia da): A sociologia da arte realizou grandes progressos ao longo dos ltimos vinte anos desde 
que abandonou a reflexo sobre a relao entre a arte e a sociedade para interessar-se, com meios 
especificamente sociolgicos, pelos contextos sociais do nascimento e da recepo das obras.
Foi assim que no decurso dos anos 60 a sociologia da arte se afastou das grandes snteses de inspirao 
marxista, que vem na arte o reflexo da sociedade ou que, de maneira menos simplificadora, avanam a 
hiptese de uma relao de homologia entre as estruturas formais das obras e as estruturas sociais. 
Desenvolveu pesquisas empricas, pondo em aco os conceitos e os mtodos experimentados em outros 
domnios da sociologia.
Num primeiro tempo, a sociologia da arte foi fortemente solicitada pela exigncia institucional  procura 
de uma avaliao das polticas de democratizao cultural. As anlises sociolgicas dos pblicos tiveram um 
lugar importante na investigao e originaram a publicao de obras clssicas (Bourdieu, Darbel 1966). Desde 
ento, trabalhos histricos e sociolgicos j no se orientam apenas para o estudo do "consumo cultural" (a 
frequncia dos museus ou dos concertos), mas tambm para o da percepo esttica.
A extenso do Estado-providncia cultural  proteco social dos criadores, a interveno dos poderes 
pblicos (particularmente na Frana) e das empresas (em particular nos Estados Unidos da Amrica) nos 
mercados do trabalho artstico chamaram, mais recentemente, investigadores para temas novos: morfologia 
das populaes artsticas, diviso do trabalho artstico, profisses e carreiras de artistas, mercados das artes, 
polticas culturais (Moulin 1985). O desenvolvimento da disciplina e o aumento do nmero dos pesquisadores 
favoreceram a concorrncia das interpretaes, e assiste-se hoje a uma grande diversidade terica. A teoria do 
"campo artstico" e das suas articulaes com os outros campos sociais que relaciona a anlise das estratgias 
com um sistema de posies (Bourdieu 1979) e, importada mais recentemente, a do "mundo social da arte" 
que se interessa numa rede de interaco entre os actores que cooperam na produo social do valor artstico 
(Becker 1982) fornecem os principais quadros de descrio e de interpretao.
Dois grandes traos caracterizam a actual sociologia da arte. Por um lado, est menos afastada hoje que 
ontem dos outros segmentos da sociologia: a institucionalizao da arte, a racionalizao dos mercados, a 
profissionalizao (ou desprofissionalizao) dos artistas pem aos socilogos problemas familiares. A 
sociologia da arte contribui assim para esclarecer os actores dos mundos da arte sobre as situaes com as 
quais esto confrontados. Por outro lado, a extenso do conceito de arte, na sua definio actual, alarga o 
campo das pesquisas sociolgicas muito para alm da noo,

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historicamente constituda, de "belas-artes". A anlise das prticas no eruditas (a literatura popular, a msica 
de variedades, o jazz, o rock, a banda desenhada, etc.) caminha a par com a anlise socioeconmica das 
indstrias do livro, do disco, da fotografia, do cinema, do audiovisual. O regresso da palavra "arte" para 
designar aquilo que se chamava, durante os anos 60-70, sociologia da cultura significa em primeiro lugar que 
a tnica  colocada no estudo dos mecanismos sociais da etiquetagem artstica. Temos de felicitar-nos pelos 
esforos levados a cabo para escapar  reduo determinista; mas no podemos evitar a interrogao sobre 
aquilo que, pelo efeito conjugado do relativismo sociolgico (que  um postulado de mtodo) e o hiper-
relativismo esttico (que caracteriza o sc. XX),  ladeado na maioria das anlises, isto , a qualidade da obra.
R. M.

Aspirao: A aspirao  um processo pelo qual um indivduo ou um grupo social  atrado para um fim e 
marca a si prprio objectivos. Chama-se nvel de aspirao o grau de xito que o sujeito ambiciona atingir nos 
diferentes sectores das suas actividades (escolar, profissional, cultural, poltico, etc.). Objectos de numerosos 
estudos de psicologia, as aspiraes nem por isso deixam de fazer parte do domnio da sociologia, na medida 
em que " impossvel estud-las sem situar os homens que as exprimem no conjunto das estruturas sociais, na 
sua cultura particular e no movimento histrico em que esto implicados" (Chombart de Lauwe 1969).
A gnese das aspiraes situa-se ao nvel do comportamento do indivduo, que, tendo em conta os 
constrangimentos estruturais e econmicos, as representaes sociais, escolhe os seus fins calculando os seus 
custos, as vantagens e os riscos. O grau de autonomia do sujeito nesta escolha depende do grau de 
generalidade e de maleabilidade das regras e normas das sociedade. As aspiraes, que envolvem quando as 
estruturas sociais mudam, podem ser elas prprias factores de mudana social.
C. P.-B.

Associao: Em sentido restrito, o termo designa um agrupamento de duas ou vrias pessoas que pem em 
comum, de maneira permanente, os seus conhecimentos e a sua actividade numa finalidade que no seja a de 
partilhar lucros. Juridicamente, a associao ope-se, portanto,  sociedade, cujo objectivo  o enriquecimento 
dos associados. Em sentido amplo, o termo designa todo e qualquer agrupamento, sejam quais forem a sua 
forma jurdica e a sua finalidade.
O fenmeno associativo, que responde  propenso dos homens para se agruparem para a defesa dos seus 
direitos, a propagao das suas ideias e a realizao em comum de um objectivo colectivo, desempenha um 
papel importante nas sociedades modernas, ao mesmo tempo complexas e fragmentadas. Por um lado, as 
associaes constituem um escalo intermdio entre o Estado e o indivduo (ou os grupos primrios); por 
outro lado, facilitam a integrao social de cada um e a aprendizagem da vida colectiva.  assim que as 
associaes constituem o lugar reconhecido de uma expresso que pode ter uma certa influncia sobre as 
decises polticas e ser fonte de uma mudana social.
Y. C.

Atitude: Nas cincias sociais, o termo designa uma orientao das

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condutas ou dos juzos, quando estes apresentam uma certa coerncia e uma certa estabilidade. , pois, uma 
varivel inobservvel, suposta subjacente a condutas ou a expresses verbais. O termo designa com 
frequncia uma orientao geral, por exemplo, a atitude antidemocrtica.
Procurou-se distinguir a atitude de outras caractersticas individuais, como os traos de personalidade, 
supostamente mais estveis, ou as opinies, que flutuam segundo as circunstncias ou os acontecimentos. Mas 
estas noes no tm definio satisfatria. Praticamente, mede-se com frequncia, e portanto define-se 
operacionalmente, uma atitude pelo que  comum a um conjunto de opinies expressas verbalmente ou, mais 
raramente, a um conjunto de comportamentos. A propsito das atitudes pem-se dois problemas principais: 
como  que elas mudam e em que medida  que elas determinam os comportamentos. As pesquisas sobre as 
mudanas de atitude confundem-se com as investigaes sobre a influncia: mostrou-se a influncia de 
informaes novas, da credibilidade da fonte, o papel do conformismo, isto , da tendncia a por-se de acordo 
com a maioria, ou, noutras circunstncias, a possibilidade para uma minoria, se se mostrar suficientemente 
coerente, de modificar as atitudes de outrem. Mostrou-se tambm uma tendncia para pr as suas atitudes de 
acordo com a sua conduta, portanto para manter uma certa coerncia, o que constitui um outro mecanismo de 
modificao das atitudes.
As relaes entre atitudes e comportamentos suscitaram pesquisas muito numerosas, cujos resultados se 
apresentam como contraditrios.  primeira vista, as primeiras deveriam determinar os segundos. Mas uma 
atitude no , em geral, o nico determinante de um comportamento: constrangimentos, interesses, outras 
atitudes podem tambm intervir, assim como as atitudes para com os outros comportamentos possveis. Alm 
disso, se a ideia de que as atitudes determinam o comportamento  a mais imediata, a relao inversa  
tambm possvel.
B. M.
Montmollin (1985).

Autogesto: Em sentido restrito, a autogesto  a gesto das empresas por aqueles que nelas trabalham; em 
sentido amplo,  um modelo que, opondo-se ao modelo leninista de um socialismo "estatal", "burocrtico", 
"autoritrio", define uma gesto descentralizada da sociedade e da sua economia socializada. A autogesto 
confunde-se, ento, com o "federalismo" de Proudhon, que via nela um regime "que permite suprimir o 
entrave constitudo pela propriedade sem cair nas contradies da comunidade".
A. A.

Autoridade: O tema da autoridade foi abordado sob ngulos to variados no quadro da filosofia poltica e das 
cincias sociais que deu lugar a uma pluralidade de concepes; mas podemos procurar por detrs da 
diversidade um ncleo comum.
Conformar-se ou submeter-se  autoridade equivale a "reconhecer" na vontade ou no juzo de uma outra 
pessoa um princpio pertinente de aco ou de apreciaes, sem que se tenham previamente pesado os prs e 
os contras; a ateno volta-se ento para a fonte da comunicao, muito mais que para o seu contedo:  de 
facto a ela que se obtempera ou se aquiesce.  essa, sem dvida, a caracterstica fundamental da autoridade;

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mas as opinies divergem quando se trata de responder  questo dos seus fundamentos. Um primeiro tipo de 
concepo consiste em fazer da autoridade um modo de regulao normativa: assim, T. Parsons acaba por 
definir a autoridade como "a institucionalizao dos direitos" dos dirigentes polticos "a controlar as aces 
dos membros da sociedade em tudo o que se refere  realizao dos fins colectivos" (1960); nesta perspectiva, 
a autoridade instaura uma responsabilidade diferencial a partir de um acordo prvio sobre os objectivos 
prioritrios. Uma segunda concepo, muitas vezes qualificada de "realista", tende a encarar a autoridade sob 
o ngulo da imposio. Se se acompanhar esta corrente de pensamento, o fundamento essencial da autoridade 
deve de facto procurar-se do lado do poder de impor, fazendo apelo, se for caso disso,  coero: assim, M. 
Weber (1922d) distingue, ao lado da dominao econmica, a "dominao em virtude da autoridade" que se 
reconhece precisamente no poder de ordenar e no dever de obedecer; ela consiste, segundo os seus prprios 
termos, num "poder de mandar dotado de autoridade" (autoritrer Befehlsgewalt). No poder, pois, 
estabelecer-se dicotomia radical entre autoridade e coero; mas, como mostra Weber, a insistncia no mando 
no exclui a considerao da legitimidade e das formas mais importantes que ela pode revestir. Por fim, 
segundo uma terceira concepo, a autoridade seria primeiramente fundada na competncia. A autoridade 
profissional (mdico, advogado) tem muito a ver com este modelo; assentando num saber especializado,  
sobretudo de tipo fiducirio: o cliente confia globalmente na competncia superior do especialista, sendo ao 
mesmo tempo incapaz de avaliar a pertinncia das suas directivas. Mas este modelo de autoridade-
competncia no pode ser generalizado  autoridade poltica, nem  autoridade burocrtica a despeito de uma 
tendncia recorrente no pensamento social desde Saint-Simon.
F. C.
- Bourricaud (1961), Friedrich (1858), Jouvenel (1935), Sennett (1980).

Autoritria (personalidade): A expresso "personalidade autoritria" foi lanada pelo livro devido a T. W. 
Adorno e a uma equipa de psiclogos e psicossocilogos de Berkeley (1950). O objectivo destes autores era 
referenciar e medir as correntes ideolgicas antidemocrticas por meio de escalas de atitude e p-las em 
relao com outras atitudes e com as tendncias profundas da personalidade. A escala de autoritarismo, 
tambm chamada escala F (de "fascismo potencial"), compreende vrias componentes, tais como a submisso 
 autoridade, a superstio e a adeso a esteretipos, a projeco nos outros das suas pulses inconscientes, a 
agressividade em relao aos desviantes, etc. Est fortemente relacionada com escalas que medem o anti-
semitismo e o etnocentrismo (pre-conceitos para com os negros, outras minorias e pseudopatriotismo). Esta 
escala F foi, sob uma forma condensada, a escala de atitude mais utilizada nos inquritos sociolgicos dos 
anos 50 e 60. Apresentava, no entanto, srias dificuldades tcnicas (escala do tipo Likert, em que as propostas 
eram unilaterais e estereotipadas); estava enviesada pela tendncia para a aprovao.
PH. BD.
- Alexandre (1971), Lancelot (1962).

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B

Bando: Grupo de jovens mais ou menos estruturado que a sociologia caracteriza em relao ao meio em que 
vive.
Aps primeiros estudos sobretudo sensveis  desorganizao social de certas zonas urbanas, insistiu-se 
em dois aspectos: por um lado, a resposta subcultural  frustrao proletria ou a reaco a condies de vida 
que impedem o acesso ao xito social; por outro, a manifestao de um conflito entre os jovens e a sociedade 
adulta. A tnica colocada na dramatizao hostil por parte da sociedade local, ou mesmo dos media e das 
instituies oficiais, sofre seguramente de um certo unilateralismo. Uma viso mais equilibrada consiste em 
analisar o bando atravs de uma radicalizao das atitudes segregativas que actua entre o interior e o exterior 
do bando. Este modelo  susceptvel de integrar um ou outro dos elementos libertos ou uma das suas 
combinaes.
PH. R.
- Lagre, Lew Fai (1985), Maug, Foss (1977), Monod (1968), Robert, Lascoumes (1974).

Behaviorismo: Teoria psicolgica segundo a qual todo o comportamento (ingl. behavior)  uma resposta a 
estmulos exteriores que actuam sobre os rgos dos sentidos (Watson).
Influenciou uma importante corrente da sociologia americana consagrada ao estudo do condicionamento 
social das condutas individuais e colectivas. Contudo, o behaviorismo social toma em conta os factos de 
conscincia, na medida em que as situaes sociais s influenciam essas condutas em funo da significao 
que lhes atribuem actores socializantes numa cultura e que tm papis especficos (Mead 1934). Psicologia, 
sociologia e antropologia devem, pois, concorrer neste domnio graas  elaborao de conceitos, tais como 
os de atitude, de aprendizagem ou ainda de valor social. Mas  no plano epistemolgico que o behaviorismo 
marcou mais essas disciplinas ao insistir na necessidade de testar empiricamente toda a hiptese e de construir 
apenas conceitos operacionalizveis;  a lio retida pelo behaviorismo em cincia poltica.
C.-H. C.

Biografia: A biografia constitui uma das fontes que os etnlogos utilizam de maneira privilegiada mas que 
pode tambm contribuir para o conhecimento sociolgico e histrico. As histrias de vida pertencem  
tradio sociolgica. Por exemplo, a obra de W. Thomas e F. Znaniecki (1918-1921) sobre Le Paysan 
polonais en Europe et en Amrique  em grande parte fundada sobre narrativas de vida e documentos 
pessoais; a sociologia e a antropologia social americana utilizaram-na muito a partir dos anos de 1925-1930. 
Como escreveu C. Lvi-Strauss, a autobiografia permite reconstituir uma cultura do interior e analisar a 
maneira como se articulam e se interiorizam as instituies e os costumes analisados pelo investigador. A sua 
utilizao levanta, contudo, dois problemas, um de metodologia e outro epistemolgico.
A utilizao das biografias corre o risco de suscitar sempre uma dupla iluso: a de tocar a prpria 
realidade, a de atingir a totalidade. Ora, as narrativas no so o reflexo da prpria realidade; ou do "vivido", 
por definio inacessvel. Como o tinham j sublinhado no fim do

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sc. XIX G. Simmel e W. Dilthey, estas narrativas propem uma reconstruo intelectual de um passado, 
inevitavelmente orientada pela presena do investigador quando se trata de uma conversa e, em todos os 
casos, pelo trabalho da memria e pelo significado que a evoluo do presente d ao passado.
A utilizao da biografia corre tambm o risco de dar ao investigador a iluso de que pode ter acesso  
"essncia" do indivduo, do grupo familiar e mesmo do grupo social na sua totalidade e de que pode assim 
fazer a economia do esforo de anlise e de inteligibilidade especfica do trabalho cientfico. A biografia no 
constitui de maneira nenhuma o equivalente do conhecimento:  um documento em bruto, com frequncia 
evocador ou emocionante, literariamente superior  anlise rigorosa, mas que tem de ser tratado como todos 
os documentos, todas as informaes, todos os dados em bruto: tem de ser criticado, avaliado, inserido na 
anlise ou na demonstrao. No deve fascinar o investigador a ponto de faz-lo renunciar ao trabalho de 
conhecimento propriamente cientfico.
O outro problema incide sobre a significao do caso individual para o conhecimento dos fenmenos 
colectivos, objecto primeiro do conhecimento sociolgico: que  que se conhece de generalizvel a uma 
sociedade ou a uma cultura dada a partir de um relato feito por um indivduo sobre si prprio ou de um relato 
centrado sobre um indivduo? Os mtodos das cincias humanas s se justificam pelo objecto da pesquisa. As 
biografias so documentos particularmente ricos para analisar as relaes entre o indivduo e a sua cultura.
Quando se trata de estudar outros problemas sociolgicos, os contributos das biografias so mais fracos.
D. S.

Bruxaria: Enquanto poder de causar dano aos outros por meio de uma aco espiritual, a bruxaria distingue-
se do feitio produzido pelo lanador de maus olhados, que utiliza meios materiais. Os Azand, estudados por 
E. E. Evans-Pritchard (1937), crem-na ligada a uma substncia que o corpo de certos indivduos contm e 
que se herda do progenitor do mesmo sexo. Ningum sabe, a no ser por autpsia post mortem, se possui tal 
substncia. Enquanto inconscientes das suas aces nocivas, os bruxos no so objecto de nenhuma 
reprovao moral, mas a bruxaria  uma fonte importante de preocupaes.
Condenada como acto ofensivo, malfica para o grupo social na medida em que se supe ser responsvel 
pela doena, pela morte, pela m colheita, pelo fracasso nos negcios..., a agresso pelo bruxedo supe-se 
empreendida por um indivduo ou um grupo de indivduos que se suspeita devorarem as almas (vampirismo), 
terem o dom da dupla viso, circularem de noite, poderem desaparecer  sua vontade (inverso e aco "em 
duplicado"), metamorfosearem-se. As orgias de bruxaria evocam-se em fim de festim canibalesco aps o 
assassnio de uma pessoa. Entre os critrios de reconhecimento dos bruxos figuram os desvios em relao s 
normas: os excessos de afeio, de pobreza ou de riqueza, a esterilidade, o encarniamento na luta pelo poder, 
o rancor tenaz contra um membro da famlia. Meio de detectar os bruxos, o orculo indica tambm os meios 
rituais para proteger-se deles (encantamento, exorcismo, banimento, morte).
A teologia do sc. XVI juntava a propsito das bruxas o delrio do esprito, a heresia e o frenesim sexual.

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27
A obsesso do diabo favorecia a caa s bruxas e o sacrifcio ritual visava acalmar os medos sados das 
perturbaes deste perodo de mutao.
A bruxaria mantm o temor dos desvios e das tenses nocivas  sociedade e joga assim a favor da 
manuteno da ordem social. Sociologicamente,  tranquilizante na medida em que se tem a sensao de ter 
identificado um mal e poder remedi-lo. Psicologicamente, funciona como elemento dissuasor ao nomear os 
motivos de ansiedade e ao desviar a hostilidade para um factor preciso de nocividade. Ideologicamente 
explica, pela aco de espritos maus, a selectividade dos acidentes, das desgraas, das calamidades que 
atingem uns e no outros. Explica-se tambm pelos infortnios da libido e pela projeco das paixes.
C. R.
- Favret-Saada (1977), Mair (1969).

Burguesia: Nas sociedades agrrias da Idade Mdia, o termo designa os habitantes de uma cidade que pela 
sua actividade no agrcola gozam de privilgios particulares. De K. Marx a W. Sombart (1913), ganhou-se o 
hbito de fazer do burgus o portador do esprito capitalista. A burguesia  vista como uma fora de progresso 
que leva  liquidao do modo de produo feudal, substituindo-o por um modo revolucionrio, porque 
fundado na grande indstria e no domnio do capital. Marx mantm-se, no entanto, sensvel  variedade da 
burguesia, da qual isola trs fraces de interesses diferentes: a imobiliria, a financeira e a industrial. M. 
Perrot (1961) e J. P. Chaline (1982) confirmam a hiptese da diversidade da classe, no seu pleno 
florescimento, no sc. XIX. Os seus pilares so ento a advocacia, a medicina e a empresa. O seu domnio no 
assenta apenas na posse dos meios de produo nem no dinheiro. Os costumes, a educao, o modo de vida 
distinguem nitidamente os burgueses (Goblot 1925), sem falar da conscincia de constiturem um escol apto a 
dirigir as sociedades modernas. Estes traos no desapareceram nos nossos dias. Mas o socilogo utiliza 
pouco um conceito que tem o mrito de lembrar a permanncia dos grandes tipos sociais.
F. G.

Burocracia: Na linguagem corrente, a palavra "burocracia" ganhou uma conotao pejorativa. E sinnimo de 
lentido, de processos inutilmente complicados e a burocratizao designa ento o processo pelo qual uma 
actividade ou uma organizao se tornam rgidas. Na viso mais normativa do socilogo, estes fenmenos so 
considerados como "disfunes burocrticas", isto , como efeitos negativos no previsveis produzidos por 
um modo de organizao cada vez mais espalhado nas sociedades modernas.
Com M. Weber (1922a), poder-se-ia caracteriz-la pelos traos seguintes: pela continuidade (insere-se 
numa ordem legal que o detentor da autoridade hierrquica no faz mais que aplicar), pelo predomnio do 
processo escrito, pela existncia de um corpo de regras impessoais que delimitam com preciso as esferas de 
competncias e os direitos e deveres de cada um, por uma hierarquia das funes que cria laos de 
subordinao claros, pelo facto de o acesso aos vrios postos se fazer exclusivamente em funo da 
qualificao publicamente constatada (exames ou concursos), finalmente pela separao entre as funes de 
direco e a posse dos meios de produo. Para Weber, um tal modo

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de organizao, que caracteriza, sem dvida, as administraes pblicas, mas tambm a maior parte das 
organizaes industriais e comerciais de uma certa dimenso,  superior s organizaes tradicionais, porque, 
graas  formalizao e  estandardizao das actividades, permite um funcionamento regido por regras mais 
objectivas, e portanto mais regular e mais previsvel. Est destinado a desenvolver-se justamente em virtude 
da sua maior eficcia. R. Merton (1949) e M. Crozier (1964) puseram em evidncia que as caractersticas 
organizacionais de formalismo e de impersonalidade traziam consigo consequncias "disfuncionais" sobre os 
componamentos dos membros da organizao que iam no apenas contra a eficcia desta mas que produziam, 
alm disso, crculos viciosos de burocratizao (sendo estas consequncias no previstas combatidas por uma 
acentuao dos traos organizativos de partida). Em segundo lugar, mostraram que estas caractersticas 
preenchiam funes latentes para os membros da organizao, ou seja, que permitiam reduzir as tenses 
interpessoais inerentes s necessidades da subordinao e do controlo nas actividades organizadas. A 
burocracia, longe de ser uma fatalidade em virtude da sua eficcia, apresenta-se nesta perspectiva 
simplesmente como uma das solues possveis para o problema da aco colectiva, isto , da organizao de 
uma cooperao entre actores por certo interdependentes, mas ao mesmo tempo relativamente autnomos. E, 
como tal, ela  um fenmeno profundamente cultural, no sentido em que o seu desenvolvimento  
condicionado pelas capacidades relacionais e organizacionais dos membros de uma sociedade. Por isso pde 
ligar-se o desenvolvimento da burocracia  francesa com os traos culturais profundos da sociedade francesa 
(Crozier 1964).
Mas  tambm nesta perspectiva que se pode procurar compreender o desenvolvimento recente de modos 
de organizao cada vez menos burocrticos num nmero crescente de empresas industriais e comerciais, ou 
mesmo de servios administrativos.
E. F.

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29

C

Campons: R. Redfield (1956) distingue o campons do agricultor. O primeiro goza de uma relativa 
autonomia no seio de uma sociedade global, no industrial, que o domina sem esmag-lo. A especializao 
das suas tarefas, quando existe, faz-se no quadro do grupo domstico que  a unidade de base de uma rede 
alde de interconhecimento. Os seus contactos necessrios com o exterior so assegurados pelos notveis, que 
so os seus intermedirios reconhecidos. Neste modelo, todos os membros da comunidade, seja qual for a sua 
relao com a terra, so "camponeses" e a sociedade dita camponesa modela os valores e os costumes dos que 
so seus membros. A hiptese  sedutora. Mas, se se definirem os camponeses pela sua incluso numa 
sociedade mais ampla (Mendras 1976), no se v como  que eles poderiam constituir uma sociedade 
especfica. Convm pois considerar, para a poca actual, que subsistem colectividades camponesas compostas 
principalmente por agricultores, isto , por trabalhadores da terra, proprietrios dos seus meios de produo. 
Em toda a parte, o advento das sociedades industriais conduziu  sua derrocada numrica. A originalidade da 
Frana neste captulo consiste no facto de este recuo ter sido nela mais sensvel que noutros lados. Em 1954, a 
populao activa compreendia 4 milhes de agricultores. Este efectivo caiu para 3 milhes em 1962 e para 1,7 
milhes em 1975, ou seja, verificou-se uma diminuio anual mdia de 4,4 por cento. Apesar de um certo 
afrouxamento na descida destes ltimos anos (-2,3 por cento), os agricultores no passavam de 1,3 milhes 
em 1985, altura em que representavam menos de 7 por cento da populao activa. Embora seja difcil medir a 
participao exacta das mulheres, a agricultura continua a ser muito masculina (37 por cento dos exploradores 
agrcolas declarados so mulheres),  qual os estrangeiros no tm praticamente acesso (so menos de 1 por 
cento).
Este rpido declnio foi acompanhado de um ntido envelhecimento da populao envolvida. Em 1982, 
apenas um agricultor em cinco tinha menos de 35 anos, e poucos filhos aceitam suceder a seus pais na 
explorao da terra. Mas estes traos durveis no podero esconder as transformaes em curso. Se as 
entradas na agricultura so agora pouco numerosas, elas verificam-se numa idade mais tardia e parecem mais 
firmes. H que ver em tal facto o resultado de uma formao mais adaptada (58 por cento dos menos de 35 
anos tm um diploma profissional contra os 14 por cento dos mais velhos) e de uma evoluo das exploraes 
que so mais modernas e menos exguas que no passado, sobretudo quando pertencem a jovens. A imagem do 
agricultor j de idade, chefe de uma famlia de grande dimenso, de fracos rendimentos (se bem que mal 
captados) j no  realista. E mantm-se fortes disparidades que desmentem a proclamada unidade do mundo 
campons (Gervais et al. 1976).
Baseando-se nesta verificao, os socilogos divergem nos seus juzos sobre o futuro do campesinato 
ocidental. Para uns, ele deixou praticamente de existir (Mendras 1967), ainda que a utopia (rousseaunista?) de 
comunidades autnomas subsista e alimente os projectos fantasmticos daqueles que procuram abolir as 
barreiras que separam o rural do urbano. Outros, mais prximos do marxismo, consideram que se produziram

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mutaes decisivas aps a ltima guerra, quando os camponeses tornados agricultores foram integrados  
fora no sistema capitalista. Obrigados a abandonar a policultura autrcica, foram autoritariamente orientados 
para a produo de valores de troca regulados pelo mercado (Jollivet et al. 1974). Mas, se a proletarizao de 
uma fraco dos camponeses  inegvel, ela revela-se incapaz de traduzir por si s o abalo que o campesinato 
conhece actualmente.
F. G.

Capitalismo: O termo, aparecido no incio do sc. XIX, acabou por impor-se para designar uma certa 
organizao das actividades econmicas. Paralelamente, a noo de capitalismo serviu de ponto de reunio 
para todos aqueles que rejeitavam este ou aquele aspecto do mundo moderno. Recebeu portanto, ao longo do 
mesmo sc. XIX, uma acepo cada vez mais negativa, de que parece difcil e intil libert-la.
O termo designa, de facto, quatro realidades ao mesmo tempo econmicas, polticas e culturais. No 
primeiro sentido, o capitalismo  definido pela apropriao privada dos meios de produo. Essa apropriao 
 acompanhada por uma separao entre o ou os detentores do capital e o trabalho indispensvel  sua 
activao. O anticapitalismo visa eliminar esta separao, quer ao permitir a todos os trabalhadores de uma 
unidade de produo tornarem-se os proprietrios colectivos do seu capital quer ao transferir para o Estado a 
propriedade de todo o capital de um pas.
Num segundo sentido, o capitalismo  compreendido como uma economia de mercado, em que os 
produtores e os consumidores se encontram em mercados regulados, para trocar e partilhar bens e servios. 
Estes encontros do lugar a inmeras negociaes que acabam por concluir-se e exprimir-se em preos. Cada 
preo  uma informao que traduz raridades relativas que permite aos agentes econmicos tomar decises de 
compra, de venda, de investimentos, de poupana, cuja agregao favorece a eficcia do aparelho econmico 
no seu conjunto. O anticapitalismo prope-se substituir o mercado por uma planificao gerida pelas 
autoridades polticas.
Numa terceira acepo, o capitalismo  o regime econmico animado pelos capitalistas ou pelos 
empreendedores ou pelos capites de indstria. Um empreendedor  um actor social que faz a aposta de que, 
ao combinar capital, trabalho, matrias-primas, mquinas, patentes, etc., oferecer um bem ou um servio 
susceptvel de encontrar no mercado uma procura solvvel. O lucro  a recompensa monetria de uma aposta 
mantida. Como uma iniciativa lucrativa suscita de imediato outras iniciativas, a concorrncia tende 
constantemente a dissolver o lucro. Este s pode renascer a partir de uma nova iniciativa, a menos que os 
proponentes de bens ou de servios consigam impedir a entrada no mercado de novos concorrentes. O 
anticapitalismo prope-se substituir os empreendedores quer por funcionrios pblicos quer por responsveis 
eleitos pelos membros da empresa. Estas trs primeiras definies do capitalismo no so reservadas ao 
mundo moderno que emergiu na Europa no fim do sc. XVIII e no sc. XIX. Encontramos exemplos seus um 
pouco por toda a parte na histria dos diferentes povos.
A ltima acepo, prpria do mundo moderno, designa uma civilizao que parece atribuir-se como

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objectivo prioritrio o aumento indefinido da produo e do consumo de bens e de servios. Este crescimento 
sem fim  tornado possvel pelo desenvolvimento cientfico e tcnico, que permite aumentar a eficcia do 
aparelho de produo, oferecer preos relativos cada vez mais baixos e alargar o crculo do consumo a 
candidatos cada vez mais numerosos, mais repletos e menos satisfeitos. O anticapitalismo considera que uma 
civilizao centrada na economia no d resposta aos fins autnticos do homem. Prope aos homens que se 
regresse a valores mais nobres, religiosos, ticos, militares, polticos ou estticos.
J. B.
- Braudel (1979), Mantoux (1906), Marx (1867), Schumpeter (1942).

Carcter nacional: A ideia de carcter nacional liga-se a trs correntes principais.
1. Na corrente germnica da psicologia dos povos desenvolvida  volta de M. Lazarus, H. Steithal, nos 
anos 1860, as noes de esprito de um povo (Vlksgeist) e de alma de um povo (Vlksseele) aparecem como 
centrais.
Para elaborar uma psicologia da cultura, W. Wundt interessa-se nas criaes do esprito colectivo: a 
lngua, a arte, o mito e os costumes. A ideia de carcter nacional torna-se o objecto a construir por uma 
Vlkercharakterologie. Mas seguidamente, ao identificar certas naes com raas puras, que no existem em 
lado nenhum, e ao ligarem-se a mitos a que votavam um culto idoltrico, os membros deste grupo 
desacreditaram-se pelo seu racismo pangermnico.
2. A antropologia culturalista americana, nos anos 40 (e entre os seus representantes A. Kardiner e R. 
Benedict, nomeadamente), procura identifcar as estruturas reaccionais comuns provenientes do mundo da 
educao das crianas, que se traduzem por comportamentos adultos do mesmo tipo e que contribuem para a 
manuteno das estruturas sociais. Produto da famlia, dos usos, da educao, a personalidade de base  
especificada num quadro cultural, nacional para as sociedades modernas (o Japons, o Brasileiro), tnica para 
as sociedades tradicionais (tipo apolneo do Hopi). Seriam mais especialmente caractersticas suas: as tcnicas 
de pensamento ou constelaes de ideias, a formao do superego, as atitudes para com os seres 
sobrenaturais.
3. A escola francesa de etnopsicologia  volta de A. Miroglio (1958) procura construir uma cincia das 
diferenas entre tipos etnopsquicos. O carcter nacional definir-se-ia pelas crenas, reaces e condutas 
distintivas, pelas propriedades psicolgicas ou somticas, comuns aos membros de um grupo considerado, 
constituindo um conjunto mais ou menos estruturado e relativamente estvel atravs da diversidade das 
situaes. Mas como ler o homogneo no diverso?
C. R.
- Gorer (1949), Riesman (1955), Stoetzel (1954).

Carisma: O carisma representa uma forma de poder pessoal graas ao qual o guia, o heri, o chefe de 
qualidades supostamente extraordinrias e sobre-humanas, atrai para ele a multido dos seus fiis. O lder 
carismtico no pertence apenas s pocas recuadas da histria: nos nossos dias, encontramo-lo ainda em 
sociedades em vias de desenvolvimento e nas sociedades consideradas as mais modernas.  que, mesmo que 
no se exprima atravs do direito e da lei, o poder do lder

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carismtico  tambm ele considerado como legtimo nas sociedades mais racionalizadas. S que, estando 
ligado  personalidade do seu detentor, permanece muito frgil e provisrio. Como  quase impossvel torn-
lo permanente, institucionaliz-lo e transmiti-lo, sobrevm crises na maioria das vezes quando o heri 
desaparece.
P. B.

Casamento: Nas sociedades simples, como nas sociedades camponesas tradicionais, o casamento apresenta-
se como um acto de ordem poltica e econmica; as decises neste domnio so tomadas pelas linhagens e 
pelos grupos familiares, que controlam assim directamente o processo da sua reproduo. Nas sociedades 
desenvolvidas como a Frana, escolha do cnjuge e formao do casal tornaram-se um assunto de ordem 
privada, o que no os impede de continuarem a ser um elo fundamental da reproduo da sociedade.
Em Frana, as pessoas casam-se menos que no passado. E, no entanto, os casais mantiveram-se quase to 
numerosos como dantes, porque o dfice em casais casados foi globalmente compensado pelo aumento dos 
casais que vivem em simples coabitao. O casamento, quando se verifica, j no  de resto aquele rito 
imponente que determinava para cada um dos parceiros a entrada numa nova vida. Nos anos 80, a maioria dos 
casamentos faz-se na sequncia de um perodo de coabitao juvenil. Esta maior flexibilidade da entrada na 
vida conjugal inscreve-se numa recomposio dos modos de passagem  idade adulta. Maior precocidade das 
primeiras relaes sexuais e atraso na obteno do primeiro emprego estvel introduzem uma discordncia de 
calendrio, que o desenvolvimento da unio informal permite regular parcialmente.
A entrada na vida conjugal  um fenmeno mais carregado de consequncias para as mulheres que para os 
homens. Quando a situao social das mulheres se modifica, as suas prticas matrimoniais transformam-se 
igualmente. Ora, a relao das mulheres com o trabalho mudou muito a partir dos anos 60. Ao mesmo tempo 
que a sua proporo se elevava na populao activa, os empregos mudavam. As configuraes conjugais 
outrora dominantes, associando um homem e uma mulher numa mesma unidade produtiva familiar, ou ento 
um homem trabalhando no exterior enquanto a mulher se consagrava ao seu lar, reclamavam uma forma de 
compromisso bastante estvel e bastante rgida entre os cnjuges. O casamento preenchia esse papel 
protegendo a mulher, mas consagrando ao mesmo tempo a perda da sua autonomia. Actualmente, quando 
ambos os parceiros so assalariados e as mulheres ganharam a sua autonomia financeira, estas tm menos 
necessidade de uma forma conjugal constrangedora e podem contentar-se com um "casamento sem papis". 
Decididamente, a unio sem casamento deve uma boa parte do seu sucesso ao facto de ser uma forma flexvel 
e neutra, ideologicamente heterognea, que corresponde segundo os casos a uma primeira tentativa de vida 
comum ou a um compromisso quase matrimonial.
O desenvolvimento da unio informal e a evoluo dos comportamentos sexuais no levaram de modo 
nenhum a um enfraquecimento da homogamia social, cuja fora A. Girard constatava j num inqurito 
realizado em 1959. Continua-se a escolher parceiros socialmente prximos. O que mudou foram os 
mecanismos que produzem essa homogamia.

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Pode ver-se isso mesmo examinando os lugares em que se encontra pela primeira vez o seu cnjuge. 
Actualmente, os encontros fazem-se num amplo leque de lugares. Aos lugares de estudo ou de trabalho h que 
acrescentar a diversidade das actividades de lazer e dos lugares pblicos. Mas tal diversidade  muito recente. 
Nos anos 20, dois casamentos em trs eram concludos na sequncia de um encontro no baile, no quadro do 
trabalho, na vizinhana ou por ocasio de uma visita a um particular. Cinquenta anos mais tarde, estas quatro 
circunstncias representam apenas um tero dos encontros. O facto marcante  o declnio regular dos 
encontros de vizinhana. Era o mais importante modo de encontro dos anos 20: quase desapareceu nos nossos 
dias. Na longa durao, a instituio produtiva por excelncia  o baile. O seu contributo para a formao dos 
casais atinge o seu mximo histrico nos anos 60 (no menos que um encontro em cinco), para depois cair 
para metade. A medida que o baile declina, o seu pblico  cada vez mais rural. O xito matrimonial dos 
bailes afirmou-se nos campos com o aumento do xodo rural e o declnio do interconhecimento. O 
desenvolvimento considervel dos encontros em lugares pblicos (rua, cidade, bairro, caf, centro comercial, 
hospital, etc.) nos anos 60 traz ao declnio dos encontros entre vizinhos uma compensao mais estvel que o 
baile. No espao privado, o encontro proporcionado por um membro ou um amigo mais velho da famlia cede 
o lugar ao sero danante autogerido pela jovem gerao. Do olhar vigilante da famlia e da vizinhana, 
passou-se  interveno mais malevel dos grupos de pares. No se escolhe um lugar qualquer para encontrar 
o seu cnjuge. As classes populares descobrem o seu cnjuge nos lugares pblicos abertos a todos: festas 
pblicas, feiras, bailes, rua, cafs, centros comerciais, passeios, cinema, meios de transporte, etc. As classes 
superiores, por seu turno, travam conhecimento com o seu cnjuge nos lugares reservados onde no entra 
qualquer um (associao, lugar de trabalho, restaurante, bote, concerto, etc.), cujo acesso  regulado por um 
numerus clausus obtido formalmente, por seleco ou cooptao ou, de modo igualmente seguro, pelo efeito 
dissuasor que exercem certas regras de comportamento prprias da instituio. Por detrs da multiplicidade 
dos cenrios de encontro patenteia-se uma lgica social da homogamia. A oposio fundamental do fechado e 
do aberto tende a segmentar o mercado matrimonial sem que seja preciso necessariamente ver nisso o efeito 
de estratgias especficas: uma parte considervel do trabalho de seleco realiza-se j a montante, atravs de 
prticas de sociabilidade. O "mercado matrimonial" poderia funcionar se tivesse de contar unicamente com as 
estratgias dos interessados?
M. B.
- Bozon, Hrau (1987-1988), Roussel (1975), Singly (1987).

Casta: A palavra designa uma organizao social original, que se encontra apenas na ndia, desde h cerca de 
dois mil anos. A palavra - que significa "puro" em portugus -  infeliz, porque mistura duas realidades muito 
diferentes numa designao nica e pe a tnica numa dimenso religiosa real mas secundria.
O regime das castas , em primeiro lugar, um regime de ordens ou de estados em que as pessoas so 
catalogadas hereditariamente em algumas categorias definidas legalmente,

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sancionadas politicamente e especializadas funcionalmente. Na ndia, estas ordens ou estados chamam-se 
varna e so em nmero de quatro. Os brmanes so especialistas do sagrado; os ksatriya reservam para si a 
guerra e a poltica; os vaisya so os produtores, agricultores, criadores de gado, artfices, negociantes; os 
sudra so os servidores dos trs primeiros varna. Com o tempo, os excludos do sistema, os "fora-castas", 
acabaram por constituir uma quase-varna de intocveis. De facto, este regime de varna nunca teve realidade 
permanente, a no ser nos escritos dos brmanes. Praticamente, nunca houve, desde os ltimos sculos que 
precederam a era crist, seno brmanes, sudra e intocveis. Um regime de ordens  coisa corrente. nico na 
ndia  o regime das jati, a que deveria ser reservada a palavra casta. A jati  um grupo humano articulado em 
dois nveis. Ao nvel da circunscrio, englobando uma centena de aldeias ou mais,  um grupo estritamente 
endgamo, composto de famlias alargadas exgamas; separado dos outros grupos de igual definio por um 
conjunto complexo e rgido de regras de poluio; especializado em certas actividades econmicas, colocado 
numa hierarquia no cume da qual figura sempre uma jati de brmanes; tendo uma organizao prpria, capaz 
de resolver os diferendos internos e de gerir os interesses comuns. Ao nvel da aldeia, cada jati  representada 
por um segmento. Todos os segmentos da aldeia esto ligados uns aos outros por um sistema de prestaes e 
de contraprestaes em bens e em servios. Estas trocas so dissimtricas e jogam a favor dos segmentos da 
jati proprietrios da terra. 
O regime das jati  prprio da ndia. Tem de notvel o facto de permitir a perpetuao de unidades sociais 
e regionais, assegurando-lhes uma autarcia econmica, religiosa, demogrfica e afectiva quase completa, fora 
de todos os enquadramentos polticos estveis.
J. B.
- Baechler (1988), Bougl (1908), Dumont (1966), Senart (1896).

Categorias socioprofissionais: Elaboradas pelo INSEE, tm como objectivo classificar o conjunto da 
populao activa francesa num nmero restrito de grandes categorias que tm uma certa homogeneidade 
social. As pessoas que pertencem a uma mesma categoria presume-se poderem manter relaes entre si, terem 
comportamentos e opinies aproximadas, considerarem-se como pertencendo a uma mesma categoria e serem 
consideradas como tais pelos outros. No se trata de uma simples classificao estatstica. As categorias 
consideradas reflectem a representao que a sociedade pode ter de si prpria num dado momento. A 
nomenclatura corresponde a palavras usuais da lngua francesa (operrios, empregados, quadros, etc.) de 
maneira que as pessoas que pertencem a essas categorias tero tendncia a utilizar esses mesmos termos para 
designar a sua situao profissional.
Este sistema de classificao  o desembocar de uma longa acumulao histrica. Integra e sintetiza as 
diferentes maneiras como as profisses foram sendo registadas  maneira que a sociedade se diversificava. 
No  pois de espantar que uma tal nomenclatura remeta para mltiplas dimenses:  ao mesmo tempo uma 
diviso em profisses, uma grelha de qualificaes, uma hierarquia de aptides, uma escala de estatutos 
sociais e um recorte em meios que agrupam pessoas prximas pelos seus comportamentos sociais. De um 
ponto de vista

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terico, este sistema assenta numa lgica da estratificao social: diferentemente de uma decomposio em 
classes sociais,  uma classificao total, contnua e ordenada. De um ponto de vista prtico, o cdigo 
corresponde a uma dupla preocupao: obter uma classificao que d correlaes fortes com diversas 
categorias (econmicas, polticas, demogrficas, etc.) e satisfazer os utilizadores que pedem uma descrio 
simplificada em alguns grandes grupos, com uma cifragem fcil e facilmente interpretvel.
Pensada para satisfazer o mximo de utilizaes, a classificao socioprofissional  necessariamente 
imperfeita para cada um desses usos em particular. O cdigo das categorias socioprofissionais foi utilizado 
em todos os campos da sociologia, nomeadamente na sociologia da educao, na sociologia eleitoral ou para 
o estudo da mobilidade social. Foi a partir dessas categorias que se definiram as percentagens dos modelos de 
inqurito. Esta classificao apresenta, alm disso, a vantagem de facilitar o confronto de inquritos diversos 
e de permitir teis comparaes no tempo. Para tal tem de conciliar dois imperativos contraditrios: a 
estabilidade das categorias e a adaptao  evoluo da estrutura social.  por isso que, desde a sua criao 
em 1954 at 1982, o cdigo conheceu apenas ligeiras modificaes. Em 1982, foi objecto de uma reforma que 
conduziu a uma nova nomenclatura dita das "Profisses e categorias socioprofissionais" (PCS).
D. D.
- Porte (1961), Desrosires, Thvenot (1988).

Causalidade: Dizer que o estatuto socioeconmico da familia dos alunos determina o seu xito escolar 
significa, pelo menos, trs coisas. Em primeiro lugar, a primeira varivel, dita independente ou explicativa,  
logicamente e/ou cronologicamente anterior  segunda varivel, que se qualifica de dependente ou a explicar. 
Em segundo lugar, a correlao entre os dois fenmenos  verdadeira e no falaciosa: -o de facto se, ao 
introduzir uma terceira varivel de controlo, pertinente, a correlao no se anula. No exemplo seguinte, 
observa-se uma relao forte entre o sexo e a proporo de acidentes de trnsito: proporcionalmente, as 
mulheres tm menos acidentes que os homens. Mas quando se toma em conta o nmero de quilmetros 
percorridos por ano, a relao anteriormente verificada desaparece: em igual distncia percorrida, as mulheres 
tm tantos acidentes como os homens. Em terceiro lugar, a relao causal entre duas variveis no  uma 
relao de implicao lgica como em certas cincias exactas. Nas cincias sociais, a relao de implicao  
dbil e envolve apenas conjuntos e no determinado indivduo particular. Esta causalidade estatstica remete 
para a mdia calculada a partir de observaes relativas a grupos. Verifica-se que a mdia do grupo de 
crianas sadas da classe superior  mais elevada que a de alunos da classe mdia, que  ela prpria mais 
elevada que a de alunos das classes populares. No significa, pois, que um aluno qualquer do primeiro grupo 
tem maior xito escolar que no importa que aluno da segunda ou da terceira classe. A causa no  nem uma 
condio necessria (pode-se de facto ter bons resultados escolares independentemente da sua classe de 
origem) nem uma condio suficiente (no basta ser rico para ter xito), e ainda menos uma condio 
necessria e suficiente. Com todo o rigor, falar-se- mais de relao de

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dependncia que de causalidade na medida em que esta supe uma experimentao que no  praticamente 
possvel nas cincias sociais. Ao analisar a varivel dependente em funo no de uma mas de duas variveis 
independentes, vem-se aparecer estruturas causais estritamente aditivas (a varivel dependente  uma funo 
da soma dos pesos respectivos das variveis independentes) ou interactivas (a influncia da primeira varivel 
independente sobre a varivel dependente  ela prpria influnciada pela segunda varivel independente).
As tcnicas de anlise causal mais frequentemente utilizadas so a regresso, a anlise de dependncia e a 
anlise log-linear.
M. C.
- Boudon (1968, 1969), Lazarsfeld, Rosenberg (1955).

Celibatrio: Segundo as agncias matrimoniais, a situao celibatria reveste formas particulares segundo as 
diferenas sociais dos homens e das mulheres. Com efeito, essas diferenas so muito mais denunciadas entre 
as mulheres que entre os homens. Ao passo que as possibilidades estatsticas de ser celibatrio (aps os trinta 
e cinco anos) so mais fracas para os homens quadros que para os homens operrios, tais hipteses so mais 
fortes para as mulheres muito diplomadas que para as mulheres pouco diplomadas. A lgica social das 
alianas  tal que nenhuma correspondncia entre estes dois grupos de celibatrios pode ser estabelecida.
Se o casamento  um bem social, a excluso dos homens mais pobres parece compreensvel: o seu valor 
profissional  demasiado fraco para poder ser objecto de troca no mercado matrimonial. Para explicar o facto 
de o acesso  vida conjugal ser menos fcil para as mulheres mais dotadas, dois argumentos devem ser 
avanados, remetendo cada um deles directamente para os interesses em presena (De Singly 1987):
1. masculinos. Os homens procuram evitar mulheres demasiado diplomadas, "intelectuais", porque temem 
perder uma parte do seu poder no seio do casal;
2. femininos. Quando tm diplomas suficientes, as mulheres procuram evitar o casamento que lhes impede 
o prosseguimento de uma carreira profissional, dada a diviso do trabalho entre os cnjuges.
Um outro elemento intervm na produo social deste celibato:  o desfasamento entre o calendrio 
escolar e o calendrio matrimonial, desfasamento maior para as mulheres que para os homens. Os 
investimentos nos estudos e nos incios da vida profissional tm tendncia para retardar a deciso matrimonial 
das mulheres. Donde um desnvel em relao  idade mdia do casamento, mais jovem para o sexo feminino 
considerado no seu conjunto.
As representaes sociais do um sentido ao celibato. Os anos 80 contriburam para legitimar o celibato 
feminino ao encorajar a unio em detrimento do casamento. Alguns slogans vo nesse sentido: "O Vero a 
dois  natural"; "A sua vida profissional corre-lhe bem, mas isola-o e j no lhe basta". Estas declaraes 
favorecem uma nova gesto da vida privada, no excluindo a vida conjugal na condio de ela no impedir 
nenhum dos parceiros de levar a sua existncia como muito bem entender (De Singly 1987). Mais ainda que 
os homens, as mulheres celibatrias representam este ideal do individualismo (enaltecido sobretudo pelas 
pessoas mais diplomadas) na medida em que elas parecem ter escolhido essa situao,contrariamente aos 
homens.

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No sc. XIX, "os celibatrios... so marginais que vivem na periferia de uma sociedade cujo centro  a 
familia" (Perrot 1987). Em contra-partida, na nossa poca, a relao para com o celibato transformou-se. Com 
efeito, a familia institucional j no ocupa um lugar central. Os celibatrios apresentam-se como os 
mensageiros dos novos valores que regem a vida privada (independncia dos sentimentos e crtica da 
instituio matrimonial; independncia dos cnjuges e crtica da diviso sexual do trabalho).
F. S.
- Borie (1976).

Centro/Periferia: Em todo o sistema poltico moderno, os lugares de exerccio do poder estruturam-se 
sempre num centro e numa periferia que so interdependentes e que se condicionam mutuamente. A anlise 
da articulao destes dois nveis e dos seus mecanismos de interaco (por exemplo, P. Grmion 1976, para a 
Frana) fornece um enquadramento conceptual til e realista para a comparao dos regimes polticos, ao 
permitir, nomeadamente, ultrapassar a oposio muitas vezes demasiado formal entre regimes centralizados e 
descentralizados e caracterizar de maneira mais concreta a dinmica da vida poltica e institucional.
E. F.
- Grmion (1976).

Chicago (escola de): Nascida no seio do departamento de sociologia da Universidade de Chicago, a escola da 
ecologia urbana conheceu o seu apogeu durante os decnios 1920-1930. Na sequncia dos trabalhos 
empreendidos por W. Thomas desde antes da Primeira Guerra Mundial, socilogos (R. E. Park, L. Wirth) e 
gegrafos (E. Burgess) empenham-se em descrever e em compreender as mudanas sociais e culturais 
considerveis que acompanham o crescimento das cidades americanas, e em primeirssimo lugar de Chicago. 
Os seus estudos de famlias de imigrantes, as suas monografias de bairros, as suas anlises da delinquncia e 
da marginalidade vo a par com uma reflexo terica sobre os processos de desorganizao e de 
reorganizao que afectam tanto as atitudes individuais e os modos de vida como os espaos urbanos. 
Analisam a cidade ao mesmo tempo como um sistema de indivduos e de instituies em interdependncia e 
como uma ordem espacial. Os citadinos distribuem-se no aglomerado em funo de processos de filtragem, de 
reagrupamento e de segregao que se fundam na diversidade das origens geogrficas, sociais ou culturais, os 
reordenam e produzem novas diferenciaes. Os socilogos da escola de Chicago inspiram-se muito 
directamente na ecologia para caracterizar as relaes entre grupos sociais, por um lado, e as transformaes 
do espao urbano (invaso, sucesso, simbiose, competio, etc.), por outro. Produto das actividades 
humanas, o meio urbano exerce em contraponto mltiplos efeitos sobre os comportamentos e as mentalidades. 
O estudo dos grupos e das situaes no exclui, portanto, uma reflexo de natureza mais antropolgica sobre a 
"personalidade citadina". A cidade  ao mesmo tempo configurao espacial, organizao social e "estado de 
esprito". S uma aproximao global permite compreender o seu funcionamento e a sua transformao. Para 
alm das fronteiras entre disciplinas, o objectivo era, portanto, constituir uma verdadeira ecologia humana, e 
mais precisamente urbana, a fim de captar as relaes do homem com o seu meio. Os trabalhos da escola de 
Chicago influenciaram

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a sociologia urbana, principalmente nos Estados Unidos da Amrica.
Y. G.
- Grafmeyer, Joseph (1979).

Ciclo: Um ciclo  a flutuao de um fenmeno que se compe de fases de expanso seguidas de fases de 
recesso, de contraco e de retomada.
 em geral gerado por um efeito de retroaco negativa como no mais simples caso de um processo de 
ajustamento que pe em aco duas variveis A e B, em que A determina B, e B por sua vez influencia 
negativamente A. Um exemplo clebre  o modelo de Cobwed, pelo qual o preo de um bem se estabelece 
teoricamente quando h equilbrio entre a oferta e a procura desse bem. De facto, existe sempre um desnvel 
ou um atraso da procura em relao  oferta (ou inversamente) que d origem a oscilaes. Noutros casos, o 
ciclo  uma consequncia da inverso da tendncia que choca com um tecto ou um pavimento.  o que se 
passa com a contraco demogrfica, que, segundo T. R. Malthus,  o resultado de uma pauperizao gerada 
por um muito forte crescimento da populao ou com um dos modelos paretianos da circulao das elites. O 
ciclo  o primeiro modelo de evoluo das sociedades que mais atraiu a ateno dos pensadores desde 
Hesodo: com variantes, mais ou menos complexas, encontramos geralmente descrita uma sucesso de fases 
de grandeza e de decadncia das sociedades, dinastias, regimes polticos, ideologias, ou, mais prosaicamente, 
das modas, tais como o vesturio ou a escolha do nome. A regularidade do ciclo  explicada quer por causas 
exgenas, que so elas prprias cclicas, quer por factores endgenos.
De uma maneira geral, uma anlise emprica das sries cronolgicas faz com que apaream mudanas que 
se dividem actualmente em quatro classes, sendo cada uma delas a consequncia especfica de um conjunto de 
factores que actua independentemente dos outros: trata-se da tendncia que  uma mudana da srie para o 
crescimento, a baixa ou a estabilidade cujos determinantes actuam sempre no mesmo sentido; do ciclo 
propriamente dito; das flutuaes sazonais que se repetem periodicamente em cada ms ou em cada ano; 
finalmente, flutuaes irregulares que so provocadas por acontecimentos importantes (guerra, catstrofe 
natural, etc.) ou por uma infinidade de causas indeterminveis. As economias distinguem trs grandes 
categorias de ciclos: os ciclos de Kondratieff tm uma durao de 50 anos; os de Juglar, o mais prximo do 
ciclo dos negcios, uma durao de 10 anos; por fim, os de Kitchin, de 3 a 4 anos. Quer sejam monetaristas, 
no monetaristas ou psicolgicas, as teorias econmicas dos ciclos desenvolvem, sobretudo, explicaes por 
meio de variveis endgenas.
M. C.
- Besnard Desplanques (1986), Malthus (1798), Pareto (1916), Schumpeter (1939), Sorokin (1937-1941).

Cidade: Uma cidade  um ajuntamento durvel e relativamente denso de populao num espao circunscrito: 
outrora muralhas separavam-na do campo, depois da transio dos arrabaldes; actualmente, os seus limites 
so muito mais indecisos, obrigando o gegrafo e o socilogo a complicar a sua nomenclatura: centro, 
periferia, subrbios, zona "urbana" (ao mesmo tempo cidade e campo), cidade satlite, megalpole, bairro de 
lata, etc. 

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(Basti, Dzert 1980). A cidade na sua forma tradicional j no  mais que uma malha, um n do tecido 
urbano.
Densidade de populao significa geralmente (mas nem sempre) acentuao da diviso do trabalho, 
complexidade e complementaridade das funes econmicas e das ocupaes profissionais, diversificao dos 
estatutos sociais e das relaes de classe, acompanhadas muitas vezes de fortes clivagens - ou at de "lutas 
urbanas" - entre o povo "gordo" e o povo "magro", entre o poder e as minorias activas. Predominando a 
urbanizao (que quer dizer proliferao do tecido urbano e aumento da sua densidade mdia, especialmente 
em favor das grandes cidades) no sc. XX mais ainda que no sc. XIX, o socilogo  tentado, por um lado, a 
medir o seu impacte sobre as outras dimenses da vida social (economia, migraes, progresso tcnico, 
estabilidade poltica, religio, etc.) e, por outro lado, adoptando a postura inversa, a consider-la no j como 
a causa mas como a resultante desses mesmos fenmenos sociais. Nasceu dessa dupla preocupao uma 
literatura considervel (M. Halbwachs, P. Geddes, W. Sombart, M. Weber, G. Simmel, R. Park, E. Burgess, 
etc.). Mantm-se largamente descritiva com dificuldade em delimitar o seu objecto: , de facto, o conjunto do 
funcionamento social que se pode qualificar de "urbano" nos grandes pases industriais, onde o rural tende a 
reduzir-se e a encolher-se irremediavelmente. Por isso, parece realista atribuir um campo mais restrito  
sociologia urbana, limitando-a ao estudo dos actores sociais (a sua origem, as suas atitudes, os seus 
comportamentos, etc.) que desempenham um papel directo na elaborao, funcionamento e crescimento do 
tecido urbano. Nesta ptica, a maioria dos trabalhos publicados em Frana desde os anos 60 inspirou-se numa 
problemtica marxista (Lefebvre 1968). Apresentando-se doravante a especulao predial e os investimentos 
imobilirios como um dos domnios mais remuneradores para o capitalismo bancrio, o conjunto dos actores 
interessados pela exploso urbana sofreriam a influncia, directa ou indirecta, do capitalismo financeiro e das 
suas exigncias, a todos os nveis da vida social: formao, carreira, ideologia, etc. (Castells 1972). Esta 
sociologia atribui um lugar central aos "movimentos urbanos", nascidos das contradies geradas pela 
especulao urbana. O urbanismo, esforo racional para adaptar a cidade aos seus habitantes, sofreria 
igualmente o impacte da ideologia dominante.
A partir dos anos 80, este tipo de interpretao esbate-se. A sociologia urbana toma cada vez mais 
conscincia da identidade dos desafios urbanos em todos os pases industriais, capitalistas ou socialistas. 
Interroga-se com uma crescente inquietao sobre as dificuldades enfrentadas pelas cidades do Terceiro 
Mundo que conhecem uma demografia galopante.
J.-R. T.

Cincias (sociologia das): Constituda apenas por volta de 1940 com os trabalhos de R. K. Merton (1949), a 
sociologia das cincias prope-se como objectivo estudar as cincias (incluindo as cincias sociais e 
nomeadamente a sociologia) enquanto elas constituem realidades sociais. Esta proposio simples distingue-a 
nitidamente de especialidades prximas como a histria e a filosofia das cincias. Mas pode ter sentidos 
diferentes, correspondendo a ambies maiores ou menores. Umas vezes,  a actividade

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dos cientistas enquanto actores sociais, cooperando ou rivalizando segundo modalidades particulares em 
instituies especficas, que est no centro da anlise. Outras vezes,  a relao entre os cientistas e o conjunto 
da sociedade. Outras vezes por fim, so os prprios conhecimentos cientficos, no seu contedo e na sua 
estrutura, que se pretende submeter  anlise sociolgica. Autores como . Durkheim (1911), M. Weber, M. 
Scheler, K. Mannheim, P. A. Sorokin reconhecem sem dvida aos conhecimentos cientficos uma qualidade 
de certeza absoluta e universal (Merton 1949). Mas, para alm disso, emitem a ideia de que os outros tipos de 
conhecimento e os pontos de vista dos actores sociais (designadamente em matria esttica, tica, poltica ou 
religiosa) so "determinados" pela sua posio na sociedade. Essa interrogao constitui a sociologia do 
conhecimento.  pelas suas relaes complexas com ela que a sociologia das cincias pode mais 
comodamente definir-se (Lcuyer 1978, 1988a).
De incio, trata-se com Merton de uma ruptura temporria mas deliberada. Ele encontra os fundamentos 
de uma insero correcta da cincia na sociedade, na noo de uma "estrutura normativa da cincia". A 
sociologia das cincias incide essencialmente durante este primeiro perodo sobre as disfunes introduzidas 
pelos desfasamentos dos comportamentos efectivos dos cientistas para com essas normas ideais. Este sistema 
inicialmente esttico torna-se dinmico com o princpio de prioridade: s contam para o crdito de um 
investigador as descobertas ou inovaes que ele  o primeiro a dar a conhecer. T. Kuhn (1962) traz 
elementos novos  anlise de Merton. Kuhn ope as suas anlises de historiador s do lgico e filsofo das 
cincias K. R. Popper (1934). Para este ltimo, o progresso dos conhecimentos cientficos no assenta na 
demonstrao do fundamento das proposies ou das teorias avanadas, mas na demonstrao da sua 
falsidade ("falsificao"). A cincia  para ele uma actividade essencialmente crtica (Popper fala de 
"revoluo permanente") e individual. No seu livro consagrado s revolues cientficas, Kuhn (1962) 
interessa-se paradoxalmente por aquilo que se passa entre cada uma delas durante os perodos que ele chama 
de "cincia normal". Durante esses perodos, a cincia transmite-se de maneira colectiva e dogmtica pela via 
de "paradigmas", conjuntos estruturados de teorias e de savoir-faire aceites por uma dada comunidade 
cientfica. A revoluo cientfica intervm quando o paradigma se revela inadequado para resolver um 
nmero corrente de enigmas. As duas noes associadas de paradigmas e de comunidade cientfica 
enriquecem consideravelmente os trabalhos sociolgicos. Com efeito, os conhecimentos (ou paradigmas) tm 
um alcance local concretizado por grupos identificveis de cientistas. Inversamente, a ceso destes grupos 
assenta nos paradigmas (Edge, Mulkay 1976; Callon, Latour 1982; Lemaine et al. 1977).
A partir de 1970 desenvolve-se uma corrente nova: a sociologia dos conhecimentos cientficos. Esta 
corrente pretende reatar com as ambies da sociologia do conhecimento ao estender as suas anlises ao 
estudo dos conhecimentos mesmo cientficos. O "ncleo duro" do programa construtivista assenta no 
postulado segundo o qual os factos cientficos no so o resultado de uma observao da natureza mas o de 
uma construo de natureza social;

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 o "programa forte" enunciado por D. Bloor (1978). Nem todos os socilogos do conhecimento cientfico 
adoptam a totalidade do programa de Bloor, mas tm em comum: 1. a preocupao de estudar a cincia "tal 
qual ela se faz" na sua quotidianidade, para alm das racionalizaes dos prprios lgicos e cientistas; 2. a 
vontade de dessacralizar a cincia e de estud-la como uma argumentao entre outras; 3. a vontade de 
demonstrar que mesmo os conhecimentos cientficos so susceptveis de uma anlise sociolgica de natureza 
causal. Estas preocupaes renovaram o estudo das controvrsias cientficas e o dos processos de interaco 
social que levam progressivamente os investigadores  elaborao de um facto cientfico (Callon, Latour 
1982).
A sociologia do conhecimento cientfico completou as outras tendncias da sociologia das cincias. 
Contra a influncia at ento predominante dos filsofos e dos lgicos das cincias, ela contribuiu para fazer 
aparecer as afirmaes produzidas pela actividade cientfica, que pretendem ser conhecimentos vlidos, como 
menos seguras, menos racionalmente fundadas, mais dependentes do contexto social do que habitualmente se 
admite.
B.-P.L.
- Callon, Latour (1985), Lcuyer, Latour, Callon (1986).

Cl: O cl designa um conjunto de indivduos que se consideram sados unilinearmente em linha paterna 
(patricl) ou materna (matricl) de um antepassado comum lendrio ou mtico. Essa comunidade de sangue 
exprime-se por um nome genrico. Vrios cls podem formar uma tribo; vrias tribos, uma etnia.
Nas sociedades arcaicas, o cl totmico  aquele cujos membros pertencem ao mesmo totem e respeitam 
os mesmos interditos matrimoniais e alimentares. Mas a exogamia (obrigao de procurar o seu cnjuge fora 
do seu grupo)  sobretudo uma obrigao entre linhagens que constituem elementos do cl, de menor 
profundidade genealgica. A pertena ao cl determina a transmisso da herana e de funes diversas: 
rituais, econmicas, polticas, guerreiras, etc. Gera tambm um esprito de solidariedade activa, como na 
Irlanda ou na Esccia do Norte, onde se observam sobrevivncias da organizao clnica apesar da sua 
abolio legal em 1747. Em sociologia, a palavra "cl" designa um subgrupo que no se conforma 
inteiramente ao meio a que pretence (cl poltico, cl literrio, esprito de cl).
C.R.
- Adler (1982), Frazer (1910), Lwie (1937).

Classe mdia: No incio do sc. XIX, designa-se assim a burguesia, por oposio  aristocracia agrria, que, 
no plano poltico, vive as suas ltimas horas de classe dirigente. As primeiras reflexes sobre a classe incidem 
sobre este grupo, cujo contedo no cessa de alargar-se, a ponto de englobar a pequena burguesia 
independente e os empregados superiores. Seguidamente, e para numerosos autores, como Marx, a tomada em 
conta de uma classe mdia constitui problema, porquanto se integra mal nos esquemas habituais da 
estratificao que reduzem a diviso da sociedade a duas grandes classes: a burguesia (que assimilou e depois 
suplantou a aristocracia) e o proletariado, que a revoluo industrial remodelou completamente.
No seio do conglomerado constitudo pelas classes mdias,  corrente distinguir dois subconjuntos

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(Lavau et al. 1983): a pequena burguesia dita tradicional, que rene os chefes das empresas artesanais ou 
comerciais, aos quais se associa por vezes os camponeses abastados; as "novas camadas sociais", constitudas 
por intelectuais, quadros ou tcnicos. Durante o sculo passado, mas bastante tardiamente, a composio do 
grupo mudou no sentido esperado. Os pequenos patres perderam, nomeadamente desde h quarenta anos, 
mais de 20 por cento do seu efectivo, ao passo que as categorias mdias assalariadas, sobretudo graas ao 
sector pblico, mais que dobraram em nmero. E, se se incluir na estatstica a parte mais qualificada dos 
empregados, as camadas mdias renem actualmente cerca de metade da populao activa. Ser preciso ainda 
interrogar-se sobre a pertinncia do reagrupamento proposto? No residir o seu nico e verdadeiro 
denominador comum, paradoxalmente, na heterogeneidade dos ndices de posio social que caracterizam 
cada uma delas? A esta pergunta, vrios socilogos procuraram dar uma resposta. Pode avanar-se  maneira 
de F. Simiand (1929), que define as outras classes (campesinato, burguesia, operariado) antes de considerar 
que o que resta constitui a classe mdia. Inspirando-se neste exemplo, mas numa perspectiva marxista, C. 
Baudelot et al. (1974) caracterizam o grupo, que denominam "pequena burguesia". S a burguesia e o 
proletariado devem considerar-se como classes propriamente ditas: uma, reunindo os possidentes, a outra, 
agrupando os excludos da "retrocesso da mais-valia". Todos os autores partilham no fundo a iluso de crer 
que basta conhecer as categorias extremas para que, por defeito, sejam definidas as camadas intermdias. 
Recentemente, Monjardet e Benguigui (1982) quiseram situar as camadas mdias na interseco dos eixos 
que estruturariam as sociedades contemporneas: o das relaes de classe  volta da oposio capital/trabalho 
e o da relao entre o Estado e a sociedade civil. A zona em que se cruzam os dois eixos seria o lugar de 
implantao dos "aparelhos", cujos agentes ocupam os lugares compreendidos entre as funes dirigentes e os 
empregos de execuo. A vantagem principal desta anlise  fornecer elementos de apreciao positivos das 
camadas mdias, pelo menos das que se encontram no aparelho de Estado ou na empresa capitalista. Mas ao 
excluir vrias categorias, cruciais de facto como os no assalariados, os autores limitam demasiado a sua 
ambio, ao mesmo tempo que confirmam a disparidade profunda das classes mdias.
F. G.
- Revue Franaise de Sociologie (1983, 1984).

Classe social: O termo  utilizado, num sentido geral, para designar todo o conjunto de indivduos que 
manifestam caractersticas e comportamentos idnticos ou comparveis. Em sentido restrito, a classe ope-se 
s castas, estados ou ordens, marcados pela transmisso hereditria e uma fraca ou nula mobilidade social.
Designando as grandes linhas das divises sociais, o termo "classe" levanta questes essenciais 
concernentes  natureza dos grupos assim designados e das suas relaes. Por isso, as teorias sociolgicas no 
deixaram de trazer definies divergentes, que correspondem s suas concepes prprias. A obra de Marx  
exemplar de uma concepo da classe social que pode qualificar-se de "realista" (Aron 1966). Em 'O Capital', 
faz da relao de

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propriedade a relao social determinante que ope, no modo de produo capitalista, os proprietrios dos 
meios de produo e os proletrios detentores unicamente da sua fora de trabalho. Entre estas duas classes 
essenciais, a classe mdia seria chamada a regredir em nmero e em importncia poltica  medida do 
desenvolvimento da indstria e da intensificao da luta de classes. A classe  assim de definida como o 
conjunto dos agentes colocados nas mesmas condies no processo de produo. Marx no duvidava de que a 
luta econmica devesse transformar-se em luta poltica e numa revoluo social que provoque o afundamento 
do modo de produo capitalista e o desaparecimento das classes.
A partir de 1831, Alexis de Tocqueville, estudando a evoluo da sociedade americana, descobria, pelo 
contrrio, um aumento da mobilidade social, a extenso do individualismo, a regresso dos fenmenos de 
classe (Tocqueville 1835).
M. Weber ope  concepo realista de Marx a crtica que ele prprio formula a respeito de toda a 
transformao dos colectivos em entidades, em sujeitos. A classe social no poder ser confundida com uma 
realidade subjectiva que prossiga objectivos, nem mesmo com uma comunidade efectiva. Fiel a este princpio, 
Weber prope a anlise no da classe considerada como uma realidade mas a "situao de classe", ou seja, a 
probabilidade, a possibilidade, para indivduos, de manifestar interesses similares, de possuir, por exemplo, 
um monoplio positivo ou negativo. Nesta perspectiva, o conceito de classe designa apenas o conjunto das 
pessoas que se encontram na mesma situao ou em condies comparveis. Outros agrupamentos podem ser 
tambm socialmente importantes, tais como os conjuntos de estatutos, as comunidades ou os agrupamentos 
profissionais.
Entre estas duas posies opostas, realista e nominalista, numerosssimas pesquisas tericas propuseram 
que se definissem as classes segundo critrios opostos de diferenciao: a diviso do trabalho social, por 
exemplo, o nvel dos rendimentos, a desigualdade de deteno dos poderes, os tipos de vida, os 
comportamentos culturais, ou ainda as diferenas na hierarquia dos prestgios. Tambm se props a 
diferenciao segundo os sexos, retendo o termo "classe sexual" (Balandier 1974).
Estas diferentes concepes das classes sociais distinguem-se assim pelo tipo de fenmenos que 
consideram como o mais importante para diferenciar esses agrupamentos.
Uma concepo estruturalista do espao social, que estuda os fenmenos de reproduo das posies 
sociais e das desigualdades, prope-se analisar os mecanismos e as estratgias de renovao das classes na sua 
hierarquia e na sua distino (Bourdieu 1979). A este estruturalismo gentico atribuir-se- tambm a tarefa de 
desvendar as estratgias pelas quais os agentes de diferentes classes, portadores da sua cultura de classe, 
renovam as diferenas e as distines que os separam e os hierarquizam. Neste sentido, as classes sociais so 
definidas como o lugar das determinaes essenciais dos comportamentos, dos modelos de percepo e de 
aco de todos os agentes sociais.
Uma concepo dinmica das sociedades globais que considera a sociedade como um sistema de aco 
(Touraine 1973) prope que se oponha a classe dirigente e as classes dirigidas. Numa tal concepo, a classe 
social encontra-se definida pelas relaes de poder, pelos meios

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de gesto, dos quais ela ser o actor ou o objecto. A classe  ento definida pelo lugar que ocupa no sistema 
de aco.
Uma concepo resolutamente individualista da sociologia (Boudon 1979) apela a que se tomem como 
princpio de explicao as condutas individuais e as prprias razes dos indivduos. Numa tal perspectiva, 
interrogar-nos-emos sobre os efeitos das posies nas opes individuais, mas repudiando toda a concepo 
"realista" da classe.
P. A.
- Gurvitch (1966), Halbwachs (1938a), Veblen (1899).

Clientela: Entre indivduos desiguais do ponto de vista da riqueza, do poder, do estatuto estabelecem-se 
relaes ditas "de clientela" em virtude das quais o superior concede uma proteco ao inferior em troca de 
prestaes determinadas pelo costume. A clientela inscreve-se em relaes de dependncia mtua assimtrica. 
Ordenado  satisfao de necessidades, o clientelismo define-se como exigncia da ajuda de outrem para 
existir plenamente (o cliente), mas supe, alm disso, uma fidelidade relativamente constante (a clientela).
Na Roma antiga, o cliente era a pessoa ou a famlia que se encontrava sob o patrocnio de um patrcio, de 
uma personagem altamente colocada, ou ento, no caso de um liberto, do seu antigo senhor. Sob a monarquia, 
os senhores concedem vantagens aos que lhes esto devotados. Nas sociedades industrializadas, os clientes de 
um homem de negcios, de um grande cirurgio, de um poltico, de uma celebridade do espectculo esperam 
do seu patrono diferentes tipos de proteco mediante diferentes gneros de servios. O acordo muitas vezes 
tcito no  nem formal nem pblico e no tem consequncias jurdicas. No Terceiro Mundo, as clientelas 
fundam-se, com frequncia, numa relao de parentesco, de aliana ou de comum origem tribal.
C. R.
- Maquet (1970).

Colectivismo: Doutrina que prope que se ponham em comum os meios de produo a partir da anlise 
seguinte: a produo industrial tem um carcter colectivo que choca contra a manuteno da propriedade 
privada.  preciso, pois, para ultrapassar esta contradio, que todos os cidados sejam proclamados co-
proprietrios indivisamente. Ento a liberdade de cada um harmonizar-se- com a liberdade de todos. Na 
poca de Marx, o colectivismo ( o caso de Bakunine, por exemplo) designa uma forma de sociedade fundada 
na associao e que se situa no oposto do comunismo centralizador dos marxistas. Em 1869, no congresso de 
Ble, chamam-se colectivistas aqueles que, contra os lassallianos que defendem um socialismo autoritrio e 
estatal, enaltecem um socialismo libertrio e federador. Ora, algumas dcadas mais tarde, a palavra  
retomada, em Frana, num sentido muito diferente, pois que receber uma conotao marxista e tornar-se- 
sinnimo de "comunismo" com o seguinte matiz: o comunismo remete principalmente para a dimenso 
econmica e o colectivismo para a dimenso social da sociedade sonhada.
A. A.

Comparativo (mtodo): Pode ser definido como um processo cognitivo pelo qual nos esforamos por 
compreender um fenmeno pela confrontao de situaes diferentes em que ele aparece.
A comparao est no princpio de todo o conhecimento:  de facto

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por comparao que o homem adquire os pontos de referncia indispensveis  compreenso do mundo que o 
rodeia. A comparao  a fortiori a postura universal de todo o conhecimento cientfico. A este respeito, a 
distino de Durkheim entre a experimentao, processo habitual das cincias exactas, e a comparao, 
substituto da experimentao nas cincias sociais, no  de facto muito pertinente. O qumico e o fsico 
procedem tambm eles a comparaes entre as vrias experincias que efectuaram. A nica diferena  que o 
fsico pode provocar os fenmenos que compara, ao passo que o socilogo apenas pode comparar fenmenos 
que se produzem independentemente da sua vontade.
A sociologia s pode ser comparativa e metdica. O mtodo comparativo em sociologia confunde-se, 
portanto, com o mtodo sociolgico. A abordagem comparativa em sociologia pode tomar formas diferentes. 
A primeira atitude consiste, pela comparao de situaes concretas, em analisar as diferenas, em procurar 
os elementos constantes, em estabelecer os tipos. Estas comparaes podem ser internacionais, intranacionais 
ou histricas. Por exemplo, procurando analisar o efeito da religio sobre o comportamento eleitoral, poder-
se- comparar o voto em diferentes pases catlicos; poder-se- igualmente, num mesmo pas, comparar o 
nvel respectivo de prtica religiosa e o comportamento eleitoral dos homens e das mulheres, dos operrios e 
dos quadros, dos Normandos e dos habitantes de Auvergne; poder-se- finalmente comparar o estado do 
fenmeno no incio da III Repblica e nos nossos dias. Todas estas tentativas, que se aparentam  anlise 
causal, podem ser qualificadas de experimentaes indirectas.
Este tipo de abordagem choca com duas dificuldades principais. Em primeiro lugar, o risco de 
sociocentrismo, isto , a projeco pelo comparatista da lgica prpria da sua cultura nacional e do sistema de 
valores do seu grupo social, e a utilizao de categorias analticas (por exemplo, os conceitos de 
modernizao, de desenvolvimento) ou de instrumentos de medida (por exemplo, o produto nacional bruto), 
que no so necessariamente pertinentes para avaliar a situao de outras sociedades. A segunda dificuldade, 
inerente a toda a anlise de tipo causal, diz respeito ao alcance da experimentao indirecta como processo de 
validao. Se, avanando a hiptese de uma relao entre a urbanizao e a criminalidade, o investigador 
observa, num certo nmero de casos concretos, a presena simultnea dos dois fenmenos, ser, sem dvida, 
levado a estabelecer entre eles uma relao de causa e efeito, a considerar essa relao como uma explicao 
da criminalidade e a enunciar a observao dessas semelhanas sob a forma de uma lei. No entanto, uma tal 
relao s pode ser tida por verdadeira se vrias condies estiverem reunidas. A presena de invariantes no 
pode ser considerada como uma prova suficiente das propostas avanadas.
O mtodo comparativo no se limita entretanto,  experimentao indirecta. Para compreender a realidade 
observada, podemos confront-la com um modelo terico, obtido por extenso de alguns traos essenciais: o 
ideal-tipo weberiano corresponde a este tipo de aproximao. Pode igualmente, a partir de uma funo que 
representa um sistema dado de relaes, comparar-se os estados sucessivos do sistema, fazendo variar 
hipoteticamente o valor das variveis ou a 

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forma funcional, o que permite explorar o comportamento do sistema sob condies diferentes das condies 
observadas.
Qualificar-se- este modo de proceder como quase-experimentao.
D. D.
- Boudon (1973), Dogan, Pelassy (1982), Durkheim (1895), Weber (1922a, 1922b).

Comportamento colectivo: Termo genrico que designa tipos de comportamento prprios de actores que, 
sob a influncia de uma convico partilhada, actuam por vezes de maneira "concertada". Estes tipos de 
comportamentos so em nmero de quatro: 1. movimento de pnico; 2. arrebatamentos (fenmenos de moda e 
outras formas de entusiasmo colectivo); 3. motins e outras formas de expresso de agressividade colectiva 
(linchagens, perseguies); 4. movimentos sociais.
O conceito confronta o socilogo com duas espcies de dificuldades. A primeira  de ordem 
terminolgica: a partir do momento em que se admite com . Durkheim que as maneiras de agir em sociedade 
no so de modo nenhum dependentes "de cada vontade particular tomada  parte", verifica-se que todo o 
comportamento social dotado de uma certa generalidade ter necessariamente um carcter colectivo. Aspecto 
particular do comportamento social, o comportamento colectivo deve, pois, ser distinguido do comportamento 
convencional (que faz apelo a modelos sociais organizados de maneira estvel). A referncia a um campo no 
qual as condutas no esto - ou no esto ainda - institucionalizadas (N. Smelser, por exemplo) pode, 
portanto, constituir um primeiro elemento na caracterizao do fenmeno. Nesta perspectiva, a dinmica do 
comportamento colectivo remete para as percepes, motivaes e expectativas dos actores.
A segunda dificuldade diz respeito  relao existente entre conduta e crena colectivas. Porque tm a 
capacidade de reestruturar cognitivamente as situaes incertas,  suposto as crenas partilhadas 
desempenharem um papel decisivo. Mas tais crenas no implicam necessariamente, da parte dos actores, a 
implementao de uma aco concertada. Os movimentos de pnico so a melhor prova disso, sem dvida. 
Inteiramente diferente  o caso dos movimentos sociais, para os quais a implementao da uma aco 
concertada  uma condio imperativa.
As teorias individualista e utilitarista da aco colectiva lanaram uma dvida sobre o alcance do 
paradigma do comportamento colectivo. O debate ps em evidncia toda a dificuldade que h em articular 
"interesse" e "crena". Nestas condies, M. Olson distingue os casos cuja anlise depende do paradigma 
econmico (por exemplo, os grupos de presso) dos casos em que a anlise faz, pelo contrrio, apelo a uma 
interpretao mais psicossocial (por exemplo, os movimentos colectivos de base irracional). Uma tal distino 
no se afigura muito pertinente: os autores concordam actualmente em reconhecer que h no comportamento 
colectivo componentes ao mesmo tempo racionais e no racionais.
P. M.
- Smelser (1962), Stoetzel (1978), Thiec, Treanton (1983), Turner Killian (1957).

Compreenso: Compreender  apreender a significao das aces humanas.
A definio sociolgica desta noo

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foi elaborada no decurso da controvrsia sobre a especificidade das cincias do esprito 
(Geisteswissenschaften) relativamente s cincias da natureza. Para estas, o objectivo  construir relaes 
quantitativas sob a forma de uma lei matemtica. Para aquelas, no basta pr em evidncia regularidades 
estatsticas nos comportamentos e mesmo prev-los;  ainda necessrio interpret-los, isto , perguntar-se 
porque  que os homens agiram assim. Compreender  reconduzir o fenmeno social s aces individuais e 
examinar os motivos dos actores colocando-se no lugar deles. A sociologia compreensiva considera o 
indivduo como a unidade de base, porque ele  o nico portador de um comportamento significativo.  por 
abuso de linguagem que coisificamos as estruturas e os conceitos colectivos, como o Estado ou as classes 
sociais. H trs tipos de interpretao: a que estabelece por revivescncia o motivo a que o actor obedeceu; a 
interpretao axiolgica que pe em evidncia os valores que guiaram os homens nas suas aces; finalmente, 
a interpretao racional ou teleolgica que envolve a relao de meios a fim. Se a compreenso  imediata ou 
evidente, continua, no entanto, a ser uma hiptese que requer ser controlada por outros mtodos.
M. C.
- Weber (1922a).

Comunicao de massa: Conjunto das tcnicas (redes de transmisso, equipamentos individuais e 
autnomos) que permitem pr  disposio de um pblico bastante vasto toda a espcie de mensagens, seja 
qual for a sua forma ou finalidade. A esta expresso os socilogos americanos, seguidos na maioria das vezes 
pelo uso na Frana, preferem a de mass media.
A comunicao social reveste vrias formas. A primeira, espontnea e no formalizada, no parece 
obedecer a nenhuma outra regra que a do hbito social; inscreve-se no quadro das relaes interpessoais.  
bastante limitada, precria, espontnea e prescritiva. No outro extremo, instituies regulam relaes inter e 
intra-organizacionais: entre as naes, entre as cidades, entre as empresas, entre governantes e governados, 
dentro de cada uma das organizaes sociais e fora de cada uma delas. A comunicao institucionalizada 
define o regime econmico, social e poltico de que uma sociedade  dotada. O que nos aproxima da 
communitas, no seu sentido original: a comunidade.  entre estas duas formas da comunicao social que  
preciso situar a comunicao de massa. A sua singularidade  a de recorrer ao uso de tcnicas mais ou menos 
sofisticadas e acessveis para estabelecer a comunicao no seio da organizao social ou para estabelecer e 
ampliar o dilogo entre os indivduos ou os grupos que a compem.  verdade que a comunicao de massa 
participa tambm ela de uma certa cultura. Mas praticamente no tem autonomia, nem o equivalente a um 
princpio constituinte; ocupa apenas esse espao deixado vago pela comunicao interpessoal e pela 
comunicao institucionalizada, com o risco de influenciar cada uma delas por sua vez. Ela torna-se assim 
aquilo que uma e outra, conjuntamente, permitem e querem que ela seja.
A ateno dos socilogos concentrou-se, desde o advento dos grandes jornais dirios, no dealbar do sc. 
XX, no estudo da influncia dos meios de comunicao de massa: influncia da imprensa, da rdio e da 
televiso nos comportamentos ou nas atitudes de todos e

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de cada um. Antes de 1920, eles consideram os efeitos felizes da extenso  maioria desse privilgio, para 
cada um, de poder "comunicar" com todos, graas  multiplicao dos livros e dos jornais. O intervalo entre 
as duas guerras denuncia o aviltamento crescente da cultura e da sociedade, uma e outra submetidas  
influncia dos novos meios de comunicao de massa, nomeadamente do cinema e da rdio. T. W. Adorno, 
um dos representantes da escola de Francoforte, evoca essa "barbrie estilizada" em que desemboca, na sua 
opinio, a industrializao progressiva da cultura. 
A sociologia das comunicaes utiliza uma via radicalmente diferente, com C. Hovland e P. Lazarsfeld, 
alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial. Conduzido por ocasio da campanha de F. D. Roosevelt em 
1940, o estudo de Lazarsfeld (1944) ope um desmentido categrico s ideias sobre o voto dos refugiados. 
Graas ao exame dos resultados de um inqurito por sondagens conduzido junto dos eleitores, o estudo mostra 
que estes ltimos acabam sempre por votar como os que os rodeiam, aqueles com quem vivem. Ao sublinhar 
a importncia dos contactos pessoais sobre os indecisos, o estudo identifica os guias de opinio, verdadeiros 
intercessores entre os grandes media e o pblico. O xito deste estudo abriu o caminho a um florescimento de 
estudos sociolgicos que confirmam as suas concluses. Desde 1960, multiplicam-se as advertncias contra a 
pretenso dos investigadores de dirimir a questo da influncia dos media,  fora de inquritos ou de 
observaes fatalmente limitados. Os ensaios de M. Mac Luhan e de J. Ellul, a partir de 1962-1964, marcam 
profundamente a reflexo. O professor Mac Luhan remete para o exame dos prprios media, das suas 
caractersticas tcnicas e da maneira como mobilizam os sentidos dos seus utentes; "a mensagem,  o 
medium". Ellul pe em dvida a pertinncia dos estudos americanos, na sua opinio demasiado prisioneiros 
de uma viso mecanicista da aco dos media: o "propagandeado" existe antes do propagandista. Remete para 
o exame da sociedade, da sua organizao e das vrias condies que favorecem a vinda das propagandas.
Com o advento dos novos media interactivos, a sociologia empenha-se mais, actualmente, em considerar 
simultaneamente os sujeitos da comunicao, os emissores e os receptores, assim como o seu objecto, que  
sempre particular. Graas a uma abordagem interaccionista, ela descobre de novo que o importante  tambm 
aquilo que as pessoas esperam dos meios de comunicao de massa, aquilo que deles captam e aquilo que 
pensam deles.
F. B.
- Moles (1967), Silberman (1981).

Comunidade: Primeiro considerada como uma totalidade, uma entidade substancial que F. Tnnies (1887) 
ops  sociedade, a comunidade  hoje encarada como um conjunto de relaes sociais complexas cuja 
natureza e orientaes so examinadas em enquadramentos especficos: religioso, econmico, cientfico, etc.
Nos seus incios, o estudo das comunidades no esteve isento de segundas intenes polticas. A inteno 
reformista  evidente, na Frana, em F. Le Play e nos seus seguidores, e de uma maneira geral na Europa 
(Stahl 1939); no est totalmente ausente dos trabalhos efectuados por W. L. Warner e

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P. S. Lunt (1941-1959), depois por W. H. Whyte nos Estados Unidos da Amrica, onde o desenvolvimento da 
anlise psicossociolgica foi tambm acompanhado da procura de um ideal de integrao social. Mas, quer se 
trate de unidades rurais ou urbanas, de aldeias ou de bairros, a sociologia das comunidades viu-se confrontada 
com diferentes problemas; primeiro, de definio: Hillery catalogou perto de uma centena; de mtodo, 
tambm: dificuldade de observao-participao; e, ainda, de referncia terica: nem as comunidades 
camponesas nem as comunidades familiares oferecem um modelo satisfatrio para explicar todos os 
processos de participao, de institucionalizao e de organizao.
B. V.

Comunismo: No sentido mais geral, o comunismo designa uma organizao econmica e social da sociedade 
fundada na propriedade colectiva.
O comunismo tende, actualmente, a identificar-se com o projecto de uma sociedade futura liberta dos 
conflitos de classes pelo desaparecimento destas, graas  abolio da propriedade privada dos meios de 
produo. Mas no poder esquecer-se que o termo designou igualmente uma forma postulada como 
originria da histria dos homens. Assim se v a estranha estrutura das filosofias da Histria onde o que est 
no fim estava j no comeo e onde a palavra "revoluo" tem a ambiguidade dos seus dois sentidos: o sentido 
que tem em histria (advento do novo) e o sentido que tem em astronomia (retorno cclico do mesmo).
Fazer uma enumerao das teorias utpicas do comunismo seria fazer a histria das ideias desde o 
Renascimento. Longa seria a lista que conduz a 1848 quando  publicado o Manifesto do Partido Comunista, 
de Marx e Engels, e que comea uma outra histria, a dos grandes movimentos sociais e polticos ou das 
msticas que neles se dissimularo.
A. A.

Conflito: Os conflitos so as manifestaes de antagonismos abertos entre dois actores (individuais ou 
colectivos) de interesses momentaneamente incompatveis quanto  posse ou  gesto de bens raros - 
materiais ou simblicos. Podem fazer com que se confrontem Estados (guerras) ou, no seio de uma mesma 
sociedade, grupos religiosos, nacionais ou tnicos, classes sociais ou quaisquer outras instituies sociais 
(Igrejas, partidos, empresas, organizaes e associaes diversas). No seio de uma mesma colectividade 
(famlia, sindicato), podem pr em confronto categorias de indivduos de estatutos e funes diferentes. Os 
conflitos sociais (quaisquer rivalidades colectivas declaradas por motivos polticos, econmicos ou sociais), 
de intensidade e violncia variveis (do debate cientfico  revoluo poltica, passando pela greve ou pelo 
lock-out, pelo motim e pela guerra civil), no so, no entanto, consequncias necessrias das condies 
objectivas que lhes do origem: s aparecem na medida em que um dos parceiros quer impor a sua vontade 
contra a resistncia do outro. Para a tradio marxista, o conflito est inscrito na prpria natureza do social e 
procede do carcter essencialmente contraditrio das relaes sociais de produo. Os conflitos sociais 
historicamente importantes so, portanto, reduzidos todos eles a conflitos de classes definidos pela 
propriedade ou pela no propriedade dos meios de produo,

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e desembocam inexoravelmente nas revolues que transformam a organizao econmica, poltica e social 
(Marx 1848). Alm de pr em evidncia o aspecto estrutural dos conflitos sociais e o seu papel na mudana 
social, Marx mostra tambm a necessidade, para que contradies objectivas gerem conflitos, da tomada de 
conscincia pelos actores dos seus interesses colectivos de classe. Contudo, podemos facilmente denunciar em 
Marx,  semelhana de R. Dahrendorf (1957), a reduo dos conflitos sociais aos conflitos de classes e destes 
ltimos aos conflitos de propriedade. Em primeiro lugar, a evoluo do capitalismo mostra que a propriedade 
e controlo dos meios de produo podem dissociar-se, e que  este ltimo que constitui a parada dominante 
dos conflitos de classes; em seguida, os conflitos sociais no tm como autores unicamente as classes: em 
toda a associao,  a distribuio necessariamente desigual da autoridade que cria as suas condies 
essenciais. O conflito de classes no seria, portanto, mais que a consequncia da sobreposio dos diferentes 
conflitos que opem os diferentes grupos de interesses; por isso, a anlise deveria partir do fenmeno da 
repartio dicotmica da autoridade em cada um dos sectores da sociedade e no da sociedade global.
No pensamento funcionalista clssico, os conflitos sociais testemunham antes um disfuncionamento dos 
sistemas de regulao pelos quais  assegurado o consenso sobre as normas que dirigem a aco e sobre os 
valores que a orientam. . Durkheim (1893) v neles o efeito patolgico de um enfraquecimento da 
solidariedade social quando a anomia, consecutiva s crises da mudana social, substitui a cooperao pela 
concorrncia, por falta de regras colectivas que se imponham aos actores sociais. Este modo geral de anlise 
tem o mrito de mostrar que a ordem social resulta de uma institucionalizao das normas e dos valores 
prprios para prevenir conflitos de interesses sempre latentes, e que as divergncias ou oposies de 
interesses s se transformam em conflitos em funo da interpretao pelos actores. Alm disso, o 
funcionalismo moderno sublinha os numerosos contributos positivos do conflito, em particular pelo reforo 
da integrao dos grupos sociais envolvidos e pela instigao da mudana social (Coser 1956).
A aplicao da teoria dos jogos  anlise dos conflitos sociais (Schelling 1960) mostra que estes so na 
maioria das vezes "jogos de soma no nula (ou mistos)" na medida em que a oposio dos interesses 
raramente  total. A estrutura de interdependncia das expectativas impe aos protagonistas, portanto, um 
certo grau de cooperao que leve cada um a elaborar a sua estratgia em funo dos objectivos do outro. 
Assim, no domnio do trabalho, G. Adam e J. D. Reymaud (1978) analisam o conflito como "o 
prosseguimento da negociao por outros meios". Estes autores afirmam que o conflito pode constituir um 
processo perfeitamente racional de mudana social: com efeito, quer respeite as regras institucionalizadas 
("jogo fixo") quer venha a viol-las ("jogo deslizante"), todo o conflito tem por objecto mudar as relaes de 
fora no campo social.
C.-H. C.

Conformismo: Adeso, consciente ou no, aos valores, normas e comportamentos predominantes no grupo 
de pertena ou de referncia.
O conformismo ope-se ao desvio,

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ainda que o hiperconformismo possa ser considerado como uma forma de desvio: o recm-chegado com 
excesso de zelo ser geralmente objecto de sanes. O conformismo  um tema recorrente ou implcito de 
toda a sociologia. A psicossociologia experimental estudou em laboratrio, de maneira elementar mas precisa, 
a tendncia para o conformismo. As experincias de S. Ach sobre a percepo puseram em evidncia a 
presso para a uniformidade de juzo que uma maioria unnime exerce sobre um sujeito ingnuo. As muito 
espectaculares experincias de S. Milgram (1974) revelaram a importncia da submisso a uma maioria, 
sobretudo quando ela parece caucionada por uma autoridade cientfica. Mas pode tambm haver influncia 
recproca, como mostrou a experincia clssica de M. Sherif sobre a formao das normas. A normalizaom 
das respostas, face a um estmulo ambguo, traduz uma tendncia para o ajustamento mtuo na interaco 
entre os sujeitos, que pode compreender-se como uma estratgia de evitamento do conflito.
PH. BD.
- Doise ec al. (1978), Leyens (1979).

Conhecimento (sociologia do): Esta subdisciplina pode definir-se por um programa: explicar certas ideias, 
teorias, mais em geral, certos produtos mentais a partir de variveis sociais. O programa  definido e assente 
na herana baptismal por K. Mannheim (1929). Neste autor, ele apoia-se numa distino entre duas espcies 
de ideias: as ideias que podem ter pretenses  verdade ou a uma validade universal, como as proposies 
matemticas, por exemplo, e as que no o podem, e que, no entanto, no tm qualquer razo para serem 
consideradas como arbitrrias. Assim, certas normas morais podem ter um sentido num dado contexto mas 
no num outro.  o caso das regras referentes, por exemplo, ao emprstimo a juros:  frequentemente 
considerado como imoral nos sistemas caracterizados por uma economia de subsistncia e como moral nas 
economias de troca. O papel da sociologia do conhecimento , num caso como aquele, explicar essa relao. 
Para Mannheim, a zona de jurisdio da sociologia do conhecimento coincide com o conjunto das ideias do 
segundo tipo. Exclui portanto, em particular do seu domnio, o conjunto das cincias. Mannheim no faz de 
resto mais que retomar precisando-as certas ideias de Marx. O projecto da sociologia do conhecimento 
encontra-se, de facto, em estado implcito em Marx, que, tambm ele, tinha proposto procurar a origem social 
dessas ideias que ele reagrupava na categoria da ideologia. Como mais tarde Mannheim, Marx, tal como F. 
Engels, precisa, no entanto, vrias vezes que a cincia e, em larga medida, o direito e a arte devem ser 
concebidos como tendo uma capacidade de desenvolvimento autnoma e liberta dos determinismos sociais. 
Assim, nestes autores clssicos, sociologia do conhecimento e epistemologia so tratadas como disciplinas 
complementares. A primeira no  considerada como tendo vocao para absorver a segunda.
 indispensvel precisar este ponto, porquanto h tambm uma segunda forma, que se pode chamar 
maximalista, da sociologia do conhecimento, segundo a qual nenhum produto mental  excludo da jurisdio 
desta disciplina. Este programa maximalista  por vezes proposto por neomarxistas, como

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L. Goldmann (1967), mas acompanha com frequncia, de maneira imediatamente compreensvel, as 
epistemologias de tipo relativista. Assim, a partir do momento em que, como os "convencionalistas" do incio 
do sculo, se analisam as "verdades" cientficas como convenes, segue-se da que as cincias caem no seu 
conjunto sob a jurisdio da sociologia do conhecimento, porque  pergunta epistemolgica "em que  que tal 
teoria  prefervel a tal outra?" substitui-se ento a pergunta "porque  que tal sistema de convenes  
prefervel a tal outro?". Esta concepo relativista do saber cientfico vai reaparecendo regularmente, ao passo 
que a sociologia do conhecimento maximalista regressa por seu turno de maneira peridica, como 
actualmente em B. Barnes (1974) ou D. Bloor (1980), entre outros. Em geral, este programa maximalista  
considerado excessivo. Assim,  de facto verdade que os Gregos interpretavam a irracionalidade de 2 de 
maneira diferente de hoje e que viam nisso a prova de que as grandezas e os nmeros constituem dois 
universos diferentes, o que no podiam deixar de fazer em virtude da sua definio da noo de nmero. Mas, 
para alm desta diferena de interpretao, a proposio segundo a qual esta quantidade no pode ser a 
soluo de nenhuma equao de tipo p/q (com p e q inteiros)  uma verdade absoluta, tanto para eles como 
para ns. Porque, se  verdade que todas as ideias so de origem social, algumas mantm-se e so aceites 
porque so verdadeiras.  possvel, como pensa A. Koyr, que o dogma da encarnao tenha facilitado o 
aparecimento e a difuso de uma concepo heliocntrica do mundo. Mas no podem menos prezar-se as 
vantagens desta concepo heliocntrica quanto  "crtica racional". O programa maximalista, que  
sociologista mais que sociolgico, contribuiu, em cada um dos seus rodeios, para desacreditar a sociologia do 
conhecimento pelos seus prprios excessos.
Mais til  a sociologia do conhecimento quando procura compreender no porque  que a proposio 
2+2=4  captada como verdadeira, mas porque  que todas as espcies de ideias frgeis, duvidosas ou falsas 
so concebidas como verdadeiras. Por outras palavras, quando se interroga sobre o ponto de saber porque  
que uma teoria, uma ideia, etc., que no se defende por si prpria pelo seu carcter verdadeiro, vlido ou 
irrecusvel pode no entanto ser captada como tal. A este respeito, podem distinguir-se dois tipos de teorias 
que representam as respostas mais frequentes a esta questo. As que fazem dessas divagaes o produto da 
interveno de causas "irracionais" como os sentimentos no sentido de V. Pareto (1916), os interesses de 
classe no sentido da tradio marxista, a influncia da "sociedade" no sentido de . Durkheim sobre as 
crenas colectivas, ou, mais vulgarmente, o fanatismo ou a paixo. Estas teorias revestem um certo poder 
explicativo. Mas  indispensvel ver tambm a importncia das teorias que tentam mostrar que, em muitos 
casos, essas crenas explicam-se por boas razes, mesmo quando elas parecem  primeira vista estranhas ao 
observador.
 essa, com muita frequncia, a perspectiva de Marx, de M. Weber ou de Mannheim. Para estes autores, a 
adeso do actor a interpretaes ou a crenas que podem parecer-nos surpreendentes explica-se muitas vezes 
pelo facto de, sobre certos assuntos, no poder haver verdade objectiva e de, sobre outros, 

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sob a influncia das necessidades da vida, o actor ter de concentrar-se com verdades aproximativas que ele 
capta como credveis com base em critrios razoveis mas que a lgica desaprova.
R. B.
- Merton (1949).

Conscincia: O termo "conscincia"  pouco utilizado sem qualificativo em sociologia. Assim, falar-se- de 
conscincia colectiva na esteira de . Durkheim para designar "o conjunto das crenas e dos sentimentos 
comuns  mdia dos membros de uma mesma sociedade". Numa tradio hegeliano-marxista, utilizar-se- o 
termo "falsa conscincia" a propsito do estatuto ideolgico da alienao capitalista e o termo "conscincia de 
classe", sem dvida, para qualificar o sentimento de pertena de um agente social a um grupo econmico 
determinado, mas sobretudo para denominar essa conscincia particular que  a conscincia de classe do 
proletariado, conscincia que  ao mesmo tempo "particular e interessada" e "universal".
Se todo o socilogo parte da verificao de que a conscincia que os sujeitos sociais tm da sua aco no 
 cincia, no resulta da um acordo geral sobre o estatuto da conscincia. Para os principais dentre eles, a 
conscincia deve ser compreendida como verdadeira a partir do momento em que ela se liga  maneira como 
um agente social calcula os seus interesses. Para outros, h uma dimenso ontolgica da conscincia falsa, e 
isto a partir de pressupostos tirados da teoria marxista das ideologias.
A. A.

Consenso: Acordo explcito ou tcito dos membros de um grupo ou de uma sociedade sobre certas 
instituies sociais, o consenso representa a dimenso coesiva dos sistemas sociais. Pode incidir sobre 
valores, regras ou decises comuns. A. Comte (1830-1842) v nele a condio essencial da ordem social: 
resultando da assimilao das conscincias individuais entre si na que . Durkheim (1893) chamar 
"conscincia colectiva", estabelece a preeminncia do conjunto sobre as partes.
Todavia, nem todo o consenso provm de uma pura e simples adeso a valores interiorizados pelos 
actores, pois que pode tambm caracterizar sociedades de forte heterogeneidade cultural. Procede ento mais 
de um alto grau de aceitao das regras comuns e de vontade de resolver os conflitos. Tambm no  redutvel 
ao fruto unicamente do contrato entre indivduos. Pode, com efeito (Hirschman 1970), ser afectado pela 
conduta dos membros protestatrios de um grupo (ou pelo destino que lhes  dado). Estes membros 
protestatrios, ao entrarem em dissidncia ou ao serem excludos, podero restabelecer o consenso ou refor-
lo dentro do grupo; mas o consenso pode tambm ser reforado pela interveno contestatria (voice) de 
certos membros.
C.-H. C.
- Shils, Young (1953).

Conservadorismo: O conservadorismo  uma doutrina poltica e social que se constitui pela defesa da ordem 
tradicional das naes europeias;  um "tradicionalismo tornado consciente" (K. Mannheim) por oposio  
Revoluo Francesa, mais em geral ao projecto poltico moderno. Os temas fundamentais da doutrina 
conservadora foram elaborados e fixados pelos pensadores da Contra-Reforma (E. Burke, J. de Maistre, L. de 
Bonald). Por

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outras palavras, o pensamento contra-revolucionrio definiu as trs crticas fundamentais que o pensamento 
conservador no deixar de fazer  modernidade: 
1. Uma crtica epistemolgica: a razo  exterior ao indivduo. As pretenses da Razo moderna no so 
mais que a manifestao de um orgulho insensato. A sabedoria ensina a modstia, a submisso  experincia 
acumulada na tradio ou/e  vontade da Providncia.
2. Uma crtica poltica: o poder justo  exterior aos indivduos. A democracia sapa a verdadeira autoridade 
poltica que deve conter, controlar as paixes humanas. O poder legtimo  aquele que se liga a uma origem 
transcendente.
3. Uma crtica sociolgica: a boa sociedade no  um agregado de indivduos, mas uma comunidade viva 
e ordenada. O individualismo moderno  inapto para fundamentar uma sociedade slida e condena o homem a 
ser "o soberano da sua prpria desgraa (F. Lamennais). Na raiz desta oposio fundamental s ideias 
modernas h a convico de que o homem  um elemento de alguma coisa que o ultrapassa e que ele deve 
submeter-se  ordem da Criao e  sabedoria da histria. Pensar a sociedade, o mundo, a partir do indivduo 
 desistir da condio humana.
PH. BN.
- Mannheim (1953), Nisbet (1986).

Consumo: A alimentao, o vesturio, o alojamento, a sade, os transportes e os tempos livres definem cada 
um deles um domnio do consumo.  claro que nem todos os lares repartem as suas despesas da mesma 
maneira por cada um destes sectores. A alimentao ocupa uma parte do oramento tanto mais fraca quanto o 
nvel das despesas totais  mais elevado.
Em 1856, E. Engel estabelece essa lei ao examinar o oramento mdio dos lares consoante o seu nvel de 
recursos (Berthomieu 1966). Essa formulao, estabelecida a partir de dados coligidos por E. Ducptiaux e 
comprovada seguidamente por numerosos outros inquritos sobre os gastos, encontra de imediato um enorme 
sucesso entre as administraes, encarregadas de informar os poderes pblicos sobre a evoluo do nvel de 
vida e de prever a evoluo do consumo (Stigler 1954). O rendimento e o preo relativo dos bens vendveis 
so os dois factores principais retidos pelo economista para explicar as disparidades instantneas entre os 
diferentes oramentos e a evoluo da sua estrutura no tempo. 
Quanto aos gostos, considera-se que sejam homogneos e estveis. O estudo sociolgico do consumo 
chama de preferncia a ateno para a heterogeneidade social das preferncias e das suas transformaes. 
As especificidades do consumo esto em funo das normas sociais, dos valores do grupo ou da sua 
cultura. M. Halbwachs (1913) estabelece que com rendimento igual as famlias operrias gastam 
sistematicamente menos para o seu alojamento que os empregados. Em contrapartida, a alimentao ocupa no 
seu oramento um lugar desproporcionado. Seguramente, as famlias numerosas so frequentes no meio 
operrio. Mas a dimenso no grupo familiar no basta para explicar a especificidade do oramento operrio. 
A alimentao deve uma parte da sua importncia ao facto de por ocasio das refeies o grupo familiar 
cumprir um acto ritual onde se exprimem valores comuns.
Os trabalhos ulteriores de sociologia emprica afastam-se pouco desta abordagem (Chombart de 

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55
Lauwe 1956; Bourdieu 1979). Entretanto, entram no pormenor dos consumos e fazem variar a definio dos 
meios sociais. Os estilos de consumo diversificam-se tanto mais quanto os recursos disponveis so mais 
elevados. Em contrapartida, quando os gastos so descritos em cinco ou seis grandes agregados, a repartio 
em partes oramentais evolui para a uniformidade. Esta tendncia geral aparece nos estudos longitudinais do 
consumo. L. Lvy-Garboua (1983) estabelece-a quando compara a evoluo dos oramentos familiares nos 
pases europeus e nos Estados Unidos da Amrica. Uma comparao dentro de um pas como a Frana chega 
a concluses similares (Herpin et a/. 1987): o crescimento econmico aproximou a estrutura oramental das 
vrias categorias socioprofissionais. Com base em dados de longo prazo, a abordagem econmica parece, 
portanto, levar a melhor sobre a dos socilogos: a hierarquia das necessidades no parece fundamentalmente 
afectada pelas tradies dos meios sociais.
O crescimento no torna necessariamente o consumidor mais satisfeito. Com efeito, as necessidades no 
sero menos bem e no to bem satisfeitas quando o constrangimento oramental se alivia e so acessveis 
mais produtos? Esta consequncia do crescimento constitui um paradoxo para a abordagem neoclssica do 
consumo.
O economista T. Scitovsky (1976) explica esta observao pelo facto de o consumidor consagrar uma 
parte cada vez maior dos seus recursos  preservao do seu conforto e cada vez menos a renovar ou a alargar 
as suas experincias. Para A. O. Hirschman (1982), o cansao do consumidor  uma consequncia do prprio 
xito do consumo; ele desinteressa-se da sua vida privada e volta-se para a aco colectiva. O movimento 
pendular deveria ulteriormente levar o militante a cansar-se da aco colectiva e fazer redescobrir ao cidado 
as delcias do consumo.
N. H.

Contgio - Difuso

Contedo (anlise de): O significado de um texto, seja ele qual for, no  dado, constri-se. B. Berelson 
(1952) estabeleceu as regras dessa construo: "A anlise de contedo  uma tcnica de investigao para a 
descrio objectiva, sistemtica e quantitativa do contedo manifesto das comunicaes que tem por fim 
interpret-las." O seu objectivo, em reaco contra a anlise literria de texto,  o rigor. Dois investigadores 
que trabalham sobre o mesmo texto deveriam chegar ao mesmo resultado. O texto ser dividido em unidades 
de significao (palavra, frase, pargrafo), e estas unidades classificadas em categorias lexicais, semnticas ou 
sintcticas estritamente definidas. Estas categorias sero exaustivas, homogneas, exclusivas uma da outra; 
sero objecto de um tratamento estatstico.
Foram feitas numerosas crticas a este processo. Ele atm-se ao contedo manifesto, isola os elementos do 
seu contexto e liga o sentido  frequncia. O desenvolvimento dos vrios ramos da lingustica permitiu afinar 
as categorias utilizadas. A anlise automtica do discurso de M. Pcheux (1969), os trabalhos de A. J. 
Greimas (1979) inspirados por Myrhologiques de C. Lvi-Strauss, a abordagem sintctica de R. Ghiglione, R. 
Matalon e N. Bacri (1985) so disso testemunho. E os progressos da informtica tornaram as tcnicas de 
contagem mais sofisticadas, como o mostram

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56
as anlises lexicomtricas conduzidas na escola normal superior de Saint-Cloud, tomando em linha de conta, 
tanto como a frequncia, a ausncia ou as co-ocorrncias dos elementos do texto.
A escolha de uma tcnica de anlise depende da natureza do texto: canes, artigos de imprensa e 
colquios no directivos no se analisam da mesma maneira. Depende tambm do objectivo do investigador: 
um gramtico, um psiclogo e um socilogo analisaro diferentemente um mesmo texto. Mas debater-se- 
sempre com o mesmo dilema. A ferramenta logicomatemtica  pobre para exprimir a riqueza dos usos da 
lngua e das suas significaes. Mas, sem ela, a anlise de contedo est condenada muitas vezes a no ser 
mais que uma metalinguagem que parafraseia o texto estudado at ao infinito (Bon 1977), sem outro critrio 
de validade para alm da sua exaustividade e da sua coerncia interna.
N. M.
- Bardin (1977), Ghiglione, Beauvais, Chabrol, Trognon (1980), Henry, Moscovici (1968).

Contracultura: Designam-se geralmente por este termo, assimilando-os sumariamente, os fenmenos de 
dissidncia cultural que, ao longo dos anos 60 e 70, se produziram no seio da juventude americana abastada, 
antes de se estenderem  da Europa Ocidental.
Sem unidade real, movimentos de contestao, de marginalizao, de libertao manifestaram ento uma 
oposio mais ou menos radical aos processos de integrao sociocultural, nomeadamente escolar e 
universitria. Contra as normas instrumentais, apelou-se  expresso de novos valores; da recusa de todas as 
formas de alienao, passou-se  ruptura com o sistema cultural que os reproduz; a fronteira que separa o 
privado do pblico, o normal do patolgico, o permitido do proscrito foi deslocada ou eliminada.
Se algumas correntes evoluram, em razo da conjuntura internacional (Guerra do Vietname), para a 
radicalizao poltica, outras foram aspiradas por um hedonismo vago e quiseram promover, contra a cultura 
apangio de um escol, novos modos de pensar e de comunicar. A velha exigncia de autenticidade e de maior 
transcendncia nas relaes interpessoais encontra-se neste protesto colectivo. A contracultura 
contempornea, de que H. Marcuse foi um dos principais inspiradores, apresenta afinidades com dissidncias 
passadas - os socialismos utpicos do sc. XIX, particularmente.
B. V.

Contrato: Forma de relao que estabelece obrigaes entre partes contratantes que actuam de sua prpria 
vontade, o contrato tem de facto a ver com uma reflexo sociolgica preocupada em compreender os 
elementos constitutivos das relaes sociais.
O contrato  assim uma variedade de permuta cuja gnese e evolues a antropologia contribuiu para 
reconstituir (Mauss 1950; Lvi-Strauss 1950), interessando-se a sociologia em mostrar em que ela era 
correlativa de certos tipos de solidariedades e de organizao sociais (Durkheim 1893; Gurvitch 1932). O 
contrato  revelador dos mecanismos sociais em aco na gesto dos interesses privados, da sujeio desta  
vida em sociedade, da procura permanente da compatibilidade com o interesse geral da sociedade. No Sculo 
das Luzes, as relaes sociais podiam ser concebidas com base no modelo do contrato,

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a sociedade (liberal) como uma sociedade de contrato. Mas a este modelo poltico da ordem social e da 
autoridade poltica viria progressivamente a substituir-se um outro modelo em que se afirmava de maneira 
crescente a autoridade do Estado sobre os actos estabelecidos pela vontade dos indivduos.  um renovo da 
ideia de contrato que parece, no entanto, dever observar-se no perodo recente. Pode assim conceber-se uma 
sociologia das prticas contratuais, particularmente nas relaes privadas. Mas o sentido geral destas prticas 
s pode ser encontrado na anlise das regulaes da sociedade global inspirando-se, sem dvida, naquilo que 
pode dizer-nos uma sociologia das racionalidades polticas em aco (Ewald 1986).
J. CE.

Convico (tica da): Segundo M. Weber, h uma antinomia entre a tica da convico (Gesinungsethik) e a 
tica da responsabilidade (Verant wortungsethik). A primeira fundamenta a aco do indivduo num valor sem 
tomar em considerao as consequncias; a segunda encara a aco unicamente segundo a relao entre meios 
eficazes e fins prosseguidos. O pacifista que recusa ir  guerra em conformidade com a sua conscincia e com 
uma representao global do mundo  incontestvel enquanto ele acreditar que assim pode mudar o mundo. O 
poltico que, para atingir um objectivo nacional, utiliza meios eficazes, mesmo reprovados pela moral, age 
segundo a tica da responsabilidade.
M. C.
- Weber (1921b, 1922b).

Cooperativo (movimento): Nascidas na primeira metade do sc. XX, no prolongamento das teorias de C. 
Fourier em Frana e de R. Owen na Gr-Bretanha, as cooperativas constituram um meio de organizao e de 
defesa dos trabalhadores fundado no conceito de autogesto. Alm dos objectivos propriamente econmicos, 
o movimento cooperativo desempenhou muitas vezes o papel de uma mutualidade, de um sindicato e de uma 
universidade popular. Actualmente, o movimento cooperativo fez questo em conservar uma misso de 
educao social. Divide-se em duas grandes categorias: as cooperativas que agrupam os produtores para o 
fabrico e/ou escoamento da produo (cooperativas agrcolas, artesanais, operrias de produo, de servios, 
comunidades de trabalho) e as cooperativas que agrupam os consumidores ou utilizadores (cooperativas 
escolares, de consumo, de crdito). Ainda que o movimento cooperativo no constitua em parte nenhuma um 
modelo dominante, ele representa, de facto, um modelo original, uma espcie de terceira via em que a 
motivao militante leva a melhor, ou seja, ao mesmo tempo a convico e a democracia. Agrupado numa 
Aliana Cooperativa Internacional, o movimento cooperativo foi solicitado a dar o seu contributo para 
participar no esforo de descolagem econmica dos pases em vias de desenvolvimento.
Y. C.
- Desroche (1976), Lasserre (1978).

Coorte: Conjunto de indivduos que viveram, no decurso do mesmo perodo, um acontecimento fundamental 
da sua histria, como, por exemplo, o nascimento, o casamento, o fim dos estudos, a entrada no mercado do 
trabalho, etc. Por exemplo, o grupo das mulheres nascidas no Vaucluse entre 1945 e

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1949 constitui uma coorte. A anlise por coortes  o estudo quantitativo, para um grupo assim definido, da 
ocorrncia de cenas caractersticas atravs do tempo. A comparao entre coortes permite, nomeadamente, 
apreciar os efeitos respectivos do ciclo de vida e de pertena a uma gerao.
D. D.

Corpo: A maior parte das prticas sociais pe em aco o corpo (gestos de trabalho, movimentos, cuidados 
corporais).  M. Mauss (1936) que apresenta a primeira sistematizao dos factos corporais definidos como 
"tcnicas do corpo". Mais tarde, observar-se-o igualmente as representaes: ao corpo recalcado do 
ascetismo tende a substituir-se a imagem do corpo liberto e sacralizado promovida pelos media. Mant-lo em 
forma constitui uma aposta social: aprender a apresentar-se "bem", modificar a sua configurao (dietas), 
cuidar da sua aparncia (vesturio e cosmticos) no tm o mesmo sentido consoante o sexo, as classes 
sociais e as geraes (Bourdieu 1979). O corpo  tambm produtor de informaes muitas vezes implcitas 
(confiana, defesa, prudncia) necessrias  interaco (Goffman 1956). V-se melhor actualmente a 
motivao das prticas desportivas (a sua extenso ligada  procura de bem-estar) e das teraputicas 
(construo no mdica dos sintomas, medicinas alternativas): o que suscita interrogaes sobre a nova 
alienao do corpo contemporneo (Berthelot et al. 1985).
M. D.
- Loux (1979).

Corporativismo: Princpio de organizao do mercado do trabalho que assenta nos agrupamentos 
profissionais ou de ofcio (por exemplo: os marinheiros, os funcionrios, os mdicos). Por extenso, o termo 
designa toda a interveno tendente a promover os interesses de uma profisso ou a reforar as regras que a 
regem (condies de entrada e de sada, desenrolar das carreiras; ajustamento da retribuio s tarefas, 
sujeies e responsabilidades).
A noo vem do Antigo Regime, que, com a concesso dos privilgios, tinha organizado o acesso aos 
ofcios. Por assimilao, qualificou-se de "corporativista" o regime de Vichy (que pretendia abolir a luta de 
classes em favor de sistemas de cooperao sectoriais). Fala-se de "neocorporativismo" a propsito da 
regulamentao de ordem pblica negociada entre o Estado, o patronato e os sindicatos. A esta luz, o 
corporativismo no  redutvel s estratgias dos grupos que defendem situaes de monoplio. A aco das 
coligaes profissionais  indissocivel dos mecanismos e da regulao sociopoltica. Ela contribui, por outro 
lado, para a produo e para a defesa das identidades colectivas (Segrestin 1985).
D. SN.

Costumes: Que h dissemelhanas na maneira de ser, de viver e de sentir, assim como nos costumes, 
comportamentos e prticas de todas as espcies dos vrios povos, e nas diferentes pocas, no  uma ideia 
recente. Os costumes observados por Herdoto no so os dos Gregos ou dos Romanos. Montesquieu, 
Voltaire, Rousseau pem em evidncia os factores que exprimem e regem a variedade dos costumes das 
naes e a diversidade do seu desenvolvimento. Enfim, a sociologia como cincia entende estabelecer leis 
gerais da sociedade. Avana o princpio de que existe uma natureza social, sujeita a leis como a natureza

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fsica. O seu objecto  reconhecer hbitos colectivos e as transformaes pelas quais eles passam. Fundada no 
mtodo histrico comparativo, como a lingustica ou o estudo das religies, confunde-se de algum modo com 
aquilo a que . Durkheim e L. Lvy-Bruhl chamaram fsica dos costumes ou cincia dos costumes. Cada 
indivduo encontra ao nascer costumes, fixados em instituies - familiares, domsticas, econmicas, 
religiosas ou polticas - que se lhe impem e lhe apontam regras de conduta, modelos a imitar, em linguagem 
actual dos valores, normas interiorizadas. Transmitidos pela educao, sem que tenha necessidade de tomar 
conscincia deles, pode transgredi-los mas no ignor-los. Constituem morais prticas, variveis no tempo e 
segundo as pocas.
A sociologia cientfica investiga a maneira como eles se constituram ao longo da histria e como  que os 
indivduos os aplicam. O seu conhecimento permite esperar que sejam melhor compreendidos e aplicados 
igualmente a todas as necessidades da vida social. No congelados, mudam porque as etapas dos progressos 
modificam as suas condies do exerccio. A cincia dos costumes deve permitir orientar melhor as suas 
transformaes, e at edificar uma sociedade menos imperfeita. Trata-se de um ideal acerca do qual podemos 
interrogar-nos se ser de facto plenamente realizvel.
A. G.
- Durkheim (1950), Fauconnet, Mauss (1901), Lvy-Bruhl (1903).

Crena: Denominar-se-o crenas as proposies - formuladas ou no - a que um indivduo ou um grupo d 
um assentimento perfeito e que tem por verdadeiras mesmo quando a prova da sua verdade no tem a ver com 
uma lgica de tipo cientfico. A partir do momento em que estas crenas emergem da simples convico 
vivida, os indivduos tendem a estabelecer a sua autenticidade numa dupla direco: psicolgica, 
racionalizando-as; social, preservando-as por montagens institucionais de ascendente mais ou menos forte, 
que se vem assim elas prprias fortalecidas (Deconchy, 1980).
Entre os inventrios formais de crenas,  preciso citar o de M. Rokeach (1969), que distingue cinco tipos: 
as crenas primitivas de consenso mximo ("a felicidade  um estado desejvel"); as crenas primitivas de 
consenso mnimo (a criana mimada que pensa que "ningum gosta dela"); as crenas que incidem sobre a 
autoridade e os seus direitos (de personagens reais ou mticas); as crenas derivadas ou transmitidas (que s se 
"aguentam" porque dependem de uma tradio); as crenas anedticas (aquilo a que poderiam chamar-se "as 
matrias de gosto").
Num determinado local cultural, o inventrio das crenas pode ser estabelecido por vrios mtodos 
(Decroly, 1987), consoante o grau de assentimento que suscitam, a frequncia dos adeptos que renem e as 
sistematizaes que introduzem. Tais mtodos vo da recolha etnogrfica por observao ou entrevistas no 
directivas ou semidirectivas a escalas ou questionrios estandardizados. Estes so elaborados  volta de uma 
fenomenologia implcita (por exemplo, em matria religiosa: os de M. R. James ou R. Otto) ou a partir de 
enunciados julgados tpicos de um corpus de crenas particular. Mais recentemente, foram utilizadas tcnicas 
experimentais para pr em evidncia os filtros que intervm na percepo das interaces e dos 
acontecimentos sociais, de tal maneira

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60
que no sejam postas em causa as crenas dominantes. Esta tcnica permite pr em evidncia os efeitos das 
crenas.
A ideia comum pretenderia que as crenas de um indivduo tivessem, sobretudo, efeitos subjectivos e que 
os seus comportamentos seriam reflexo disso. De facto, os efeitos do "crer", so de uma grande extenso.
J.-P. D.

Crime: Aco ou modo de vida que a lei autoriza a sancionar com esta ou aquela pena.
. Durkheim (1895) adopta este tipo de definio como ponto de partida da concepo sociolgica do 
crime. R. Gonfarolo, por seu turno, considera apenas alguns crimes referindo-se ao sentido moral; Durkheim, 
em contrapanida, adianta que a anlise sociolgica deve considerar tudo o que  objecto de uma pena. 
Proclama tambm, contra G. de Tarde, que o crime deve ser estudado como um fenmeno social ao mesmo 
ttulo que os outros, que nenhuma sociedade pode dispensar e que desempenha uma funo positiva: reavivar 
os estados fortes da conscincia colectiva e, em certos casos, preparar a sua evoluo. Durkheim (1895) 
define o crime como "um acto que ofende certos sentimentos colectivos dotados de uma energia e de uma 
fora particulares": define-o, portanto, pela reaco que suscita. Nisso, afasta-se dos primeiros criminlogos, 
que procuravam, sobretudo, saber se o comportamento do criminoso dependia de causas sociais ou 
individuais.
Procurar os determinantes do comportamento criminoso constitui, no entanto, a preocupao principal das 
sociologias especializadas. Durante muito tempo estas puseram a tnica nas razes culturais: aprendizagem 
negativa do respeito da lei em certos grupos culturais (Sutherland, Cressey 1924), conflitos de cultura (Sellin 
1938). Uma outra teoria apresenta o comportamento criminoso como o resultado de uma disjuno anmica 
entre fins socialmente valorizados e meios de alcan-los (Merton 1949). Pode ainda explicar-se o crime 
como o feito de um afrouxamento dos controlos primrios (famlia, escola, etc.; Hirschi 1969). A maior parte 
destas teorias considera apenas uma parte dos comportamentos susceptveis de provocar uma pena (roubos, 
violncias, em geral). Mas, ao mesmo tempo, estas teorias ultrapassam os limites do crime (violao da norma 
jurdica) e apresentam-se como teorias dos desvios (violaes das normas sociais). Considera-se o crime, 
portanto, como uma espcie de desvio entre outros e a norma jurdica como anloga s normas sociais em 
sentido amplo e ao mesmo tempo especfico (Boudon, Bourricaud 1982): contrariamente s normas sociais, 
esta norma jurdica  dotada de uma universalidade que manifesta a diversidade dos grupos sociais 
(heteronomia). Uma teoria geral do desvio no  pois, provavelmente, suficiente para explicar a 
especificidade do crime enquanto crime.
A pr a tnica na reaco discriminatria do meio ambiente e no papel das instituies oficiais na 
produo do desvio, o interaccionismo dos anos 60 (Becker 1963) reintroduziu a considerao durkheimiana 
da reaco social no estudo sociolgico do crime.  verdade que se tratava ainda de uma teoria indiferenciada 
do desvio. Entretanto, levou pouco a pouco a procurar a especificidade do crime como tal no exame dos 
processos sociais de criao (criminalizao primria ou

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abstracta) e de aplicao da lei penal (criminalizao secundria ou concreta), ou seja, numa sociologia do 
direito (penal na ocorrncia). Reencontra-se assim a intuio de Durkheim que caracteriza o crime pela 
respectiva pena e que procura a especificidade comum a todos os comportamentos criminosos, ao mesmo 
tempo que afasta a crena numa conscincia colectiva cujos elementos mais fortes o legislador traduziria 
infalivelmente. Esta dualidade de concepes do crime - ora objecto comportamental ora objecto normativo e 
jurdico - tende a ser ultrapassada por uma sociologia dos actores concretos que participam na criao da lei, 
por um lado, e na sua aplicao, por outro. Estes actores so no apenas os profissionais da lei e da justia 
mas tambm os actores mais ou menos ocasionais (vtimas e delinquentes...).
PH. R.
- Debuyst (1985), Robert (1984).

Crise: As crises que afectam os grupos sociais diferem pelas suas causas e pelas suas duraes. Em 
contrapartida, podem nelas distinguir-se geralmente as mesmas fazes de incubao, de efervescncia e de 
resoluo. Est em crise todo o grupo do qual pelo menos os membros dirigentes ou minorias activas tm 
conscincia de que os seus mecanismos de regulao e a identidade esto sujeitos a uma prova geralmente no 
prevista, captada como transitria, temvel e de resoluo incerta. Permanecendo o sentido dessa prova 
escondido da maioria dos seus membros, ela exige decises rpidas, envolvendo muitas vezes o recurso  
violncia, uma transformao na composio e na estrutura do grupo (entre outras coisas, uma renovao 
mais rpida das suas elites), assim como uma modificao das relaes com o seu meio (natural e social) 
ambiente. Toda a crise  acompanhada de uma conscincia de crise e provoca a surpresa: m para muitos mas 
feliz para outros. De facto, durante a fase de incubao da crise, predominam a dvida, o mal-estar, a 
desorientao dos espritos. Este perodo de indeciso , no entanto, visto como uma altura em que  
necessrio tomar decises "curativas", medidas de urgncia. Por isso se recorre, com frequncia, a 
personalidades "carismticas" (no sentido de Max Weber) cuja legitimidade se apoia, acima de tudo, no nas 
tradies ou nas leis em vigor mas na lucidez manifestada (so, com muita frequncia, "profetas da desgraa" 
que vem com justeza antecipadamente, e na sua presumida aptido para purificar o grupo do seu mal-estar, 
detectando os "verdadeiros responsveis da crise" (bodes expiatrios, eventualmente), designando os 
"verdadeiros inimigos" do grupo e cortando a direito. Simultaneamente, brotam de todos os lados projectos, 
muitas vezes utpicos, de regenerao e de reconstruo da sociedade acompanhados de um retorno s 
evidncias fundamentais e aos valores ditos "seguros". Este perodo de indeciso aparecer, 
retrospectivamente, como decisivo, porquanto ter permitido uma redistribuio das cartas entre os indivduos 
e os grupos envolvidos, que resultar dos conflitos, eventualmente das revolues e das guerras, que tero 
contribudo para resolver a crise e para revelar o seu sentido oculto.
A. B.
- Bjin Morin (19761, Dobry (1986).

Culto: Em sentido amplo, um culto  constitudo pelo conjunto das marcas de submisso e de deferncia 

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em relao a um poder sacralizado que se honra. Num sentido mais restrito, designa as cerimnias e os ritos 
destinados a prestar homenagem a seres sagrados (Deus, santos, antepassados, heris) ou a objectos (dolos, 
relquias) cujo poder se supe emanar da sua relao com uma entidade sobrenatural ou com a pessoa  qual 
se reportam. Sob a expresso "culto popular", classificam-se prticas, ditas por vezes supersticiosas,  
margem das religies institudas e muitas vezes toleradas por elas, como a venerao das imagens piedosas, 
dos animais amigos dos santos, dos testemunhos simblicos de poderes sagrados: fogo, fonte, rochedo, sol, 
etc.
No cristianismo, o culto pblico inclui as oraes, exortaes, sacrifcios, oferendas, procisses, 
sacramentos, etc., incorporados na liturgia. O culto interior exprime-se por pensamentos de f, de esperana, 
de caridade; o culto exterior pela sua expresso em comportamentos. O acto principal do culto no catolicismo 
 a missa, celebrando o mistrio da morte de Cristo e da sua ressurreio pela redeno dos homens. O 
protestantismo insiste, para alm da orao e da pregao, no ofcio, para que a existncia quotidiana seja uma 
obra de piedade para a glria de Deus.
C. R.
- Bastide (1960), Kirghgassner (1962), Rivire (1981), Thomas (1982).

Cultura: A palavra "cultura" aparece no fim do sc. XI. Designa, nomeadamente, um pedao de terra 
trabalhada para produzir vegetais e torna-se sinnimo de agricultura (cultura alimentar, cultura forrageira, 
policultura). Em meados do sc. XVI, o sentido figurado de cultura do esprito comea a ser empregado pelos 
humanistas do Renascimento.  no sc. XVIII que a cultura em cincias, letras e artes se torna um smbolo da 
filosofia das Luzes e que Hobbes designa por "cultura" o trabalho de educao do esprito em particular 
durante a infncia. O homem cultivado tem gosto e opinio, requinte e boas maneiras. No sc. XIX, a palavra 
"cultura" (Kultur em alemo) tem por sinnimo "civilizao" (termo preferido pelos franceses). Mas, ao passo 
que E. F. Tylor (1871) define a cultura atravs do desenvolvimento mental e organizacional das sociedades, 
como "esse todo complexo que inclui os conhecimentos, as crenas religiosas, a arte, a moral, os costumes e 
todas as outras capacidades e hbitos que o homem adquire enquanto membro da sociedade", a antropologia 
cultural americana, uns sessenta anos mais tarde, insiste no desenvolvimento material e tcnico e na 
transmisso do patrimnio social. Segundo os culturalistas, a cultura, enquanto modo de vida de um povo,  
uma aquisio humana, relativamente estvel mas sujeita a mudanas contnuas que determina o curso das 
nossas vidas sem se impor ao nosso pensamento consciente.
O sentido moderno do termo reporta aos modos de comunicao do saber nas sociedades em rpida 
transformao e aos objectos simblicos produzidos por uma sociedade para veicular valores. A ateno 
incide nos mitos, noes, imagens e modelos espalhados em certos grupos sociais (cultura popular, cultura de 
elite) e por certos canais de difuso do saber: a cultura de massa  simultaneamente a que  transmitida pelos 
media e a que se dirige a um largo pblico. Ligada  sociedade do conhecimento, a sociolo a da cultura 
considera os criadores

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das obras simblicas pelas quais se exprimem representaes do mundo, a relao das obras e do autor com a 
sociedade na qual eles operam, o sistema de produo das obras do esprito e o campo ideolgico onde se 
situam os emissores e receptores de obras culturais.
C. R.
- Bnton (1975), Herskovits (1948), Linton (1945), Malinowski (1944), Sapir (1936), Tylor (1871).

Culturalismo: O culturalismo  uma corrente de pensamento antropolgico especificamente americana, que 
tende a explicar a cultura como sistema de comportamentos aprendido e transmitido pela educao, pela 
imitao e pelo condicionamento num dado meio social. A modelao da personalidade opera-se, 
inconsciente ou conscientemente, por instituies e pelo jogo das regras ou das prticas habituais.
Os principais representantes so R. Linton (1936), A. Kardiner, R. Benedict (1934), M. Mead. A 
originalidade de Linton reside: 1. no contedo psicolgico que d  cultura pela insistncia na transmisso e 
na estruturao das condutas graas  educao; 2. na importncia que atribui aos modelos ou patterns 
culturais, maneiras tpicas de pensar e de agir prprias de uma cultura e diferentes dos puros ideais de 
comportamento; 3. na distino que estabelece entre cultura real com os seus modelos interiorizados pelos 
indivduos e cultura construda a partir de frequncias mximas de aparecimento de certos comportamentos; 
4. na sua teoria da aculturao, mudana cultural por contacto e influncia, construda com R. Redfield e M. 
Herskovits (1948). Deve-se a Kardiner o ter distinguido na cultura as instituies primrias (famlia, 
educao, etc.), que modelam os indivduos em primeiro lugar, e as instituies secundrias (religio, 
ideologias, folclore, etc.), efeito das anteriores. A sua originalidade situa-se, sobretudo, na sua ptica 
psicanaltica e na sua elaborao do conceito de personalidade de base: "configurao psicolgica particular 
prpria dos membros de uma dada sociedade e que se manifesta por um ceno estilo de vida ao qual os 
indivduos acrescentam as suas variantes singulares".
Benedict prope a noo de tipo psicolgico e procura definir a especificidade de uma cultura a partir de 
modelos dominantes numa sociedade. Conformistas, racionalistas, reservados, os Pueblos podem ser ditos 
apolinianos, ao passo que o tipo dionisaco aparece entre os ndios das Plancies, que valorizam a emoo, a 
violncia, a agressividade.
Discpula de F. Boas na medida em que presta ateno aos factos materiais e s tcnicas, Mead , 
sobretudo, discpula de Benedict, porquanto estuda a partir de grupos ocenicos as relaes de coerncia entre 
patterns culturais e a maneira como a educao desemboca numa estruturao da personalidade adulta 
reconhecida como normal numa sociedade.
Os culturalistas simplificaram demasiado o problema da formao da personalidade, definiram mal os 
patterns, descuraram o incodificvel e presumiram a anterioridade lgica da cultura em relao ao psiquismo.
C. R.
- Clapier-Valladon (1976), Dufrenne (1953).

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D

Darwinismo social: As teorias sociais darwinistas constituem aplicaes, s sociedades humanas e s suas 
culturas, do princpio da seleco natural que o naturalista ingls Charles Darwin enunciou em A Origem das 
Espcies (1859). Essas teorias so geralmente materialistas, reducionistas e deterministas. Postulam que os 
indivduos so fsica e mentalmente desiguais na maioria das vezes e que as aptides so hereditrias. Por fim, 
estabelecem que a evoluo das espcies e das sociedades procede das seleces: seleces pela morte (a luta 
pela existncia no sentido estrito) e pela fecundidade diferencial (aquilo a que G. Vacher de Lapouge chama a 
luta pela descendncia e que "consiste em ter mais descendentes que os seus rivais). Dos anos 1860 a meados 
dos anos 1880 passou-se, progressivamente, de um primeiro darwinismo social, mais liberal, para um segundo 
mais socialista e dirigista. Seguidamente, e at  Primeira Guerra Mundial, dominou este segundo darwinismo 
social, com frequncia "eugenista", "racista" e/ou "imperialista".
Tm relao com esta corrente de pensamento, que influenciou na constituio das teorias sociolgicas do 
conflito e da circulao das elites, nomeadamente alguns escritos de H. Spencer e, sobretudo, de Vacher de 
Lapouge (1896).
A.B.
- Hankins (1926), Ory (1987), Sorokin (1928), Spencer (1873, 1874, 1875), Sutter (1950).

Deciso: A deciso  um problema que se encontra no cerne das cincias da aco, na juno da economia, da 
psicologia e da sociologia. A teoria econmica contm em pontilhado as premissas muitas vezes implcitas de 
um modelo do decisor racional que poderia resumir da seguinte maneira. A deciso  considerada como o 
produto, num momento t, de um actor individual que tem preferncias claramente hierarquizadas, que opera 
uma separao entre os fns e os meios  sua disposio, que dispe de uma informao completa e pode, 
portanto, proceder a um recenseamento exaustivo e sinptico de todas as solues possveis e das suas 
provveis consequncias, e que aps um clculo custo/vantagens para cada uma das solues escolhe a 
melhor: optimiza em funo das suas preferncias. Este modelo, que no entanto se encontra na base da teoria 
clssica da firma assim como de numerosos instrumentos de management e de ajuda  deciso, apresenta-se 
como exorbitante. E, de facto, desde muito cedo foi sujeito a um grande nmero de crticas que partiam de 
consideraes psicolgicas, sociolgicas e de estudos empricos. Integrando os contributos dessas diferentes 
crticas que foram apresentadas de maneira clara por C. Grmion (1979) e M. Ghertmann (1981), chega-se a 
um modelo mais complexo e sociolgico que se poderia resumir do modo seguinte: a deciso  um processo 
social que se desenrola no tempo, no qual as solues alternativas so constitudas e descobertas 
progressivamente e em que participam actores mltiplos que so relativamente autnomos uns em relao aos 
outros mas ligados estrategicamente entre si. Estes actores prosseguem objectivos diversos, ou mesmo 
conflituais e muitas vezes ambguos, tm apenas um conhecimento e uma informao imperfeitos, e s so 
capazes de uma racionalidade limitada. Isso quer dizer que cada um raciocina

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de maneira apenas sequencial num nmero limitado de solues alternativas entre as quais escolhe a primeira 
que satisfaz os seus critrios mnimos de satisfao. Nesta perspectiva, no h j soluo ptima para um 
problema: no h mais do que solues satisfatrias, isto , boas solues. E impor-se- aquela em favor da 
qual se tiver constitudo uma coligao capaz de impor s outras os seus critrios de satisfao, que se tornam 
ento os critrios de racionalidade e de escolha do conjunto.
E. F.

Delinquncia: vd. Crime, Desvio

Democracia: A democracia  um regime poltico, ou seja, uma certa maneira de organizar as relaes de 
poder no seio de um grupo social soberano, ou poltica. O princpio fundador da democracia  a afirmao de 
que toda a relao de poder entre societrios e entre cidados se enraza naqueles que obedecem e no 
naqueles que mandam, quer o faam em seu nome prprio ou em nome de um princpio transcendente, Deus, 
a Nao, a Histria, a Classe ou a Raa.
Como cada um  senhor de obedecer ou de no obedecer, cada qual s obedece se julgar vantajoso faz-lo. 
A democracia , por tal facto, uma sociedade de responsabilidade limitada, em que cada um entra para atingir 
certos fins. Esses fins so de duas ordens. Uns so prprios dos indivduos ou dos grupos intermdios 
(famlias, empresas, clubes, Igrejas), outros so comuns a todos. Os fins prprios so interesses particulares. 
Estes ltimos so divergentes, contraditrios. A nica forma possvel de conciliao pacfica desses interesses 
 fazer com que se encontrem em mercados regulados, onde, na sequncia de inmeras negociaes, eles se 
convertem em interesses mdios. Os fins comuns so interesses comuns que s podem ser assegurados em 
comum, como a defesa para com o exterior, a definio de regras do jogo internas e o castigo dos batoteiros. 
A democracia  assim caracterizada por uma distino bem marcada entre o privado, onde interesses 
particulares se convertem em interesses mdios, e o pblico, onde os cidados definem e procuram realizar os 
seus interesses comuns.
Tanto no privado como no pblico, instauram-se relaes de poder porque a realizao dos interesses 
particulares e comuns assenta em reparties de tarefas e divises do trabalho que exigem coordenao. 
Segundo o princpio de base da democracia, os coordenadores s podem ser delegados, a ttulo temporrio, 
circunscrito e reversvel, que os societrios e os cidados escolhem pela sua suposta competncia. A tcnica 
de escolha dos delegados  varivel segundo as actividades sociais. Na esfera poltica, que tem a seu cargo os 
interesses comuns, a eleio dos delegados pelos cidados  a soluo mais eficaz. No domnio econmico, o 
mercado permite aos consumidores-societrios seleccionar pelas suas compras e pelas suas recusas de compra 
os empreendedores que lhes parecem os mais competentes, para lhes oferecer ao melhor custo o maior 
nmero de bens e de servios, que sejam da melhor qualidade possvel.
J. s.
- Aron (1965), Rousseau (1766), Sartori (1962), Tocqueville (1835).

Democratizao: Pertencente ao pensamento reformista, este termo designa em sociologia um processo 
peculiar de mudana social: democratizao da escola, do desporto, do sistema de assistncia, etc.

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Neste sentido, h que ver nela a descoberta dos limites da democracia formal: se esta assenta nos 
princpios de livre acesso e de igualdade de direitos, choca, no entanto, com a verificao das desigualdades 
reais e dos privilgios de facto. Medir as primeiras, identificar e reduzir os segundos tornam-se os objectivos 
da democratizao. A medida faz-se na maioria das vezes utilizando o clculo das probabilidades: este revela, 
num campo dado, o desnvel entre as possibilidades tericas e as possibilidades reais de acesso a um bem; 
permite, alm disso, captar as determinantes sociais (origem social, sexo, classe etria, pertena tnica, etc.) 
que intervm nas desigualdades verificadas e orientar a aco de reforma. Arma de dois gumes, mede 
igualmente os seus limites, fazendo assim da democratizao uma tarefa incessantemente recomeada.
J.-M. B.

Demografia e sociologia: Uma origem comum aproxima desde a sua origem democracia e sociologia. Desde 
sempre, pensadores e polticos reflectiram sobre as condies da vida em sociedade e meditaram sobre os 
fenmenos de populao. O nmero e a multiplicao dos homens apresentaram-se sempre como fenmenos 
primordiais em relao com o poder ou a riqueza dos Estados. Mas s no sc. XIX so inventados e entram 
em uso os termos sociologia (Comte 1830-1842) e demografia (Guillard 1855). Duas condies eram, de 
facto, necessrias para que nascessem e se desenvolvessem como cincias a sociologia e a demografia: uma 
organizao administrativa suficientemente implantada para o estabelecimento de estatsticas rigorosas e o 
trabalho crtico da filosofia das Luzes. A vida social e poltica deixa de ser considerada como resultando de 
uma ordem natural ou divina, mas da vontade humana capaz de agir sobre ela e de a mudar, seno mesmo de 
transform-la radicalmente.
Considerando a espcie humana, do nascimento  morte, "do ponto de vista do nmero" (Halbwachs 
1936), isto , natalidade, reproduo e deslocamentos, mortalidade, a demografia tem os seus mtodos 
prprios. Aplicando a anlise matemtica ao estudo quantitativo dos homens e dos seus comportamentos, 
implementa instrumentos de medida, cuja complexidade cresce com o aumento dos factores tomados em 
considerao. A partir dos anos passados e presentes, dentro dos limites de hipteses nitidamente delineadas, 
estabelece perspectivas sobre o povoamento futuro e sobre as mudanas de estrutura que podem esperar-se. 
Investiga dentro do corpo social na sua extenso e nas suas partes, na sua morfologia e nas suas 
transformaes. Os factos demogrficos explicam-se primeiro por eles prprios, mas no so isolados nem 
independentes. Tal como no h acontecimento puro, fora das circunstncias de tempo e de lugar, no h 
facto demogrfico puro. Uma taxa de natalidade, uma proporo de jovens e de velhos no tm significado 
como tais. S ganham o seu alcance uma vez coordenadas entre si, comparadas e situadas no contexto global 
em que se produzem. Os dados biolgicos melhor estabelecidos, que pareceriam escapar aos controlos sociais, 
esto, na realidade, sob a sua estreita dependncia. Uma guerra ou uma migrao um pouco selectiva bastam 
para modificar a relao dos sexos, prxima do equilbrio. As unies no obedecem apenas a um processo de 
maturidade sexual dos rapazes e das raparigas, mas esto sujeitas, nas vrias

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culturas e nos diferentes meios sociais, a contingncias econmicas ou a regras impostas que mudam a sua 
intensidade e baixam ou elevam a sua idade. A natalidade e a mortalidade variam de maneira surpreendente 
ao longo do tempo, de pas para pas, e consoante o rendimento, a profisso, o nvel de instruo ou a prtica 
religiosa. Interesses, representaes comuns, a obedincia inconsciente ou reconhecida a normas admitidas 
enformam o corpo social por dentro e do-lhe a coeso necessria  sua durao. A. Saury (1952) quis 
mostrar que a populao s poderia ser estudada da mesma forma que a realidade social viva. O movimento 
"natural" da populao  tambm um movimento "sociocultural". Os factos demogrficos so factos sociais, e 
aquilo que os determina e os explica  em grande medida de natureza sociolgica.
Inversamente, os factores demogrficos actuam sobre a evoluo social. Para . Durkheim, 
desenvolvendo uma observao de Comte, o aumento do volume e da densidade da populao produz a 
diviso do trabalho, ela prpria geradora do avano da civilizao. E. Duprel (1928) julgara captar no 
crescimento demogrfico a causa essencial do progresso. D. Riesman (1955) estabelece uma ligao de causa 
e efeito entre o carcter social e o regime demogrfico das pocas sucessivas. Ainda que os fenmenos 
demogrficos, intimamente misturados com outros fenmenos, no sejam os nicos a intervir,  seguro que 
estreitas relaes unem o nmero e as formas da vida social. A demografia fornece  sociologia uma base 
rigorosa para assentar a sua reflexo, a ponto de que "todo o socilogo deveria ser tambm um 
demgrafo".(Stoetzel). Demografia e sociologia no so nem dependentes nem independentes uma da outra. 
A relao entre elas  de reciprocidade. Uma e outra, cincias humanas ou cincias sociais, distinguem-se 
pelos seus mtodos especficos, e formam entre elas com todas as outras cincias sociais um conjunto cujo 
objectivo ltimo  o mesmo e que no poder ser dissociado das outras cincias sociais.
A.G.

Densidade: No sentido demogrfico corrente, a densidade  a relao da populao total com a extenso do 
territrio que ocupa. A densidade dinmica ou moral, tal como a define . Durkheim,  o grau de 
concentrao da massa ou "restringimento material e moral". Um indicador deste conceito  a densidade 
material que  uma combinao da densidade da populao, da populao urbana, e do nmero e da rapidez 
das comunicaes e transmisses. Quando a densidade material aumenta, o nmero de interaces entre os 
indivduos cresce igualmente. A densidade moral caracteriza-se tambm pela natureza das relaes sociais, ou 
tipo de sociabilidade. Estes conceitos esto na base da teoria da morfologia social em Durkheim e seus 
discpulos.
M. C.
- Durkheim (1893, 1897), Durkheim, Mauss (1901), Spencer (1874-1875).

Desemprego: As discusses  volta do nmero "real" dos desempregados no so apenas devidas  vontade 
dos governos de enaltecer a sua aco e ao esforo dos opositores no sentido de demonstrar a insuficincia da 
aco governamental, mas esto estreitamente ligadas  ambiguidade da realidade social e  dificuldade de 
elaborar uma definio sociolgica do desemprego (Schnapper 1982). As definies administrativas

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do desemprego no so mais que o reflexo da concepo que a sociedade tem do desemprego num dado 
momento. A prpria noo de desemprego no existia no sc. XIX, antes de se constituir um verdadeiro 
mercado do trabalho, definido pela oferta e pela procura de uma mo-de-obra cuja qualificao  precisa e a 
localizao estvel. Ainda em 1932, s eram reconhecidos e contados como desempregados os homens, 
operrios ou empregados sem emprego desde h menos de dois anos, excluindo mulheres e trabalhadores 
independentes (Salais, Baverez, Marpsat 1986). Actualmente, utilizam-se definies administrativas 
diferentes. A do BIT, sobre a qual se fundam as comparaes internacionais, define a populao sem emprego 
 procura de um emprego (PSERE): segundo esta definio,  desempregado aquele que procura um emprego, 
faz tentativas efectivas para consegui-lo, est disponvel para aceitar um emprego e no teve nenhuma 
actividade profissional no decurso da ltima semana. A administrao francesa utiliza outros critrios. Mas, 
seja qual for a definio adoptada, ela no faz mais que traduzir uma situao administrativa - os que so 
reconhecidos como desempregados pela regulamentao em vigor. A realidade social, essa,  ambgua: como 
qualificar os que procuram um trabalho em condies difceis ou impossveis de preencher? Tero de 
qualificar-se como desempregadas as mulheres que s aceitariam um emprego se ele fosse prximo do seu 
domiclio? Devero chamar-se desempregados os que procuram um emprego que j no existe no mercado do 
trabalho? Os jovens  procura de um emprego em tempo parcial que lhes permita prosseguir estudos em 
melhores condies?
Os economistas esforam-se por definir as origens do desemprego, atribuindo-o alguns  insuficincia da 
procura global, e vendo outros nele de preferncia a incapacidade do mercado do trabalho em adaptar-se  
evoluo da estrutura profissional provocada pelo progresso tcnico. Os socilogos, que durante muito tempo 
distinguiram o desemprego de crise do desemprego de subemprego, do desemprego estrutural e do 
desemprego de reserva (Ledrut 1966), renunciaram a elaborar teorias gerais e, actualmente, dedicam-se  
anlise das experincias vividas dos desempregados e s suas possibilidades de mobilizao social e poltica. 
Segundo os resultados de numerosos inquritos, o desemprego traz consigo uma condio anmica que se 
traduz pela experincia da humilhao, do aborrecimento e da dessocializao;  pois pouco susceptvel de 
servir de fundamento a uma aco colectiva (Lazarsfeld 1933; Schnapper 1981). Nas sociedades modernas, 
que, por natureza produtivistas, so dominadas pelos valores ligados ao trabalho e ao emprego, o desemprego 
 encarado e vivido negativamente.
D. S.

Desencantamento: A palavra pertence ao vocabulrio de M. Weber. Um mundo encantado  aquele em que a 
magia penetra todas as coisas, em que o homem no  especializado e em que a preciso nem sempre  
possvel. Desencantar  escorraar a magia, racionalizar, especializar o homem.
Sendo deliberadamente hostis  magia, impondo uma forma de racionalizao da conduo da vida, 
explica Weber, as grandes profecias racionais (judasmo) constituem a primeira grande etapa deste processo. 
Uma outra etapa que estas religies (o protestantismo asctico)

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representam  a unificao das relaes entre Deus e o mundo e entre este e a religio. Cabe  cincia e  
racionalizao intelectualista continuar a despojar o mundo dos seus encantos. Esse processo no  nem linear 
nem irreversvel, pois que uma burocratizao excessiva pode conduzir ao retorno dos profetas e dos Csares 
dotados de carisma*.
M. C.
- Weber (1920, 1921b, 1923).

Desenvolvimento: A ideia de desenvolvimento saiu em primeiro lugar de uma metfora, que identificava a 
sociedade com um organismo vivo que portanto se transforma, segundo um processo de maturao 
progressiva, para atingir pouco a pouco um estado de modernidade. Considera-se que tais mutaes envolvem 
todos os sectores da sociedade (economia, estratificao social, ordem poltica).
O desenvolvimento econmico traduz-se, no plano qualitativo, pelo florescimento de uma economia de 
mercado, pela passagem de uma agricultura de subsistncia a uma economia de mercado e pelos progressos 
da industrializao. No plano quantitativo, mede-se pelo recurso a diferentes ndices, designadamente a 
elevao do produto nacional bruto (PNB).
Remetendo assim para a construo da sociedade industrial, o desenvolvimento econmico reveste 
tambm consequncias sociais: enfraquecimento dos laos de dependncia tradicional, individualizao das 
relaes sociais, progresso da diviso do trabalho social e, portanto, especializao das tarefas, urbanizao, 
aparecimento de um certo nvel de mobilidade social. O conceito foi retomado em sociologia poltica para 
explicar a realizao progressiva de uma hipottica modernidade poltica. Tratava-se, ento, quer de designar 
a passagem de um regime autoritrio a um regime democrtico, quer de elaborar indicadores que medissem a 
capacidade dos sistemas polticos (por exemplo, nos domnios da extraco, da distribuio ou da 
comunicao), quer de descrever as etapas que marcam a construo de um sistema poltico (formao de 
uma identidade nacional, de um poder legtimo, de uma burocracia eficiente, etc.), quer, finalmente, de 
conceber propriedades mais ou menos abstractas, comuns a todos os processos de mutaes que devem 
afectar os sistemas polticos (secularizao, institucionalizao, etc.).
Elaboradas no fim dos anos 50, com o incio da descolonizao, todas estas concepes so cada vez mais 
contestadas: adaptao um pouco ingnua da ideia ocidental de progresso, avatar de um evolucionismo j 
abandonado, elas assentam nos postulados inaceitveis de uma mudana uniforme, programada, finalizada; 
tm em pouca conta a diversidade das culturas, a extrema complexidade das histrias e a imprevisibilidade 
das aces sociais. A essas concepes demasiado gerais, o socilogo prefere doravante estudos de casos que 
ponham em evidncia a especificidade de cada modo de desenvolvimento.
B. B.
- Guillaumont (1985), Badie(1988).

Desigualdades sociais:  desigual toda a repartio de um recurso que no  uniforme. A repartio do 
rendimento  desigual na medida em que um ou vrios indivduos tm uma parte maior que os outros. A 
desigualdade  uma diferena que os indivduos e grupos sociais julgam segundo escalas de valor. Um Negro 
e um Branco diferem

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pela pigmentao da sua pele. Esta diferena natural no implica qualquer desigualdade. No entanto, em 
numerosas sociedades cada um deles goza de um estatuto diferente ao qual esto ligadas vantagens e 
desvantagens. As desigualdades so pois, essencialmente, sociais e esto ligadas  existncia de 
estratificaes econmica, poltica, de prestgio, etc.
Para examinar as condies em que a desigualdade por exemplo de rendimento aumenta, diminui ou 
permanece estvel,  necessrio analisar a forma de repartio do recurso em questo. Definem-se em geral 
duas medidas de desigualdade. A medida absoluta  igual  diferena entre o rendimento do indivduo A (10 
mil F) e o do indivduo B (12 mil F). A medida absoluta  a mesma se A tem um rendimento de 1000 F e B 
um rendimento de 3000 F. Ora,  claro que esta medida no traduz correctamente a desigualdade entre os dois 
casos.  portanto necessrio introduzir o conceito de medida relativa. No primeiro caso, B tem um salrio 
superior em 20 por cento ao de A; no segundo, B tem um rendimento superior em 200 por cento. Os trabalhos 
sobre a evoluo das desigualdades de certos recursos, tais como o rendimento ou o nvel de instruo, 
estabeleceram a existncia de uma tendncia para a reduo das desigualdades, como o predizia Tocqueville, 
com tempos fortes e fracos, no entanto, e diferenas consoante o tipo de recurso. Mostrou-se assim que, desde 
h um meio sculo, a desigualdade das hipteses escolares baixou muito mais fortemente que a desigualdade 
dos rendimentos. Alguns propuseram explicaes dessas redues, na sua mudana respectiva, construindo 
modelos que combinam variveis ligadas aos projectos individuais, aos constrangimentos do mercado e a 
mecanismos institucionais (por exemplo, natureza e forma da redistribuio). Quanto ao problema da origem 
das desigualdades, recebeu vrias respostas contraditrias: alm do fundamento natural, em Aristteles, por 
exemplo, que se relaciona com um discurso pr-sociolgico, J.-J. Rousseau e Marx viram na propriedade a 
origem da desigualdade; para . Durkheim,  a diviso do trabalho; para T. Parsons, a desigualdade  um 
princpio necessrio  manuteno de toda a estrutura social.
M. C.
- Blau (1977), Boudon (1973), Durkheim (1893), Girod (1984), Tocqueville (1856).

Desorganizao: As noes de desorganizao social e de desorganizao pessoal foram popularizadas pelo 
clebre estudo de W. I. Thomas e F. W. Znaniecki sobre o campons polaco na Europa e nos Estados Unidos 
da Amrica (1918-1921). A primeira  nele definida como a perda de influncia das regras sociais de conduta 
existentes sobre os membros do grupo; a segunda  a incapacidade para o indivduo de construir um projecto 
de vida: na ausncia de regras estveis e interiorizadas, o indivduo fica desorientado e "desmoralizado". A 
desorganizao social  posta em evidncia na sociedade camponesa polaca; tem a sua origem no 
desenvolvimento de atitudes individualistas e hedonistas que resultam dos contactos com o exterior, 
nomeadamente pelas migraes sazonais na Alemanha. A desorganizao pessoal  estudada nos imigrantes 
polacos nos Estados Unidos. Traduz-se nos adultos, transplantados e privados das suas antigas regras de 
conduta, por comportamentos violentos,

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pela dependncia econmica, pela instabilidade profissional e conjugal; nas crianas, amorais na ausncia de 
todas as regras sancionadas, pela delinquncia e pela vagabundagem. Na sequncia deste estudo, a 
desorganizao social tornou-se um tema de pesquisa importante na sociologia americana, nomeadamente em 
Chicago, ao mesmo tempo que uma noo rubrica que recobre fenmenos tais como a delinquncia, o 
suicdio, o divrcio, a mobilidade residencial.
PH. BD.

Despotismo oriental: A noo de despotismo oriental passou por trs etapas. Nas narrativas de viagem de J.-
B. Tavernier e nos escritos de Montesquieu, designa os regimes polticos dos imprios mdio-orientais e 
orientais, vistos como autocracias arbitrrias, cruis, faustosas, ruinosas para os seus povos. So opostos aos 
regimes aristocrticos da Europa, temperados, humanizados e prsperos. Na viso evolucionista da histria 
desenvolvida por Marx e seus epgonos, a expresso designa todas as experincias imperiais, marcadas acima 
de tudo pelo monoplio pblico dos meios de produo, que no entravam no esquema rgido da sucesso 
ordenada do comunismo primitivo, do escravismo, do feudalismo, do capitalismo, do socialismo, do 
comunismo. Porm, mais recentemente, tentou-se reutilizar a noo, para aplic-la simultaneamente aos 
imprios tradicionais e aos totalitarismos contemporneos. 
Estas trs acepes devem ser igualmente rejeitadas: os totalitarismos no se parecem de todo com os 
regimes imperiais; estes no so despotismos sanguinrios e aberrantes; os imprios permitiram o 
desenvolvimento de altas civilizaes e de economias que suportam a comparao com as da Europa antes do 
sc. XIX. "Despotismo oriental"  uma expresso infeliz sob todos os aspectos, que  melhor abandonar.
J. B.
- Tavernier (1676), Wittfogel (1957).

Desvio: Transgresso, identificada como tal e portanto sancionada, das normas em vigor num dado sistema 
social.
A palavra  de uso recente. Aparece na sociologia americana no fim dos anos 50, substituindo-se a outras 
noes rubricas tais como desorganizao ou patologia social. O seu rpido xito deve-se ao facto de a noo 
que recobre ser muito mais extensiva que as de delinquncia ou de criminalidade. A sano social no se 
limita s sanes penais ou legais; pode tratar-se de uma simples reprovao. A noo de desvio permite 
tambm reagrupar todas as espcies de comportamentos, grande nmero dos quais no so tidos comummente 
como delituosos. V-se isso nas tipologias do desvio propostas por R. K. Merton (1949) ou T. Parson (1951), 
que prevem, ao lado dos comportamentos "inovadores", caracterizados pelo uso de meios ilcitos, o 
ritualismo (hiperconformismo passivo segundo Parsons), o recuo (alienao passiva) ou a rebelio (alienao 
activa).
A noo sociolgica de desvio no  uma categoria estatstica. No se aplica s condutas ou aos 
indivduos que se afastam, mesmo nitidamente, da mdia. Para que haja desvio,  preciso que haja uma norma 
de grupo e no uma simples opinio maioritria.
As teorias sociolgicas do desvio podem ser reagrupadas em trs correntes principais: as teorias da 
regulao social, as teorias da contradio social e as teorias culturais.

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A primeira perspectiva, a mais tradicional, funda-se na oposio entre os desejos ou as pulses individuais e 
os constrangimentos impostos pela pertena a um grupo social. O desvio resulta do falhano da sociedade em 
conter e regular as paixes humanas. Produz-se quando os laos do indivduo com a ordem social so 
rompidos. As teorias da contradio social rejeitam a ideia de que a motivao para o desvio est inscrita na 
natureza humana e vem nela, pelo contrrio, um produto da sociedade. Os homens seriam conformistas se 
no fossem empurrados para o desvio pela presso de desejos legtimos, encorajados ou mesmo prescritos 
pela sociedade, mas no satisfeitos em virtude da falta de meios para realiz-los. Nesta perspectiva, ilustrada 
nomeadamente por Metron, o vcio  o produto da virtude. As teorias culturais, por seu turno, pem em causa 
o postulado da uniformidade das normas no seio de uma sociedade. A interiorizao das normas do seu grupo 
pode pr o indivduo em conflito com as normas dominantes ou legais da sociedade. O desvio, neste sentido, 
 o fruto de uma aprendizagem cultural, to moral como toda a aprendizagem social. Podem ligar-se a esta 
terceira corrente as teorias interaccionistas do desvio, ditas teorias da reaco social ou da marcao 
(labeling). Sublinham elas que o desvio no  uma propriedade caracterstica do acto de uma pessoa mas 
antes a consequncia das reaces dos outros a esse acto. Como escreve H. Becker (1963), o desviado  
aquele a quem a etiqueta de desviado foi aplicada com sucesso. O desvio  uma categoria construda num 
processo de interaco colectiva que implica aqueles que acabaro por ser etiquetados como desviados, os que 
os rodeiam, os que fazem respeitar as normas, os que querem impor novas normas. Esta perspectiva, 
dominante na sociologia do desvio no fim dos anos 60, contribuiu para uma reorientao da pesquisa sobre a 
delinquncia. Verificou-se um afastamento da etiologia social da delinquncia para estudar os agentes e os 
mecanismos do controlo social.
PH. BD.
- Besnard (1987), Cohen (1966).

Diferenciao social: A diferenciao  um dos elementos da estratificao social.  o processo pelo qual as 
posies sociais so definidas e distinguidas umas das outras atribuindo-se a cada uma delas um papel ou um 
conjunto de papis especficos.
Nenhuma vida social  possvel sem diferenciao mesmo mnima das funes, tais como a reproduo 
biolgica, a socializao das crianas. A diferenciao supe que sejam conhecidos o responsvel da funo 
ou papel, os seus direitos e obrigaes. Distingue-se da hierarquizao. Esta funda-se numa comparao entre 
os estatutos j diferenciados e procura repartir os indivduos entre as diferentes posies segundo as suas 
aptides, qualificaes, etc. Um papel considerado fsica ou intelectualmente mais difcil que um outro ser, 
pelo menos teoricamente, atribudo a determinado indivduo e no a um outro em funo desses critrios. Mas 
a comparao no implica juzo de valor, dependendo este, de facto, de critrios prprios de cada sociedade. 
A diferenciao , portanto, um conceito mais geral e mais neutro que a diviso do trabalho, a hierarquizao, 
a estratificao.
M. C.
- Durkheim (1893).

Difuso: Processo pelo qual uma informao, uma opinio, um comportamento,

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uma prtica, uma inovao, um novo produto, uma moda, etc., se propagam numa dada populao. Estes 
processos fascinaram de longa data os socilogos sem que estes disponham sempre dos materiais necessrios 
para desvendar os seus mecanismos.
O que pode dar uma certa ideia  o andamento da curva da difuso, mais precisamente a curva da 
distribuio no tempo das propores acumuladas de pessoas atingidas pela informao ou pela inovao 
consideradas. Se a via real da influncia  a relao directa entre um emissor (os media) e os indivduos 
tomados isoladamente, essa curva aparentar-se- a um arco: sendo, num dado momento, o aumento das 
converses proporcional ao nmero de pessoas ainda no atingidas, a velocidade do processo, forte de incio, 
tende a diminuir. Se, pelo contrrio, o fenmeno se propaga, sobretudo, por contactos interpessoais, teremos 
uma curva em S, tpica de um contgio. O aumento do nmero de pessoas atingidas  proporcional, ao mesmo 
tempo,  populao dos contaminados e  dos no contaminados.
A difuso, lenta no incio, acelera-se at ao momento em que metade da populao contaminvel  
atingida, afrouxando depois. Um estudo de J. Colemann et al. (1966) identificou mais ou menos estes dois 
tipos de curvas a propsito da adopo de um novo medicamento pelos mdicos americanos. Muitas 
observaes e estudos, designadamente sobre inovaes agrcolas, encontraram curvas de difuso em S, ou 
curvas logsticas, caractersticas das epidemias. Uma curva deste gnero permite discriminar facilmente 
diversas categorias de posies em relao  difuso (inovadores, retardatrio, etc.) e fez-se um esforo no 
sentido de captar as caractersticas pessoais e sociais dos inovadores (Rogers, Shoemaker 1971). A curva 
logstica no reveste provavelmente a generalidade que muitas vezes se lhe atribui e pode interpretar-se de 
diversas maneiras.
Poderia reflectir a importncia das relaes interpessoais nos processos de comunicao e de influncia, 
quer se trate de decises de compra ou de inteno de voto, posta em evidncia por P. Lazarsfeld e seus 
colaboradores (Katz, Lazarsfeld 1955). Esta abordagem pe a tnica no fluxo horizontal na difuso da 
inovao. A novidade  adoptada num mesmo momento por pessoas influentes ou lderes de opinio que 
pertencem a diversos grupos sociais e que exercem a sua influncia no seio do seu grupo. Estes agentes 
influentes podem ser "cosmopolitas",  espreita das informaes, ou "locais", legitimando a inovao (Merton 
1949).
Este modelo de difuso horizontal ou segmentada ope-se - ou sobrepe-se - ao modelo mais tradicional 
da difuso vertical ou hierrquica segundo o qual a inovao se espalha em cascata de cima para baixo da 
pirmide social (vd. moda). Verifica-se muito geralmente que novos produtos colocados no mercado so 
adoptados primeiro pelas camadas sociais mais favorecidas e difundem-se verticalmente. O factor rendimento 
basta para explicar este fenmeno, designadamente quando se trata de bens de equipamento. Entretanto, o 
estudo de um acto gratuito, a escolha de um nome para o seu filho, que permite eliminar toda a influncia do 
rendimento, mostrou que o modelo hierrquico era, grosso modo, confirmado pela difuso social dos nomes 
novos ou que entram na moda (Besnard, Desplanques 1986). Este estudo sugere tambm que o grau

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de sociabilidade, as ocasies de contacto com outrem tm um papel motor na difuso da inovao; e no  
fcil isolar posio na escala social e grau de sociabilidade a fim de apreciar a parte respectiva do fluxo 
horizontal e do fluxo vertical, do contgio e da cascata dos sinais de distino.
PH. BD.
- Cherkaoui (1982), Mendras (1967), Mendras, Fors (1983).

Difusionismo: A corrente difusionista estuda a distribuio geogrfica dos traos culturais postulando uma 
sucesso de contributos de um grupo para o outro a partir de alguns raros focos de inveno supostamente 
originrios. A ateno  dirigida para a circulao dos traos culturais: itinerrios, velocidade e reas de 
difuso, modificaes sobrevindas, obstculos e condies favorveis  difuso.
Esta corrente apareceu no incio do sc. XX e  representada por trs escolas:
1. inglesa, tendo por chefes de fila W. J. Perry e G. Elliot-Smith, que afirmam a origem egpcia de toda a 
civilizao e a crena numa ascendncia solar do soberano;
2. alem, desenvolvida  volta de F. Graebner e W. Schmidt, que se apoiam na lingustica, na arqueologia 
e na histria para identificar complexos culturais em crculos de difuso de certos traos culturais;
3. americana, que reagrupa discpulos de F. Boas: A. Kroeber, E. Sapir, os quais admitem a possibilidade 
de aparecimento das mesmas invenes nas diferentes culturas, distinguem crculos de difuso concntrica e 
sublinham que um trao s aparece depois de certas aquisies tcnicas que o tornam possvel ("seriao 
cultural" de Sapir).
Estas teorias subestimam as capacidades inventivas do homem, esquematizam at ao excesso os 
mecanismos de difuso, menosprezam migraes e desigualdades de ritmos de difuso e tm em pouca conta 
mecanismos psicolgicos da adopo ou da rejeio selectiva de certos traos culturais.
C. R.

DILTHEY (Wilhelm), filsofo alemo (Biebrich 1833 - Seis, Tirol, 1911): Desde a sua primeira formulao 
(Introduo s Cincias do Esprito, 1883), o projecto de Dilthey visa garantir a autonomia daquilo a que ele 
chama "cincias do esprito". Por tais disciplinas, ele entende aquelas cujo objecto (a realidade histrica e 
social) lhe parece excluir que possam desenvolver-se com base no modelo das cincias da natureza.
Contra a cincia positivista de A. Comte, sublinha que nesses domnios o conhecimento no pode consistir 
numa reproduo do dado: o historiador, por exemplo, reconstri o passado, organiza-o por referncia s 
perspectivas que so as suas e em funo dos valores a que adere. Contudo, as cincias humanas no devem 
renunciar a toda a forma de objectividade: -lhes necessrio elaborar mtodos especficos, adaptados  
originalidade do seu objecto. Rejeitando uma simples transposio da postura explicativa praticada pelas 
cincias da natureza, Dilthey considera que os factos de que trata a sociologia tm como caracterstica 
principal o serem significantes: independentemente da procura das suas causas, devem dar lugar, portanto, a 
uma compreenso que liberta o seu sentido. No estdio inicial da sua reflexo, Dilthey concebe a 
compreenso como um esforo para reencontrar, por detrs dos fenmenos a estudar, a significao que

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os actores sociais lhes atribuem. O historiador ou o socilogo devem reviver o que outros viveram: a 
compreenso suporia uma participao directa, por "simpatia", na vida psquica de outrem. A sociologia 
torna-se assim directamente dependente da psicologia como cincia descritiva dos processos psquicos (Ideias 
a Respeito de Uma Psicologia Descritiva e Analtica, (1894). Nas suas ltimas obras (Edificao do Mundo 
Histrico das Cincias do Esprito, 1910; Teoria das Concepes do Mundo, 1911), Dilthey tenta estabelecer 
a sociologia desta submisso  psicologia, tornando ao mesmo tempo a compreenso menos subjectiva. Trata-
se no j de coincidir com os actores mas de recolocar os fenmenos considerados em conjuntos mais vastos 
onde eles encontram a sua significao: compreender o "esprito" de uma reforma jurdica consistir menos 
em descobrir os motivos dos seus autores que em construir o contexto histrico, social, cultural de que se 
apresenta como inseparvel.
Ao articular  investigao causal uma interrogao sobre o sentido dos factos sociais, Dilthey inaugura a 
tradio alem da "sociologia compreensiva" (M. Weber). 
S. M.

Direito (sociologia do): A dificuldade de fornecer uma definio nica da sociologia do direito remete para 
as incertezas desta sociologia especializada confrontada com um objecto que pode ser considerado igualmente 
como cincia do social. Estas incertezas esto j presentes na histria da disciplina. Quando . Durkheim se 
empenha em relacionar tipos de direito e formas de solidariedade no seio da sociedade global, desenvolve 
uma sociologia que faz do direito um indicador privilegiado do conjunto da realidade social (Durkheim 1893). 
A sua posio de pesquisa assemelha-se a este respeito  de M. Weber, para quem a questo do direito ocupa 
um lugar estratgico na compreenso das racionalidades polticas das sociedades (Weber 1922c). G. Gurvitch 
(1940) empenha-se ele prprio nesta via quando associa tipos de sociedades globais a sistemas de direito. Mas 
a referncia ao pensamento de L. Duguit (1889) permite compreender as razes da existncia de uma outra 
concepo da sociologia do direito. Este autor sublinha o interesse de uma "teoria sociolgica do direito" que, 
rompendo com a abordagem dogmtica, deve permitir ajustar a produo do direito  realidade social, na 
medida em que "as leis positivas produzidas pelo legislador devem estar conformes com as leis sociolgicas e 
com o estado social para o qual so feitas". Trata-se da expresso de uma concepo da sociologia do direito 
ao servio da produo do direito, como disciplina auxiliar do direito. E uma tradio cuja marca encontramos 
em H. Lvy-Bruhl (1961), o qual prope a instituio de uma "jurstica", "verdadeira cincia do direito". Ao 
elogiar os mritos de uma "sociologia legislativa" feita de investigaes prprias para informar o legislador, J. 
Carbonnier (1972), ao mesmo tempo que favorece um desenvolvimento amplo e pluralista da sociologia do 
direito francesa contempornea, contribui para inscrever uma parte desta na tradio. Temos pois de aceitar 
vrias definies da sociologia do direito. Proporemos trs que no se excluem propriamente umas s outras, 
mas representam antes maneiras diferentes de encarar um mesmo objecto, ao mesmo tempo que esto 
marcadas por concepes opostas referentes 

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s relaes direito-sociologia: 1. estudo das relaes entre os factos sociais e o direito do ponto de vista da sua 
produo e das suas diferentes formas de implementao; 2. estudo das formas jurdicas, das suas disposies, 
dos seus usos sociais, das instituies e dos profissionais do direito, como fenmenos sociais particulares; 3. 
estudo do direito, das prticas das instituies jurdicas e dos profissionais, como elementos entre outros de 
gesto da ordem social.
Estas definies esto subjacentes  produo da investigao actual que poderia ser repartida da seguinte 
maneira: 
1. uma sociologia aplicada do direito ligada principalmente  anlise das relaes entre comportamentos 
sociais e estado do direito,  da influncia da mudana socioeconmica ou tecnolgica sobre o direito ou 
sobre as instituies judiciais (problemas de eficcia e de efectividade),  dos modos de liquidao dos 
conflitos; 
2. uma jurissociologia, fundada numa atenta tomada em considerao da tcnica do direito e dos seus 
modos de agir (processos de transformao do contencioso em jurisprudncia, modos de tratamentos no 
jurisdicionais dos conflitos, confrontao de sistemas jurdicos com o direito estatal, etc.). Esta 
jurissociologia, concebida assim como cincia de anlise do jurdico,  reivindicada igualmente como 
sociologia jurdica (Arnaud 1981);
3. uma sociologia do campo normativo em que as anlises dos processos de criao das normas jurdicas, 
das produes do direito e dos agentes que o pem em aco desembocam ou participam de bom grado numa 
abordagem de processos sociais mais gerais (modos de controlo social ou de regulao social das sociedades 
globais, formas de dominao simblica como mecanismos de reproduo social, etc.) que essas anlises 
contribuem para esclarecer. Nesta ltima orientao, estabelecem-se definitivamente distncias com o 
dogmtico jurdico; a aproximao com a sociologia geral acabaria por manifestar os limites de uma 
demasiado grande especializao da sociologia do direito e uma espcie de justo regresso  tradio dos 
fundadores da sociologia.
J. CE.
- Arnaud (1988), Droite et socit (1985).

Discriminao: Embora o termo implique apenas por si mesmo a faculdade de fazer distines, ganhou em 
sociologia um sentido crtico. Designa as distines feitas na vida social em detrimento de certos grupos, que 
so julgadas inaceitveis pela maioria, porque violam as normas sociais e o princpio da igualdade perante a 
lei, ao mesmo tempo que certos subgrupos da populao as justificam.  o caso dos comportamentos em 
relao  populao negra nos Estados Unidos da Amrica at aos anos 60; assim como das atitudes anti-
semitas. Os critrios de discriminao variam segundo as sociedades e segundo as pocas. Na ndia moderna, 
que legalmente suprimiu o sistema das castas, os antigos intocveis so discriminados por causa do passado, 
que continua vivo ao nvel dos costumes. Nos Estados Unidos, a discriminao durante longo tempo exercida 
contra os negros tinha a sua origem na sua antiga condio de escravos. Um numerus clausus  imposto na 
Rssia  entrada nas universidades de alunos judeus e armnios. A discriminao pode fundar-se na raa, na 
religio, na origem nacional ou na cultura (Simpson, Yinger 1965).

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O facto de se ter podido definir a discriminao social como a maneira de tratar desigualmente indivduos 
iguais mostra at que ponto se trata de um conceito estreitamente ligado  sociedade moderna, que pe a 
igualdade no centro dos seus valores: nas sociedades fundadas nas diferenas de estatuto ou de casta, a 
discriminao  um conceito neutro, descritivo, desprovido da conotao pejorativa que lhe atribumos nas 
nossas sociedades.
D. S.

Disfuno: vd. Funo.

Dissonncia cognitiva: Este termo, devido ao psiclogo americano L. Festinger (1957), designa uma 
contradio entre dois elementos cognitivos presentes no campo de representao de um indivduo. Por 
elemento cognitivo, Festinger entende tudo aquilo que pode ser objecto de conhecimento: comportamento, 
crena, opinio, sensao, etc. O postulado da teoria de Festinger  que o indivduo tende a resolver ou a 
reduzir a dissonncia porque ela  fonte de mal-estar. Em cada situao dissonante, o indivduo dispe 
geralmente de vrios modos possveis de reduo da dissonncia. Um fumador que conhece os perigos do 
tabaco pode deixar de fumar ou procurar elementos consonantes com o facto de fumar.
Esta teoria muito simples e de alcance muito geral foi objecto de numerosas discusses e provas 
experimentais. Os investigadores interessaram-se nomeadamente pelas consequncias de uma escolha (toda a 
escolha gera uma dissonncia), pela exposio selectiva  informao (procura de informaes consonantes, 
evitando as dissonantes), pelos efeitos de obedincia forada, finalmente pela procura de um apoio social para 
reduzir a dissonncia. Festinger e os seus colaboradores mostraram, num estudo sobre uma seita que esperava 
o fim do mundo, que a interaco de grupo e o proselitismo tinham permitido aos adeptos ultrapassar a 
tremenda dissonncia provocada pela no realizao da profecia. No que se refere  obedincia forada, a 
teoria da dissonncia explica fenmenos inexplicveis por uma abordagem behaviorista fundada na noo de 
reforo: um indivduo levado a defender em pblico uma posio que no  a sua, sem nenhuma justificao 
ou remunerao, modificar a sua opinio privada no sentido da sua declarao pblica. Uma forte 
remunerao basta para reduzir a dissonncia; se a remunerao  fraca ou nula, a mudana de opinio torna-
se o nico modo de reduo da dissonncia.
A teoria de Festinger, tal como outras teorias anlogas, designadamente a de F. Heider, funda-se no 
postulado de uma necessidade de coerncia cognitiva que foi posta em causa (Poitou 1974).
PH. BD.

Distncia social: No seu sentido mais geral e mais imediato, a distncia social  o intervalo maior ou menor 
que separa, no espao social, as posies de duas ou vrias pessoas que pertencem a diferentes classes sociais, 
etnias, confisses religiosas ou subculturas.
Alguns autores falaram de distncia social vertical para introduzir a noo de diferenas na hierarquia do 
estatuto, do poder ou dos recursos. Entretanto, o termo difundiu-se, sobretudo, em sociologia numa acepo 
mais psicolgica, em virtude da elaborao por E. S. Bogardus de uma escala de distncia social. A distncia 
social  ento

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concebida como o grau de compreenso simptica que existe entre duas pessoas, ou uma pessoa e um grupo, 
pertencentes a culturas, grupos sociais ou tnicos diferentes. Na prtica, a escala de atitude construda por 
Bogardus consistia em medir o grau de aceitao (como esposo, como amigo, como vizinho, como colega, 
etc.) ou de excluso de pessoas pertencentes a duas nacionalidades ou etnias.
PH. BD.
- Alexandre (1971), Park, Burgess (1921).

Diviso do trabalho: Pode fazer-se remontar a noo de diviso do trabalho a Plato e a Aristteles, que a 
consideravam no como meio para aumentar a produo mas com o aumento da eficcia do indivduo na 
medida em que este se especializa naquilo que corresponde melhor  sua natureza. Mas foi de facto na 
sequncia das anlises de A. Smith que a diviso do trabalho se popularizou nas cincias sociais (1776; 
nomeadamente os trs primeiros captulos do livro I consagrados ao estudo das causas e consequncias da 
diviso do trabalho). Para Smith, ela  um mtodo em que cada indivduo est especializado numa fase 
determinada do processo de produo. Tem trs funes primordiais: aumenta a habilidade de cada operrio; 
economiza o tempo;  a causa fundamental da inveno que mquinas que facilitam e abreviam o trabalho e 
permitem a um nico homem desempenhar a tarefa de vrios. Todos estes factores concorrem para aumentar a 
produo de bens e melhorar a qualidade dos produtos, pois que, ao especializar-se numa tarefa simples, o 
operrio adquire uma destreza que o no especialista jamais pode atingir mesmo que goze naturalmente de 
mais talentos.  que, nota Smith, a diferena dos dons (naturais) entre os indivduos  mais pequena que a 
diferena entre indivduos que exercem ofcios diferentes gerados pela diviso do trabalho. A diviso do 
trabalho  um efeito e no a causa da permuta.  portanto o mercado que a determina e a limita. A 
acumulao do capital  uma condio necessria da diviso do trabalho.
Esta tese foi retomada e reformulada num quadro mais amplo que o da economia por economistas e 
socilogos como H. Spencer (1874-1875), G. Schmoller e, sobretudo, . Durkheim (1893), que utiliza certas 
crticas que a escola histrica alem dirigiu  teoria econmica clssica para iniciar um debate com os 
utilitaristas, em particular Smith e Spencer. A diviso do trabalho  analisada por Durkheim quando se 
interroga sobre a especificidade das sociedades industriais em relao s outras sociedades. Ele distingue dois 
tipos ideais de sociedades: a sociedade de solidariedade mecnica e a sociedade de solidariedade orgnica. A 
primeira caracteriza-se por um volume e uma densidade baixos, uma organizao social pouco diferenciada, 
um direito repressivo e uma conscincia colectiva que integra fortemente o indivduo. A segunda distingue-se 
por um volume e uma densidade elevados, funes sociais muito diferenciadas, um direito cooperativo e a 
emancipao do indivduo. A diviso do trabalho envolve todas as esferas: social, econmica, poltica, 
artstica, cientfica, etc.
Para Durkheim, ela est positivamente correlacionada com o volume e com a densidade. Tornando-se 
mais densa e demograficamente mais volumosa, a sociedade assiste ao aparecimento de conflitos no seu seio. 
Se para satisfazer uma mesma necessidade

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um maior nmero de homens faz o mesmo trabalho, eles sero levados a lutar uns contra os outros. A diviso 
do trabalho  precisamente uma soluo pacfica para essa luta, pois reduz os desequilbbrios sociais. Em 
Durkheim, tal como em Smith, ela gera no apenas a especializao mas tambm a solidariedade, isto , uma 
organizao que coordena as funes e liga os indivduos uns aos outros.  o que os tericos da organizao 
cientfica do trabalho, nomeadamente F. W. Taylor, tinham de facto sublinhado.
A especializao que fragmenta o trabalho foi objecto de crticas por parte de numerosos socilogos como 
sendo uma causa fundamental da alienao do homem moderno. Imps, alm disso, uma separao entre os 
executantes (trabalhadores manuais) e as outras categorias (tcnicos, administrativos, comerciais) 
acompanhada de uma hierarquizao social. Durkheim notara que a diviso do trabalho poderia em certos 
casos gerar trs formas anormais: a diviso do trabalho anmico, que  a desregulao do mercado e das 
relaes sociais (crises econmicas e sociais); a diviso do trabalho constrangimento, que  uma repartio 
injusta e desigual dos homens entre as funes; finalmente, a diviso do trabalho "burocrtica", que se 
distingue por uma superabundncia de agentes e uma baixa produtividade.
M. C.
- Blau (1977).

Divrcio: Segundo a tradio catlica, o casamento  indissolvel. Na Frana, a Revoluo laiciza o estado 
civil e institui em 1792 o divrcio, que pode ser pronunciado por consentimento mtuo, como todo o contrato 
entre pessoas. Sujeito a restries em 1803, proibido de novo em 1816, o divrcio volta a tornar-se legal em 
1884 (lei Naquet), tendo por motivo a culpa de pelo menos um dos cnjuges ("divrcio sano"). Uma lei de 
1975 testemunha a evoluo dos costumes ao torn-lo mais fcil e ao reintroduzir o consentimento mtuo.
Verifica-se uma subida lenta e regular do nmero de divrcios aps 1884, independentemente dos 
fogachos consecutivos das duas guerras, depois uma estabilizao em torno de 1 em 10 casamentos nos 
decnios 1950 e 1960; mas, a partir de 1970, d-se um aumento contnuo muito forte, sem efeito aparente da 
lei de 1975, at 3 divrcios por 10 casamentos, em 1985; so estes os factos observados. Os divorciados 
tornam actualmente a casar-se com menos frequncia. A coabitao em todas as idades, e nomeadamente 
juvenil (Roussel 1978), substitui-se muitas vezes ao casamento, que como instituio parece em crise. 
Fundadas mais no sentimento e nas convenincias individuais, as unies tornam-se mais frgeis.
O aumento do trabalho feminino assalariado fora do lar, que d mais independncia s mulheres, o 
prolongamento da esperana de vida, que aumenta a durao mdia de uma unio contrada na juventude, so 
factores a relacionar com a subida do nmero dos divrcios. Uma proporo considervel de crianas cresce 
mais frequentemente na companhia de um s dos seus dois progenitores. Mas viuvezes e recasamentos 
frequentes provocavam outrora situaes anlogas. A um destino aceite correspondem hoje decises 
voluntrias, de consequncias psicolgicas e sociais difceis de apreciar. Os divrcios, tal como as unies, tm 
cada vez mais a ver com o domnio privado; mas a perpetuao do grupo e a transmisso

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de um patrimnio biolgico e cultural esto em causa. A sociedade dever encontrar formas jurdicas em 
relao com os novos comportamentos. A Frana encontra-se numa posio mdia no conjunto dos pases 
industrializados. Com ligeiros desfasamentos no tempo e tendo em conta a situao de partida, a alta dos 
divrcios  geral na Europa Ocidental, e os desnveis cada vez menos sensveis, se se exceptuarem os pases 
nrdicos, que vo com avano sob este aspecto. Nos Estados Unidos da Amrica, os divrcios envolvem um 
em cada dois casamentos. Na URSS, as suas oscilaes acompanham bastante de perto as modificaes 
legislativas que os tornam ora mais ora menos fceis.
A. G.
- Commaille (1978), Commaille et al. (1983).

Dom: vd. Troca, Potlatch.

Dominao: M. Weber (1922a) define a dominao como "a possibilidade de encontrar pessoas 
determinveis, prontas a obedecer a uma ordem".
Nesta perspectiva, o que  constitutivo da dominao  a presena efectiva "de um indivduo que manda 
em outros com sucesso"; mas a dominao exerce-se muitas vezes no quadro de um agrupamento, cujos 
membros, pela prpria aplicao dos regulamentos, esto sujeitos a relaes de domnio. A dominao no , 
portanto, sempre nem necessariamente poltica: s se torna tal em ligao com um agrupamento territorial, 
cuja direco administrativa  susceptvel de recorrer ao constrangimento fsico. Weber reconhece em 
particular a importncia da dominao de fundamento econmico, "em virtude de uma constelao de 
interesses", mas tende a privilegiar nos seus escritos "a dominao em virtude da autoridade", duplamente 
caracterizada pelo "poder de mandar", e pelo "dever de obedecer". A relao do mando e da obedincia  para 
ele o trao fundamental da dominao: est em particular na base de toda a dominao poltica, ainda que esta 
tente, geralmente, fortalecer-se por uma reivindicao especfica de legitimidade.
Pode igualmente,  maneira de A. Giddens (1979, 1984), ver-se na dominao uma propriedade estrutural 
dos sistemas sociais: deixa ento de ser encarada sob o aspecto das relaes entre actores para s-lo em 
termos de recursos e consiste numa distribuio assimtrica de recursos de duas ordens distintas, uma das 
quais implica o controlo dos objectos e dos bens (recursos de abono) e a outra o domnio sobre as pessoas 
(recursos de autoridade). Esta concepo permite pensar a relao entre dominao e poder em termos de 
complementaridade: o poder s opera com base nas assimetrias de recursos inerentes s estruturas de 
dominao; e reciprocamente a dominao depende, para a sua prpria manuteno, do jogo das relaes de 
poder e da implementao dos recursos que elas implicam. Convm acrescentar (Chazel 1983), no entanto, 
que o poder no contribui apenas para reconstituir ou para reproduzir as estruturas de dominao existentes; 
ele pode participar na constituio e na produo de estruturas de dominao diferentes. Com efeito, as 
estruturas de dominao esto destinadas a ser transformadas ou destrudas: so - ou sero - historicamente 
circunscritas.
De uma maneira geral, o conceito de dominao deve ser manejado com prudncia, o que est longe de ter 
acontecido num perodo recente:

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a dominao , sem dvida, uma dimenso significativa da anlise sociolgica, mas no poder tornar-se no 
seu princpio central, ou mesmo nico; e, se devemos com Weber reconhecer a importncia dos processos de 
reforo simblico da dominao, a expresso "dominao simblica"  demasiadas vezes empregada sem 
precauo, sem conhecimento do campo de aplicao pertinente da noo.
F. C.
- Bourdieu (1980), Clegg (1974, 1979).

DURKHEIM (mile), socilogo francs (pinal 1858 - Paris 1917): Se se quiser resumir com uma palavra 
as mltiplas facetas da teoria do fundador da sociologia francesa, escolher-se- seguramente o conceito de 
integrao. Porqu e como  que os indivduos so integrados na sociedade? Esta interrogao atravessa do 
princpio ao fim todas as pesquisas conduzidas por Durkheim. A partir da sua tese, De la division du travail 
social (1893), onde se interroga sobre a natureza e as causas da evoluo das sociedades modernas para uma 
maior diferenciao das funes sociais, Durkheim levanta de novo a questo da origem da ordem social, 
contesta as explicaes artificialistas por meio do contrato e prope uma teoria fundada na norma e na sano 
como condies primeiras de toda a vida em sociedade. Se vai buscar a H. Spencer a tese geral da evoluo 
das sociedades modernas para uma maior diviso do trabalho, separa-se dela na explicao. Para Durkheim, 
esta mudana macrossocial advm no porque seja til e corresponda a uma qualquer finalidade mas porque  
gerada por causas mecnicas, como o aumento do volume, da densidade da populao e das relaes sociais. 
Estas ideias so retomadas e aprofundadas em Le Suicide (1897). Durkheim v neste fenmeno e seu 
crescimento no sc. XIX a confirmao da sua tese relativa s consequncias do individualismo e da m 
integrao dos indivduos nas sociedades modernas. Esta forma de suicdio que ele qualifica de egosta 
distingue-se do suicdio altrusta que  a consequncia de uma demasiado forte integrao estrutural (por 
exemplo, o suicdio no exrcito e nas sociedades arcaicas) e do suicdio anmico que decorre de uma ausncia 
de regulao normativa (por exemplo, anomias econmica e sexual). A integrao est ainda presente em Les 
Formes lmentaires de la vie religieuse (1912), onde define a essncia do religioso pelo sagrado, pois que 
nem o sobrenatural nem o transcendente preenchem as condies de uma definio universal da religio. Ao 
sagrado, convm juntar as crenas, o ritual e uma Igreja, smbolo da comunidade dos fiis. Para Durkheim, o 
sagrado  um elemento colectivo e impessoal;  a prpria sociedade. A integrao  por fim um conceito-
chave da sua sociologia da educao e da famlia, duas instituies que contribuem para a socializao dos 
indivduos da qual Durkheim umas vezes descreveu com preciso, outras vezes penetrou os mecanismos que 
as pesquisas contemporneas redescobrem, explicitam e teorizam a um nvel de abstraco mais elevado.
M. C.
- Durkheim (1922, 1925, 1938).

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83

E

Ecologia: A ecologia  a cincia que estuda as relaes entre os seres vivos e o seu ambiente; mostra como  
que se estabelecem sistemas de dependncia entre os vrios elementos de um meio. A ecologia designa 
tambm um movimento de opinio empenhado em defender os equilbrios naturais, de que os homens fazem 
parte, e que esto ameaados pelo desenvolvimento econmico incontrolado. 
No incio dos anos 70, o Clube de Roma lanou um grito de alarme contra as poluies irreversveis. O 
homem no pode continuar a ser concebido como um conquistador face a uma natureza hostil ou generosa, 
mas como um elemento dos sistemas naturais que asseguram a sua sobrevivncia. Os movimentos ecolgicos 
podem aparecer como um dos efeitos da crise da cultura industrial voltando ao tema dos equilbrios imutveis. 
Mas, na maioria dos pases industriais, foram, alm dessa reaco de crise, opondo-se  indstria nuclear 
cujos perigos para hoje e para as geraes futuras sublinharam. Puseram tambm em causa os poderes e os 
aparelhos que decidiram acerca dos programas nucleares sem controlo poltico e democrtico. Multiplicaram-
se manifestaes na Frana e na Alemanha Federal, ao mesmo tempo que os militantes propunham diversas 
alternativas energticas e sociais pela adopo de um modelo de vida mais comunitrio. Entretanto, para j, a 
passagem  aco poltica s se fez significativamente na Alemanha.
F. D.

Economia e sociologia: As relaes entre estas duas disciplinas apresentam-se como mais ou menos 
harmoniosas segundo os contextos e as pocas. O socilogo italiano V. Pareto  ao mesmo tempo um grande 
economista. Em Marx, economia e sociologia combinam-se estreitamente. Os socilogos clssicos alemes G. 
Simmel e M. Weber interessam-se pelos trabalhos dos marginalistas austracos e sugerem que a psicologia 
pode tirar deles lies de mtodo. Em contrapartida, a economia quase no tem lugar em A. Comte. E . 
Durkheim considera a teoria econmica como uma especulao metafsica destinada a ser ultrapassada pelos 
progressos da sociologia, disciplina  qual, como Comte, confere um papel imperial.
Actualmente, a sociologia tornou-se, em geral, menos intolerante para com a economia. Por um lado, 
porque a importncia do paradigma do individualismo metodolgico  melhor compreendida pelos 
socilogos. Ora, a teoria econmica acompanha muito frequentemente este modo de pensamento que os 
socilogos conceberam muitas vezes como contraditrio com a essncia de uma disciplina votada a 
interessar-se pelos fenmenos colectivos (como se os fenmenos econmicos no fossem, tambm eles, 
colectivos). Por outro lado, os socilogos medem melhor os inconvenientes que h em conceber o actor 
social, o homo sociologicus, como um sujeito inteiramente passivo, manipulado por foras sociais que 
escapam ao seu controlo e largamente inconscientes. O homo sociologicus tende hoje a ser concebido como 
capaz de intenes, de estratgia, de clculo. Assim, aproxima-se do homo oeconomicus tradicional.
Ser isto dizer que as duas disciplinas devem confundir-se? No. Por um lado, porque elas esto 
interessadas em objectos diferentes.

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Por outro lado, e principalmente, porque o modelo clssico do homo oeconomicus (que supe o 
comportamento do actor guiado por uma racionalidade definida de maneira estreita), se  til para analisar 
no apenas os fenmenos econmicos que tm sobretudo a ver com a sociologia,  tambm em muitos outros 
casos insuficiente. Os esforos recentes feitos pelos economistas para aplicar este modelo, por exemplo, ao 
divrcio, ao casamento ou ao crime deram apenas resultados modestos. Porque, em muitos casos, o actor 
social  confrontado com situaes cuja complexidade  tal que no pode domin-las por processos racionais 
(em sentido estrito). Ora, uma das contribuies da sociologia para a famlia das cincias sociais  o ter 
esboado uma teoria aberta da racionalidade.
R. B.
- Boudon (1979), Simmel (1900), Weber (1922a).

Educao (sociologia da): A educao interessa a duplo ttulo as cincias sociais e mais particularmente a 
sociologia: sejam quais forem os costumes, os usos e os modos de pensamento dos povos, numa palavra, a sua 
cultura, esta -lhes primeiramente transmitida; por outro lado, esta transmisso faz-se pela mediao de 
instituies, algumas das quais desempenham um papel social crescente.
Este duplo aspecto pode recobrir uma clivagem disciplinar: etnlogos e psicossocilogos interessar-se-o 
mais pela transmisso e seus efeitos individuais; economistas e socilogos, pelo funcionamento das 
instituies e pelo seu contexto social. Mas trata-se de pistas que, segundo a poca e o ponto de vista, 
caminharo em paralelo ou misturaro o seu curso. O ponto de vista da sociologia da educao revela uma tal 
confluncia; para E. Durkheim (1895), a educao  um fenmeno social fundamental: o meio social "tende a 
modelar a criana  sua imagem". Simultaneamente,  obra de instituies histricas que, como a escola, 
integram o homem moderno em toda a espessura de uma tradio (Durkheim, 1922). A aliana da psicanlise, 
da psicologia social e da antropologia vai, num primeiro tempo, promover a primeira pista. A modelao 
evocada por Durkheim pode encontrar ecos na restrio social das pulses e contribuir para orientar a 
investigao para o papel desempenhado pelas diversas culturas na constituio de personalidades especficas. 
Esta direco foi nomeadamente, entre as duas guerras, a da antropologia cultural americana.
A segunda pista era pouco seguida durante o mesmo perodo. Faltava-lhe, sem dvida, o estmulo de uma 
presso social que, pouco tempo aps a Segunda Guerra Mundial, se tornou cada vez mais forte. Os anos 50 
assistiram  implantao de um fenmeno cuja amplido no deixar de aumentar: a escolarizao de massa. 
Caracterizada pelo aumento contnuo dos efectivos escolares e pelo prolongamento crescente da escolaridade, 
est ligada a diversas causas: modificao do equilbrio dos grandes sectores econmicos e emergncia 
poderosa do tercirio; elevao geral do nvel de vida nos pases indastrializados e crescimento dos 
investimentos escolares; desejo de ruptura das barreiras sociais e promoo de ideais democrticos. Mas, 
muito rapidamente, este crescimento escolar revela profundas inadaptaes: os sistemas escolares europeus 
datam do sc. XIX e apresentam-se j vetustos; repelem ainda milhares de jovens sados dos meios populares 
quando faltam, de facto, tcnicos,

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engenheiros, quadros, professores; privilegiam uma cultura humanista no exacto momento em que a indstria 
requer competncias tcnicas. Mas, para alm de tais verificaes, transparece a urgncia de conhecer melhor 
a escola e o seu funcionamento, a fim de poder agir sobre ela e transform-la. Em menos de quinze anos, 
sucederam-se inquritos e reformas escolares na maior parte dos pases industrializados, que fornecem  
sociologia da educao um novo impulso e matria renovada. Os inquritos de demografia escolar (INED, 
1970) revelam a seleco social operada pelos vrios sistemas escolares e a confuso de competncias que 
isso representa. Democratizar a escola torna-se ento a palavra-chave das reformas. Mas, uma vez estas 
implantadas, as transformaes revelam-se lentas e de pouco efeito: ser de facto a escola um instrumento de 
democratizao? A sua funo social profunda no ser antes reproduzir as desigualdades inerentes a uma 
sociedade de classes (Bourdieu, Passeron 1970; Baudelot, Establet 1971)? Inscrita num sistema em que 
estratificao social e hierarquia das competncias caminham a par, poder a escola ter um outro efeito 
(Boudon 1973)? Parada e objecto permanente de estratgias de aambarcamento, funcionar como uma 
armadilha (Berthelot 1983)? Estas perguntas sugerem no apenas respostas mas abordagens diferentes. 
Algumas reencontram a confluncia originria das pistas: a escola reproduz as desigualdades sociais 
difundindo uma cultura de classe que modela os indivduos no mais profundo e que estabelece como legtimas 
as desigualdades (Bourdieu, Passeron 1970). Outras, inversamente, aplicam a este campo um modelo de 
anlise sado da economia: os indivduos so actores que procuram rendibilizar o melhor possvel o seu 
investimento escolar; os factores de conjunto verificados resultam da agregao de mltiplas decises 
individuais no seio do espao social definido pela escola (Boudon 1973; Cherkaoui 1982). Entretanto, a 
escolarizao impe-se em cada situao como objecto privilegiado da sociologia da educao. Os anos 80 
registam uma nova evoluo: a escolarizao de massa parece ter transformado os sistemas escolares em 
monstros impossveis de gerir, que segregam o fracasso e a incompetncia; mas, simultaneamente, os novos 
rigores do ambiente socioeconmico tendem a fazer apelo  escola ou s suas variantes para gerir a todos os 
nveis a formao ou a reciclagem de contingentes cada vez mais numerosos e diversos. Gigantismo escolar e 
multiplicao das funes criam assim uma opacidade e uma complexidade novas.
Segundo diversos pontos de vista, e com base em vrios objectos, implanta-se ento uma espcie de 
quadriculado dos sistemas de formao: ensino inicial e formao contnua, ensino geral e ensino profissional, 
itinerrios de formao e processos de orientao, os trabalhos multiplicam-se, tendem muitas vezes, ao 
contrrio das grandes construes anteriores, a penetrar no mais profundo das situaes escolares concretas 
para a captar tanto o seu modelo de construo social como a razo dos seus feitos (Mollo 1986).
J.-M. B.
- Isambert-Jamati (1970), Plaisance (1986), Tanguy (1986).

Egosmo: A palavra egosmo no teria sentido especfico em sociologia se . Durkheim no tivesse feito uso 
dela na sua obra, no sem alguns equvocos. Nos seus primeiros textos  caracterizado como

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egosta o indivduo movido pelos seus interesses prprios tal como o concebem os economistas e os 
utilitaristas. Nos seus textos tardios, o egosmo  identificado com as paixes e as tendncias que derivam da 
constituio individual, orgnica, do homem por oposio  sua constituio social. Em ambos os casos, o 
egosmo aplica-se a um indivduo pr-social.
Mas o egosmo pode ser tambm um produto da sociedade. O culto da pessoa humana torna-se o valor 
central das sociedades modernas. Este individualismo moral no se confunde com o egosmo mas contribui 
para o seu desenvolvimento. V-se isso bem em Le Suicide (1987) com o tipo de suicdio que Durkheim 
chama egosta.  aquele que procede de uma integrao insuficiente do grupo social de pertena. Essa falta de 
coeso social gera uma ligao insuficiente do indivduo ao seu grupo. Neste sentido, o tema do egosmo 
como doena das sociedades modernas  central na sociologia de Durkheim. Para lhe dar remdio,  preciso 
fazer com que o indivduo saia de si prprio levando-o  prossecuo de grandes objectivos colectivos.
PH. BD.
- Besnard (1987), Durkheim (1925).

Eleitoral (sociologia): Ramo da sociologia que tem por objecto a explicao do voto.
Distinguiremos dois tipos de abordagem consoante a natureza dos dados utilizados. O primeiro, que se 
inscreve na tradio dos trabalhos de A. Siegfried (1913), assenta em dados colectivos e procura estabelecer 
relaes entre a distribuio dos votos e certas caractersticas sociais, polticas, geogrficas ou histricas no 
quadro de unidades territoriais definidas: embora recorrendo a tcnicas diferentes, a geografia eleitoral, que se 
apoia essencialmente na representao geogrfica dos fenmenos, e a ecologia eleitoral, que faz apelo a 
diversas tcnicas estatsticas, pertencem a esta mesma categoria. A segunda abordagem, de inspirao 
psicossociolgica e de tradio anglo-saxnica, assenta em dados individuais recolhidos por meio de 
inqurito. Estes dois tipos de abordagem apresentam-se como complementares.
Paradoxalmente, se a sociologia eleitoral conheceu um desenvolvimento considervel desde o incio do 
sculo, o paradigma sobre o qual ela fundamenta a sua posio no mudou praticamente: consiste, no 
essencial, em procurar as determinaes do voto. Esta postura pde recorrer a vias diferentes. Procurar-se- 
na maioria das vezes os determinantes sociais do comportamento eleitoral: os numerosos estudos de tipo 
sociogrfico que pem em relao a orientao eleitoral com uma bateria de variveis explicativas tais como a 
classe, a religio o patrimnio, o rendimento, etc., pertencem a esta categoria. Por vezes a orientao ir no 
sentido da anlise de determinantes psicossociais: o modelo de Michigan (Compbell et al. 1960), segundo o 
qual o eleitor americano, geralmente pouco interessado pela poltica e incapaz de ter uma opinio pessoal,  
guiado pela sua identificao, herdada, forte e estvel, com um dos dois partidos,  representativo deste tipo 
de problemtica. Diferentes nos seus contedos, ambos os modelos fazem apelo ao mesmo tipo de explicao.
A acumulao dos trabalhos sobre as determinaes do voto no  desprovida de interesse heurstico. Ao 
comprovar algumas proposies tais como "o nvel de prtica religiosa

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exerce sobre o voto uma influncia maior que a pertena a uma classe social", ela fixou teis pontos de 
referncia. Mas o principal contributo desta postura  o de ter revelado os seus prprios limites: verificou-se 
que tendo em considerao as variveis explicativas mais consistentes no se podia praticamente explicar 
mais que um tero da variao do voto; tomou-se igualmente conscincia da fragilidade das relaes mais 
bem asseguradas, da dificuldade de interpret-las e do seu limitado alcance explicativo. Ao descobrir que no 
podia haver sobreposio entre a morfologia social e as clivagens eleitorais, foi-se levado a uma relativizao 
progressiva dos esquemas iniciais e a uma viso menos mecanicista dos efeitos de estrutura. Ao mesmo 
tempo, de resto, a anlise das determinaes que tinha contribudo para privilegiar as continuidades, o aspecto 
esttico das estruturas de distribuio dos votos, parecia contrariada pelo desenvolvimento da instabilidade 
eleitoral, da "fluidez" ou "volatilidade". Comear-se- ento a considerar que cada eleio  peculiar, a dar 
mais ateno ao tipo e ao modo de escrutnio,  oferta eleitoral e  conjuntura.
A tomada em considerao da configurao dos mercados polticos, do voto de risco (issue voting), do 
eleitor "avaliador" (em ingls responsive) como princpios explicativos, est ainda nos seus incios. Mas ao 
passar da noo de eleitorados, caracterizada por determinaes colectivas, para a do eleitor autnomo, capaz 
de seguir uma estratgica, a sociologia eleitoral parece orientar-se para um novo modo de compreenso 
susceptvel de renovar profundamente a disciplina.
D. D.
- Gaxie (1985), Lavau (1986).

Elite: V. Pareto (1916)define a elite ou as elites de duas maneiras diferentes mas complementares. Segundo a 
primeira, que  estritamente estatstica, a elite  uma categoria social composta por indivduos que tm a nota 
mais elevada no seu ramo de actividade. So, por exemplo, os grandes artistas, sbios, homens de Estado, 
oficiais superiores do exrcito, jogadores de xadrez ou desportistas os que tm maiores rendimentos, seja a 
origem das suas riquezas honesta ou desonesta. Esta definio ampla, objectiva e neutra, que sublinha a 
desigualdade entre os indivduos,  rapidamente abandonada por Pareto a favor de uma outra, fundada no 
exerccio do poder. A elite  constituda, nesse caso, pelos indivduos que exercem funes dirigentes. Ele 
divide esta classe em duas: a elite governamental, que desempenha um papel fundamental na direco do 
Estado, e a elite no governamental.
Para Pareto, a elite existe e governa em todas as sociedades seja qual for o regime poltico (democracia, 
monarquia, repblica, etc.) ou as instituies econmicas (capitalismo, socialismo, etc.). A distribuio 
desigual das riquezas, do poder e do prestgio  possvel porque o pequeno nmero governa a massa 
recorrendo  fora ou  astcia. Sem dvida, tais elites no so nem eternas nem estveis. Se a histria , 
segundo a sua expresso, um cemitrio de aristocracias,  porque estas desaparecem por razes demogrficas 
e psicolgicas. Para perdurar, a classe governante tem de ser mantida em nmero e em qualidade por famlias 
das classes inferiores, que se tornaram poderosas. Tem tambm de relegar para a massa aqueles dentre os seus 
que perderam as qualidades requeridas para fazer parte da elite. No 

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caso de um destes movimentos deixar de fazer-se ou, pior ainda, de ambos ficarem bloqueados, a classe 
governante ficar arruinada. Se, no conjunto, G. Mosca (1896) chega s mesmas concluses, reconhece, no 
entanto, a especificidade do sistema democrtico que permite s diferentes foras sociais participar na vida 
poltica e, portanto, equilibrar-se e limitar as suas influncias respectivas.
A teoria da elite com as suas variantes prope-se como objectivo uma crtica em regra da concepo 
marxista das sociedades e, sobretudo, do poder. A dominao poltica para Marx no  mais que uma 
consequncia da dominao econmica da classe que detm os meios de produo. O poder poltico no 
depende de nenhuma esfera autnoma. Pareto e Mosca rejeitam esta reduo, sublinham a especificidade do 
poder como dimenso essencial da estrutura e do funcionamento das sociedades. A bem dizer, nem Marx nem 
os seus sucessores encontraram resposta satisfatria para os problemas das elites quando foram com eles 
confrontados sob um dos seus aspectos mais importantes: o do papel dos intelectuais no partido e na 
revoluo. Para Lenine (1902, 1918), o proletariado, deixado sozinho, desenvolve uma conscincia trade-
unioniste. S um partido revolucionrio disciplinado poderia levar os sectores mais avanados do proletariado 
a conduzir uma luta pela tomada do poder. O partido  a vanguarda da classe operria; no se confunde com 
ela. O ideal socialista da auto- emancipao do proletariado  de facto negado, o que far dizer a R. 
Luxemburgo que a ditadura do proletariado se transforma em ditadura do partido. Assim fica ilustrado o 
slido fundamento das anlises dos tericos das elites. A antinomia fundamental elite-massa no fica 
resolvida. E mesmo os esforos de A. Gramsci (1914, 1926), que se afastar mais tarde da concepo 
leninista, viro perder-se neste impasse cuja sada ilusria ele s v na liquidao do partido. Alguns estudos 
sobre as elites, como os de C. W. Mills, tentam em vo construir uma sntese entre a escola elitista e o 
marxismo. Outros, pelo contrrio, ao afastarem-se do ecumenismo forado, contribuem para clarificar o 
problema das elites nas sociedades contemporneas: analisam a diversidade dos critrios de estratificao das 
instituies ao interrogarem-se sobre a especializao, a concorrncia, a multiposicionalidade ou a coerncia 
das elites que dirigem as diferentes instituies. Ora, estes problemas esto no cerne do debate sobre a 
natureza do regime poltico, particularmente a democracia.  tese marxizante de certos socilogos, segundo a 
qual as diferentes elites tm um interesse comum, o da sua pertena, alguns opuseram a existncia de grupos 
de presso de interesses muitas vezes contraditrios. Esta multiplicidade dos centros de interesse e de deciso 
mais ou menos autnomos  uma garantia de moderao e de equilbrio, resultante este no de um artifcio 
constitucional mas de realidades socioeconmicas. A teoria da poliarquia de R. Dahl (1956), que deve ser 
entendida como ideal-tipo e no como princpios constitucionais historicamente observveis, encontra a uma 
das ideias-chave de Tocqueville (1856).
M. C.

Emigrao - vd. Imigrao, Migrao.

Empatia:        Compreenso por parte de um indivduo do comportamento 

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de outrem, fundada na sua prpria experincia.
Esta palavra entrou no vocabulrio da psicossociologia como uma traduo do termo alemo Einfhlung, 
que designa inicialmente o processo pelo qual um indivduo que observa os gestos de outrem liga-os a 
sensaes vividas e projecta sobre outrem essas sensaes. A palavra "empatia" foi utilizada, de facto, no 
sentido mais geral de aptido para se pr no lugar de outrem, tornando-se quase sinnimo de simpatia. Os 
testes sociomtricos permitem medir a empatia entendida como a capacidade de prever as escolhas ou 
rejeies dos outros membros do grupo, isto , os seus sentimentos positivos ou negativos em relao a si ou 
em relao aos outros.
PH. BD.

Empreendedor:        Deve-se a J. Schumpeter (1942) a apresentao mais sugestiva daquilo que deve entender-se 
por empreendedor. Numa economia capitalista, a funo de empresa deve ser distinguida da propriedade ao 
servio da qual ela se coloca. O empreendedor  um demiurgo que sabe tirar partido das inovaes 
tecnolgicas, reunir os capitais disponveis, encontrar e organizar a fora de trabalho indispensvel  
implementao de um projecto orientado para a procura constante do lucro. Mas, se  um criador, continua a 
ser tambm um fiel servidor do capitalismo que gere em nome e no interesse dos proprietrios. Esta 
concepo, original para a poca, anuncia as teses sobre o manageriado das empresas, que J. Galbraith 
popularizar nos anos 60. Ao concentrar-se no empreendedor, pe a tnica na dimenso instrumental, quase 
necessria, da funo no plano econmico, independentemente das suas implicaes humanas ou polticas. 
Contudo, como j o assinalava C. Gide no incio do sculo, o empreendedor representa mais que isso. Pelo 
facto de utilizar uma fora de trabalho assalariada, ele no  apenas um dador de ordens;  igualmente um 
"patro", obrigado a assumir responsabilidades sociais alargados. O interesse de um tal alargamento  
evidente. Trabalhos recentes mostram que os prprios empreendedores no concebem a sua funo sem a 
propriedade dos meios de produo, que consideram como um factor de equilbrio social, quando no lhes 
parece estar mesmo na base das hierarquias existentes (Bunel, Saglio 1979). Inscrevem tambm a sua aco 
num desgnio mais vasto que o da sua empresa e que s tem sentido sob a ptica do destino das famlias que 
lhes concedem o seu apoio. Integrar a dimenso familiar  pr a tnica no carcter necessrio das alianas e 
na espessura plurigeneracional de um projecto que no deixa de desenrolar-se na durao. A elite dos 
empreendedores enraza-se, designadamente, num meio burgus que a ultrapassa por todos os lados e de que 
ela pouco se diferencia, tanto no ponto de vista dos valores como no dos comportamentos (Bourdieu, Saint-
Martin 1978). At ao presente, a quebra tecnocrtica que deveria ter acompanhado a passagem a formas no 
familiares de propriedade no trouxe consigo perturbaes visveis do meio patronal. Contentar-nos-emos 
pois,  semelhana de Saint-Simon, em considerar os patres-empreendedores como a fraco industrial da 
burguesia.
F. G.
- Galbraith (1967).

Empregado: A observao feita por M. Crozier (1965), segundo a

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90
qual no h definio satisfatria do empregado, mantm-se actual.  preciso desconfiar, nomeadamente, das 
confuses provocados pela sua assimilao aos "colarinhos brancos" (Mills 1951) ou aos "tercirios" 
(Praderie 1968).
Durante muito tempo, o termo designou o conjunto dos trabalhadores assalariados no manuais do sector 
privado, que se situavam na base da linha hierrquica. Mas a fronteira que separa os empregados ou o pessoal 
de servio assim designado dos funcionrios subalternos (civis ou militares) apresenta-se dbil sob o aspecto 
das similaridades das suas condies de emprego e das finalidades do seu trabalho, que os distinguem dos 
operrios em particular. Por isso, habitumo-nos, na esteira do INSEE, a englobar por comodidade esses 
diversos subgrupos para melhor op-los s categorias "profissionais" e tcnicas, por um lado, e s categorias 
manuais, por outro. A longo prazo,  inegvel a expanso deste grupo. Como o tinha pressentido M. Weber no 
incio do sculo, ela acompanhou de incio a burocratizao da administrao pblica. Estendeu-se 
seguidamente s empresas, que muito contriburam para o aumento dos efectivos, para a transformao das 
tarefas tercirias e para a reduo das diferenas de remunerao entre os agentes administrativos, na Frana, 
durante os ltimos trinta anos. Os empregados, que eram perto de 3 milhes em 1968, ascendiam a 5,5 
milhes de pessoas em 1985, ao passo que a populao activa total no chegara a aumentar de um milho 
entre essas duas datas. Actualmente, mais de um trabalhador em quatro pode ser catalogado entre os 
empregados, que so mulheres na sua maioria (78 por cento). A maior parte ocupa empregos de escritrio, 
que parecem em regresso desde 1983, ao passo que os empregos oferecidos pelo comrcio continuam a 
progredir fortemente. O que distingue ainda o grupo  a sua relativa juventude, que ressalta mais no sector 
privado (59 por cento tm menos de 35 anos) que na funo pblica (47 por cento). Donde a fraqueza dos 
salrios declarados, que so muito inferiores aos dos operrios qualificados e que se explica em parte pela 
mediocridade dos seus diplomas. Do ponto de vista das condies de trabalho, os empregados diferenciam-se 
pouco dos operrios, grupo donde saram 81 por cento deles. No seu conjunto, pela sua idade, pela sua 
mobilidade profissional e geogrfica (grande nmero dentre eles so cidados de fresca data), pelo seu estado 
de celibatrios, de locatrios, eles constituem manifestamente um meio de transio sujeito a uma incessante 
renovao dos seus efectivos. Compreendem-se ento as dificuldades com que a sociologia se debateu quando 
se interessou por esse conjunto. A partir de 1912, E. Lederer (1912) consegue isolar um grupo de empregados 
do conglomerado das classes mdias. Pela anlise de oramentos familiares, ele mostra a heterogeneidade da 
categoria que apresenta como que balanando entre a burguesia e o proletariado. Para M. Halbwachs (1938), a 
originalidade dos empregados est ligada ao facto de trabalharem no sobre uma matria inerte como os 
operrios mas sobre as regras sociais, as relaes humanas suscitadas por toda a actividade moderna. Ideia 
que se encontra de novo em M. Crozier, para o qual o grupo se distingue menos do mundo operrio pelo seu 
estatuto que pelas suas expectativas e possibilidades objectivas de mudar de condio.
F. G.

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Emprego do tempo: As actividades da vida quotidiana ocupam cada uma duraes diferentes: o emprego do 
tempo faz a sua medio.
Vrios mtodos de observao foram empregados desde os primeiros inquritos por sondagem, nos anos 
20 na Unio Sovitica e no incio dos anos 50 na Frana. Um inqurito sobre os empregos do tempo foi 
realizado, em 1985, pelo INSEE. Cada pessoa interrogado preenche uma grelha do seu emprego do tempo, 
quarto de hora por quarto de hora, para a durao de um dia. Estes dados permitem calcular tempos mdios 
passados no trabalho, nas tarefas domsticas, nas necessidades pessoais e nos tempos livres. Graas a estes 
inquritos, o tempo de transporte, nomeadamente entre o domiclio e o local de trabalho,  melhor conhecido; 
e teve-se isso em conta na disposio do territrio nos anos 60. A acumulao dos inquritos torna possveis 
as comparaes longitudinais. Os empregos do tempo permitem estabelecer a evoluo da repartio entre o 
trabalho e o no trabalho, a partilha das tarefas domsticas entre os membros do lar e a arbitragem entre as 
vrias actividades de tempos livres.
N. H.

Entrevista: A entrevista  utilizada em cincias sociais com o objectivo de recolher informaes verbais. Pe 
frente a frente um inquiridor e um inquirido.
Existem vrios tipos de entrevista que podemos classificar consoante o grau de liberdade que deixam aos 
parceiros. O recurso ao questionrio fechado  o mais limitativo: a formulao, o nmero e a ordem das 
perguntas, o leque das respostas so previamente fixados. A entrevista no directiva, inspirada numa tcnica 
de terapia apurada por C. Rogers (1942),  a mais aberta. O inquiridor contenta-se em propor um tema de 
explorao ao inquirido, intervindo apenas para facilitar a sua expresso e relan-la reformulando os seus 
propsitos. A riqueza da informao recolhida, o seu nvel de profundidade esto em funo da liberdade 
deixada ao inquirido (Michelat 1975). Esta , no entanto, relativa. A iniciativa da entrevista, o seu objecto 
escapam-lhe. A idade, o sexo, o meio social, o tipo fsico do inquiridor e mesmo as suas convices polticas 
e religiosas influenciam as suas respostas (Hyman 1954). A fortiori, o comportamento verbal e no verbal do 
inquiridor ao longo da entrevista (relanamento ou silncio, sorriso, etc.) mostra-se determinante. A no 
directividade pura no existe (Kandel 1972).
Entre estes plos, encontram-se formas intermdias como o questionrio aberto, que d ao entrevistado 
liberdade para as suas respostas, a entrevista semidirectiva, estruturada por um guia de entrevista, a entrevista-
"stress", em que o inquiridor contradiz deliberadamente o inquirido, a entrevista de grupo, em que os 
participantes se relanam entre si. Estas tcnicas so complementares e a sua escolha depende do tipo de 
conhecimento visado. Para explorar um universo simblico, religioso, profissional ou poltico, a entrevista 
no directiva, junto de um pequeno nmero de casos,  o instrumento ideal. Para medir a intensidade e a 
frequncia das atitudes manifestadas, ser o questionrio estandardizado junto de uma ampla amostra, que 
permite um tratamento estatstico das respostas. E, para testar a sua coerncia, ser a entrevista-stress.
N. M.
- Bianchet et al. (1985), Cannel (1953), Pags (1970).

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Equilbrio - vd. Sistemas (teoria dos), Trade.

Escravatura:        A escravatura designa uma situao jurdica, explcita ou tctica, na qual um ser humano  
catalogado na categoria dos bens mveis e imveis, de que um proprietrio pode usar  sua vontade. 
Historicamente, a escravatura nasceu com a guerra, quando os vencedores puderam considerar vantajoso 
poupar a vida dos vencidos e utiliz-los em seu proveito. Na imensa maioria dos casos, os escravos foram 
destinados primeiro que tudo para usos domsticos. Raros so os casos de grupos de escravos adstritos aos 
trabalhos dos campos. S quase os encontramos na Antiguidade greco-romana, na Baixa Mesopotmia na 
poca abssida, nas plantaes do Novo Mundo. A instituio desempenha um papel econmico 
absolutamente despiciendo nos imprios. Esta rareza pode explicar-se pelos custos de aquisio, de 
manuteno e de vigilncia das equipas numerosas de escravos. Uma populao de agricultores livres ou 
semilivres no  muito mais rendvel para uma elite dominante. A escravatura no pode ser transformada, 
pois, na noo de escravismo, que designaria um estdio da evoluo das sociedades humanas.  uma 
instituio ligada a um clculo de rendibilidade que assenta na liberdade e na no liberdade do trabalho 
humano.  por isso que os campos de concentrao dos totalitarismos contemporneos devem ser 
considerados como formas renovadas de escravatura.
J. B.
- Centre de recherche d'histoire ancienne (1972), Meillassoux (1986), Verlinden (1955).

Estado-providncia: O termo "Estado-providncia" aplica-se, grosso modo, aos Estados que implantaram 
sistemas alargados de proteco social e aos que praticam polticas de reduo das desigualdades econmicas 
e sociais. O Estado-providncia  um Estado social que em nome da segurana ou da igualdade se substitui 
parcialmente ao mercado e/ou corrige os seus resultados. A expresso "Estado-providncia"  relativamente 
recente; nasceu de uma traduo aproximativa do ingls Welfare State. Esta noo no est isenta de 
ambiguidades e evolveu  medida que se foi desenvolvendo o Estado social.
Esquematicamente, podem distinguir-se duas principais formas de Estado-providncia, que se sucederam 
na maioria dos pases ocidentais: o Estado protector e o Estado redistributivo. O Estado protector, que se 
desenvolveu a . dos anos 30, visava primeiro que tudo limitar os custos sociais do mercado e garantir uma 
certa segurana face aos mais importantes riscos econmicos (desemprego, doena, velhice etc.). O Estado 
redistributivo (desenvolvido nos anos 60 e 70) procura estabelecer uma certa igualdade: a reduo das 
desigualdades econmicas (e sociais) torna-se ento uma das misses essenciais da aco pblica,  qual 
tendem a ser ligadas ou subordinadas as polticas sociais no seu conjunto. Esta evoluo foi travada ou 
estorvada em fins dos anos 70 (um pouco mais tarde na Frana) em razo da crise econmica e tambm da 
tomada de conscincia dos "efeitos perversos" das polticas igualitrias dos anos precedentes. 
PH. BN.

Estado (sociologia do): Na origem da sociologia poltica moderna,

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93
M.Weber dedicou-se ao estudo dos factos de dominao, de autoridade e de poder, que o levou a ver no 
Estado uma das manifestaes histricas do poltico que ele define como um "agrupamento de dominao 
poltica de carcter institucional" na medida em que os seus governantes reivindicam com sucesso o 
"monoplio da violncia fsica legtima". Elaborando a sua famosa apologia das formas de legitimidade, 
sublinha as relaes de influncia entre tipos de crenas, formas de organizao e sistemas econmicos, que 
lhe permitem pensar a articulao entre Estado, burocracia e capitalismo. Por meio desta "sistematizao 
flexvel", chega  integrao da diversidade histrica num quadro conceptual nico sem, no entanto, perder 
aquilo que faz a singularidade de cada regime.
O estudo do Estado ordenou-se  volta de duas grandes perspectivas: a abordagem de tipo social, 
largamente dominante do imediato ps-guerra ao fim dos anos 60, parte da sociedade para compreender as 
funes e os papis desempenhados pelos Estados modernos; a outra, mais recente, que se desenvolve, 
sobretudo, a partir dos anos 70, constitui uma abordagem mais poltica, considerando o Estado no j como 
uma "resultante" mas como uma varivel a explicar do mesmo modo que  explicativa. Encarando o Estado 
como um actor e uma instituio, esta ltima interroga-se mais concretamente sobre a capacidade "dos" 
Estados para realizar objectivos que a si prprios fixaram assim como sobre o seu impacte tanto sobre a 
formao e a estruturao das classes sociais como sobre os modos de protesto social ou sobre a cultura 
poltica. Os autores marxistas, que se interessaro pelo Estado na sequncia de uma leitura de A. Gramsci e da 
contribuio do estruturalismo de Althusser, partilharo esta mesma tendncia para a generalizao que os 
conduziu, na maioria das vezes, a discusses confusas a propsito das funes que todos os Estados deviam 
partilhar dentro de um modo de produo, numa fase de acumulao capitalista, ou em ligao com a sua 
posio no sistema capitalista mundial. Sero levados a afirmar "a autonomia relativa do Estado", como N. 
Poulantzas: faro desta um trao necessrio do modo de produo capitalista reconhecendo ao mesmo tempo 
de maneira pouco convincente que o Estado funciona invariavelmente para estabilizar o sistema poltico no 
seu conjunto.
O desenvolvimento de uma abordagem mais estritamente poltica est ligado  irrupo do tema da "crise 
do Estado-providncia". No entanto, a prpria natureza deste ltimo levou por vezes a um deslizar para o 
tema, mais especfico, mas tambm mais polmico, da "governabilidade das democracias". Ligado ao 
sentimento aparentemente paradoxal de um Estado cada vez mais intervencionista e cada vez menos eficaz, o 
pr em causa do "Estado-providncia"  da iniciativa daqueles que, na esteira de J. Habernas, viam na 
situao presente o indcio de uma "crise fiscal" susceptvel de desembocar numa "crise de legitimidade", apta 
a revelar as contradies inerentes ao desenvolvimento do capitalismo avanado. Este pr em causa vem 
tambm dos que deploravam a sobrecarga dos governos por excesso de democracia, ou ainda daqueles que, na 
escola do "Public Choice", aplicando os raciocnios do individualismo metodolgico  explorao das 
escolhas polticas e institucionais, responsabilizavam as burocracias pblicas e os mecanismos

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de representao poltica pelo peso excessivo dos oramentos pblicos.
Mas a tnica colocada nas especificidades de construo estatal permitiu, graas  anlise comparativa, 
circunscrever melhor o estilo de interveno pblica ("policy style") prprio de cada pas, proporcionando ao 
mesmo tempo um quadro de estudo mais realista do funcionamento do Estado. A perspectiva da anlise das 
polticas pblicas, por uma utilizao fecunda da sociologia da deciso e da sociologia das organizaes, 
contribuiu certamente para renovar a abordagem de um Estado, que se encontra muitas vezes mais bem 
descrito pelos seus polticos. A avaliao comparativa das polticas pblicas permite, alm disso, revelar os 
mecanismos prprios de cada Estado, atravs dos quais so definidos e tratados os problemas pblicos, e 
portanto explicar melhor como  que pases relativamente prximos do ponto de vista econmico e poltico 
podem produzir solues diferentes para problemas idnticos.
Entretanto, considerar o Estado como uma varivel levou ao desenvolvimento de uma outra aproximao 
que consiste em circunscrever melhor as relaes de estruturao recproca entre o Estado e a sociedade. O 
Estado j no se define apenas como um conjunto de organizaes atravs das quais agentes pblicos se 
mostram mais ou menos capazes de pr em aco polticas, mas tambm pela maneira como ele vai afectar a 
cultura poltica, encorajar a formao de certos grupos, permitir ou no a aco colectiva, ao mesmo tempo 
que torna possvel a emergncia de certos problemas pblicos e no outros. A anlise do Estado beneficiou, 
particularmente, dos progressos inegveis feitos no domnio da sociologia da aco colectiva.
P. D.

Estatstica moral: Expresso que aparece quase simultaneamente em L. A. Quetelet, em 1831, e em A. H. 
Guerry, em 1833, e que designa durante todo o sc. XIX o equivalente da sociologia actual de observao 
quantitativa. Quetelet (1835, 1869) d uma definio explcita da estatstica moral, que Guerry se contenta em 
ilustrar pelo exemplo. Trata-se para Quetelet da estatstica dos factos sociais no fsicos, tais como o nvel de 
instruo, o tempo consagrado  leitura, o alcoolismo, a inclinao para a coragem e, mais particularmente, a 
inclinao para o crime: as estatsticas judicirias viriam de facto a conhecer um rpido desenvolvimento na 
Europa e nos Estados Unidos da Amrica a partir de 1830. Estes factos sociais no fsicos so mais 
exactamente, segundo Quetelet, as qualidades do homem que "no podem ser medidas directamente" e, por 
isso, "s podem ser conhecidas pelos seus efeitos" (Quetelet 1835). P. Lazarsfeld (1970) mostrou o 
equivalente formal entre as formulaes de Quetelet e a formalizao moderna das variveis latentes, tais 
como as disposies, as atitudes, etc. Para Quetelet, a taxa de criminalidade registada  um resultado aleatrio 
de uma causa constante que ele denomina a inclinao para o crime (hoje dir-se-ia a predisposio para matar) 
e de causas perturbadoras. Ao raciocinar assim, Quetelet no faz mais que transpor a posio de P. S. Laplace 
da mecnica celeste para a "fsica social", de que a "estatstica moral"  a subdiviso mais importante. Em 
Guerry tal como em Quetelet, a estatstica moral mostra a constncia em longos perodos de taxas, tais como 
as dos crimes capitais e das condenaes  morte. Guerry acrescenta o cruzamento de variveis

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duas a duas, nomeadamente para cada departamento entre o nvel de instruo e a taxa de criminalidade. 
Quetelet pretende construir a estatstica moral com base no modelo da mecnica celeste. Constata que as 
sries se distribuem nela, tal como nas observaes astronmicas,  volta de um valor mdio. Desse valor 
abstracto devido  observao em Laplace-Gauss, ele faz um tipo real. Edifica assim o homem mdio  volta 
do qual se distribuem, segundo a curva dita normal, os valores reais da estatstica moral. Na Alemanha, a 
Moralstatistik dos discpulos de Quetelet levantou uma longa polmica sobre o problema do livre arbtrio. Em 
Frana, . Durkheim (1897) e M. Halbwachs (1912) criticaram ambos o homem mdio de Quetelet invocando 
a coeso social cuja fora explicativa  para eles superior  do homem mdio. Actualmente, as estatsticas 
sociais publicados pelo INSEE so o prolongamento moderno da estatstica moral.
B.-P. L.
- Lebrun (1974), Lottin (1912).

Estatuto: O estatuto  a posio que um indivduo ocupa numa das dimenses do sistema social, como a 
profisso, o nvel de instruo, o sexo ou a idade. Define, portanto, a identidade social, o papel explcito, os 
direitos e deveres do indivduo. Tem duas dimenses: a primeira  vertical e traduz as relaes hierrquicas; a 
segunda  horizontal e exprime as interaces entre iguais. O papel  o conceito mais fortemente associado ao 
estatuto. O primeiro  dinmico, o segundo estrutural. Constituem duas faces de uma mesma realidade ainda 
que no exista entre eles correspondncia estrita, pois que a um estatuto podem corresponder vrios papis. 
Um professor, por exemplo, est em relao com os seus alunos; mas est-o igualmente com os seus colegas e 
a sua administrao.
O estatuto no  unicamente o conjunto de atributos que permitem ao actor social desempenhar um papel; 
define tambm processos de atribuio. Ser mdico  uma posio que determina direitos e obrigaes, 
nomeadamente em relao aos pacientes. Mas, se o mdico executa mal o seu papel cometendo faltas 
profissionais, o estatuto pode ser-lhe retirado. Por vezes, a atribuio do estatuto  difcil em virtude da sua 
ambiguidade.
Podemos, na esteira de M. Weber, examinar o estatuto em relao s duas outras dimenses da 
estratificao social que so a economia e a poltica. Uma posio sobre a dimenso econmica  definida 
pelos interesses econmicos relativos  propriedade de bens e s possibilidades de se criar um lucro. Uma 
posio na ordem estatutria  funo do prestgio e da honra que so avaliaes comuns num grupo social e 
supem um consenso mais ou menos geral relativo s normas e valores. Os grupos de estatuto distinguem-se 
pelos seus estilos de vida diferentes (nvel de instruo, prestgio do nascimento, da profisso, modalidades de 
consumo, etc.).  evidente que as trs dimenses no so independentes umas das outras: a posio 
econmica determina muitas vezes o estatuto; mas este, tal como a posio poltica, pode por vezes ser 
utilizado para obter vantagens econmicas. Reconhecer o carcter multidimensional da estratificao  aceitar 
a possibilidade da existncia da no congruncia dos estatutos: ter um nvel de instruo muito elevado no 
significa necessariamente ter um salrio elevado. A ausncia de

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congruncia pode mesmo ser uma fonte de tenso. Metodologicamente, a existncia da no congruncia pode 
ser posta em evidncia graas  anlise dos efeitos de interaco, no sentido estatstico, entre os estatutos e a 
varivel que se procura explicar.  graas ao conceito de no congruncia que se pode explicar porque  que 
indivduos sados da classe operria mas fazendo a experincia de uma mobilidade social ascendente se 
comportam politicamente de maneira hiperconservadora.
M. C.
- Lenski (1954), Linton (1936), Lipset (1960), Merton (1949), Weber (1922b).

Estratificao social: A estratificao social  a diferenciao das funes ao mesmo tempo hierarquizada e 
avaliada segundo critrios especficos de cada sociedade. Em toda a sociedade, seja ela escravista, de castas, 
de Estados, de ordens ou de classes, verificam-se reparties desiguais de recursos.
Alguns, como J. J. Rousseau e Marx, vem na propriedade privada a origem da desigualdade; outros, 
como G. von Schomoller, K. Davis e G. E. Moore, julgam encontrar o seu fundamento na diferenciao das 
posies de importncia desigual pela sociedade, que requerem competncias diferentes e retribuies 
desiguais; outros ainda, como . Durkheim (1893) e R. Dahrendorf, na necessidade para todo o grupo social 
de ter normas de comportamento e sanes que dividem os indivduos em conformistas e desviados e geram 
assim uma desigualdade. O problema da origem  em grande parte abandonado pelos tericos 
contemporneos, que orientam as suas pesquisas no sentido da clarificao das dimenses da estratificao e 
suas consequncias. Para Marx, a estrutura de classes define-se pela relao  propriedade dos objectos e 
meios de trabalho. O capitalismo  aquele que os detm; o operrio, por seu lado, apenas possui a sua fora de 
trabalho. Esta tese falha ao deduzir da dimenso econmica as outras relaes sociais e polticas. Para os 
tericos das elites, Marx, ao encerrar-se no econmico, condenou-se a no compreender as relaes de fora 
polticas e as condies necessrias  aco que estruturam a sociedade em elites e massas.  a M. Weber que 
cabe o mrito de ter posto em evidncia o carcter multidimensional da estratificao, a autonomia relativa de 
cada uma das trs dimenses: econmica, estatutria e poltica. Se alguns tiveram razo em sublinhar a 
importncia da dimenso econmica, em contrapartida no a tiveram ao querer fazer dela a fonte de todas as 
reparties desiguais.  verdade que uma posio elevada nesta ordem pode favorecer a deteno de posies 
do mesmo nvel nas ordens poltica e de prestgio. Mas esta relao no  nem necessria nem de sentido 
nico: uma posio na ordem poltica exerce igualmente influncia sobre a deteno dos recursos econmicos 
e sobre o prestgio de que goza um indivduo. A relativa autonomia das trs ordens pode dar origem a 
distores entre as posies detidas por um mesmo indivduo que apresenta o conceito de no congruncia do 
estatuto: o mesmo indivduo pode ocupar posies de valor diferente nas trs dimenses. A no congruncia 
est por vezes na origem de comportamentos contestatrios: um grupo economicamente poderoso, que se acha 
por isso no direito de participar no exerccio do poder, contestar o modo de recrutamento de

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97
um patriarcado que detm as funes polticas.
Os efeitos da estratificao so to diversos e importantes que no  vivel enumer-los todos, pois que 
eles vo da fecundidade at  morte.
M. C.
- Marx (1867), Pareto (1916), Weber (1922a), Lipset, Bendix (1959), Dahrendorf (1957).

Estruturalismo: Como faz notar J. Piaget (1968), "o estruturalismo  um mtodo, no uma doutrina" - e aqui 
 preciso entender o termo "mtodo" no seu sentido de abordagem, de aproximao, de maneira de apreender 
os problemas. Foi primeiramente em lingustica que esta noo foi fecunda: os sons no so em si mesmos 
significantes;  a sua combinao, o seu arranjo, a sua interdependncia - a estrutura da lngua - que lhes d 
um sentido. C. Lvi-Strauss aplicou este processo ao estudo das estruturas do parentesco (1949) e sobretudo  
anlise dos mitos (1958, 1964-1971).
So as regras formais de combinao dos elementos (de parentesco, de mito) que do sentido ao conjunto 
assim constitudo. Em todos os casos, foram solues particulares que tal lngua, tal sociedade, adoptou para 
resolver um problema de comunicao ou de funcionamento.
Metodologia da anlise, o estruturalismo consiste, portanto, em considerar o objecto como uma totalidade 
que pode ser descrita, formalizada, a partir dos elementos que a constituem e das relaes de interdependncia 
que esses elementos mantm entre si. Desta totalidade, procura pr-se em evidncia a coerncia interna e a 
permanncia no tempo. Por isso, privilegia-se a dimenso sincrnica do objecto de estudo e a sua descrio 
num dado momento; mas no se toma em linha de conta (ou s muito dificilmente) a sua evoluo no tempo. 
Donde a dificuldade, e mesmo o fracasso, da extenso de uma tal metodologia a outros domnios como a 
economia ou a sociologia. Assim, a interpretao estruturalista de Marx pe em evidncia que as "formaes 
sociais" capitalistas e socialistas podem corresponder a "estruturas" diferentes, mas esconde o processo 
diacrnico que permite a anlise da passagem de uma  outra dessas formaes, o que para Marx era 
fundamental.
Quanto ao desvio filosfico ou "metafisico" do estruturalismo que pde observar-se em Frana no decurso 
dos anos 60,  inaceitvel dado que leva a atribuir uma realidade quilo que no  mais que uma ferramenta 
de anlise. Para os defensores desta corrente, como M. Foucault (1966), as estruturas, sem serem directamente 
observveis mas tendo um fundamento objectivo aqum da conscincia e do pensamento, constituem o real 
tornado inteligvel por uma organizao lgica que torna manifesto o que est apenas implcito.
Y. C.

Estrutura social: Para A. R. Radclife-Brown (1940), "a estrutura social designa a rede complexa de relaes 
sociais que existe realmente e une seres humanos individuais num certo meio natural".
Mais geralmente, a expresso "estrutura social"  empregada como sinnimo de organizao social: 
conjunto das modalidades de organizao de um grupo social e dos tipos de relaes que existem no interior e 
entre diversos domnios de toda a sociedade (tanto ao nvel do parentesco como da organizao econmica e 
poltica). Numa perspectiva

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analtica, o estudo da estrutura social de uma sociedade procura explicar a sua organizao e o seu 
funcionamento, a disposio das suas vrias partes (grupos e instituies), a sua coerncia interna, as suas 
divises e contradies, o seu movimento e as suas mudanas. Numa perspectiva comparativa, procura 
identificar os traos comuns e os diferentes entre vrias sociedades concretas, com o fim de reagrup-los em 
algumas grandes classes ou tipos.
Num sentido mais restrito, falar-se- de estrutura social para designar os elementos estruturais da 
organizao socioeconmica - em particular a estrutura socioprofissional - das,sociedades, por oposio aos 
elementos culturais: valores, representaes, que so comuns a um dado grupo social.
Y. C.

Ethos: Para M. Weber (1920, 1921b), o ethos  uma ordem normativa interiorizada, um conjunto de 
princpios mais ou menos sistematizados que regulam a conduta da vida. Weber distinguiu ethos e tica, 
sendo esta ltima noo tomada no sentido etimolgico de mximas morais. O ethos  um conceito abstracto 
a que correspondem indicadores empricos nas esferas econmica, religiosa, moral, etc.:  o caso do 
puritanismo, no qual indivduos foram socializados, das suas aces, em particular das suas atitudes em 
relao ao trabalho,  riqueza, ao consumo, s relaes com outrem. Foi esse ethos que faltou s economias 
das civilizaes pr-capitalistas.
Para explicar e compreender a relao macrossociolgica entre religio e economia, Weber  obrigado a 
traduzi-la ao nvel individual introduzindo o conceito de ethos. Este desempenha o papel de varivel 
independente para o comportamento econmico dos actores.
M. C.

Etnia: A etnia define-se, geralmente, como uma populao designada por um nome (etnnimo), que se 
reclama de uma mesma origem, que possui uma tradio cultural comum, especificado por uma conscincia 
de pertena ao mesmo grupo cuja unidade se apoia em geral numa lngua, num territrio e numa histria 
idnticos. Contudo, cada um destes critrios deve ser ponderado. O etnnimo pode ter sido um reagrupamento 
operado pelas necessidades da administrao colonial. O nome pelo qual um grupo se designa valorizando-se 
pode diferir daquele pelo qual os vizinhos o designam. Em muitas etnias, de dimenso varivel, nas doze mil 
que se enumeram em todo o mundo, a unidade foi reconstruda miticamente e as tradies locais propagaram 
mitos errados envolvendo tanto as cises como os reagrupamentos aps conquista, migrao, federao, 
aliana. Por vezes, os membros de uma etnia dominada adoptaram a lngua do seu dominador (por exemplo, 
no Futa-Djalon guineense). O mesmo territrio pode ser partilhado em vrias etnias e a mesma etnia pode 
encontrar-se em espaos afastados (Armnios, Peules). Tendo a histria oral sido sujeita a manipulaes,  a 
identificao dos membros com uma etnia e o seu sentimento de pertena bilateral que especifica a etnia 
enquanto tal.
C.        R. 
- Amselle, Bazin (1985), Heuse (1953), Nicolas (1973).

Etnometodologia: Esta escola da sociologia americana deve muito ao seu fundador, H. Garfinkel (1967) - 
que foi discpulo de

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T. Parsons -, e em menor medida a autores como A. Cicourel (1973) H. Sacks (in Turner 1974).
Garfinkel inspirou-se na obra do fenomenologista A. Schtz (1971) mas tambm na tradio pragmatista e 
na filosofia analtica (L. Wittgenstein, em particular). O termo foi inventado em 1954, por analogia com o de 
etnobotnica, para designar os mtodos habituais que servem para gerir os assuntos da vida quotidiana, como 
manter uma conversao ou esclarecer um assunto criminal quando se  jurado num tribunal. A 
etnometodologia no  portanto, primeiramente, uma metodologia sociolgica, mas um estudo das 
modalidades prticas (rotinas, encenaes, glosas ou explicaes. da conduta social. Garfinkel est 
impressionado com o paralelismo que existe entre os mtodos da sociologia erudita (descrever e interpretar os 
factos sociais) e os da "sociologia" ordinria (como saber reconhecer as situaes sociais da maneira a adoptar 
uma conduta pertinente). A etnometodologia substituiu ao funcionalismo de T. Parsons a ideia de que a ordem 
social  uma criao concertada e mantida em permanncia pela actividade quotidiana dos "membros" (por 
exemplo, membros de uma comunidade de linguagem). Mais do que procurar estabelecer as normas sociais 
que dirigiriam a conduta dos membros, a etnometodologia prefere estudar a maneira como eles prprios 
constroem essa ordem normativa. Experimentando com os seus estudantes rupturas da ordem quotidiana, 
Garfinkel pe em evidncia o carcter imperioso mas no determinvel das pressuposies da vida 
quotidiana, que so "vistas sem serem notadas". Num estudo clebre consagrado  histria de uma transexual, 
Garfinkel mostra como os papis normativos que cabem  diviso sexual so o resultado de um trabalho 
prtico quotidiano de constituio. Reencontra-se aqui a influncia da fenomenologia para a qual as realidades 
objectivas incorporam sempre elementos subjectivos. Mas a etnometodologia interessa-se menos pela 
subjectividade que pela intersubjectividade e pela linguagem que torna visvel o sentido das condutas. 
Garfinkel  um empirista convencido que recomenda que se estudem as propriedades formais da 
intercompreenso, mais que recorrer a interpretaes sobre os motivos das condutas. Afasta-se assim da 
tradio da sociologia compreensiva  qual, no entanto, deve muito.
A etnometodologia deu lugar nos Estados Unidos da Amrica a muitos estudos sobre as instituies 
sociais, jurdicas ou sanitrias, mas tambm, mais recentemente, a novos trabalhos em sociologia das cincias. 
Abriu igualmente, sob o impulso de H. Sacks, um domnio completamente novo de pesquisas: a anlise de 
conversao. Propagada inicialmente na Gr-Bretanha e na Alemanha, a etnometodologia comea agora a ser 
conhecida na Frana (CEMS 1984), mas os seus textos principais esto ainda  espera de serem traduzidos em 
francs.
P. P.

Evolucionismo: Fundada na crena dos scs. XVII e XVIII na universalidade do tipo humano e no progresso 
das civilizaes expresso por Condorcet (1795), a corrente evolucionista apoia-se no transformismo de 
Lamarck e nas pesquisas de C. Darwin (1859) a respeito da origem das espcies por via de seleco natural. 
Da mesma maneira que se observa no mundo natural uma diversificao das espcies e

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um aperfeioamento constante da adaptao ao meio, verifica-se no meio humano uma passagem do simples 
ao complexo (Spencer 1874-1875, Durkheim 1893) e uma melhoria dos sistemas sociais, nos domnios 
econmicos, polticos, parentais e religiosos.
Ao mesmo tempo que F. Hegel afirma a sua confiana nos benefcios da civilizao e situa os no 
civilizados fora da histria, exprime-se paradoxalmente, sob a influncia de J.-J. Rousseau, uma nostalgia de 
um estado mtico de natureza e do antigo que subsiste noutros stios, donde as teorias do primitivismo e a 
procura das sobrevivncias. O evolucionismo encontra-se dilacerado entre, por um lado, uma filosofia 
teleolgica da histria marcada por uma crena no destino ascendente da civilizao e, por outro, uma 
determinao da nistria por algum factor predominante (biolgico: Darwin 1859; tcnico: Morgan 1877; 
econmico: Marx 1867; espiritual: Frazer 1911-1915). Numa linha evolutiva nica situam-se etapas de 
desenvolvimento, diferentes segundo os autores: estdios teolgico, metafsico, positivo (Comte 1830-1842); 
selvajaria, barbrie, civilizao (L. Morgan); sociedades escravista, feudal, capitalista, socialista (Marx), etc.
Para compreender esta evoluo, so elaboradas, a partir do saber documental acumulado na poca, 
hipteses muitas vezes arriscadas tendentes a definir, aps pesquisa das origens, passagens reconhecidas na 
evoluo da humanidade com reconstituio dos elos que faltam (J. Frazer). Na base do parentesco, haveria 
uma fase de promiscuidade sexual primitiva no regulada, depois o matriarcado e finalmente a famlia 
patriarcal (Bachofen 1861, retomado por Morgan 1877).
Segundo E. B. Tylor, o animismo com a crena no duplo seria o princpio de toda a religio que teria 
passado pelas fases do manismo, do feiticismo, do politesmo e depois do monotesmo. Para Frazer, a cincia 
corrigiria a religio e esta derivaria de uma magia inicial. Dando uma ateno privilegiada s sociedades mais 
arcaicas, designadamente australianas, aos sistemas de parentesco e  religio, o evolucionismo visa 
estabelecer um corpus etnogrfico da humanidade e uma apologia inteligvel das sociedades. A sua teoria da 
civilizao d cobertura  aco colonial.
C. R.

xito social: O xito, definido nor critrios objectivos (posio hierrquica, riqueza, poder ou notoriedade), 
estar prometido igualmente a todos, em conformidade com o ideal democrtico? A questo foi posta por 
numerosas pesquisas sobre os homens ilustres do passado e sobre as personalidades dirigentes nos vrios 
domnios: econmico, poltico, religioso, cientfico, artstico. Estatstico, o mtodo consiste em recolher todos 
os dados pormenorizados sobre as origens geogrficas, familiares e profissionais de todas as pessoas que 
figuram em dicionrios biogrficos. As comparaes internacionais e as flutuaes no tempo devem ser 
interpretadas com prudncia, porquanto as modalidades de recrutamento e os critrios de seleco variam de 
pas para pas e com a extenso das amostras. Mas, juntando-se aos dos estudos de mobilidade social, os 
resultados concordam e no deixam lugar a qualquer dvida. Factores por vezes invocados, tais como a 
dimenso da famlia, categoria de nascimento, idade dos pais, no trazem consigo diferena significativa. 
Nem todas as

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101
regies de um mesmo pas esto igualmente representadas, mas o meio urbano  propcio, e tanto mais quanto 
mais denso for, ao aparecimento de personalidades mercantes. Em Frana, pas centralizado, o predomnio de 
Paris  estrepitoso. Em toda a parte, um factor social domina sobre todos os outros. Cerca de dois teros, com 
fracas flutuaes de 60 a 75 por cento, dos homens ilustres do passado e dos dirigentes de ontem e de hoje 
saram de uma franja muito estreita da populao, os grupos situados no topo da escala social. Perto de um 
quarto provm dos meios colocados imediatamente abaixo e apenas menos de um dcimo das camadas menos 
desfavorecidas, operrios e camponeses, que representam cerca de dois teros da populao. O acesso ao 
xito no est pois inteiramente fechado, particularmente s classes intermdias, mas a desigualdade nem por 
isso  menos flagrante. Os xitos surpreendentes de alguns, que partiram do nada, continuam a ser 
excepcionais e no prevalecem contra a regra geral. A persistncia das desigualdades de facto explica-se, sem 
dvida, por aquilo que poderia ser na realidade uma lei da natureza social. Uma gerao no pode ocupar o 
espao social independentemente das geraes precedentes. Os filhos recebem dos seus pais, no seio da 
famlia, uma herana cultural que no  a mesma para todos e no oferece portanto a todos as mesmas 
virtualidades.
A. G.
- Bottomore (1964), Escarpit (1958), Girard (1961, 1967), Thlot (1982).

Experimentao: Interveno do investigador, que suscita as condies necessrias para comprovar as suas 
hipteses relativas s propriedades ou s causas de um fenmeno.
Essencial nas cincias da natureza, a experimentao  considerada, com frequncia, impossvel em 
sociologia. Contudo, durante uma boa parte do sc. XIX, reformadores sociais, na esteira de C. Fourier em 
particular, preconizaram, e por vezes tentaram, a experimentao de novas formas de organizao social. 
Esforos de investigao experimental da vida social manifestam-se nos nossos dias. Administraes ou 
empresas, antes de adoptar uma regulamentao, de decidir acerca de uma poltica ou de lanar um produto, 
"experimentam-no" em escala reduzida. A psicologia social, por seu turno, faz largo uso da experimentao, 
desta vez em laboratrio criam-se situaes com condies mnimas, simplificados relativamente s situaes 
reais, que permitem mostrar a influncia de um pequeno nmero de factores bem identificados. Foi assim que 
foram estudados os processos de influncia ao tentar modificar o juzo sobre a amplitude do movimento de 
um ponto luminoso na obscuridade. Mantm-se assim apenas a relao com os juzos de outrem.
B. M.
- Campbell (1969), Cook, Campbell (1979), Lemaine (G.), Lemaine (J. M.) [1969], Matamon (1988).

Explicao: A noo de explicao coloca-se no centro de uma discusso de mtodo importante que agitou 
os socilogos alemes da poca clssica na viragem do sculo. Tratava-se de saber se as "cincias do esprito" 
em geral e a sociologia em particular devem ou no ser concebidas como distintas das "cincias da natureza". 
Os positivistas franceses, como . Durkheim (1895), defendem uma posio monista: a sociologia no se 
distingue das cincias da natureza a no ser pela complexidade do seu objecto. Na maioria das vezes,

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os alemes adoptam quer uma posio dualista, como W. Dilthey, quer a recusa de um dilema que consideram 
simplista, como G. Simmel (1892) ou M. Weber (1922b). Para os dualistas, o objectivo das cincias da 
natureza seria explicar; o das cincias do homem, compreender; o fsico procura as causas dos fenmenos 
fsicos; o socilogo teria antes por tarefa restabelecer o sentido dos fenmenos sociais. Designa-se por vezes 
esta concepo da sociologia pela expresso de sociologia compreensiva.
Com efeito, as cincias sociais, tal como as cincias da natureza procuram, muito frequentemente, explicar 
os fenmenos que estudam, ou seja, encontrar as suas causas. Assim, a sociologia interrogou-se muito sobre 
as causas do desenvolvimento do capitalismo, da expanso recente da procura escolar, das variaes no 
espao e no tempo da mobilidade social, etc. O que distingue as cincias do homem das cincias da natureza  
que as causas dos fenmenos sociais so representadas por crenas ou aces humanas. Assim, a explicao 
(no sentido amplo) de um fenmeno social consiste, em geral, na combinao de dois momentos: 1. um 
momento explicativo (em sentido estrito) em que se reduz o fenmeno s suas causas individuais (o que no 
exclui, evidentemente, que os indivduos pertenam a conjuntos ou a grupos); 2. um momento compreensivo 
em que se procura determinar as razes dos comportamentos individuais responsveis do fenmeno em 
questo.
R. B.

Explorao (teoria da): Explorar um trabalhador consiste em apropriar-se de uma parte pelo menos do 
produto do seu trabalho.
 dos saint-simonianos, por intermdio de P. J. Proudhon (1840), que Marx (1867) retoma a noo de 
explorao assim concebida. Para Marx  inerente a toda a sociedade de classes. Numa sociedade escravista 
ou feudal, o dono ou o senhor goza de direitos de propriedade sobre a prpria pessoa dos trabalhadores e pode 
recorrer, portanto,  coaco directa para extorquir-lhes uma parte do que produzem. Numa sociedade 
capitalista, pelo contrrio, os trabalhadores so "livres". Os capitalistas no tm sobre eles qualquer direito de 
propriedade, e toda a transaco entre capitalistas e trabalhadores dever pois ser voluntria de parte a parte. 
Como  que uma sociedade de mercado livre pode ser uma sociedade de explorao? Por outras palavras, 
como explicar os lucros dos capitalistas?  uma das questes centrais de O Capital.
Para lhe responder, Marx faz apelo  sua teoria do valor-trabalho. O valor de uma mercadoria  nela 
definido como a quantidade de trabalho que requer em mdia, no actual estado das tcnicas, a produo dessa 
mercadoria. Sob certas condies, afirma a teoria, o livre jogo do mercado leva a dar a cada bem um valor de 
troca (ou preo relativo) estritamente proporcional ao seu valor-trabalho assim definido: a troca no forada 
tende a ser uma troca de equivalentes. O valor-trabalho da fora de trabalho , no entanto, a quantidade de 
trabalho necessria em mdia para produzir os bens necessrios  sobrevivncia dos trabalhadores. Ora, essa 
quantidade  muito inferior  quantidade de trabalho fornecido pelos trabalhadores, e -o tanto mais quanto a 
acumulao do capital permite aumentar a produtividade do trabalho. Marx chama mais-valia  diferena 
entre essas duas quantidades.

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103
Ao comprar pelo seu valor a fora de trabalho e ao vender pelo seu valor os bens que ela produz, o capitalista 
apropria-se dessa mais-valia. Longe, portanto, de exclu-la, o livre jogo do mercado traz necessariamente 
consigo a explorao.
A teoria marxista da explorao foi alvo de crticas virulentas. Censura-se-lhes, em particular, o facto de 
assentar numa teoria do valor cuja pertinncia j no  praticamente sustentada por ningum. A teoria da 
explorao constituiu recentemente, no entanto, objecto de uma reformulao coerente e rigorosa, que a 
liberta da teoria do valor-trabalho, na obra de J. Roemer (1982).
PH. P.
- Chavance (1985), Reeve (1987).

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105

F

Facilitao social: Expresso introduzida por F. Aliport para designar a superioridade da situao colectiva 
sobre a situao individual na realizao de uma tarefa. Com efeito, a facilitao social designa um campo de 
pesquisas, o mais antigo, da psicologia social experimental: aquele que estuda a influncia, sobre o 
rendimento de um indivduo, da presena de espectadores passivos (efeitos de audincia) ou de pessoas que 
trabalham na mesma tarefa (efeitos de coaco). Falou-se primeiro de facilitao social porque tais efeitos 
pareciam positivos; mas outras pesquisas trouxeram resultados contrrios. Para R. B. Zajonc (1966), a 
audincia e a coaco aumentam a activao fisiolgica, a motivao do indivduo e, alm disso, favorecem o 
aparecimento da resposta dominante. Essa resposta dominante pode ser correcta no caso de uma tarefa bem 
controlada e adquirida, e h ento, de facto, facilitao; no caso contrrio, a presena de outrem pode 
prejudicar a aprendizagem, ao provocar uma resposta dominante incorrecta.
PH. BD.
- Leyens (1979).

Famlia (sociologia da): A definio mais corrente da famlia - grupo caracterizado pela residncia comum e 
pela cooperao de adultos de ambos os sexos e dos filhos que eles geraram ou adoptaram (Mundock 1949) - 
explicita pouco a extrema diversidade das suas formas histricas e parece pr de fora certas variaes 
familiares importantes.
Do ponto de vista estrutural ou formal, distinguimos correntemente os gneros de famlias segundo: 1.        o 
seu modo de composio: a famlia nuclear compreende exclusivamente os cnjuges e os seus filhos no 
casados, ao passo que a famlia alargada inclui, integralmente ou em parte, duas ou vrias dessas unidades 
elementares; 2. o seu modo de constituio: o casamento arranjado caracteriza as situaes em que a escolha 
do cnjuge  definida por regras sociais explcitas ou pela vontade dos pais e o casamento de afinidade os 
casos em que os indivduos escolhem eles prprios o seu estado e o seu esposo; 3. o seu sistema de filiao 
(transmisso do parentesco): no sistema unilinear, os filhos so incorporados no grupo de parentes definidos 
pela me ou pelo pai, ao passo que no sistema indiferenciado participam, ao mesmo ttulo, nas duas linhagens 
(Lvi- Strauss 1949).
Do ponto de vista funcional, ops-se com frequncia, a "famlia-empresa" das sociedades trdicionais - 
vista como um grupo controlado pela comunidade ou pela parentela e cujo objectivo  primeiramente a 
produo econmica e a segurana das pessoas -  famlia "conjugal" das sociedades contemporneas 
(caracterizadas pelo salariado), cujo papel principal seria assegurar o equilbrio socioafectivo dos seus 
membros. Esta mudana de prioridade dos objectivos familiares permitiria, segundo Wilson Goode (1963), 
compreender a generalizao do casamento de afinidade, a nuclearidade do grupo familiar, a tnica colocada 
progressivamente no ideal de democracia nas relaes domsticas, a mobilidade relacional (divrcios e 
recasamentos) e a privatizao das mentalidades. Numerosos autores censuraram a esta perspectiva, no 
entanto, o facto de explicar apenas as famlias das camadas mdias das sociedades industriais

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e de caracterizar inadequadamente a ruptura entre sociedades tradicionais e sociedades modernas. Para 
corrigir tal perspectiva, ps-se em evidncia, nomeadamente, que: 1. a industrializao e a urbanizao no 
so condies necessrias da famlia nuclear (j majoritria na Europa pr-industrial, Burguire et al. 1986); 
2. o casamento de afinidade no equivale a uma ausncia de impacte das clivagens sociais sobre os cnjuges: 
pelo contrrio, a homogamia - isto , o facto de desposar algum do mesmo meio social, da mesma 
nacionalidade, da mesma idade, etc. - caracteriza uma grande maioria das unies (Girard 1964; Singly 1987); 
3. o papel directo (trabalho domstico) e indirecto (produo da fora do trabalho, reproduo dos valores 
sociais) da famlia na produo econmica continua a ser considervel (Michel 1978; Sgalen 1981); 4. a 
nuciearidade das famlias no  sinnimo de ruptura dos laos de parentesco ou de isolamento (Roussel, 
Bourguignon 1976). Parece mais adequado, portanto, sem negar o movimento geral de sentimentalizao e de 
mobilidade das relaes familiares, falar de rearticulao da relao privado-pblico mais que de privatizao.
Por outro lado, fazem-se notar sensveis diferenas de funcionamento das famlias (em matria de coeso, 
de diviso das funes, de fronteiras com o meio social e de adaptao) em funo das clivagens 
socioeconmicas e limitam o alcance analtico de um modelo funcional nico da famlia. Vrios inquritos 
feitos entre 1960 e 1985 (Kellerhals 1987) mostram que as famlias dos meios populares (operrios 
qualificados, empregados) insistem mais no consenso e na similitude dos seus membros que as famlias de 
quadros, mais sensveis  especificidade e  autonomia de cada um; que as primeiras pem a prioridade no 
ns-famlia mais que no ns-casal, insistem com frequncia na especificidade dos papis masculinos e 
femininos e equipam-se com regras de funcionamento bastante claras e rgidas, ao passo que as segundas 
valorizam mais a indiferenciao e a flexibilidade; que as famlias de meios populares apreciam mais as 
relaes internas na parentela, ao passo que as famlias de quadros mdios e superiores reivindicam 
numerosas permutas com o meio social. Finalmente, uma dificuldade considervel de definio das formas e 
funes da famlia provm das mutaes recentes dos comportamentos familiares. Entre 1965 e 1985, na 
maior parte dos pases industrializados, as taxas de casamento recuaram um tero em favor da coabitao 
(temporria ou definitiva); a taxa de fecundidade baixou para cerca de 1,5 por mulher; a actividade 
profissional das mulheres casadas aumentou fortemente; as taxas de divrcios triplicaram, atingindo, com 
frequncia, 30 separaes por 100 casamentos contrados (Roussel 1987). Esta mutao traduz-se por uma 
grande variedade de grupos familiares: famlias "monoparentais", "binucleares" (constitudas pela circulao 
de filhos entre diversas famlias originais), "compostas" (recasamentos em que os filhos vivem sob o mesmo 
tecto que pais e sogros), etc. Isso torna, hoje, a noo de rede familiar essencial para atenuar as carncias 
analticas do conceito de famlia nuclear.
J. K. 
- Bertaux (1977), Kellerhals et al. (1984), Roussel (1975).

Fascismo: O fenmeno fascista aparece no sc. XX, entre as duas

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107
guerras. Encarna o mais absoluto reinado do terror exercido por organizaes que obedecem cegamente ao 
lder do partido nico que monopoliza o poder depois de ter eliminado pela violncia toda a forma de 
pluralismo social (associaes, sindicatos, etc.) ou poltico (partidos, grupos de interesses, etc.) De maneira 
geral, o fascismo, e mais particularmente o nazismo, , portanto, a forma mais perfeita do totalitarismo na 
medida em que, como mostra H. Arendt (1945), tenta destruir toda a forma de vida social a fim de remodelar 
toda a sociedade segundo a sua prpria viso ideolgica do mundo. O nazismo combate a sociedade liberal e 
democrtica, acaba com as eleies e elimina o sufrgio universal. Suscita uma intensa mobilizao da 
populao e rejeita o individualismo e o igualitarismo; para ele,  doravante o partido constitudo por homens 
excepcionais que constitui o novo escol dirigente. Para se impor de maneira totalitria, o nazismo pe 
igualmente fim ao Estado, s suas instituies,  sua ordem jurdica. No entanto, no chega a pr 
verdadeiramente em causa a propriedade privada e a sociedade de mercado.
Convm distinguir o nazismo de regimes que lhe esto prximos sob muitos aspectos, mas que dele se 
distinguem sob outros. Se o nazismo se apresenta como um totalitarismo, o fascismo (Itlia de Mussolini) 
aparece como um regime menos extremista, que mantm com frequncia as elites tradicionais, refora o 
Estado sem dar uma preeminncia absoluta ao partido, mobiliza menos a populao e utiliza de maneira 
menos sistemtica a violncia. Deste ponto de vista, basta sublinhar que s o nazismo conduz inelutavelmente 
 exaltao da raa e ao genocdio. Pela sua rejeio deliberada da sociedade liberal e pela sua tendncia para 
o irracionalismo, o fascismo, na Itlia como na Frana, ou em outros pases, nem por isso deixa de ser a 
expresso de uma recusa da democracia e da ordem republicana fundada na razo e na ideia de progresso.
P. B. 
- Aycoberry (1976), Brozat (1970), Milza (1988).

Feminismo: O feminismo, como movimento social, nasce no sc.XIX, da contradio entre o ideal de 
igualdade institudo pela Revoluo Francesa e a discriminao das mulheres da cidade.
O movimento feminista vai notabilizar-se na defesa dos direitos da mulher. Ser preciso mais de um 
sculo e meio para que sejam levantadas as vrias discriminaes, desde o direito de testemunhar nos 
documentos de estado civil (1897) at  autoridade parental conjunta (1970), passando pelo direito de voto 
(1944). Paralelamente, foram reivindicados o direito  educao (equivalncia dos bacharelatos masculino e 
feminino, 1924), o de exercer todas as profisses (lei sobre a igualdade profissional, 1983), o direito de dispor 
do seu prprio corpo (lei que autoriza a interrupo voluntria da gravidez, 1975), o reconhecimento da 
violao conjugal em certos pases e a luta contra a importunao sexual.
O movimento de Maio de 1968, cujos combates anti-hierrquicos pela liberdade sexual tm particulares 
ressonncias para as mulheres, suscita, dois anos depois, o Movimento de Libertao das Mulheres (Garcia 
Guadilla 1988). Este v no patriarcado a prpria essncia de toda a dominao (French 1985). Denuncia o 
falocratismo e o sexismo (palavras

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novas por ele introduzidas) e conduz com determinao a batalha pelo direito  contracepo e ao aborto. Este 
novo feminismo tende a revalorizar certas qualidades femininas. O reconhecimento de que misoginia e 
esteretipos sociais tm razes profundas no psiquismo leva-o a interessar-se de perto pela psicanlise.
Os movimentos dos anos 70 situam-se numa evoluo profunda da sociedade contempornea. Ensaiam-se 
novos modos relacionais entre os dois sexos e entre os pais e os filhos. O controlo dos nascimentos permite, 
com uma melhor igualizao dos sexos, a liberalizao da sexualidade, reconhecida como fonte de 
desabrochamento pessoal e no apenas instrumento de procriao. As mes de famlia participam cada vez 
mais no mundo do trabalho salariado e os homens, no de to boa vontade, nos trabalhos domsticos. A 
diviso dos papis sexuais nem por isso fica fundamentalmente afectada (CNDIF-INSEE 1986). Aquando dos 
divrcios, a regra habitual  confiar os filhos  me. No plano profissional, os postos superiores, no que se 
refere a poder e prestgio, mantm-se muito maioritariamente nas mos dos homens, ao passo que as mulheres 
se encontram nos empregos subalternos e/ou nas profisses de ajuda, de assistncia, de ensino. 
As condies da existncia do feminismo mantm-se portanto. Se as aces espectaculares dos anos 70 
cessaram, aces mais lentas e reflectidas continuam, como a discusso tica provocado pela fecundao 
medicamente assistida e pelas "mes portadoras". A participao, adquirida doravante, das mulheres no 
mundo da cultura, mesmo mantendo-se ainda marginal, deve permitir repensar em profundidade a questo da 
diferena dos sexos.
J. F.

Festa: As festas, enquanto conjuntos de manifestaes e de folguedos sociais, afundam-se muitas vezes em 
acontecimentos histricos ou mticos reinseridos no presente por uma comunidade que reafirma, graas a 
smbolos e a alegorias, a sua identidade cultural, religiosa ou poltica. A maioria delas repete-se com 
intervalos regulares, segundo ciclos sazonais, iniciticos ou litrgicos. Comportam caractersticas costumeiras 
no que se refere ao espao onde se desenrolam, aos trajos ou s mscaras, danas, msicas de circunstncia, 
desfiles e comportamentos ritualizados. Se algumas marcam a sobrevivncia de tradies, outras foram 
enxertadas num substrato antigo e outras ainda, designadamente em meios urbanos, foram criadas 
inteiramente de novo. Quer se trate de festa de participao popular (carnaval, corrobori australiano), festa de 
representao (investidura do Presidente da Repblica, colocao de flores num monumento aos mortos), 
festa local ou festa revolucionria, a festa d ocasio  colectividade a oportunidade de celebrar-se e exaltar-se 
a si prpria, como observa . Durkheim.
Como a festa  na maioria das vezes uma mistura de cerimnia e divertimento, distinguir-se-, conforme o 
plo dominante, por um lado a festa-celebrao, valorizando uma crena religiosa capital (nascimento do 
Messias, Ressurreio), a proteco de um santo (festa do padroeiro), comemorando um acontecimento 
nacional (14 de Julho, 11 de Novembro, na Frana), ou sublinhando um facto importante para o grupo (festa 
das Mes, bolo de aniversrio); e por outro lado a festa-transgresso reduzida  lgica da fruio e do 
transbordamento paroxstico. Se as Saturnais romanas, a

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festa dos Loucos na Idade Mdia, ou fases de interregno na frica, constituem exemplos de um sagrado de 
transgresso e de pardia do poder, os seus esquemas nada tm de generalizvel. Por isso censura-se a R. 
Caillois (1950) o ter visto tal festa com base no modelo de certos frenesis e orgias primitivas como 
reactualizao do caos primordial, ressurgncia da idade de ouro e inverso que tende a remediar a usura. 
Nem todas as festas remetem para a origem do mundo. Mas G. Bataile (1949) teve razo em captar na festa a 
parte de dom e de economia oblativa, cuja lei  permutar desperdcios. A destruio sumpturia produz-se em 
fundo de excedente simblico acrescentado  vida corrente. Vlvula de segurana, a festa serve de mecanismo 
regulador de uma sociedade.
C. R.
- Duvignaud (1973), UNESCO (1976).

Feudal (regime): O regime feudal  uma organizao social prpria da Europa, do sc. X ao sc. XIII, e do 
Japo, do sc. XIII ao sc. XVI, em dois perodos marcados por um desmoronamento do poder real e uma 
extrema disperso do poder poltico.
O regime feudal  a combinao original de duas instituies mais correntes. A primeira  a vassalagem, 
que consiste no lao pessoal que une dois membros da aristocracia, um dos quais, superior em poderio, 
riquezas e prestgio, recebe a homenagem do outro. Esto assim ligados por um contrato, em que se trocam, 
por um lado, a promessa da ajuda e da dedicao militares e, pelo outro, a proteco e a manuteno. Numa 
economia agrria, essa manuteno traduz-se concretamente pela concesso de um feudo, de uma terra e de 
camponeses que a trabalham. A segunda instituio  o domnio senhorial, um espao onde se exerce um 
poder quase real de administrao da justia, de cobrana fiscal, de defesa. As duas instituies combinam-se 
pelo facto de o feudo se identificar com a senhoria. Como o feudo  hereditrio de facto, cada senhoria  
ocupada por uma linhagem aristocrtica, cujo titular est ligado a um superior por um preito de fidelidade. 
Esse superior  um prncipe territorial, que controla um espao poltico de importncia varivel. O regime 
permite assegurar o menos mal possvel a segurana colectiva, comprometida pela debilidade do poder real e 
pela anarquia que da resulta.
J. B.
- Bloch (1939-1940), Boutruche (1968-1970), Polv, Bournazel (1980).

Forma: Encontram-se em G. Simmel (1892), e em M. Weber (1922b) sob o termo de "ideal-tipo", anlises 
que dependem da sociologia formal. As formas ou modelos so construes que permitem tornar inteligveis 
sequncias da realidade social. A sua generalidade e a sua idealidade no significam que podem explicar todas 
as situaes observadas (elas no so universais), mas que situaes muitos diversas podem tornar-se 
inteligveis graas a elas, se intervierem parmetros precisos. O erro consiste em iludir esses parmetros 
confundindo forma e realidade, produto, ideologia e utopia, Simmel sugere que o materialismo histrico  
interessante como forma ou esquema de inteligibilidade, mas que  falso como teoria.  falso porque enuncia 
em termos de lei aquilo que nos factos escapa a essa sistematicidade. Por exemplo, a baixa tendencial da taxa 
de lucro, pertinente para explicar certas situaes, no possui a universalidade

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de uma lei; no se pode tirar dela, portanto, nenhuma predio nem concluso emprica. Para a sociologia 
formal, as regularidades sociais empricas que podem por vezes observar-se so o produto da aco dos 
homens, sensvel s variaes do contexto, e no a expresso de leis.
L.D.-G.

Friedmann (Georges Philippe), socilogo francs (Paris 1902 - id. 1977): Filsofo de formao, G. 
Friedmann interessa-se desde 1931 pelos problemas do trabalho e das tcnicas. Aprende o russo e faz, entre 
1932 e 1936, vrias estadas na URSS, a partir das quais escreve dois livros: Les Problmes du machinisme en 
URSS et dans les pays capitalistes (1934) e De la Sainte Russie  l'URSS (1938). Em 1946, a sua tese 
Problmes humains du machisme industrel introduz em Frana a novssima sociologia do trabalho. 
Friedmann estabelece nela a similitude dos problemas do maquinismo industrial vistos sob o aspecto humano 
nos regimes capitalistas e socialistas. D a conhecer em Frana as grandes experincias psicossociolgicas 
americanas sobre os efeitos do taylorismo, a resistncia operria, as relaes humanas (Roethlisberger, 
Dickson 1839). Sob o seu impulso, numerosos trabalhos e inquritos empricos sobre o trabalho artesanal, o 
trabalho em cadeia e o meio tcnico em geral so publicados em Frana. As suas prprias publicaes neste 
domnio sucedem-se at cerca de 1962.
Em 1960, Friedmann ultrapassa os problemas do trabalho para explorar um outro aspecto da cultura 
tcnica: as comunicaes e a cultura de massa. Organiza e coordena de novo as pesquisas. Alm dos 
numerosos trabalhos que directa ou indirectamente suscitou, o seu contributo mais importante , sem dvida, 
o livro pstumo Ces merveilleux instruments (1979).
Um dos temas centrais que encontramos na obra de Friedmann  a oposio entre meio natural e meio 
tcnico, sobre a qual reflecte como filsofo em La Puissance et la sagesse (1970). O seu interesse de longa 
data pelo meio natural faz dele um precursor do pensamento ecologista.
B.-P.L.
- Friedmann (1950, 1953, 1956, 1966), Friedmann, Naville (1961-1962).

Frustrao: A frustrao  o sentimento experimentado pelo indivduo que  privado daquilo que lhe  
devido, daquilo por que espera ou a que aspira.  um conceito fundamental das teorias psicossociolgicas que 
tentam explicar a agresso e, de uma maneira geral, certos comportamentos individuais.
O conceito de frustrao relativa foi por seu turno elaborado pelos autores do American Soldier (um 
estudo psicossociolgico do exrcito americano durante a Segunda Guerra Mundial), para resolver uma srie 
de paradoxos. S. A. Stouffer e col. (1949) estabeleceram dois resultados aparentemente contraditrios que no 
podem explicar-se simultaneamente pelas teorias existentes. Constataram, por um lado, uma correlao 
positiva entre nveis de instruo e possibilidades objectivas de promoo e, por outro, uma correlao 
negativa entre nvel de instruo e opinies a respeito das possibilidades de promoo. Por outras palavras, 
so os mesmos indivduos que tm um nvel de instruo elevado e que beneficiam de mais possibilidades 
objectivas de avano que consideram que as suas hipteses de promoo so

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fracas. Stouffer e os seus colaboradores resolvem o enigma raciocinando do seguinte modo: se um indivduo 
de um baixo nvel de instruo  promovido, fica feliz por pertencer ao grupo restrito dos seus colegas 
tambm eles promovidos e do mesmo nvel de instruo. Mas, se falhar, no sentir frustrao particular, pois 
que partilhar a mesma sorte que a maioria esmagadora dos indivduos que tm um baixo nvel de instruo. 
Ao invs, quando um indivduo dotado de um diploma universitrio  objecto de uma promoo, considerar 
o seu xito como estando na ordem normal das coisas dado que a maioria dos seus colegas fazem a mesma 
experincia de mobilidade. Mas, se falhar, ter todas as razes do mundo para se sentir pessoalmente 
frustrado mesmo que partilhe a mesma sorte que uma minoria dos seus colegas. Estes raciocnios levam a pr 
em evidncia, portanto, o conceito de grupo de referncia a que o indivduo se compara para julgar a sua 
situao e o seu destino social. Encontramos este tipo de paradoxos nos trabalhos de Tocqueville (1856) e de 
. Durkheim (1893). O primeiro verificara, por exemplo, que o empenhamento na Revoluo Francesa foi 
mais intenso nas regies em que as leis do Antigo Regime j quase no existiam que nas provncias em que 
estas continuavam a vigorar em pleno. Por seu turno, R. Boudon (1977) demonstrou que se pode, em certos 
casos, compreender estes paradoxos sem fazer apelo  noo de grupo de referncia, mas supondo que os 
actores so confrontados com situaes de competio que gerem ndices variveis de frustrao.
M. C.
Runciman (1966).

Funo: Em sociologia, esta noo designa a contribuio de uma instituio social para a manuteno do 
sistema no seio do qual ela est em interaco com outros (por exemplo: a funo dos partidos dentro de um 
sistema poltico democrtico). Uma instituio pode ter vrias funes (a escola socializa, instrui, selecciona) 
e uma mesma funo pode ser efectuada por instituies diferentes (a socializao pela famlia, pela escola, 
pelo grupo de semelhantes); alm disso, uma instituio pode ter uma funo num dado sistema e no num 
outro (a famlia alargada s seria funcional nas sociedades tradicionais). Convm distinguir, no entanto 
(Durkheim 1895), entre a causa que produziu um fenmeno e a funo que apenas concorre para a sua 
manuteno - a fim de evitar as explicaes tautolgicas ou finalistas a que por vezes leva o funcionalismo. 
De igual modo, a distino entre funes latentes e manifestas (Merton 1949) permite evitar o utilitarismo de 
uma explicao pelos simples objectivos visados pelos actores.
Por fim, a noo permite conceptualizar a interdependncia dos fenmenos sociais e explicar efeitos de 
retroaco dentro de um sistema.
C.-H.C.
- Boudon (1967), Hempel (1959).

Funcionalismo: Hiptese inicialmente inspirada no organicismo do sc. XIX, que postula, na sua forma 
radical, que os elementos de uma sociedade constituem um todo indissocivel, desempenham um papel vital 
na manuteno do equilbrio de conjunto e so, portanto, indispensveis (Malinowski 1944; Radcliffe-Brown 
1952). Este funcionalismo pressupe, portanto, a estabilidade e a integrao dos sistemas sociais, e tende a 
reduzir a explicao dos factos sociais ao esclarecimento 

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112
das suas funes - uma vez que eles s existem em funo daquilo para que servem. A relativizao destas 
concepes por parte de R. K. Merton (1949) deu  anlise funcional um paradigma forma que convida a 
interpretar, em certos casos, os factos sociais como "consequncias objectivas" da satisfao de necessidades 
prprias de certos segmentos previamente definidos da estrutura social. O funcionalismo estrutural (Parsons 
1961) , por seu turno, uma teoria geral que mostra como os imperativos funcionais mais importantes de todo 
o sistema social so satisfeitos pelos "elementos estruturais" deste ltimo. Alm disso, o funcionalismo 
comporta uma abordagem original da questo dos conflitos (Coser 1956), mas mantm-se limitado, em T. 
Parsons, a uma concepo evolucionista da mudana social.
C.-H. C.
- Davis (1959), Nagel (1956).

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113

G

Gnero:        A palavra "gnero" est em vias de entrar no vocabulrio da sociologia francfona - gender j est 
em uso desde h mais de dez anos na sociologia anglo-saxnica - para designar o que tem a ver com a 
diferenciao social entre os dois sexos. Tem a vantagem, sobre a palavra "sexo", de sublinhar a necessidade 
de separar as diferenas sociais das diferenas biolgicas.
Os papis sexuais eram tradicionalmente concebidos como o resultado de uma diviso natural do trabalho 
que atribua s mulheres as responsabilidades domsticas e a educao dos filhos. Para os socilogos de 
orientao feminista, a diviso sexual das tarefas, longe de ser a consequncia natural de diferenas 
biolgicas, foi construda e mantida pela sociedade. A teoria feminista pe no centro das suas preocupaes a 
distribuio do poder e dos recursos entre homens e mulheres e as imagens e smbolos associados aos dois 
sexos e s suas relaes. Pe em questo a separao entre famlia e trabalho ou entre domnio privado e 
domnio pblico que fundamentou a abordagem funcionalista-estrutural dos papis sexuais. Considera o 
gnero como uma dimenso fundamental de toda a organizao social, ao mesmo ttulo que a classe, e como 
uma categoria construda socialmente tanto no lugar de trabalho, na famlia, na escola como nas esferas 
econmica, poltica e cultural.         
B. L.

Gerao: Geralmente entende-se por gerao um conjunto de pessoas nascidas num dado perodo e que tm 
mais ou menos a mesma idade. A extenso desse perodo confunde-se com o intervalo mdio de tempo que 
separa o nascimento dos pais e mes do da sua progenitura: gerao dos pais, gerao dos filhos, separadas 
tradicionalmente por uma trintena de anos. Esta extenso calcula-se rigorosamente pela idade mdia das 
mulheres na maternidade, e tende  diminuir um pouco com a baixa da fecundidade, porquanto as mulheres 
do  luz cada vez menos a partir de uma certa idade.
O aumento da esperana de vida e as transformaes econmicas e sociais modificaram as relaes entre 
geraes. No sistema antigo, uma solidariedade natural, aceite de uma maneira mais ou menos consciente, 
estabelecia-se entre elas, devendo o filho esperar a morte do pai para tomar a direco da empresa familiar, 
morte essa que geralmente ocorria relativamente cedo. Hoje em dia os pais so demasiado jovens para 
cederem os seus lugares aos seus filhos mais velhos, mas fazem tudo o que  necessrio para facilitar a sua 
instalao na vida: eventual contribuio financeira, servios de todos os gneros, em particular para a guarda 
de crianas, incentivo s relaes etc. Mas o que continua a ser verdade no seio de cada famlia j o no  na 
sociedade global. Duas geraes de adultos encontram-se em concorrncia: a dos pais ainda no activo e 
ocupando os postos de responsabilidade e a dos filhos preocupados em arranjar empregos e travados na sua 
promoo. Mudaram, pois, as condies da reproduo social.
Na sociedade de ontem, as geraes sucediam-se sem choques, a seguinte repetindo a anterior de forma 
mais ou menos idntica. O futuro dos filhos era em tudo semelhante ao presente e ao passado dos seus pais. 
Os valores reconhecidos e os comportamentos estavam

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114
marcados com o selo da imobilidade. A entrada em cena da mudana, e de uma mudana cada vez mais 
rpida, modificou radicalmente esta situao. Os adultos sentem-se estranhos num mundo novo. A sua 
autoridade sofre, porquanto os filhos procuram os seus modelos de conduta junto dos da mesma idade, o 
grupo dos seus "pares" (Riesman 1955). Se sempre se opuseram as geraes entre si, um verdadeiro "fosso" 
separ-las-ia actualmente (Mead 1970), como se elas no falassem a mesma lngua. Imagem um pouco 
forada talvez, mas um dos problemas de amanh  o de estabelecer entre elas uma melhor comunicao.
A. G.

Greve: Cessao concertada do trabalho pelos assalariados, de molde a fazer presso sobre o empregador. 
Pela greve exprime-se de maneira radical o fenmeno da coligao no lugar de trabalho. O reconhecimento do 
direito de greve  deste ponto de vista ainda mais importante que o do sindicato. Em Frana, o delito de 
coligao foi abolido em 1864 e o direito de greve reconhecido como direito constitucional em 1946. As 
formas da greve nem por isso deixam de ser extremamente diversas e o seu exerccio estritamente 
regulamentado.
A greve levanta questes em que interferem direito e sociologia. O direito enuncia que a greve  "um 
direito individual que se exerce colectivamente". A sociologia interroga-se sobre as condies em que se 
empenham realmente aces que tm um custo individual (alm da aco, a suspenso do salrio), ao passo 
que a satisfao potencial das reivindicaes aproveita a todos, ou seja, tanto aos grevistas como aos no 
grevistas (Olson 1966).
Sob o ponto de vista do direito, uma greve lcita (sem objectivo individual ou poltico) no provoca a 
ruptura mas a simples suspenso do contrato de trabalho; a este ttulo, faz parte de um processo contnuo de 
negociao sobre as condies do trabalho. Uma primeira corrente da sociologia acompanha esta 
representao: trata a greve como um momento crtico da regularizao social, propcia  actualizao dos 
termos do contrato; interessa-se pelas modalidades segundo as quais se verifica a mudana das regras, e 
sublinha que estas esto longe de obedecer a uma racionalidade puramente econmica (Reynaud 1982; 
Schelling 1960). Uma outra tendncia sublinha de preferncia os elementos de ruptura: a greve  vista como 
uma prova geral do "falhano" da relao de produo, cujos objectivos podem ser relativamente 
indeterminados e em parte estranhos ao restabelecimento do compromisso. A greve tem, de facto, uma funo 
de "expresso", de molde a reforar a identidade e a autonomia da comunidade de trabalho (Segrestin 1980). 
Na Frana, esta ltima representao  corroborada pelo fraco nvel de articulao que se verifica entre 
negociao e conflito: uma greve pode surgir sem objectivo claro, sem ordem sindical e durante o perodo de 
aplicao de um acordo colectivo.
Seja qual for a perspectiva considerada, a lgica da greve  dominada por um paradoxo: ao passo que esta 
retira a sua legitimidade do facto de conceder poder aos actores a priori mais desarmados, os assalariados que 
dela retiram mais proveito so os que dispem  partida de mais recursos. Uma qualificao elevada, uma 
situao favorvel no processo produtivo ou nas redes de solidariedade conferem  greve um melhor 
rendimento material e simblico. O fenmeno reproduz-se no

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115
plano macrossocial: a greve  um modo de protesto cuja eficcia ser tanto mais dbil quanto a conjuntura for
        menos favorvel aos assalariados.         
D. SN.

Grupo: No especificado por um adjectivo ou pelo seu contexto de utilizao, a palavra "grupo", em 
sociologia como em outros campos,  quase vazia de sentido, porquanto pode aplicar-se a conjuntos diferentes 
pela sua dimenso, pela sua durao, pelo seu grau de interconhecimento e de organizao.
O nico ponto comum aos diversos usos do termo  o facto de designar mais que um indivduo. Para 
explorar o campo semntico da palavra "grupo",  preciso passar por uma srie de oposies.
Uma delas, tradicional, distingue os grupos primrios dos grupos secundrios. O grupo primrio foi 
definido por C. H. Cooley como uma associao relativamente permanente e no especializada de um nmero 
restrito de indivduos unidos por relaes directas ("frente a frente") e bastante ntimas. A famlia  o seu 
prottipo, mas podemos tambm nele incluir o grupo de trabalho, de vizinhana ou o grupo de companheiros 
de escola. Cooley no fornecia nenhuma preciso sobre o grupo secundrio, que se caracteriza geralmente, 
por contraste, como um agrupamento mais numeroso, relativamente especializado, de pessoas que tm 
relaes indirectas entre si.
Uma outra distino importante ope o grupo nominal, simples categoria de pessoas que tm uma 
caracterstica comum (determinada idade ou determinado rendimento, por exemplo), ao grupo real e 
organizado, consciente dos seus interesses comuns (sindicato ou grupo de presso), com toda uma gama de 
grupos virtuais ou semiorganizados entre esses dois extremos.
Num registo inteiramente diferente, o grupo natural, formado por pessoas que se conhecem, ope-se ao 
grupo artificial, constitudo para uma experincia de laboratrio.
Alguns autores propuseram que se reservasse o uso cientfico da palavra a conjuntos de pessoas reunidas 
(Anzieu, Martin 1969).
Mesmo com esta restrio, continua a ser necessrio distinguir vrias categorias e subcategorias: a 
multido, espontnea ou organizada, o bando, ou grupo de iguais, fundado na semelhana, o agrupamento 
fundado num interesse comum, o grupo restrito ou primrio, a organizao ou o grupo secundrio.
PH. BD.

Grupo de presso: Grupo organizado com o fim de defender objectivos colectivos, exercendo presses - de 
maneira directa ou mediata - sobre o sistema poltico. Porque mantm com o Estado relaes especficas, 
estes grupos pertencem  vida pblica. So geralmente considerados trs critrios que permitem a sua 
caracterizao.
1.        A existncia de uma estrutura organizacional que representa o grupo latente (conjunto de indivduos 
caracterizados por um interesse comum) e que assegura assim o suporte "permanente" da reivindicao. 
Compreender o processo pelo qual grupos latentes se transformam em "grupos de interesse" e se dotam de 
uma organizao para defender esses interesses  uma preocupao que est no centro da teoria da aco 
colectiva.
2.        A defesa de fins colectivos no remete unicamente para a exstncia de interesses materiais: os 
grupos de presso podem igualmente atribuir-se uma vocao ideolgica advogando causas morais.

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116
A no existncia de compartimentos estanques entre estas grandes classes de objectivos torna dificil toda a 
tentativa de construo tipolgica; tambm no facilita a distino entre grupos de presso e movimentos 
sociais.
3.        As presses exercidos junto dos poderes pblicos, seja sob que forma for, devero mostrar-se 
eficazes. Est de facto em jogo a sobrevivncia desses grupos: um fracasso a este nvel pode desviar os 
membros do grupo latente para outras organizaes em melhores condies de defenderem os seus interesses 
(graas, por exemplo, a um melhor acesso aos centros de poder). E, se no forem canalizadas a tempo, tais 
defeces em massa correro o risco de privar a organizao de dois dos seus principais recursos de aco (o 
nmero e o dinheiro).
P. M.
- Basso (1983), Dahrendorf (1957), Ehrlich (1971), Olson (1966).

Grupo de referncia: Denomina-se grupo de referncia o grupo cujas atitudes, comportamentos, crenas ou 
valores so adaptados como critrios por um indivduo quando este define uma situao, a avalia ou decide 
agir.
O grupo de referncia pode ser um grupo, um indivduo ou mesmo uma ideia e tem uma dupla funo 
comparativa. O grupo de referncia comparativo  aquele cujas caractersticas so diferentes das do indivduo, 
como, por exemplo, o aluno que imita a linguagem do seu professor. O grupo de referncia normativo  
aquele cujos comportamentos, normas ou valores so adaptados pelo indivduo. E o caso do aluno que imita 
os seus companheiros de turma. Existem grupos de referncia aos quais o indivduo pertenceu ou pertence, 
como a sua famlia, os seus companheiros de divertimento, os seus amigos. So grupos de pertena que so ao 
mesmo tempo grupos de referncia. O grupo de referncia  por vezes diferente do grupo de pertena, como o 
caso do burgus que adopta o estilo de vida da aristocracia. O conceito  til para analisar as contradies 
vividas, nomeadamente, pelos indivduos que fazem a experincia de uma mobilidade social e se vem 
assediados entre as expectativas do grupo a que aspiram pertencer e as do grupo que esto em vias de 
abandonar mas com o qual continuam a ter ligaes afectivas e de lealdade.
M.        C.
- Merton (1949), Runciman (1966), Stouffer et al. (1949).

Grupos (dinmica dos): A dinmica dos grupos (ou dinmica de grupo) designa uma corrente de pesquisas e 
de intervenes sobre os pequenos grupos que se inscreve na linha das concepes de K. Lewin, inventor da 
expresso Group dynamics. Mas esta expresso  muitas vezes aplicada, num sentido mais amplo, ao 
conjunto dos trabalhos que se ocupam da psicologia dos pequenos grupos.
Lewin concebe o grupo como uma totalidade irredutvel aos indivduos que o compem, um sistema de 
interdependncia que constitui, com o seu meio circunstante, um campo social dinmico. Este campo inclui os 
membros do grupo, os subgrupos, os meios de comunicao, a repartio dos papis, os objectivos, as 
normas, etc. Os trabalhos mais conhecidos de Lewin e dos seus colaboradores ou continuadores incidiram, 
nomeadamente, sobre a coeso dos grupos e os seus factores os estilos de direco (leadership) dos grupos - 
autoritrio, democrtico, permissivo

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117
- e os seus efeitos sobre a moral e o rendimento, assim como sobre a mudana. Segundo Lewin, toda a 
mudana exige uma modificao do campo de foras que se equilibram num "estado quase estacionrio"; de 
preferncia a aumentar as presses no sentido da mudana desejada, melhor ser enfraquecer a resistncia  
mudana. Estes trabalhos encontraram um campo de aplicao prtica em diversas tcnicas de pesquisa 
activa: formao, interveno, conduo de discusso, grupos de diagnstico, etc.
PH. BD.
- Anzieu, Martin (1969), Lewin (1959), Maison-neuve (1969).

Guerra: A guerra  um conflito violento entre poltias. Uma poltia  um grupo humano caracterizado pelo 
facto de, para o interior de entre membros do grupo, os conflitos serem passveis de processos que devem, em 
princpio, permitir a sua soluo pacfica; para o exterior, esses processos no existem ou as suas sanes no 
podem ser impostas, o que faz com que os conflitos possam degenerar.
A condio primeira de possibilidade de guerra no , portanto, a agressividade humana nem a inimizade, 
mas o simples facto de nem todos os homens estarem reunidos numa poltia nica. Uma poltia planetria 
faria desaparecer a guerra; no eliminaria os conflitos internos nem a expresso da violncia, quer privada 
entre cidados quer pblica dos governantes contra os governados. Do mesmo modo que a guerra poderia 
desaparecer, assim tambm ela acaba por nascer. A arqueologia permite afirmar que a guerra nasceu com a 
acumulao de reservas ao longo do Neoltico, e que ela  endmica desde a Idade do Bronze (III milnio). A 
guerra , de facto, uma forma de conflito, mas um conflito tem sempre um objecto. Podemos atribuir  guerra 
trs objectivos. O primeiro  a pilhagem das reservas acumuladas pelo vizinho. O segundo  a conquista das 
poltias vizinhas e a sua incorporao na poltia vitoriosa; como corolrio, a guerra  tambm defensiva, para 
evitar ser-se conquistado. O terceiro  a procura da glria. Estes trs objectivos podem combinar-se entre si.
A guerra  por natureza uma manifestao de violncia fsica. Tem, por isso, uma dimenso tcnica, que 
reveste dois aspectos. Por um lado, a guerra transforma em armas de destruio todas as ferramentas que o 
engenho humano inventa para multiplicar a eficcia dos seus empreendimentos. Toda a implementao 
tcnica, desde o trabalho do slex at aos mais complexos computadores, pode servir indiferentemente as artes 
da paz ou as da guerra. Como a tcnica conheceu atravs dos tempos um progresso constante, a guerra tornou-
se cada vez mais devastadora e conheceu um salto qualitativo com a mutao cientfica, tcnica e industrial da 
modernidade. Por outro lado, a tcnica e os seus progressos incidem sobre a capacidade para mobilizar, para 
manter, para formar e para empenhar um nmero crescente de soldados em campanhas cada vez mais longas. 
Todos estes desenvolvimentos so dispendiosos em meios e em capacidade de organizao. Todo o progresso 
econmico e organizacional recebe aplicaes militares, que afastam cada vez mais a guerra do desporto e da 
proeza individual.
A guerra  tambm por natureza um conflito violento entre poltias.  portanto um meio das polticas que 
as poltias conduzem umas em relao s outras. Estas polticas tm dois fins: a conquista ou a defesa.

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118
As poltias mais poderosas pelos seus recursos em homens, em meios materiais e em tcnicas militares 
tendem a projectar o seu poderio sobre as poltias mais fracas relativamente. Quando os poderios 
desenvolvidos por cada uma so equivalentes, o resultado dos conflitos guerreiros  determinado antes de 
mais pelo nmero das polticas e pelo sistema de aco que constituem. A dois, trs ou quatro, o jogo conduz 
inevitavelmente, ao fim de alguns sculos,  emergncia de um vencedor ltimo e  unificao imperial. A 
mais de quatro e a menos de vinte, acontece que o sistema de aco conhea um equilbrio durvel. Cada 
poltia calcula as suas alianas de maneira a opor a toda a tentativa hegemnica uma coligao 
suficientemente forte para faz-la fracassar.
Um sistema assim equilibrado tende a limitar a importncia do que est em jogo e dos compromissos. 
Tem tambm tendncia para favorecer a soluo diplomtica dos conflitos, assim como as trocas pacficas 
entre poltias. Quando os actores so muito numerosos, a guerra torna-se permanente e conduz, mais tarde ou 
mais cedo, a uma ou outra das configuraes anteriormente descritas.
J. B.
- Aron (1962b), Clausewitz (1832).

Gueto - vd. Segregao.

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119

H

Habitus: . Durkheim (1938) tal como M. Weber (1922a) vo buscar a noo de habitus  tradio 
aristotlica, que seguem mais ou menos textualmente neste ponto. Em Aristteles, o conceito de hexis que 
Toms de Aquino (1225-1274) traduz por habitus - designa as disposies psquicas que podem ser 
influenciadas pela educao, por exemplo, mas que no so nem inconscientes, nem subtradas  aco da 
vontade, nem determinadas de maneira exclusivamente social, nem a fortiori determinadas unicamente pela 
posio no sistema de estratificao social; alm disso, estas disposies no determinam de modo nenhum de 
maneira mecnica nem as representaes nem as aces do sujeito.  preciso conceb-las mais como quadros 
ou guias, de que o sujeito pode desligar-se com maior ou menor facilidade.  por isso que . Durkheim pode 
ver na educao no um adestramento, uma inculcao ou uma programao mas um processo que contribui 
para aumentar a autonomia do indivduo.
R.        B.
- Aristteles (1972), Toms de Aquino (1947).

HALBWACHS (Maurice), socilogo francs (Reims 1877 - Buchenwald 1945): Filsofo de formao, 
influenciado por H. Bergson, Halbwachs entra na equipa de L'Anne sociologique em 1905. A sua tese La 
Classe ouvrire et les niveaux de vie (1912) impressiona pela originalidade do tema e pela perspiccia das 
suas observaes de mtodo. Professor em Estrasburgo entre as duas guerras, impe-se com Les Causes du 
suicide (1930) como o verdadeiro continuador de E. Durkheim numa altura em que a herana deste comea a 
ser discutida. Centrados primeiramente sobre a sociologia econmica e a anlise das necessidades, os seus 
trabalhos alargam-se rapidamente a outros objectos: estratificao e classes, epistemologia e metodologia 
(sobretudo quantitativa), memria e psicologia colectiva, questes urbanas e morfologia social. Entre os 
durkheimianos, Halbwachs  talvez aquele cuja obra  mais ampla pelo seu volume e pela diversidade dos 
seus campos de aplicao. Preocupado com a defesa da especificidade da disciplina, dialoga com os cultores 
mais inovadores das outras cincias humanas. Nomeado para a Sorbona em 1935 e para o Colgio de Frana 
em 1944, influenciou intelectuais como G. Friedmann, A. Sauvy, J. Stoetzel, que rejeitam a ortodoxia 
durkheimiana e para cujo desabrochamento ele contribui.
F. G.

Hierarquias sociais: A expresso "hierarquia social" tem um sentido ao mesmo tempo mais preciso e mais 
global que a de "estratificao social". Uma estratificao designa a justaposio de grupos sociais segundo 
critrios neutros - a profisso, o rendimento, indicadores sociais favorveis - e pode ser observada seja a que 
escala for - local, regional ou nacional - numa empresa, numa igreja ou num clube. A hierarquia social afecta 
todos os grupos que compem uma sociedade; classifica-os nunca escala orientada; a orientao  definida 
por valores; estes valores so reconhecidos pelos interessados em todos os escales: uma hierarquia  
explicitada numa ideologia recebida. Para classificar os grupos - e, por implicao, os indivduos que

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120
os compem -,  preciso dispor de critrios que definam acerca dos mais e dos menos unvocos. A maneira 
como esto repartidos o poder, o prestgio e a riqueza numa dada sociedade corresponde a esta condio. 
Estes trs bens so desejveis:  importante possu-los em maior ou menor grau. So bens raros: as partilhas 
so necessariamente desiguais. So bens reais: a sua definio, numa dada sociedade,  geralmente aceite. 
Resulta destes trs caracteres que os bens raros so inevitavelmente objecto de concorrncias entre societrios 
e que essas concorrncias levam inevitavelmente, por agregao, a hierarquias reconhecidas.
J.B.
- Aron (1964a), Baechler (1985),Boudon (1973), Dahrendorf (1957).

Histria e sociologia: As duas disciplinas tm origens diferentes, afinidades profundas e estatutos que 
contrariam a sua convergncia.
A histria, no sentido de historiografia,  feita de relatos verdadeiros que , incidem, sobre o passado. 
Enquanto relato, a histria narra aces humanas (dos reis, dos povos). Enquanto verdadeira, funda-se em 
factos comprovveis, uns vividos ou recolhidos da boca das testemunhas, a maioria registados em 
documentos, escritos ou outros. Enquanto passada, a matria da historiografia inclui todos os momentos 
imediatamente anteriores ao instante presente, o que inclui todos os acontecimentos em vias de se tornarem 
passado (a guerra do Peloponeso para Tucdides). A histria assim entendida nasce com a escrita, a qual nasce 
com os primeiros reinos.
A sociologia nasceu muito recentemente, no sc. XIX, da convergncia de mutaes e de tradies 
intelectuais. As mutaes so a democratizao, a industrializao, a racionalizao que do aos 
contemporneos o sentimento justificado de que um mundo novo est em vias de nascer. Ora esse mundo na 
Europa, apresenta duas caractersticas bvias: a distino do pblico e do privado, do Estado e da sociedade 
civil, e o dinamismo aparentemente endgeno desta. Um objecto novo oferece-se,  observao e  anlise 
racional: a sociedade. A convergncia da histria e da sociologia, na sua dimenso de filosofia da histria, 
tem causas profundas determinadas ao mesmo tempo pela matria-prima e pelas ferramentas intelectuais 
requeridos para capt-la. A histria, na medida em que se apoia sobre factos verdadeiros, assenta 
primeiramente numa actividade de documentalista, na recolha e na crtica das fontes. Mas s se torna ela 
prpria utilizando essas fontes para explicar porque  que as coisas se tornaram no que so ou no que foram. 
A narrativa histrica no poder contentar-se indefinidamente em relatar acontecimentos em bruto como nos 
anais, tornar-se- mais tarde ou mais cedo numa narrativa reflectida que se abre irresistivelmente ao campo 
total da aventura humana. Por seu turno, a sociologia histrica, sob pena de sucumbir ao arbitrrio das suas 
construes, no pode deixar de ocupar-se da matria histrica, quer contribuindo para os trabalhos dos 
historiadores quer utilizando os seus resultados para as suas anlises comparativas.
A convergncia deveria ter conduzido logicamente a uma disciplina nica. Mas a dimenso camaralista da 
sociologia foi poderosamente encorajada pela expanso das actividades estatais a partir da Primeira Guerra 
Mundial e pela sua institucionalizao universitria aps a Segunda.

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121
Da resulta uma nova partilha entre, por um lado, a histria sociolgica ou a sociologia histrica, cujos 
modelos so talvez M. Weber e M. Bloch, e, por outro, uma actividade de recolha de dados, chamada histria 
quando eles so do passado, etnologia quando so exticos e sociologia quanto tm a indicao de modernos.
J. B.
- Braudel (1969), Bloch (1949), Boudon (1979).

Historicismo: Palavra popularizada por K. Popper (1944-1945) que designa as teorias que, como as de A. 
Comte, de H. Spencer ou de Marx, pretendem pr em evidncia leis do desenvolvimento histrico. Segundo 
Popper, s pode tratar-se de uma iluso porque as leis estabelecidas pelas cincias nunca so, a seu ver, de 
tipo evolutivo. A crtica de Popper, embora fundada,  demasiado radical. Se no existem leis da histria, h 
"tendncias". Por outro lado, alguns sistemas sociais obedecem, de facto, a leis de desenvolvimento.
R. B.

Historismo: Esta palavra apareceu na Alemanha, no fim do sc. XIX, no contexto das discusses de mtodo 
que acompanharam o desenvolvimento espectacular das cincias sociais. Designa a doutrina segundo a qual 
os factos sociais e histricos revestem uma significao varivel consoante a posio social e histrica do 
observador. 
No haveria portanto na histria, e mais geralmente nas cincias humanas, verdade objectiva possvel. O 
historismo  uma manifestao particular da epistemologia relativista que aparece com intervalos mais ou 
menos regulares nas cincias humanas, mas que nunca se imps em virtude do seu carcter excessivo. A 
palavra alem Historismus  por vezes incorrectamente traduzido por "historicismo", que tem uma 
significao inteiramente diferente.
R. B.
- Aron (1938b).

Holismo - vd. Individualismo metodolgico.

Homo sociologicus - vd. Economia e sociologia.

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122

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123

I

Idade: Idade e sexo so os dois caracteres biolgicos que distinguem entre si os seres humanos e accionam a 
sua reproduo. Diz-se que uma populao  tanto mais jovem, ou mais velha, quanto a proporo dos jovens, 
ou a dos velhos,  nela mais ou menos importante.
A proporo das vrias idades no  a mesma em todas as populaes e pode acusar ao longo do tempo 
desvios muito sensveis. Alm dos movimentos migratrios, internacionais ou internos, selectivos por 
natureza quanto  idade e quanto ao sexo dos que partem, a intensidade varivel da mortalidade ou da 
natalidade modifica a estrutura por idade. Assim, os pases industriais tm sempre uma populao envelhecida 
e os pases do Terceiro Mundo uma populao muito jovem e, portanto, um potencial de crescimento muito 
mais forte. Os indivduos caminham todos para a velhice e para a morte, mas uma populao pode 
rejuvenescer por aumento do nmero dos nascimentos, como aconteceu por exemplo na Frana a seguir  
Segunda Guerra Mundial. O prolongamento da durao mdia, ou esperana de vida (diferente da 
longevidade humana que tem como tecto cerca de 110 anos), resultou no decurso da "transio demogrfica" 
da baixa da fecundidade, tudo se passando como se jovens fossem substitudos por velhos. De futuro, o 
envelhecimento pode aumentar no topo pelos progressos na luta contra a senescncia.
Consequncia do novo regime demogrfico e das novas condies de existncia nos pases 
industrializados, o envelhecimento da populao modificou a imagem social dos momentos sucessivos do 
ciclo da vida. Outrora, no caso de ter sobrevivido, a criana entrava muito cedo na vida activa. Os adultos 
morriam com menos idade que actualmente. Os velhos gozavam do prestgio da raridade e da experincia e a 
velhice podia apresentar-se como um coroamento. Hoje, a valorizao das idades est de algum modo 
invertida. Cada vez mais numerosos, e fora do sector produtivo, os velhos so como que rejeitados, e 
sobrevindo a idade muito elevada o seu desaparecimento apresenta-se como um alvio. A juventude 
configura-se como o modelo ideal. Assim, a representao das diferentes idades varia no tempo como a 
estrutura por idade da populao e o estatuto social dos indivduos depende numa larga medida da sua idade.
A. G.
- Pquignot (1981), Philibert (1968), Sauvy (1961).

Idade (grupo de): Fundada na comunidade espacial e nas formas de parentesco, a organizao social das 
sociedades tradicionais era tambm fundada em categorias, classes ou grupos etrios. Todos os membros da 
comunidade estavam colocados segundo a sua idade, num grupo particular, com direitos e obrigaes 
especficos. "Ritos de passagem" (Van Gennep 1909), as cerimnias simblicas e as festas marcavam a 
transio de um grupo de idade para o seguinte. A sobrevivncia deste estado de coisas verificou-se at  
poca contempornea, nomeadamente no meio rural (Varagnac, 1948 e 1954).
Nas sociedades industriais actuais, a complexidade das engrenagens econmicas e o prolongamento da 
durao mdia de vida multiplicaram os grupos de idade de maneira extraordinria. A diviso

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124
em jovens, adultos e velhos cede o lugar a distines muito mais estritas. So fixados limiares, sancionados 
pela lei, tais como a escolaridade obrigatria, servio militar para os rapazes, limites de idade para apresentar 
concursos ou entrar na funo pblica, etc. Sobrevindo a puberdade mais cedo, a idade da maioridade civil foi 
baixada. Foi inventada uma nova idade, a adolescncia*. Por fim, aps o tempo de actividade, aparecem a 
idade da reforma, a terceira ou mesmo a quarta idade. A durao do exerccio da profisso diminui nas suas 
duas extremidades, pelo prolongamento dos estudos e pela tendncia para o abaixamento da idade da reforma, 
considerado como um progresso social. No sendo j a famlia o lugar nico onde se completa o ciclo da vida, 
instituies especficas dirigem-se a cada grupo etrio: creches, escolas, casas de jovens, clubes da terceira 
idade, residncias para aposentados, etc.
Observao corrente, sempre confirmada pelas pesquisas empricas, as pessoas de idade diferente no tm 
as mesmas atitudes perante a vida, exprimem opinies diversas: mais conservadoras entre os velhos, mais 
radicais ou avanadas nos jovens. Ser uma consequncia do envelhecimento biolgico um "efeito de idade", 
ou um "efeito de gerao", j que os vrios grupos etrios no cresceram no mesmo contexto? De todos os 
factores que actuam sobre os comportamentos e os valores, a idade  predominante (Stoetzel 1983). Para 
distingui-lo melhor do efeito de gerao, estudos longitudinais permitem caracterizar melhor as reaces dos 
vrios grupos etrios ao longo da vida.
A. G.
- Aris (1960).

Ideal-tipo - vd. Tipo-ideal.

Identidade colectiva: Aptido de uma colectividade para reconhecer-se como grupo; qualificao do 
princpio de coeso assim interiorizado (identidade tnica, identidade local, identidade profissional); recurso 
que da decorre para a vida em sociedade e a aco colectiva.
Em relao ao exterior do grupo, a construo de uma identidade colectiva implica um movimento de 
diferenciao, a partir do qual se afirma a autonomia colectiva. Internamente, provoca, pelo contrrio, um 
efeito de fuso que apaga a multiplicidade das pertenas. Passa-se assim de um grupo complexo e fechado 
sobre si mesmo para um grupo cujas representaes tendem a organizar-se  volta de um princpio dominante 
e inteligvel. As identidades colectivas assim entendidas no so oponveis s solidariedades amplas: tornam-
se mesmo vectores de abertura sobre o exterior e de reconhecimento dos grupos entre si. O conceito de 
identidade est na base das teorias da aco. A integrao , de facto, muito mais necessria aos actores 
sociais que a conscincia dos fins prosseguidos. A mobilizao surge quando se passa de um estado de 
estratificao a um estado de segmentao do tecido social (Oberschall 1973).         
D. SN.

Ideologia: No sentido de Destutt de Tracy, seu inventor, o termo "ideologia"  praticamente sinnimo de 
"psicologia" no sentido actual. Com Marx, ganha um sentido negativo e designa as ideias falsas que os 
homens tm da realidade social. Mais precisamente, designa as ideias falsas que: 1. incidem sobre o poltico e 
o social; 2. se apoiam ou pretendem apoiar-se no raciocnio e na argumentao cientficos. A noo de 
derivao em V. Pareto

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125
tem mais ou menos o mesmo sentido que o de ideologia em Marx. Porque  que a palavra ideologia se impe 
nesse sentido a partir da segunda metade do sc. XIX? Provavelmente porque se comea ento a perceber 
melhor a fragilidade de todos os planos de reforma social e poltica que foram propostos em fins do sc. 
XVIII e princpios do sc. XIX e que pretendiam fundar-se na autoridade da Razo ou da Cincia. 
Actualmente, a palavra "ideologia"  muitas vezes tomada pelos socilogos num sentido neutro e designa o 
conjunto das ideias relativas ao poltico e ao social, sem julgar antecipadamente da sua validade, ao passo que 
em certos tericos polticos designa de preferncia aqueles sistemas de ideias que R. Aron denomina religies 
seculares e S. Lipset ideologias totais (por exemplo, o comunismo, o nazismo). A questo principal da teoria 
sociolgica das ideologias  a de saber como  que ideias duvidosas e falsas podem impor-se. Foram 
propostos dois tipos de respostas a esta questo: a resposta irracional e a resposta racional. Segundo a 
primeira, as crenas nas ideias falsas proviriam do facto de os actores sociais se deixarem cegar facilmente 
pelos seus interesses, pelos seus sentimentos ou pelas suas paixes. Assim, para Marx, os membros de uma 
classe social tm tendncia para confundir o seu interesse de classe com o interesse geral. Para Pareto, os 
actores sociais so movidos por sentimentos, mas sentem a necessidade de legitimar esses sentimentos 
conferindo-lhes um verniz lgico. A teoria racional das ideologias insiste, de preferncia, no facto de o actor 
social s poder controlar o ambiente que o rodeia interpretando-o com a ajuda de ideias, conjecturas, 
representaes, teorias cuja validade s pode determinar de modo muito parcial e incerto. A sua credulidade  
interpretada no quadro desta teoria como uma resposta, racional em larga medida,  complexidade do mundo.
R. B.
- Boudon (1986), Duprat (1980, 1983).

Igreja e seita: O termo "seita" designa comummente, com um matiz pejorativo, grupos (religiosos, polticos, 
etc.) dissidentes relativamente a outros, ou ainda grupos de discpulos ou de partidrios reunidos  volta de 
um chefe e que o seguem.  suposto que os membros das seitas so portadores de sectarismo, isto , de muito 
dogmatismo e de suficincia, no tendo,  claro, o seu monoplio.
Alguns socilogos tentaram tirar o termo das suas ambiguidades de linguagem, no quadro de apologias 
dos agrupamentos religiosos. M. Weber (1920), trabalhando no campo do protestantismo europeu e norte-
americano moderno, ops Igreja a seita como uma instituio de salvao e um agrupamento voluntrio de 
convertidos. A primeira privilegia a sua prpria extenso. A segunda pe a tnica na intensidade da vida dos 
seus membros. E. Troeltsch (1912), trabalhando na histria crist das origens no sc. XVIII, desenvolve a 
tipologia de Weber e junta-lhe uma entrada suplementar. Para ele, a seita ope-se  Igreja e  rede mstica 
(Mysticismus, Spiritualismus; Sguy 1980) portadora de religiosidade livre fora da instituio. Nesta 
perspectiva, a Igreja  universal e preexiste aos seus membros, aos quais se impe.  mais dada  extenso 
que  intensidade; pronta para o "compromisso" com os Estados e as instituies da vida pblica em geral, 
tenta tornar-se co-extensiva s sociedades

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e s culturas. A seita, em contrapartida, caracteriza-se pela importncia que atribui ao nvel local; nasce da 
deciso voluntria de adeso dos seus membros e do contrato que estabelecem entre eles e com Deus. Insiste 
na intensidade do empenhamento e da vida espiritual dos seus membros. Retraindo-se em relao  sociedade 
global e  sua cultura, d origem a uma subcultura prpria.
A rede mstica  fluida, efmera; o seu interesse vai no sentido da expresso intelectual de uma 
experincia extra-institucional; a sua "Igreja", "espiritual" ou "invisvel",  a da intensidade mxima, longe 
das formas, dos ritos e dos cultos organizados, no tendo em conta filiaes confessionais. Este 
"espiritualismo" censura s Igrejas e s seitas a sua intransigncia, o seu dogmatismo e a sua exterioridade. 
Para Weber e Troeltsch, as Igrejas renem geralmente pessoas de todas as origens sociais e tendem a 
favorecer o statu quo social e poltico. As seitas esto ligadas s classes inferiores, na maioria das vezes, 
embora existam tambm seitas de intelectuais ou das classes superiores ou mdias, mas em nmero muito 
menor. Algumas so revolucionrias, outras pacficas. As redes msticas - existiram algumas  margem de 
todas as Igrejas e seitas nos scs. XVI e XVII - interessam principalmente aos intelectuais, sejam quais forem 
as suas origens sociais. As Igrejas, seitas, redes msticas esto mais ou menos prximas dos tipos-ideais aqui 
evocados. Assim, um agrupamento inicialmente muito prximo do tipo-seita, e que dele conserva um grande 
nmero de traos, pode no apenas perder alguns deles na sua evoluo, mas ir buscar um ou outro aos outros 
dois tipos. Eventualmente, tender a aproximar-se cada vez mais do tipo misto da Igreja-livre (ou 
denominao), que mistura os traos da Igreja e da seita. Na actual sociedade secularizada, em que os Estados 
esto na maioria das vezes separados das Igrejas, estas aproximam-se igualmente e cada vez mais do tipo 
Igreja-livre. Mas, pelo facto de insistirem mais na intensidade do empenhamento dos seus membros, nem por 
isso renunciam a influenciar a cultura global. O ecumenismo, como esforo oficial de dilogo entre Igrejas 
crists,  uma manifestao tpica desta evoluo para a "denominao", que comporta pr entre parnteses as 
pretenses ao exclusivismo confessional. Para os movimentos mais prximos do tipo-seita, o ecumenismo 
continua a ser inaceitvel (Testemunhas de Jeov, certos grupos pentecostistas, etc.). A sua eventual aceitao 
do dilogo e da aco interconfessionais mede o seu grau de aculturao  sociedade global e ao universo do 
tipo-Igreja; por outras palavras, a sua proximidade do tipo Igreja-livre.
As redes espiritualistas ou msticas foram sempre difceis de referenciar. No sc. XVI, observamo-las  
margem de todas as Igrejas e seitas. So redes de permutas (de correspondncia, de informao, de livros  
volta de uma personalidade. No sc. XVI - e entre muitos outros -, S. Franck ou H. Denck foram 
personalidades dessas. Algumas dessas redes de ideologia mstico-espiritualista dotaram-se por vezes, para 
sobreviver, de uma organizao de tipo-seita (schwenckfeldianos no sc. XVI, quacres no sc, XVII, 
swedenborgianos no sc. XVIII).
Presentemente, existem redes mais ou menos prximas do tipo-mstico. Mas importa notar, sobretudo, a 
penetrao das perspectivas mstico-espiritualistas em certos

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127
sectores do pensamento teolgico no interior das grandes Igrejas (espiritualizao da escatologia, por 
exemplo, em numerosos autores, tnica colocada na presena do Esprito na sociedade global e em todas as 
religies, etc.). A apologia sada de Weber e de Troeltsch aqui utilizada foi criada em funo do cristianismo 
ocidental e para facilitar o estudo da sua histria (vd. novos movimentos religiosos).
J. S.
- Wilson (1970), Yinger (1957).

Igualdade - vd. Desigualdades sociais.

Imigrado: Os emigrados e os imigrados so indissociavelmente os mesmos, que deixaram os pases em que 
nasceram e em que foram educados para se instalarem num outro, quer tenham sido empurrados pela misria, 
pelas perseguies ou pelo medo das perseguies, quer tenham sido atrados pela riqueza, pela liberdade ou 
pela modernidade do pas de instalao. Conforme o elemento que os levou  partida (push) ou que os atraiu 
(pull)  dominante, assim varia a atitude dos imigrantes em relao  sociedade de instalao. Os exilados 
polticos fazem muitas vezes a experincia de uma partida definitiva. So mais susceptveis de ser impelidos  
adaptao ao pas que lhes deu um abrigo. Em contrapartida, os imigrados econmicos, pelo menos desde a 
Segunda Guerra Mundial, partem com um projecto de acumulao financeiro e o sonho de regressar em 
seguida para se instalarem de novo no seu pas. No incio da sua estada, limitam as relaes com a sociedade 
global ao mnimo indispensvel para realizar o seu projecto.
Apesar desta distino clssica entre exilados polticos e imigrados econmicos, a experincia de todos 
comporta traos comuns: obrigao de reelaborar novos papis e adaptar-se s necessidades da vida comum 
no pas de instalao; formas de aculturao (Eisenstadt 1955). Mesmo os imigrados econmicos inflectem o 
seu projecto inicial: o reagrupamento familiar traz consigo atitudes de consumidores e os papis familiares 
transformam-se; forma-se uma cultura especfica de emigrados, onde se misturam elementos tirados dos 
modelos tradicionais e dos modelos da sociedade de instalao. Nota-se tambm uma diferena na experincia 
dos prprios migrantes entre a primeira gerao e a seguinte. Os primeiros, socializados numa cultura, foram 
levados a deixar o seu pas e a adaptar-se a um outro; os segundos, os seus filhos, nasceram e sobretudo foram 
escolarizados no pas de instalao. Para os primeiros, a adaptao pode resumir-se a uma aculturao formal; 
os imigrados adaptam os seus comportamentos s necessidades do trabalho profissional e  vida comum, mas 
conservam intacto o ncleo da sua cultura de origem: papis familiares, relao entre os sexos (Schnapper 
1986). Em contrapartida, aqueles a quem se chama de maneira corrente, mas inexacta, a "segunda gerao", 
que no conheceram o pas de origem dos seus pais, fazem plenamente parte do pas de acolhimento. Esta 
pertena no os impede de preservar, no entanto, caractersticas especficas que so resultado da socializao 
familiar, dos laos culturais e sentimentais com a cultura e a nao de que seus pais so originrios. Quando 
as suas culturas so muito diferentes, em particular no que se refere aos papis familiares, esta evoluo pode 
estar na origem de conflitos, por vezes violentos e dolorosos. Este

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128
processo ganha ritmos e formas desiguais consoante a capacidade de integrao das diferentes naes nos 
diferentes perodos e conforme a atitude que os imigrados adoptam em relao  sociedade de acolhimento.
D. S.

Imitao - vd. Inovao, Difuso, Moda.

Imperialismo:        A expresso designa, em primeiro lugar, a poltica de imperializao a que conduz a 
implantao de um imprio. Falar-se- do imperialismo de Qin, que imps  China a unificao imperial em 
221 a. C. Neste sentido, o imperialismo europeu designa a conquista de imprios coloniais no sc. XVI e no 
sc. XIX.
Este segundo impulso de imperialismo deu lugar a uma deformao ideolgica da palavra na tradio 
marxista-leninista do sc. XX. Antes de 1914 e at  Segunda Guerra Mundial, a teoria afirmava que a 
acumulao crescente de capitais e de meios de produco nos pases capitalistas e o empobrecimento 
correlativo dos proletrios tinham como consequncia crises cada vez mais intensas de sobreproduo, que s 
podiam ser ultrapassadas escoando os bens e os capitais para fora da Europa. Cada pas capitalista tinha pois 
de esforar-se por criar noutro lado um mercado reservado. Como o planeta  finito, da tinham de resultar 
inevitveis conflitos armados entre pases capitalistas para o partilharem.
Tendo esta viso sido desmentida pela experincia, acabou por ser substituda por uma outra entre 1945 e 
os anos 70. A maior parte dos pases capitalistas entende-se para manter o Terceiro Mundo num estado de 
sujeio econmica que lhes permite enriquecerem  sua custa. O imperialismo designa a relao de 
explorao que une os pases capitalistas aos pases proletrios e que enriquece uns  custa do 
empobrecimento dos outros. Esta viso foi tambm desautorizada pelas experincias recentes.
J. B.
- Duverger (1980), Lenine (1916).

Incesto: O incesto  uma relao sexual proibida socialmente em razo de um lao estreito de parentesco 
entre dois indivduos de sexo diferente.
Se as relaes sexuais entre pais directos e filhos so proibidas em toda a parte, assim como entre irmos e 
irms (com excepes consideradas como derrogaes ao estatuto comum em algumas dinastias, como, por 
exemplo, os Ptolomeus), o campo da proibio varia segundo as sociedades, cobrindo por vezes parentes por 
aliana, primos em determinado grau, ou relaes simblicas entre rapaz, e rapariga ligados por um 
parentesco espiritual. Exogamia e proibio do incesto diferem na medida em que envolvem um o casamento, 
o outro a relao sexual (eventualmente tolerada antes do casamento). A transgresso da regra d lugar ao 
castigo e  desonra. Segundo L. Morgan e S. Maine, a proibio do incesto protegeria contra os efeitos 
nefastos da consanguinidade. Objeco: essa clarividncia eugnica data apenas do sc. XVI europeu e a 
reproduo endogmica tambm produz sobredotados. Segundo E. Westermarck, a habituao de pessoas que 
vivem em conjunto provocaria uma falha de atraco e uma repulso. Objeco: S. Freud raciocina a partir do 
contrrio (dipo), e porque  que as sociedades estabeleceriam ento um interdito to rigoroso? Segundo

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C.Lvi-Strauss, esta regra universal completa a passagem da natureza catica  cultura regulada. Tem como 
funo alargar o campo das relaes sociais.
C. R.
- Heusch (1988), Durkheim (1898), Raglan (1935).

ndice: Na sua acepo comum, um ndice  uma medida, uma sntese: um ndice de escuta  calculado a 
partir de uma simples percentagem, um ndice de preos  uma soma ponderada de informaes. Em ambos 
os casos, trata-se de caracterizar com um simples nmero uma situao - o que permite, comparando no 
tempo a variao do ndice, estudar a evoluo da situao.
Em sociologia, P. Lazarsfeld (1961, 1965, 1970) props que se denominasse "ndice" toda a medida 
sinttica, a partir de uma srie de indicadores observveis, de uma realidade no directamente mensurvel. 
Assim, num inqurito sobre os professores universitrios americanos (1958), procura estudar o processo da 
sua titularizao em funo, por um lado, da sua idade e, por outro, da sua "eminncia". Esta ltima noo, 
que se refere  notoriedade que um professor pode ter junto dos seus pares, no , bem entendido, 
directamente mensurvel; tem de ser apreciada a partir daquilo que ele pode ter feito para se fazer conhecer 
(publicaes, conferncias) e das marcas de reconhecimento que pode ter recebido dos seus colegas (eleio 
para um cargo) ou de outras pessoas (cargo de conselheiro, misses extra-universitrias). A dificuldade 
metodolgica est ento no facto de cada indicador manter com a noo de eminncia apenas uma relao 
probabilista: quando um professor publicou um livro, tem mais hipteses de ser conhecido e reconhecido 
pelos seus pares, mas no estamos perante nenhuma certeza. Assim, a relao entre a medida sinttica (o 
ndice) que se tirar de um conjunto (uma bateria) de indicadors e a noo ou o conceito que se supe este 
ndice medir  apenas probabilista. O ndice ser uma melhor ou pior aproximao, mas no ter a 
"qualidade" de uma medida directa.
Esta situao torna contestvel a utilizao da linguagem indicial como processo de classificao: 
cometer-se-iam numerosos erros ao tentar propor uma "classificao de eminncia" dos professores 
recorrendo a um nico ndice (em parte porque a eminncia no  uma noo unidimensional).
Mas Lazarsfeld mostrou que se pode muito bem, pelo contrrio, estudar a ligao que o ndice mantm 
com uma outra varivel. Seja qual for a amostra de indicadores escolhidos - na condio de que tenham uma 
certa relao com o conceito -, chega-se ao mesmo resultado.  aquilo a que se chama "a intermutabilidade 
dos ndices".
Y. C.

Individualismo: A noo de individualismo designa em sociologia duas ordens de realidades que no so 
independentes uma da outra: o resultado da mutao terica que, a partir do sc. XVII, fez do indivduo o 
fundamento do poltico e do Estado de direito; o efeito da complexidade crescente das sociedades industriais e 
da natureza dos laos sociais que da resultam.
C. B. MacPherson (1962) descreve assim a revoluo intelectual do individualismo: "O individualismo do 
sc. XVII (...)  (...) a afirmao de uma propriedade,  essencialmente possessivo. Designamos assim a 
tendncia para considerar

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que o indivduo no  de modo nenhum devedor  sociedade da sua prpria pessoa ou das suas capacidades, 
das quais  pelo contrrio, e por essncia, o proprietrio exclusivo. Nesta poca, o indivduo no  concebido 
nem como um todo moral nem como a parte de um todo social que o ultrapassa, mas como o seu prprio 
proprietrio..."
Este "individualismo possessivo" ope-se a duas concepes da individualidade: a concepo antiga 
representada, designadamente, por Aristteles, para quem o indivduo humano se caracteriza pelo seu lugar no 
Cosmo, enquadrado como est na ordem estrita que a sua essncia lhe impe; a concepo crist, tal como ela 
se exprime em Santo Agostinho, para quem o indivduo  criatura de Deus, e tem portanto como tarefa usar da 
graa que o Senhor lhe dispensa para fazer a sua salvao, sendo a Cidade de Deus mais importante que a 
Cidade dos homens.
Numa abordagem mais estreitamente sociolgica e que deve, talvez, muito a um distanciamento para com 
o individualismo poltico, . Durkheim define o individualismo como o resultado das formas que a 
solidariedade assume na diviso do trabalho. Esta constitui os homens em individualidades diferenciadas que 
desempenham tarefas especficas e realizam uma "vocao". A coeso social interna que resulta da 
complementaridade das funes gera um novo tipo de valores  volta da noo de "pessoa". A patologia deste 
individualismo  a anomia, quando a conscincia colectiva se enfraquece e deixa de integrar os indivduos 
separados. Toda uma tradio sociolgica se interrogar assim sobre os efeitos e danos da dissoluo da 
"comunidade".
Numa acepo sem qualquer relao com as duas anteriores, designar-se- por individualismo 
metodolgico o princpio essencial nas cincias sociais segundo o qual um facto social deve ser compreendido 
como a consequncia do comportamento dos indivduos que pertencem ao sistema social no qual o facto  
observado. Este princpio ope-se s explicaes "holsticas", que vem na aco do indivduo um produto 
das estruturas sociais e fazem da inteno do agente social um dado descurvel.
A. A.

Individualismo metodolgico: O princpio do individualismo metodolgico define um mtodo importante 
das cincias sociais. Segundo este, princpio, explicar um fenmeno colectivo  sempre - pelo menos no ideal 
- analisar esse fenmeno como a resultante de um conjunto de aces, de crenas ou de atitudes individuais.
Segundo esta perspectiva, a explicao nas cincias sociais comporta, portanto, sempre uma dimenso 
psicolgica. Assim, explicar-se-, por exemplo, a baixa de uma taxa de natalidade ou de criminalidade 
mostrando como e porqu condies mutveis levaram os actores sociais a comportar-se diferentemente dos 
seus predecessores. O individualismo metodolgico  correntemente acompanhado de uma concepo 
"racional" da aco (sendo suposto que o actor social tem boas razes para comportar-se como o faz). A 
pertinncia do individualismo metodolgico foi por vezes contestada: pelos durkheimianos que herdaram de 
Augusto Comte a sua hostilidade  psicologia e por aqueles dentre os neomarxistas que tendem a representar 
o indivduo como o simples joguete das "estruturas" sociais. O individualismo metodolgico ope-se ao 
holismo metodolgico.
R. B.
- Birnbaum, Leca (1986).

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Influncia: A influncia pode ser entendida num sentido genrico ou num sentido restrito: na primeira 
acepo, relativamente usual, aplica-se a toda a forma de aco eficaz sobre outrem, seja qual for a sua 
modalidade; na segunda, mais elaborada, designa antes um modo de comunicao de que a persuaso 
constituiria a mola principal, seno nica. Convm lembrar o papel de pioneiro desempenhado neste domnio 
por G. de Tarde, mesmo se este ltimo utiliza um outro tipo de vocabulrio. Por um lado, na sua teoria geral, 
Tarde (1890) refere-se sucessivamente  sugesto, ao hipnotismo,  magnetizao para caracterizar o papel e a 
eficcia atribudos  imitao: o tema da influncia est aqui presente sob uma forma implcita. Por outro 
lado, em alguns dos seus ensaios, e nomeadamente no seu estudo da conversao, Tarde (1901) revela-se um 
observador atento de uma influncia essencialmente persuasiva da qual as vicissitudes da opinio so muito 
largamente tributrias.Este interesse pela anlise dos processos anuncia as pesquisas ulteriores de P. 
Lazarsfeld e dos seus colaboradores (1944, 1955). As investigaes no terreno conduzidas por este ltimo 
contriburam, em primeiro lugar, para abalar o mito de uma propaganda omnipotente que agiria sobre 
indivduos isolados na massa, fazendo ressaltar o papel decisivo do contexto social. A anlise das campanhas 
eleitorais ps em evidncia, nomeadamente, a existncia de guias de opinio que ao mesmo tempo 
transmitiriam e traduziriam para os membros dos seus grupos primrios as mensagens dos meios modernos de 
informao colectiva. A ateno desta equipa de pesquisa cristalizou-se assim pouco a pouco nas relaes de 
influncia, de que foram estabelecidas algumas caractersticas principais: o influenciador no goza geralmente 
de um estatuto mais elevado mas pertence na maioria das vezes ao mesmo meio que o(s) influenciado(s); tira 
partido de um certo grau de competncia num domnio bem determinado ao qual se limita normalmente a sua 
esfera de influncia. Os estudos de laboratrio contriburam, igualmente, para uma percepo mais profunda 
dos processos de influncia: para alm das tarefas indispensveis  limpeza do terreno, firmaram hipteses 
fecundas e permitiram assim a S. Moscovici (1979) pr em evidncia o papel das minorias activas na gnese 
das inovaes. Este desenvolvimento das pesquisas empricas no deixou de ter incidncia na clarificao 
progressiva dos conceitos: hoje somos, de facto, menos tentados a considerar poder e influncia como 
conceitos intercambiveis,  maneira de R. Dahl (1961), cujos esforos para construir uma metodologia 
rigorosa de anlise de decises convm entretanto saudar; como o demonstrou T. Parsons (1967), a influncia 
deve ser antes compreendida como uma capacidade de persuadir, fazendo apelo a razes positivas para 
conformar-se com as sugestes do influenciador.
F. C.
- Chazel (1964), Merton (1949), Montmollin (1977).

Infra-estrutura/superstrutura: Na terminologia marxista, a infra-estrutura de uma sociedade  constituda 
pelas relaes de produo e pelo conjunto dos meios materiais e tcnicos que elas pem em movimento. A 
superstrutura, noo complementar, designa o conjunto das instituies polticas, jurdicas
 
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e culturais que se elevam sobre essa infra-estrutura e a reflectem ideologicamente.
Este par de noes procura mostrar que h articulaes entre os diferentes nveis da realidade social, mas 
no faz mais que assinalar o problema sem resolv-lo. F. Engels, para o fim da sua vida, advertiu contra um 
determinismo econmico demasiado afirmado, sublinhando os efeitos de retroaco da superstrutura sobre a 
infra-estrutura. Na sua opinio, a determinao econmica s pode jogar, em ltima instncia, atravs de 
mltiplas mediaes. Mas esta correco nem por isso fornece a chave para compreender a cadeia das 
mediaes, ou seja, as articulaes concretas das prticas umas sobre as outras. Muitos marxistas admitem 
agora que a infra-estrutura econmica no determina propriamente os outros nveis da prtica, mas fixa 
limites s suas variaes e s suas condies de afirmao.
Admitem igualmente que, em certas conjunturas em que pem de novo em questo equilbrios antigos, os 
abalos culturais ou ainda polticos podem ter um papel motor nas mudanas sociais.
J.-M. V.
- Giddens (1984).

Iniciao (rito de): Rito de passagem acompanhado de provas, destinado a introduzir certos candidatos num 
novo estatuto, por exemplo, o de uma classe etria na idade pubertria, de uma confraria para recrutamento 
selectivo ou de uma sociedade secreta.
Segundo A. van Gennep (1909), estes ritos comportam trs etapas: 1. separao e ruptura com o mundo 
profano; 2. marginalizao num lugar sagrado e formao para um novo modo de ser; 3. ressurreio 
simblica e agregao na comunidade, com um estatuto superior. Aps uma morte simblica, os novios, a 
cargo de instrutores, so submetidos a uma ascese, fazem a aprendizagem de ritos e recebem a revelao de 
um saber sobre a sociedade que os acolhe. A mudana de estatuto manifesta-se na altura de festas solenes por 
um novo nome, adereos, marcas corporais (por exemplo, circunciso, sacrificao) e por vezes uma nova 
linguagem, prprios dos iniciados. A iniciao marca uma transformao memorvel na vida do indivduo e 
requer uma fidelidade s normas da comunidade em que os postulados so introduzidos.
C. R.
- Bettelheim (1971), Cazeneuve (1958), Eliade (1976).

Inovao: Este termo ganhou um sentido muito amplo na sociedade contempornea. Com efeito,  
habitualmente definido como uma transformao que resulta da iniciativa de um ou vrios indivduos e que 
afecta, conforme os casos, a economia, a poltica, a cincia ou ainda a cultura, etc.
Cinco conotaes deste termo merecem ser assinaladas: 1. h uma desproporo entre a "causa" (por 
exemplo, a iniciativa de um "inovador") e o "efeito" (transformar o modo de vida de uma populao 
eventualmente importante); 2. o impacte da inovao  considerado como globalmente benfico, ou seja, 
considera-se que ela contribui para um progresso (econmico, social); 3. tal impacte  encarado sob vrios 
aspectos ao mesmo tempo: se se considera apenas o aspecto cientfico e tcnico, utilizam-se de preferncia as 
expresses "inveno" e "descoberta"; 4. esse impacte no  nem andino (em cujo caso nos contentamos em 
falar de "melhoria") nem muito importante (fala-se

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ento mais de "revoluo" ou de "mutao"); 5. a inovao s pode dizer-se tal depois de ter comeado a ser 
aceite, difundida; por outras palavras, depois de ter sido objecto de imitaes.
A carreira deste termo apresenta-se indissocivel da histria das teorias do progresso e das crises sociais: 
Saint-Simon, por exemplo, utiliza-a num sentido que no est muito afastado daquele que prevalece 
actualmente. Mas  sobretudo G. de Tarde que lhe confere um estatuto privilegiado, pois que vai at ao ponto 
de explicar a evoluo social pela combinao da inveno e da imitao (1890). J. Schumpeter elabora 
(1912) uma concepo anloga na sua anlise do desenvolvimento econmico. Este resultaria, quanto ao 
essencial, das novas combinaes devidas aos empreendedores, isto , da introduo de produtos novos, de 
novos mtodos de produo, da conquista de novas fontes de matrias-primas, da abertura de novos 
mercados, etc. Estas combinaes permitiam, na sua opinio, explicar ao mesmo tempo o progresso e as 
crises peridicas da economia.
Actualmente, a noo de inovao ocupa uma posio importante sobretudo na sociologia das 
organizaes (March, Simon 1958) e na sociologia das cincias (Lcuyer 1978). H muito interesse, nestas 
disciplinas, pelas condies favorveis  gnese e  origem das inovaes. Ressalta desses trabalhos, e em 
particular dos que T. Kuhn (1962) consagrou s revolues cientficas, que os verdadeiros inovadores no so 
tanto os que respondem mais eficazmente s questes que toda a gente se pe, como os que sabem pr 
questes novas.
A. B.

Inqurito: No sentido mais geral, toda a procura de informaes para responder a um problema. Em 
sociologia, inquirir  interrogar um certo nmero de indivduos em ordem a uma generalizao.
O inqurito ope-se aqui, portanto,  observao, que utiliza outras tcnicas que no a interrogao, e  
experimentao, em que o pesquisador cria e controla a situao que pretende estudar. Mas o inqurito 
sociolgico ope-se tambm ao inqurito administrativo ou judicial, pelo facto de ter por objectivo no um 
conhecimento pontual mas um conhecimento generalizvel. O que interessa ao socilogo no so os 
indivduos no que eles tm de pessoal mas a possibilidade de tirar respostas individuais das concluses gerais. 
Tecnicamente, trata-se primeiro de delimitar o domnio sobre o qual procuramos informaes, quer estas 
tenham por fim tornar possvel a descrio do domnio quer visem comprovar as ideias que se tem sobre esse 
domnio, a saber: hipteses. Determina-se ento, por um lado, a srie de questes, factuais e/ou de opinio, 
que nos propomos submeter aos inquiridos e, por outro, a amostra  qual contamos dirigir-nos. H tcnicas 
muito precisas de escolha e aferio de amostras, cujo respeito  uma condio da generalizao; mas no h 
mtodo automtico de elaborao do questionrio, donde decorre que todo o inqurito  directamente 
tributrio do instrumento emprico elaborado para a colecta da informao. A administrao do questionrio  
amostra retida permite, em seguida, essa colecta: obtm-se ento os dados brutos, que  preciso depois 
verificar, analisar e interpretar. No caso mais corrente dos inquritos quantitativos por sondagem, a 
verificao visa traduzir as respostas de cada inquirido em informaes

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134
codificadas que permitem a elaborao de estatsticas de respostas. So estas que so analisadas (em 
particular com a ajuda de testes de significao) e interpretados. Falta apenas redigir o relatrio de inqurito 
onde se procura responder s questes colocadas inicialmente.
Todo o inqurito, seja ele qualitativo ou quantitativo, pe, por um lado, o problema da agregao das 
respostas individuais e, por outro, o da sua generalizao. A utilizao correcta de tcnicas precisas tende a 
trazer uma resposta a estes dois problemas. Mas as concluses de um inqurito so sempre uma estimativa do 
objecto estudado. Mantm-se, no entanto, o facto de se tratar de um instrumento de recolha de informao 
insubstituvel, que o socilogo no poder dispensar.
Y. C
- Ghiglone, Matalon (1978).

Instituio: No sentido geral, uma instituio  uma componente concreta de uma sociedade real em 
oposio com os elementos analticos do sistema social concebido como instrumento de anlise de toda a 
sociedade possvel (Parsons 1951). Mais precisamente, uma instituio consiste num conjunto complexo de 
valores, de normas e de usos partilhados por um certo nmero de indivduos.
Como pertence ao mesmo tempo ao vocabulrio quotidiano (a instituio familiar), ao da aco poltica 
(" preciso preservar as instituies") e finalmente ao da cincia poltica, o termo "instituio" conheceu uma 
fortuna ao mesmo tempo prolfica e catica em sociologia. Desde cerca de 1960, o uso estabilizou-se mais ou 
menos  volta das concepes propostas pelo socilogo americano T. Parsons (1951).
Segundo ele, podemos definir como instituio todas as actividades regidas por antecipaes estveis e 
recprocas entre os actores que entram em interaco. Para tomar um exemplo elementar, o espectador que fez 
fila para o cinema (forma primitiva de instituio) ficaria evidentemente desconcertado se a empregada da 
bilheteira lhe desse a sua opinio pessoal sobre a qualidade do filme. Ambos sairiam do seu papel.
Para que estas actividades estveis e recprocas se desenvolvam,  indispensvel que cada um dos actores 
em presena renuncie a tirar partido no curto prazo das vantagens que o seu papel momentneo pode 
proporcionar-lhe e que conceda a prioridade a mais longo prazo s exigncias da sua tarefa e ao ponto de vista 
dos seus parceiros. Cada um deve "por-se no lugar de outrem" (Boudon, Bourricaud 1982).
A aprendizagem deste comportamento institucional produz-se primeiro na famlia, evidentemente. J para 
Montaigne, "a instituio dos filhos" designa a aprendizagem de valores e de prticas comuns, como a lngua, 
as maneiras, a moralidade. Mas estas orientaes absolutamente gerais no bastam para garantir por si ss 
nem a previsibilidade nem a regularidade do conjunto dos comportamentos da criana tornada adulto 
(Boudon, Bourricaud 1982). . Durkheim (1895) sublinhou ao mesmo tempo a importncia e os limites desta 
primeira socializao. As instituies so sistemas normativos, para os quais a primeira aprendizagem no 
pode iniciar em definitivo.
 preciso sublinhar, portanto, a importncia das noes de socializao e de interiorizao da regra.  por 
isso que  justo referir com R. Boudon e F. Bourricaud (1982)

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que "a teoria da instituio funciona em alternativa com a teoria da luta de classes". No  antagnica com 
ela; simplesmente explica melhor certos fenmenos, particularmente processos sociais que assentam na 
confiana, e isso mesmo que o risco de explorao no esteja excludo.
B.-P. L.
- Ben David (1971), Bourricaud (1977), Eisenstadt (1968), Chazel (1974a), Gallino (1978), Gould, Kolb 
(1964).

Integrao: O termo "integrao" no tem sentido bem fixo e definido em sociologia. Como na linguagem 
corrente, pode designar um estado de forte interdependncia ou coerncia entre elementos ou ento o processo 
que conduz a esse estado. Alm disso,  aplicado quer a um sistema social quer  relao indivduo-sistema 
social.
Este ltimo uso parece demasiado laxista. Melhor seria reservar o uso da palavra "integrao" a uma 
propriedade do sistema social. Era de facto o que fazia . Durkheim em Le Suicide (1897) ao enunciar a lei 
segundo a qual "o suicdio varia na razo inversa do grau de integrao dos grupos sociais de que o indivduo 
faz parte". O afastamento do indivduo da vida social, o excesso de individuao, por outras palavras, o 
egosmo, no so mais do que uma consequncia da falta de integrao ou de coeso ou de consistncia dos 
grupos sociais de pertena. Um grupo social, segundo Durkheim, est integrado na medida em que os seus 
membros: 1. possuem uma conscincia comum, partilhando as mesmas crenas e prticas; 2. esto em 
interaco uns com os outros; 3. sentem-se votados a fins comuns. Estes trs elementos so ilustrados 
sucessivamente de maneira privilegiados pelas trs sries de dados em que se apoia Durkheim na sua anlise 
do suicdio egosta; a sociedade religiosa, a sociedade domstica, a sociedade poltica.
PH. BD.
- Besnard (1987).

Intelectual: A palavra "intelectual"  recente: data do caso Dreyfus, mas no faz mais que denominar de 
outro modo uma categoria social que se designava no sc. XVI pela palavra "humanista" e no sc. XVIII pela 
palavra "filsofo". Neste sentido, os intelectuais so aqueles que, mobilizando o seu prestgio ou a sua 
autoridade de criadores, contribuem para exprimir e para popularizar novos valores (ou para defender os 
antigos). Erasmo, Voltaire, . Zola so talvez as ilustraes mais clebres do intelectual neste sentido da 
palavra.
O papel do intelectual  Zola pe um problema sociolgico. Porque  que um criador que adquiriu os seus 
ttulos de nobreza no domnio da arte, da literatura ou da cincia pode ocasionalmente tirar partido deles para 
propor o que  correcto em matria de valores? Na realidade, a influncia do intelectual  muitas vezes apenas 
aparente: a sua mensagem s  eficaz na medida em que est conforme com as crenas do seu auditrio; ele  
acolhido com reconhecimento sobretudo porque d uma voz e uma expresso a essas convices.
Mas a palavra "intelectual" emprega-se tambm num sentido mais amplo, para designar todos os que 
contribuem para a produo, confirmao ou difuso de valores, de "vises do mundo" ou de conhecimentos, 
nomeadamente quando esses conhecimentos comportam consequncias axiolgicas ou mais geralmente 
filosficas. As relaes complexas que os intelectuais mantm

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com os seus pblicos ou, como poder ainda dizer-se, os seus mercados dependem do domnio em que 
desenvolvem a sua actividade. Assim, o matemtico dirige-se normalmente a um pblico restrito, o 
romancista a um pblico alargado. O caso do filsofo ou do historiador sugere que o intelectual pode por 
vezes "escolher" dirigir-se ao mercado restrito dos seus pares ou a um pblico mais alargado. Esta liberdade 
faz com que, segundo as pocas, as conjunturas intelectuais, o estado das instituies universitrias e 
mltiplos outros factores, a produo intelectual tenha tendncia a dirigir-se de preferncia a um tipo de 
pblico ou a um outro.
Assim, a nossa poca caracteriza-se por um incontestvel ascendente dos media. Isso tem como 
consequncia fazer do "vedetariado" uma dimenso importante do nosso sistema de estratificao social. Por 
isso vemos muitos sbios, historiadores, filsofos escolherem assuntos e modos de expresso susceptveis de 
atrair a ateno do pblico alargado a que os media se dirigem. Quando o mercado dos media  dominante, a 
funo cognitiva dam produo intelectual tende a passar para segundo plano.
R. B.
- Aron (1955), Cochin (1921), Tocqueville (1856).

Interaccionismo simblico: O interaccionismo simblico no  uma escola de pensamento bem delimitada. 
A expresso data de 1937 (Blumer 1969), mas as origens conceptuais so muito mais antigas. Os pragmatistas 
anglo-saxes (C. S. Peirce, W. James, J. Dewey) introduziram algumas ideias essenciais como as de 
comunidade de interpretao dos signos, de construo do "self" (ou eu individual) pelo juzo dos outros, de 
instrumentalidade do pensamento e finalmente de primado da aco no conhecimento. Mas foram autores 
como G. Simmel (1917) e G. H. Mead (1934) que serviram de referncia principal  ecloso da corrente.
A originalidade do interaccionismo simblico  o facto de considerar a aco recproca dos seres humanos 
e os sinais que a tornam visvel como o fenmeno social mais importante. Nesta ptica, entidades como a 
sociedade, as instituies, as classes sociais ou a conscincia colectiva no tm realidade independente das 
interaces sociais. Para Mead, por exemplo, uma instituio  a resposta comum trazida, sob formas 
variadas, pelos membros de uma comunidade a uma situao particular. Longe de serem determinadas por 
estruturas ou sistemas, as condutas sociais encontram o seu princpio no seu prprio desenrolar temporal. Para 
o interaccionismo simblico, o comportamento humano no  uma simples reaco ao meio ambiente mas um 
processo interactivo de construo desse meio.  o que est expresso pela frmula de W. I. Thomas: "Se os 
homens definem stuaes como reais, elas so reais nas suas consequncias." Este processo  interactivo, 
porque a actividade individual s  possvel pela pertena a uma comunidade de significao. Pelo facto de 
podermos dar a mesma significao aos mesmos signos, podemos compreender a actividade de outrem, isto , 
captar o ponto de vista do outro sobre o que se est a passar, fazer previses sobre as suas actividades futuras 
e modificar o nosso prprio comportamento em funo do de outrem. A conscincia de si prprio e do mundo 
social est assim estreitamente dependente da participao em actividades comuns e sinais visveis sob os 
quais

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essas actividades se tornam mutuamente compreensveis.
O interaccionismo simblico esteve vigoroso sobretudo nos Estados Unidos da Amrica nomeadamente 
com os estudos urbanos - interaccionistas antes do termo - da escola de Chicago* (E. C. Hughes, R. E. Park), 
as teorias do labeling ("etiquetagem": H. S. Becker 1963), as pesquisas de E. Goffman sobre as "instituies 
totais" (1961) ou os ritos de interaco (1967) e a etnometodologia (Garfinkel 1967). Viu-se aumentar nestes 
ltimos anos o nmero das pesquisas sociolgicas francesas inspirando-se numa ou noutra das verses do 
interaccionismo simblico.
P. P.
- Herpin (1973).

Interesse - vd. Utilitarismo

Investigao-aco: Postura das cincias sociais que associa a anlise  transformao da realidade estudada. 
O conceito (action-research) vem da psicologia social americana (Lewin 1948).
A epistemologia clssica da sociologia adverte contra os efeitos de interaco que surgem entre o analista 
e o meio analisado: a posio dos promotores da investigao-aco consiste, pelo contrrio, em colocar os 
efeitos de interaco no centro dos dispositivos de pesquisa. Uma primeira acepo prxima do mtodo 
experimental faz da interveno do pesquisador uma simples modalidade de investigao destinada a 
compreender os processos de transformao. No limite oposto, a aco  de facto a finalidade ltima, e a 
anlise no  mais que o desvio obrigatrio da gesto de uma mudana. Em Frana, a investigao-aco 
desenvolveu-se em campos como a sociologia do sistema educativo ou a das instituies. A. Touraine (1978) 
aplicou "a interveno sociolgica" ao estudo dos movimentos sociais. Entretanto, numa altura em que as 
cincias exactas debatem os seus prprios processos de validao, a investigao-aco e a reflexo 
epistemolgica que a acompanha mantm-se relativamente esquecidas, ou consideradas pouco operatrias.
D. SN.

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139

J

Judicirias (sociologia das instituies): Nas suas anlises do processo de racionalizao prpria das 
sociedades ocidentais, M. Weber atribui j uma importncia particular ao papel das instituies judiciais e ao 
das profisses envolvidas (Weber 1922a). Confrontadas com as aspiraes sociais, com as evolues 
econmicas, polticas ou ticas, as instituies judiciais e os seus agentes tm de facto de tentar 
constantemente o compromisso, a adequao entre a tomada em considerao destes movimentos de 
sociedade e o respeito da racionalidade jurdica, a preservao de uma legalidade.  este trabalho que convm 
a uma sociologia das instituies judiciais empreender, evidenciando os factores em jogo. Deve admitir-se 
que esses factores no so unicamente os avanados no discurso jurdico (por exemplo, a tarefa de 
ajustamento entre o direito e os "costumes" confiada  jurisprudncia), mas encontram-se sobretudo nas 
prprias caractersticas sociais das instituies.
Os problemas crescentes de regulao a que esto expostas as sociedades modernas (Crozier 1980) 
manifestam-se ao nvel dessas instncias particulares.  por isso que a sociologia das organizaes e a das 
profisses foram primeiramente solicitadas para contribuir para a modernizao considerada necessria face 
ao aumento do contencioso, ao "atravancamento dos aparelhos do Estado" (Belley 1986) e s transformaes 
das esperanas de justia. Mas o que  considerado como o pr em causa da diviso e da hierarquizao do 
trabalho jurdico, como a importncia crescente das regulaes de tipo administrativo em relao s 
regulaes de tipo judicirio, como o desenvolvimento substitutivo ou complementar de modos informais de 
sistema de mediao na soluo dos conflitos,  muitas vezes associado, por exemplo, quilo que seria o 
deslocamento de um poder "jurdico-discursivo" para um poder de "normalizao" (Foucauld 1976), de um 
modelo de justia "legalista-liberal" para um modelo de justia "normativa-tecnocrtica" (Ost 1983). Uma tal 
associao tenderia a provar que uma sociologia das instituies judiciais e dos seus agentes no poder 
excluir a questo no fundamento da sua especificidade: a das transformaes do estatuto e da funo social do 
direito no seio da sociedade global.
J. CE.

Justia distributiva: Denominam-se princpios de justia distributiva as regras ou critrios que definem a 
maneira como os recursos de um grupo devem ser repartidos entre os seus membros.
Os princpios mais frequentemente distinguidos so o mrito (proporcionalidade entre as contribuies e 
as gratificaes dos participantes), a necessidade (desligamento das contribuies e das gratificaes e 
repartio em funo da utilidade esperada) e o estatuto (repartio na base da identidade social dos membros, 
com a igualdade como caso particular importante). No entanto, no h consenso sobre a tipologia destes 
princpios: alguns juntam-lhes o contrato, em que a justia  definida pelo simples acordo das vontades; 
outros reduzem estes princpios a dois (equidade e necessidade) [Kellerhals, Coenen-Huther, Modak 1988]. 
As investigaes mostraram que: 1. os juzos de justia/injustia exprimem, com frequncia, um compromisso 
entre 

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vrias regras (mrito e necessidade nomeadamente), mistura ela prpria afectada pelo gnero de recursos em 
jogo (a sua raridade, a sua abstraco, a sua importncia social, etc.); 2. tais compromissos reflectem a 
presena, no actor, de dois processos de avaliao da situao: por comparao imediata com outrem e por 
nvel de aspirao (comparaes interiorizadas); 3. o juzo de justia comporta dois aspectos 
(interdependentes) e no um s: assegurar a cada um a sua justa parte e permitir o bom funcionamento do 
grupo.
As pesquisas estabeleceram seguidamente que as normas de justia variam consoante as relaes no grupo 
e os papis dos actores. Por exemplo, o princpio do mrito  tanto mais escolhido como legtimo quanto as 
relaes so abstractas, competitivas, sectoriais, temporrias e os "decisores" tm por tarefa velar pela 
produtividade do grupo mais que pela sua coeso.
Finalmente, comeou a mostrar-se que a avaliao de uma situao como justa ou injusta depende no 
apenas dos termos da troca mas tambm da implicao do actor no processo de deciso.
T. K.

Juventude: A juventude  o perodo da vida que se estende da infncia  idade adulta. Esta definio 
corresponde menos a uma etapa do desenvolvimento fsico e psicolgico que a um estatuto social. Com 
efeito, aquilo a que se chama juventude varia consideravelmente de um tipo de sociedade para outro, de um 
grupo para outro e s se tornou um facto social massivo desde h algumas dcadas (Aris 1973; Mead 1970). 
Nas sociedades tradicionais, a juventude designa um perodo breve e preciso da vida, marcado por ritos de 
passagem e cerimnias de iniciao que do aos que a elas se submetem estatutos claros e reconhecidos.
As transformaes da sociedade mudaram sensivelmente a experincia juvenil. O tempo de formao e de 
escolarizao prolongou-se e as obrigaes adultas so diferidas para l dos vinte anos, e mesmo para depois 
no caso dos estudantes, embora a maioridade penal ocorra aos 16 anos e a civil aos 18. Como experincia 
longa e massiva, a juventude  um produto da modernidade e dos valores de autonomia, de desabrochamento, 
de liberdade individual. Contudo, o tempo da juventude apresenta-se com frequncia como um perodo 
ambguo e anmico, durante o qual o actor no  nem uma criana nem um adulto.  tambm um perodo de 
provas durante o qual se adquire o estatuto de adulto atravs dos projectos de futuro, das estratgias e, por 
vezes, das transgresses mais ou menos toleradas pelos adultos.
Constitui-se, a partir dos anos 50, uma cultura dos jovens que lhes permite reconhecerem-se como grupo 
etrio. A moda e a msica so o suporte dos gostos e dos estilos, das sensibilidades prprias e, por vezes, dos 
laos de solidariedade. Acontece tambm que esta cultura dos jovens v para alm da simples lgica de 
consumo e que traga uma crtica e uma reivindicao. Na segunda metade dos anos 60, a juventude, 
designadamente os estudantes, construram movimentos contestatrios, criticando os valores e os modos de 
vida dos adultos, fazendo apelo aos valores contra as normas. A juventude das classes populares, menos 
orientada para a crtica cultural, manifesta no entanto problemas e dificuldades especficos atravs da 
constituio de grupos e de bandos mais ou menos

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nos delinquentes at que a ordem adulta acaba por integr-la. Como perodo de liberdade, mas tambm de 
fragilidade dos estatutos e das identidades, a juventude  sensvel s crises e s mutaes de uma sociedade: 
aparece sempre associada aos mecanismos da mudana. Mas a juventude no  uma categoria social 
homognea. H tantas juventudes quantos os grupos sociais.
F. D.

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143

L

Laicizao - vd. Secularizao/laicizao

LAZARSFELD (Paul Felix), socilogo americano (Viena 1901-Nova Iorque 1976): Paul Lazarsfeld faz 
conjuntamente estudos de direito, de economia e de matemticas. Conseguiu convencer dois psiclogos, Karl 
e Charlotte Bhler, a criarem um centro para aplicar a psicologia a problemas econmicos e sociais. Publica 
Jugend und Beruf (1931) sobre as escolhas profissionais dos jovens operrios, e depois Les Chmeurs de 
Marienthal (1932).
Em 1934, emigra para os Estados Unidos da Amrica e transpe para l o seu projecto vienense. Obtm 
em 1940 uma ctedra de Sociologia na Universidade Colmbia (Nova Iorque) e a direco do Bureau of 
Applied Social Research recentemente criado. O modelo deste instituto prolifera nos Estados Unidos e depois 
na Europa, seu lugar de origem.
A maior parte dos trabalhos de Lazarsfeld trata das opes polticas dos actores sociais (The People's 
Choice, 1944; Voting, 1954; The Academic Mind, 1958) ou das suas opes econmicas (Personal Influence, 
1958). Um dos seus resultados mais importantes foi mostrar que a omnipotncia atribuda  propaganda e  
publicidade  um mito fundado numa concepo simplista da aco humana. Lazarsfeld contribuiu tambm de 
maneira decisiva para a crtica, codificao e clarificao da linguagem utilizada nas pesquisas sociais. Esta 
actividade parecia-lhe indispensvel para o progresso do conhecimento (The Language of Social Research, 
1955; Le Vocabulaire des sciences sociales, 1965). Alargou tambm essa reflexo  histria das cincias 
sociais (Philosophie des sciences sociales, 1961). Autor inicialmente marginal que depois se tornou um 
clssico, permaneceu no entanto na sombra no sentido de que muitas das suas inovaes so hoje largamente 
aceites, mas a sua paternidade  quase esquecida.
B.-P. L.
- Merton, Coleman, Rossi (1979), Kendall (1982).

LE BON (Gustave), mdico e socilogo francs (Nogent-le-Rotrou 1841 - Paris 1931): Personalidade do 
Tout-Paris intelectual, Gustave Le Bon exercitou-se, no sem resultados, nas disciplinas mais diversas: 
arqueologia, craniologia, histria das civilizaes, fotografia e equitao experimentais, fsica da matria, etc. 
Mas foi La Psychologie des foules (1895) que lhe proporcionou uma notoriedade internacional. Inspirando-se 
em G. de Tarde e S. Sighele, pe a tnica nas pulses inconscientes da multido, na sua espontaneidade, 
imprevisibilidade e emotividade (a multido  "mulher") com que sabem lidar os condutores que a 
manipulam. Le Bon procede por raciocnios sumrios e assimilaes rpidas (um Parlamento no  mais que 
uma multido, etc.) acompanhadas de algumas intuies originais.
 sem dvida este esquematismo ao alcance do grande pblico que explica, no limiar da "cidade das 
multides", o xito de uma obra sem valor cientfico, mas lida e meditada por alguns monstros sagrados do 
sc. XX.
J.-R.T.
- Moscovici (1981), Rouvier (1986).

Legitimidade: A legitimidade consiste no reconhecimento de que

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goza uma ordem poltica. Depende das crenas e das opinies subjectivas. Os princpios de legitimidade so 
em primeiro lugar justificaes do poder, isto , do direito de governar. Pelo facto de o poder poltico no 
poder manter-se sem um mnimo de adeso, no podero efectivamente existir ordens polticas legtimas por 
si mesmas: h apenas ordens consideradas como tais. Convm distinguir, portanto, a procura normativa dos 
princpios de legitimidade e o estudo sistemtico do fenmeno social da legitimidade. Durante muito tempo 
identificada com a legalidade, a legitimidade teve de distinguir-se dela a partir do momento em que a histria 
provou que uma ordem podia ser legal mas injusta.
A contribuio de M. Weber (1922a) para a anlise dos fundamentos da legalidade manteve todo o seu 
valor graas ao seu carcter sistemtico. Parte integrante de uma sociologia da dominao, a sua tipologia dos 
modos e fontes da legitimidade mostra at que ponto poder, legitimidade e autoridade esto ligados entre si. 
Weber distingue trs fontes de dominao legtima. A primeira, legitimidade de carcter racional-legal, tem 
como fundamento a crena na legalidade das regras estabelecidas e na legitimidade dos que asseguram essa 
dominao em conformidade com a lei. A segunda, legitimidade de carcter tradicional, assenta na crena no 
carcter sagrado dos costumes e na legitimidade dos governos designados por estes ltimos. A terceira, enfim, 
a legitimidade de tipo carismtico, encontra a sua fonte na crena nas qualidades excepcionais de um 
indivduo e na necessidade de submeter-se  ordem que ele criou. Pe em evidncia, assim, as relaes de 
influnca recproca entre tipos de crenas, formas de organizao e sistema econmico e mostra que a 
natureza das justificaes do poder no pode ser estudada fora de toda a referncia s estruturas sociais.
Se entretanto a legitimidade  uma condio primordial para a estabilidade dos sistemas polticos, o seu 
carcter ao mesmo tempo subjectivo e relativo impe a compreenso dos processos pelos quais ela se adquire, 
se mantm ou desaparece, por outras palavras, a tomada em considerao dos problemas de legitimao. O 
estudo da socializao poltica constituiu uma das vias indirectas de abordagem da legitimao na medida em 
que permite captar melhor os mecanismos que tornam o poder aceitvel. Com efeito, a legitimao pode ser 
apreendida mais directamente sob o ngulo inverso da crise de legitimidade, tanto  verdade que, de um ponto 
de vista analtico e histrico, o conceito de legitimidade aplica-se, antes de mais, a situaes em que a 
legitimidade de uma ordem poltica pode ser contestada. Assim, uma parte significativa da obra de J. 
Habermas (1973)  consagrada ao estudo das crises de legitimao em relao com transformaes estruturais 
do Estado do "capitalismo avanado"; a expanso da sua actividade aumenta na mesma proporo as 
necessidades de legitimao que no podem reduzir-se apenas a um acordo sobre as regras referentes  
devoluo e ao exerccio do poder, mas se estendem ao conjunto do sistema poltico-administrativo, tornando-
se a prpria eficcia critrio de legitimidade. Ampliado pelas limitaes econmicas que actualmente conhece 
o Estado-providncia, o obstculo mais importante para o desempenho dos governos actuais reside na 
multiplicidade e no carcter

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muitas vezes contraditrio das exigncias especficas que tm de satisfazer para manter a base da sua 
legitimidade. A interrogao de Habermas vai no entanto mais longe, na medida em que desagua na questo 
delicada das pretenses  validade das normas de justificao do poder que o afasta dos caminhos habituais da 
sociologia.
P. D.
- Berger, Luckmann (1966), Easton (1965).

LE PLAY (Frdric), engenheiro e economista francs (La Rivire-Saint-Sauveur, Calvados, 1806 - Paris 
1882):  como professor na Escola de Minas que Le Play, sado da Politcnica, preenche a primeira parte da 
sua carreira, o que lhe permite viajar em toda a Europa e nela observar os vrios modos de vida dos 
trabalhadores. A partir da publicou Les Ouvriers europens (1855), que chamou a ateno de Napoleo III e 
lhe valeu uma segunda carreira de alto funcionrio do imprio e de conselheiro do prncipe.
Os seus discpulos, reunidos no seio da Sociedade dos Estudos Prticos de Economia Social (1856), 
aplicaram a seu pedido uma grelha uniforme de anlise dos oramentos e dos modos de vida, cujos primeiros 
resultados lhe forneceram a matria da segunda edio do livro (6 vols., 1877-1879). Mas Le Play no se 
limita a simples verificaes fundamentadas: aos males da era industrial, prope (Le Play 1864 remdios 
inspirados no Declogo: restaurao, na empresa e no Estado, de um princpio de autoridade da qual a 
"famlia tronco" de Barn oferece o modelo paternalista; chamada das elites ao sentido das suas 
responsabilidades; rejeio do individualismo igualitarista sado do Cdigo Civil - em resumo, uma doutrina 
to afastada do socialismo como do liberalismo manchesteriano e em que se inspirou seguidamente o 
catolicismo social.
J.-R. T.
- Le Play (1856, 1864).

LVY-BRUHL (Lucien), socilogo e etnlogo francs (Paris 1857 - id. 1939): Professor de Filosofia na 
Sorbona, autor de La Morale et la science des moeurs (1903), fundador do Instituto de Etnologia, Lvy-Bruhl 
 conhecido sobretudo pelos seus livros de sociologia consagrados  mentalidade primitiva, nomeadamente 
La Mentalit primitive (1922). Designava assim um tipo de pensamento que, na sua opinio, era radicalmente 
diferente do das nossas sociedades modernas, nomeadamente pela sua indiferena  lgica, e que se observa 
nas sociedades ditas primitivas estudadas pelos etngrafos. Esta mentalidade, que ele denominava tambm 
"pr-lgica", caracteriza-se principalmente pelo facto de no assentar nos nossos princpios racionais da 
identidade e da no contradio, mas no da participao, que leva os primitivos a crer que um ser ou um 
objecto pode ser ao mesmo tempo ele prprio e outra coisa, e que h laos invisveis entre seres diferentes.  
assim que na Austrlia um homem que pertence ao cl do canguru no hesita em dizer "eu sou um canguru". 
O que produz esta mentalidade to diferente da nossa  o facto de as representaes colectivas, nesses povos, 
serem msticas, porque supem "a crena em foras, em influncias, em aces imperceptveis aos sentidos e 
no entanto reais". O primitivo no tem uma lgica fora da nossa, mas tambm no se deixa guiar unicamente 
por ela. Nesse sentido, tem uma mentalidade "pr-lgica".  por isso que esta descura com

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146
frequncia as verdadeiras causas dos fenmenos para supor outras que so msticas. Lvy-Bruhl, nas suas 
ltimas obras, atribui os caracteres particulares da experincia mstica ao facto de, entre os primitivos, a 
afectividade, os sentimentos levarem a melhor sobre as funes intelectuais.
J. C.
- Cazeneuve (1963), Lvy-Bruhl (1910, 1931).

Liberalismo: Doutrina poltica e social moderna fundada na ideia dos direitos individuais e em primeiro lugar 
da igual liberdade de todos os homens.
O liberalismo ganhou forma nos scs. XVII e XVIII com J. Locke, Montesquieu, A. Smith, que 
prosseguiram, modificando-o, o trabalho dos pioneiros do pensamento moderno (Maquiavel e Hobbes, em 
particular). As suas principais componentes so as seguintes:
1. o liberalismo participa no movimento de secularizao da poltica. O pensamento liberal reivindica a 
independncia da poltica em relao  religio. A questo religiosa torna-se um assunto privado e 
consequentemente o espiritual perde o seu primado. O poltico  revalorizado e pensado no j a partir de uma 
ordem natural criada por Deus mas a partir do prprio homem;
2. o liberalismo abaixa os fins da poltica. Esta deixa de ter por objecto a excelncia humana para assumir 
a preservao dos direitos de cada um. Para assegurar ao mesmo tempu a paz civil e a liberdade individual,  
preciso "tomar os homens tais como eles so", renunciar  ideia clssica e crist segundo a qual o homem est 
por natureza ordenado para a virtude e organizar a sociedade a partir da livre prossecuo por cada um dos 
seus interesses. Herdeiro do direito natural moderno, o liberalismo insiste no j nos deveres do homem mas 
nos seus direitos - pertence a cada um definir o seu interesse; 
3. estes direitos individuais fixam limites ao poder do Estado. O poder poltico  o inimigo natural dos 
direitos do homem, em particular da liberdade, importando por isso limit-lo. Tal  o objecto da teoria 
constitucional liberal que defende a separao ou a diviso dos poderes - a fim de que, "pela disposio das 
coisas, o poder trave o poder" (Montesquieu) - e a supremacia do direito - a fim de eliminar o arbitrrio e de 
substituir a sujeio a senhores pela obedincia  lei;
4. a limitao do poder supe igualmente restringir a sua extenso. O liberalismo "despolitiza" reas 
inteiras da actividade humana: a religio, a moral (numa medida varivel) e tambm a economia. A economia 
de mercado, teorizada por Smith, permite, pondo ao mesmo tempo de lado a virtude e a coaco, obter uma 
cooperao pacfica entre os homens que alm do mais assegura a prosperidade. Este liberalismo econmico 
, sem dvida, distinto do liberalismo poltico mas pertence fundamentalmente ao mesmo movimento de 
pensamento e  mesma viso de conjunto da ordem social.
PH. BN.
- Manent (1986, 1987), Manin (1984), Rosanvallon (1979).

Luta de classes: A luta de classes no se resume  afirmao de que h classes sociais nas sociedades 
industriais e de que os seus interesses particulares as levam a opor-se e a entrar em conflitos umas contra as 
outras. Isso seria uma verificao pouco perturbadora para o pensamento. A noo de luta de classe no pode 
ser compreendida fora do

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147
espao ideolgico e poltico em que se inscreve. Ao afirmar que a histria de toda a sociedade  a histria da 
luta das classes, ao definir a verdade do capitalismo pela guerra que ope burguesia e proletrios, ao predizer 
o fim dessa guerra e ao anunciar a sociedade sem classes, Marx no nos coloca no registo da anlise 
sociolgica. Em tudo isso, enlaam-se duas iluses: primeiro a iluso de que se pode reduzir a diviso que 
atravessa toda a sociedade numa diviso inscrita na organizao econmica e social da produo; em seguida, 
a iluso de que essa diviso (tornada luta de classes) desaparecer quando nascer a sociedade dos iguais - de 
uma igualdade das condies que nada deixaria, da existncia de cada um, fora da sua jurisdio - e o homem 
estiver reconciliado com o homem. H classes e grupos que o interesse econmico faz entrar em oposio; h, 
por outro lado, uma lgica prpria do espao democrtico que "politiza a misria" e faz do desnvel entre rico 
e pobre o ndice insuportvel da injustia social. Do encontro destes dois factos - um facto socioeconmico, 
um facto que depende da conscincia colectiva-e da sua teorizao nasce a ideologia da luta de classes.
A. A.

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148

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149 

M

Macrossociologia/microssociologia: P. Lazarsfeld (1970) dedicou-se a precisar a diferena de nveis de 
anlise, de objectos estudados e de mtodos empregados pela macrossociologia e pela microssociologia. 
Nestes dois planos, ps em evidncia variaes histricas. A pesquisa pela "via de inquritos" foi 
primeiramente comandada por necessidades sociais; efectuou-se por meio de instrumentos rudimentares. O 
aperfeioamento dos mtodos de investigao, ocorrido nos Estados Unidos da Amrica entre as duas guerras, 
desembocou numa codificao cuja importncia para a sociologia geral Lazarsfeld sublinhou.
So processos locais, problemas especficos, unidades sociais de pequena dimenso que so examinados 
nesses inquritos. Com a ajuda de indicadores correctamente escolhidos, propem-se estudar uma questo 
delimitada. Observaes repetidas permitem estabelecer variveis que explicam fenmenos particulares.
De uma maneira geral, censurou-se aos inquritos, no entanto, o facto de se inscreverem num contexto 
limitado. Lamentou-se a ausncia de teorias gerais. Os problemas colocados a seguir  Segunda Guerra 
Mundial pelos pases subdesenvolvidos levaram, entre outros, a reflexo a um nvel mais alargado.
Esta nova orientao no significou um retorno s especulaes sociolgicas do sc. XIX. Se estas ltimas 
manifestam bem um alargamento da pesquisa e uma mudana de escala, contribuies to diversas como Le 
Chrysanthme et le Sabre (1946), The Civic Culture (1963) ou Dix-Huit Leons sur la socit industrielle 
(1962a) mostram tambm que os seus autores - R. Benedict, G. Almond e S. Verba, R. Aron - se empenharam 
em tratar os temas macrossociolgicos por meio de dados concretos.
Resta no entanto, como Lazarsfeld observou, que a macrossociologia no atingiu o estdio de codificao. 
A este nvel, "a lgica da medida" permanece vaga. Parece, de facto, "que no h ainda relao bem precisa 
entre as variveis individuais e os esquemas explicativos nos quais elas se inscrevem". Estes esquemas fazem 
intervir apenas um pequeno nmero de variveis. Os que assentam na distino de estdios sucessivos, como 
as "etapas" do crescimento econmico, referem-se a conceitos fundamentais cuja aplicao regional se revela 
falvel. Enfim, a generalizao ao plano macrossociolgico (por exemplo, o Estado) de resultados obtidos a 
um nvel restrito (o grupo) pe delicados problemas de agregao.
B. V.

Magia: Operao que visa agir contrariamente s leis da natureza por meios ocultos que supem a presena 
de foras extraordinrias e imanentes no mundo. Consoante a finalidade da operao pode distinguir-se uma 
magia branca de efeito benfico, como uma cura ou o xito de uma empresa, e uma magia negra que faz 
intervir espritos malignos para empresas malficas.
A distino entre poderes externos e internos (em relao ao operador), controlados e incontrolados, 
simblicos ou psquicos, permite conceber a magia como o desencadear de poderes externos, manipulados 
atravs dos smbolos (objectos, frmulas, gestos) em ordem a

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150
modificar o curso dos acontecimentos numa finalidade que aproveita ao agente mas eventualmente prejudica 
outrem, ao passo que a bruxaria pe em jogo, de maneira muitas vezes incontrolada, poderes (vampirismo, 
dupla viso, mau olhado) internos ao psiquismo do agente que pode ignorar a sua actuao.
M. Mauss (1950) confunde magia e bruxaria ( verdade que os limites se mantm imprecisos). Fora 
tambm a oposio entre fenmenos religiosos e fenmenos mgicos. Esquematicamente, a religio tende 
para a metafsica ao passo que a magia  essencialmente prtica. A primeira tem como rito caracterstico o 
sacrifcio, a segunda o malefcio. A primeira supe o intermedirio de poderes sobrenaturais cuja utilizao  
aceite; a segunda aparece como constrangedora e produz efeitos automticos, sendo considerada mais ou 
menos ilcita. A primeira  essencialmente colectiva e social; a segunda, individual nos seus ritos e 
eventualmente anti-social, embora assentando em crenas colectivas.
A estas oposies tendenciais correspondem, na realidade, muitas imbricaes entre magia e religio. Se 
cincias (astronomia dos magos medos e persas) e tcnicas (metalurgia dos alquimistas) puderam nascer num 
contexto de crena na magia, no poder inferir-se da que a cincia deriva da religio ou da magia. Esta 
funciona, segundo J.-Frazer (1911-1915), a partir das leis de similitude e de contgio. Para C. Lvi-Strauss 
(1958), a magia estrutura-se  volta de uma tripla crena: um suporte ideolgico comunitrio, a f do paciente 
na eficcia do rito e a do mgico nas suas tcnicas.
C. R.
- Roheim (1955).

Malthusianismo: O demgrafo britnico T. R. Malthus (1756-1834) no se teria sentido nem "malthusiano," 
nem "neomalthusiano,". Porqu? A sua tese fundamental (o seu "princpio de populao", enunciado em 
1798) era que a populao, no sendo travada, tende a aumentar mais depressa que os recursos disponveis. 
Consequentemente, para evitar que guerras, fomes, epidemias venham "restabelecer o equilbrio," convm, na 
sua opinio, manter-se casto antes do casamento e s se casar quando se est em condies de prover s 
necessidades de uma famlia.
Mas Malthus no era a priori hostil ao crescimento demogrfico. No era, portanto, "malthusiano," no 
sentido muitas vezes pejorativo que se d  expresso quando ela  aplicada aos indivduos que, vidos de 
ascenso social, desejam no "se encher" de filhos ou, mais geralmente, a toda a pessoa que aspira a uma 
existncia protegida, programada, o mais possvel desprovida de riscos e de responsabilidades. Malthus 
tambm no se teria declarado "neomalthusiano,". Este qualificativo, forjado em fins dos anos 1870, 
caracteriza os indivduos que crem que a castidade  um meio inumano de limitar a populao e que h que 
preferir-lhe a contracepo, ou seja, o aborto. Parece de facto que uma larga proporo dos cidados dos 
pases ditos desenvolvidos  "malthusiana" e "neomalthusiana".
A. B.
- Dupquier (1988), Fauve-Chamoux (1984), Landry (1934), Malthus (1978).

MANNHEIM (Karl), socilogo de origem hngara (Budapeste 1893 - Londres 1947): O nome de Mannheim 
permanece ligado  sociologia

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151
do conhecimento, isto , ao projecto de estudar o enraizamento social de toda a forma de conhecimento. 
Mannheim, na via do historicismo e de M. Weber, adianta que uma teoria s pode ser compreendida em 
funo da sua poca, donde um relativismo parcial, certamente ligado  teoria hegeliana da histria. Segundo 
Mannheim, cada poca tem uma maneira prpria de aceder  verdade. Para compreender uma poca,  preciso 
portanto interrog-la segundo a verdade que lhe  prpria. Assim, acusar Mannheim de relativismo absoluto, 
posio que destri toda a possibilidade de conhecimento, incluindo a sociologia como cincia, no teria 
fundamento. Mannheim pretendia manter o meio justo entre a evidncia do condicionamento social de toda a 
teoria, nesse aspecto relativa, e a ideia da verdade de uma poca acessvel para uma teoria que lhe  
apropriada - o marxismo para a nossa. Mannheim no  pois nem marxista ortodoxo (o marxismo no  
cientfico) nem historista (a verdade existe); toda a teoria fundamentada tem a sua parte de verdade. Donde o 
ttulo da sua obra Idologie et utopie (1929): o discurso que defende o passado (ideologia) e o que anuncia o 
futuro (utopia) no so nem totalmente falsos nem totalmente verdadeiros.
L. D.-G.

Marginalidade - vd. "Retrait"

MARX (Karl), filsofo, economista e terico do socialismo alemo (Trveris 1818 - Londres 1883): A obra 
de Karl Marx marcou profundamente a nossa poca. Ela transcende ao mesmo tempo as diferentes variedade 
de marxismo e as fronteiras disciplinares dentro das quais se pretendeu encerr-la, a economia ou a filosofia, 
por exemplo. Pde ver-se, justamente, em Marx um dos precursores da sociologia, porque ele se interrogou 
muito sobre a natureza do lao social nas sociedades contemporneas assim como sobre as relaes entre os 
indivduos e as suas relaes sociais. Certas formulaes de Marx podem deixar pensar que ele  tentado a 
explicar os movimentos da sociedade por determinismos econmicos e tecnolgicos. Mas ele resiste na 
maioria das vezes a essa tentao e procura explicar a marcha da sociedade pelas configuraes particulares 
que em determinado momento as actividades e as trocas sociais assumem. Para ele a sociedade capitalista da 
era moderna  essencialmente modelada pelas formas assumidas pelo trabalho; as actividades dos indivduos 
tornam-se actividades intercambiveis enquanto participantes de um trabalho geral abstracto, malevel at ao 
infinito, isto , mensurvel, e divisvel sejam quais forem as circunstncias. O prprio capital no  mais que 
trabalho abstracto, cristalizado ou acumulado, cuja posse decide acerca do emprego do trabalho e da sua 
repartio entre os diferentes tipos de actividade. No esprito de Marx, a sociedade capitalista  por excelncia 
uma sociedade da abstraco onde os indivduos comunicam e pautam as suas trocas passando por 
automatismos sociais que escapam ao seu controlo.
Nos seus escritos de maturidade, Marx esforou-se por patentear aquilo a que chama a lei do movimento 
desta sociedade de abstraco, mas sem verdadeiramente consegui-lo. Devem-se-lhe relances brilhantes sobre 
os conflitos sociais e os desequilbrios permanentes da sociedade contempornea assim como sobre a 
ubiquidade e a irresponsabilidade da mudana social. Ao mesmo tempo, verifica-se que

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152
muitas das anlises e das teorizaes so incompletas ou levantam mais problemas que os que resolvem.  
assim que no h em Marx concepo satisfatria da aco colectiva e mais particularmente da aco poltica, 
nem to pouco concepo satisfatria da relao entre os indivduos e as classes sociais, ou ainda da relao 
entre os indivduos e as instituies. No devem pois procurar-se em Marx solues para todos os males de 
que sofrem as sociedades actuais, nem a fortiori pedir-lhe que resolva o enigma da sociedade e da histria.
Marx escreveu, nomeadamente: O Manifesto do Partido Comunista (1848), em colaborao com F. 
Engels, Fundamentos da Crtica da Economia Poltica (1857), O Capital (livro I, 1857; os livros II, III e IV 
foram publicados aps a morte de Marx, em 1885, 1894 e 1905).
J.-M. V.
- Rubel (1957).

Massa (sociedade e cultura de): Diferentemente das expresses sociedade industrial e sociedade 
democrtica, a de sociedade de massa apresenta um contedo relativamente impreciso. Esta impreciso deve-
se ao termo que serve aqui para especificar a sociedade moderna. Gerada por um triplo movimento de 
industrializao, de urbanizao, de assalariamento, e promovida politicamente pela instaurao do sufrgio 
universal, a massa representa tambm um conjunto social homogneo, frequentemente tomado de modo 
pejorativo pelo indivduo que dele se exclui. A massa , sobretudo, um referencial fundamental com o qual 
so actualmente relacionados todos os fenmenos de comunicao e de consumo.
Os primeiros diagnsticos avanados colocaram a tnica na atomizao do corpo social, reduzido a no 
ser mais que um agregado de indivduos desunidos. Todos atribuem a este tipo de sociedade os mesmos traos 
caractersticos: dissoluo dos grupos primrios, desintegrao das comunidades locais, dominao de 
aparelhos burocrticos e uniformizao das condies. Com o deslocamento das funes de socializao para 
fora da famlia, a perda das solidariedades colectivas (incluindo de classe) e o desenvolvimento de relaes 
impessoais constituir-se-ia assim uma vasta sociedade annima exposta a todas as manipulaes, e em 
primeiro lugar, como o mostrou H. Arendt (1951), s iniciativas de um chefe carismtico.
Levados at aos seus extremos limites pelos regimes totalitrios, tais processos no so, no entanto, 
sofridos passivamente em toda a parte. Os inquritos conduzidos a partir do postulado de uma sociedade 
inteiramente automatizada (Lazarsfeld 1944) fizeram precisamente aparecer a manuteno de grupos 
primrios, a persistncia de relaes pessoais, a permanncia de sociedades intermdias no seio da sociedade 
de massa. Novas solidariedades nela se desenham e formas originais de integrao nela se desenvolvem. 
Esta cultura de massa, difundida pelos media (imprensa, rdio, cinema, televiso), foi objecto de juzos 
contraditrios. Entre as duas guerras, denunciou-se a sua influncia e os seus efeitos em termos de alienao e 
de desvalorizao. Tambm neste caso, estudos como os de H. Lasswell e de P. Lazarsfeld permitiram 
corrigir os esteretipos referentes  influncia exercida por estes vectores culturais. Encarados segundo o 
circuito econmico ou segundo o esquema ciberntico

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153
(Moles 1967), a cultura de massa apresenta-se como radicalmente distinta da cultura acadmica, clssica, que 
 logicamente adquirida e racionalmente ordenada. Pelo contrrio, a cultura de massa  constituda ao acaso 
de leituras e de emisses; justape elementos de informao entre os quais predominam os que so de ordem 
psicoafectiva. Estandardizada, a meio caminho do demasiado conforme que cansa e da originalidade 
excessiva que desconcerta, dirige-se a um pblico no dividido nem pelas actividades profissionais nem pelas 
dependncias sociais.
B. V.

MAUSS (Marcel), socilogo e antroplogo francs (pinal 1872-Paris 1950): Sobrinho de . Durkheim, 
professor no Colgio de Frana, Mauss exerceu uma grande influncia pelo seu ensino e por numerosas 
actividades, mas no publicou nenhum livro acabado. Tinha o gnio de fazer aproximaes entre fenmenos 
colectivos observados em contextos variados, e encontrou explicaes que abriam por vezes o caminho ao 
estruturalismo. Por exemplo, a noo de mana, que designa uma fora sobrenatural indefinida, pareceu-lhe ser 
a expresso de uma fora de pensamento universal que se encontraria em francs sob os termos de truc, 
machin. A sua obra mais importante  Essai sur le don (1925). Nela mostrava como a troca no mercantil, que 
se pratica em numerosas tribos arcaicas,  um princpio fundamental da vida em sociedade. Entre alguns 
ndios da Amrica do Norte, a cermnia do potlatch pe os chefes de cls em confronto e em desafio fazendo 
ofertas que reclamam em contrapartida outras ofertas, e que redundam na perda de prestgio para aquele que 
no est em condies de corresponder a tal investida de prodigalidade. Ao mesmo tempo, o potlatch serve 
para estabelecer alianas matrimoniais num ciclo de prestaes recprocas. Assim, a troca tem um fundamento 
que ultrapassa o simples estdio do comrcio. Num outro estudo, centrado numa nica sociedade, a dos 
esquims do Grande Norte, Mauss analisou as mudanas de ritmo, as alternncias. Esta populao vive 
durante o Vero em ordem dispersa, ao passo que no Inverno a comunidade reagrupa-se e leva uma existncia 
colectiva intensa, com ritos mgico-religiosos que so abandonados na estao estival. Um outro artigo 
clebre de Mauss  o que ele consagra s tcnicas do corpo, mostrando como as maneiras de caminhar, de se 
sentar, de nadar variam conforme os tipos de sociedade. Mauss apontou assim aos pesquisadores fecundos 
temas de investigao.
J. C.
- Cazeneuve (1968), Mauss (1950, 1969).

MAYO (Elton), socilogo americano (Adelaide 1880 - Polesden Lacey by Dorking, Surrey, 1949): Mayo 
encontra definitivamente o seu caminho em psiquiatria em fins da Primeira Guerra Mundial: nessa altura ele 
trata soldados em estado de choque. Em 1919,  nomeado para a ctedra de Filosofia recentemente criada na 
Universidade de Queensland. Em 1922, fundos americanos permitem-lhe vir aos Estados Unidos e financiar a 
sua primeira investigao sobre as relaes humanas na indstria. Em 1926, data decisiva da sua carreira, 
junta-se em Harvard  equipa da Graduate School of Business Administration, ento sob a influncia de L. 
Henderson, especialista de 

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154
qumica biolgica e adepto de V. Pareto. Em Abril de 1928, Mayo junta-se  equipa da Harvard School, que 
conduz desde Novembro de 1924 as clebres experincias Hawthorne sobre a produtividade das operrias. 
Desempenha um papel importante na reorientao das experincias e na interpretao dos seus resultados. 
Durante este perodo, associa W. Lloyd Warner s experincias Hawthorne (anlise da estrutura dos grupos 
informais) e participa no lanamento por Warner das pesquisas denominadas Yankee City Studies (1941-
1959).
Fundador do movimento das relaes humanas em psicologia e sociologia industriais, Mayo teve de 
enfrentar os primeiros ataques contra este movimento. Censurou-se  sua filosofia social o facto de privilegiar 
a harmonia pela subordinao s elites e de minimizar o papel dos conflitos sociais e o dos sindicatos. A sua 
resposta consiste em lembrar que o carcter destrutivo dos conflitos sociais justifica a procura de melhores 
caminhos para tratar os problemas humanos. Quanto aos sindicatos, no se lhes opunha mas era-lhes 
indiferente (eles no eram praticamente activos em Hawthorne).
Pouco dotado para a sntese ou para a sistematizao, Mayo era acima de tudo um explorador e um 
divulgador de ideias e de pistas novas. Neste sentido, a sua carreira ter sido um pleno sucesso.
B.-P. L.
- Mayo (1933, 1945, 1947), Roethlisberger, Dickson (1939), Urwick(1960).

MEAD (George Herbert), filsofo e socilogo americano (Hadley, Massachusetts, 1863 - Chicago 1931): 
Depois de ter recebido em Harvard o ensino de W. James e de ter efectuado viagens  Europa, Mead ocupou, 
de 1893 at  sua morte, uma ctedra de Filosofia na Universidade de Chicago. A dispensou um ensino em 
que se encontravam estreitamente combinadas as orientaes conceptuais do evolucionismo, do utilitarismo e 
do behaviorismo com os contributos de W. Wundt, C. Pierce e, sobretudo, C. H. Cooley. Os seus cursos 
principais foram publicados aps a sua morte, sob o ttulo The Philosophy of Present (1932), e os seus artigos 
reunidos, em 1934, em Mind, Self and Society. As duas ltimas publicaes pstumas - Movements of 
Thought in the Nineteenth Century (1936) e depois The Philosophy of the Act (1938)- no trazem 
complementos essenciais  anlise da comunicao interindividual, isto ,  psicologia social moderna, para 
cuja fundao este pragmatista, intimamente ligado a J. Dewey, ter contribudo.
Com Mead, , de facto, ao processo da comunicao que o comportamento do indivduo  referido. Neste 
ltimo, a conscincia de si nasce de trocas entre pessoas, de relaes de reciprocidade, da inaco. O domnio 
que ele possui do processo de interaco depende da sua aptido para assumir o papel de outrem e de situar-se 
em relao a ele; esse domnio supe, a partir da tomada em considerao - e atravs da efectuao - de gestos 
significativos, o reconhecimento do smbolo como mediao; exprime-se no ajustamento simblico que  
adaptao e pautao das atitudes, mas em primeiro lugar percepo e representao das unidades sociais em 
termos de expectativas, de antecipaes, de estratgias. Nos conjuntos sociais fortemente estruturados, este 
domnio da comunicao interindividual pode tornar-se quase total.
B. V.

Medicina(sociologia da): Os trabalhos sociolgicos referentes  

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155
medicina s tiveram incio em Frana em fins dos anos 60. Na sua origem, encontra-se, sem dvida, a prpria 
evoluo mdica. Por esta altura, a importncia da aposta que o hospital pblico constitua, a exploso das 
tcnicas mdicas, a tomada de conscincia dos custos crescentes da sade atraram a ateno dos 
investigadores em cincias sociais. Mas o desenvolvimento de uma sociologia que tome a medicina e a 
doena como objectos  igualmente solidria de uma evoluo das concepes da doena e da sade. 
Testemunha a renovao do interesse pelos factores ambientais e pelas condies sociais e exprime o 
reconhecimento do facto de que a sade e a doena representam sempre a articulao de realidades fsicas 
com definies e condutas sociais. 
Este campo de pesquisa inclui os estudos da etiologia social das doenas, do funcionamento hospitalar, da 
formao dos mdicos, dos diversos tipos de organizao do exerccio da medicina, do acesso aos cuidados 
mdicos, a anlise das representaes e dos estatutos sociais associados s doenas. O estudo das polticas 
sanitrias tambm nele se inscreve; elas no podem, portanto, ser encerradas numa problemtica unificada. 
Num primeiro tempo, o socilogo aplicou muitas vezes  medicina problemticas e conceitos sociolgicos 
clssicos. Assim, a ateno dedicada aos mdicos e s diferentes formas do seu exerccio nasceu do interesse 
pela anlise das profisses. Nesta perspectiva, T. Parsons (1955) analisou os papis do mdico e do doente na 
sociedade moderna ocidental. De igual modo, o hospital atraiu a ateno dos socilogos porque representava 
um prottipo de organizao complexa em que interagiam grupos e lgicas mltiplas. Por fim, a noo da 
classe social foi utilizada com sucesso para a anlise das informaes e atitudes face  sade e para a do 
acesso aos cuidados mdicos ou das relaes mdicos-doentes.
Em compensao, a medicina constitui hoje um caso privilegiado que abre a reflexo sociolgica a 
problemas que ultrapassam o contexto sanitrio. Permite abordar de frente duas das caractersticas essenciais 
das sociedades modernas: em primeiro lugar, o papel que nelas desempenham a "percia" e a sua autoridade 
especfica inseparvel da noo de "profisso" (Freidson 1970). A profisso mdica permite pensar a ordem 
mdica mas tambm a ordem judiciria ou universitria.  tambm no domnio mdico que o socilogo pode 
estudar melhor as articulaes do cientfico e do social. Assim, a anlise feita por A. Chauvenet (1978) da 
especializao hospitalar mostra como a uma diviso cientfica e tcnica do trabalho mdico corresponde uma 
hierarquia social dos doentes segundo diferentes linhas de cuidados. Permite estudar como uma cincia 
aplicada por profissionais numa prtica quotidiana modela a nossa vida e intervm na sociedade:  atravs do 
saber e da prtica mdica que se estruturam as modalidades segundo as quais cada indivduo experimenta a 
doena e o seu tratamento. A realidade biolgica  assim socialmente construda. Reciprocamente, a medicina 
deve ser, ela prpria, encarada na sua relao com o conjunto dos saberes, das prticas, das instituies, das 
"vises do mundo" das sociedades que a englobam e a modelam (Herzlich, Pierret 1984).
C. H.

Mentalidade: O termo "mentalidade", tanto no seu uso corrente

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156
como no seu uso cientfico, s emerge no incio do sc. xx e recobre noes bastante diversas e de contornos 
pouco precisos, no sendo de facto definido nem por aqueles que mais o utilizam. Uma definio muito geral 
poderia ser: conjunto das predisposies, atitudes, hbitos, orientaes intelectuais e morais, cognitivas e 
afectivas, que so comuns aos membros de uma colectividade. Essa colectividade pode ser quer uma dada 
sociedade, um grupo social particular, quer uma categoria de indivduos (a mentalidade infantil, a mentalidade 
dos novos-ricos). Ao mesmo ttulo que a atitude no indivduo, a mentalidade  algo de latente, um conjunto de 
disposies que se exprimem em opinies, construes intelectuais, crenas, representaes especficas.
A palavra foi utilizada em duas tradies intelectuais diferentes que conduzem a dois conceitos quase 
opostos. L. Lvy-Bruhl populariza o termo pelos seus trabalhos sobre a mentalidade primitiva (1910, 1922). 
Mentalidade significa aqui funes mentais, mecanismo mental, sendo praticamente equivalente a 
pensamento (como de resto mentality em ingls). O conceito  limitado ao seu aspecto cognitivo mas o seu 
campo de aplicao  alargado primeiro ao conjunto das sociedades arcaicas e depois ao conjunto do gnero 
humano pois que a mentalidade primitiva seria uma estrutura permanente do esprito humano (Lvy-Bruhl 
1949). O conceito  bastante prximo em J. Piaget (1926) quando ele fala de "mentalidade infantil" no sentido 
de estruturas mentais ou modalidades do pensamento, ou ainda em expresses tais como "mentalidade 
paranide", ou "mentalidade mrbida".
A partir dos anos 60, a palavra "mentalidade"  essencialmente utilizada na expresso "histria das 
mentalidades", designando, em Frana, um sector da investigao histrica que visa reconstituir a concepo 
do mundo e a sensibilidade colectiva prprias de uma dada cultura, num determinado momento. Aqui, a 
compreenso do conceito  vasta: designa no apenas as estruturas cognitivas mas tambm os hbitos 
psicolgicos e morais, as crenas profundas, a viso do mundo assim como o domnio afectivo.
Temos de um lado, portanto, um conceito global mas destinado a captar o particular e a mudana; do 
outro, um conceito muito mais limitado na sua compreenso mas destinado a captar o universal e o 
permanente.
PH. BD.

Meritocracia: Este termo designa geralmente uma hierarquia dos postos e dos lugares que resulta da 
aplicao do princpio: a cada um segundo os seus dons e os seus mritos.
De uso pouco frequente, comporta equvocos, em particular porque o seu sentido  mais amplo que o que 
ele evoca. Se sugere uma repartio dos postos em funo dos esforos, do trabalho, da boa vontade de cada 
um, acaba por designar de facto um estado social em que a hierarquia das posies se decalca sobre a das 
qualidades individuais (dons e mritos misturados), ou mais simplesmente um estado social em que reina a 
igualdade das oportunidades. A meritocracia  inigualitria mas essa inigualdade  o resultado de uma 
competio igual: resultados desiguais mas oportunidades iguais  partida. Por outras palavras, nem o 
nascimento, nem as relaes, nem a oportunidade condicionam o xito social; 

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157
jogam apenas os dons e mritos, tais como so reconhecidos e mensurados. De que modo operar essa seleco 
social? Segundo a verso mais corrente da meritocracia, so a escola e a universidade que asseguram essa 
funo; a hierarquia social confunde-se ento com a dos diplomas. Uma meritocracia perfeita  uma utopia, 
mas as sociedades so mais ou menos meritocrticas.
PH. BN.

Messianismo e milenarismo: Messianismo e milenarismo so fenmenos de expectativa religiosa que 
produzem efeitos semelhantes. 
Falando com rigor, o messianismo refere-se  crena num rei a vir, enviado por Deus, ou pelos deuses; o 
seu governo, destinado a durar eternamente e a revestir uma dimenso universal, trar glria, justia, 
abundncia ao povo em questo. O milenarismo representa uma das formas assumidas pela expectativa 
escatolgica crist. Para os pr-milenaristas, Cristo voltar  Terra no "fim dos tempos" para nela reinar mil 
anos (Apocalipse, XX), antes do Juzo Final. Para os ps-milenaristas, a vinda de Cristo (para o Juzo e a 
eternidade) coroar um tempo de "cristianizao" das instituies.
Messianismo e milenarismo tm em comum o facto de transformarem situaes de sofrimento em 
dinmicas de esperana. Podem envolver populaes ou partes de populaes, classes sociais ou outros 
grupos de natureza e dimenses variadas. Historiadores, antroplogos e socilogos vem neles respostas a 
situaes de dominao - polticas, econmicas, culturais - vividas como intolerveis. Pode falar-se ento de 
ideologias e de movimentos de "deserdados", que geram com frequncia (Idade Mdia ocidental e Terceiro 
Mundo actual) revoltas sociais e religiosas.
Os milenarismos ocidentais contemporneos - em geral no campo protestante - so mais uma coisa de 
"herdeiros" que de deserdados: darbistas, adventistas, testemunhas de Jeov, etc. Entre eles, a frustrao d 
muitas vezes origem a atitudes passivas.
A explicao dos fenmenos messinicos e milenaristas deve ter em conta a sua extrema variedade. Os 
investigadores estudaram-nas geralmente na sua proximidade do domnio poltico. Designam-se assim como 
pr-politicos os que do origem a movimentos de revolta e depois desaparecem, ou subsistem como 
formaes religiosas conservadoras (Worsley 1957). Fala-se de ps-politismo quando messianismo ou 
milenarismo exprimem uma decepo nascida do fracasso dos movimentos sociopolticos (Thompson 1963). 
Alguns autores pensam que uns acompanham mais do que precedem ou vm depois dos outros (Cohn 1957; 
Hobsbawn 1959).
A explicao poltica e/ou econmica exclusiva das ideologias e movimentos messinicos e milenaristas , 
sem dvida nenhuma, redutora: no permite captar o sentido vivido da experincia religiosa que motiva os 
actores sociais.
J. S.
- Balandier (1955), Desroche(1973), Laplantine (1974).

MICHELS (Robert), socilogo italiano de origem alem (Colnia 1876 - Roma 1936: De pai alemo e de 
me italiana, Michels fez os seus estudos na Alemanha, na Gr-Bretanha e em Frana. Inicialmente social-
democrata militante, abandona o partido em 1907. Michels descreveu a sua evoluo num ensaio 
autobiogrfico: Eine Syndikalistisch gerichtete Unterstrnung im deutschen Sozialismus (1932). Escrevendo 
em alemo e em italiano, 

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158
dedicou em 1911 uma obra aos partidos polticos. A traduo francesa (1914), publicada sob o ttulo Les 
Partis politiques, comporta um subttulo significativo: Essai sur les tendances oligarchiques des dmocraties.
A partir de exemplos tirados das organizaes alems, holandesas, britnicas ou italianas, Michels mostra 
como a direco das grandes mquinas polticas ou sindicais  progressivamente dominada por uma classe de 
dirigentes profissionais, que afirma falar em nome dos militantes. Para explicar o fenmeno, faz apelo a duas 
espcies de causas: em primeiro lugar, as necessidades da aco colectiva impem chefes s organizaes; em 
segundo lugar, a psicologia das massas, a sua ligao s pessoas que falam em seu nome constituem a base 
psicolgica do poder dos chefes. Michels ps em evidncia a contradio entre os valores democrticos, que a 
seu ver legitimavam a aco colectiva, e as necessidades internas das organizaes de massa. Mostrou que, 
nos partidos e nos sindicatos, a democracia interna era severamente limitada por aquilo que ele denominou "a 
lei de bronze da oligarquia [*]".
J.-C. L.

Migrao: A migrao designa o deslocamento de populaes de uma regio para outra, particularmente das 
regies rurais para as zonas urbanizadas, mas tambm de uma sociedade para outra. Em ambos os casos, no 
so os mais miserveis que se deslocam, mas os que so mais susceptveis de tomar conscincia do desnvel 
entre as suas aspiraes e a possibilidade de concretiz-las no local onde se encontram.
O primeiro efeito da migrao  o de obrigar os migrantes a elaborar uma srie de novas funes.  mais 
marcado no caso das migraes internacionais (Borrie 1956).
Para descrever as consequncias destas migraes, vrios sistemas conceptuais foram utilizados. Mas, em 
todos os casos, importa distinguir entre o que alguns chamam a assimilao cultural (qualificada por outros de 
aculturao*), que designa a adopo pelos migrantes dos modelos culturais da sociedade de instalao, e a 
assimilao estrutural (muitas vezes qualificada de integrao), que designa a participao nos vrios grupos 
primrios. M. Gordon (1964) pde assim verificar que nos Estados Unidos da Amrica os migrantes 
conhecem uma assimilao cultural rpida, mas uma fraca aculturao estrutural. Populaes que adoptaram 
os valores e as condutas conformes com os modelos nacionais nem por isso participam igualmente na vida 
social fora do seu grupo de origem. Em contrapartida, uma vez realizada a assimilao estrutural, ela traz 
consigo o fim dos casamentos endogmicos e de todas as formas de especificidade.
O processo de assimilao ganha formas diferentes nos pases de imigrao, como os Estados Unidos ou 
Israel, formados pelas migraes, e nos Estados-naes de tipo europeu (Schnapper 1974). No primeiro caso, 
formam-se grupos tnicos que mantm durante mais tempo os modelos culturais de origem e constituem um 
meio que favorece uma aculturao mais lenta e progressiva. No segundo caso, os migrantes, obrigados a 
adaptar-se mais rapidamente s normas impostas pela sociedade de instalao, so menos susceptveis de 
formar grupos sociais especficos. Pde tambm verificar-se nos Estados Unidos um fenmeno de retorno s 
identidades nacionais, segundo a 

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159
teoria dita das trs geraes (Herberg 1955). Os filhos dos migrantes nascidos nos Estados Unidos (a 
"segunda gerao"), ainda mal seguros da sua identidade nacional, esforam-se por se integrar plenamente na 
sociedade americana, rejeitando a identidade irlandesa ou italiana do seu pai; em contrapartida, os netos ("a 
terceira gerao"), que j no tm quaisquer dvidas sobre a sua pertena social, recuperam a identidade 
nacional de origem graas  qual obtm um estatuto e um lugar dentro da sociedade americana. A teoria das 
trs geraes explica a situao dos Estados Unidos da Amrica, onde se combinam identidades histricas 
particulares (italiana, grega, polaca, judaica, etc.) com uma participao cultural e poltica nacional; mas 
traduz mal os processos de aculturao no interior dos Estados Unidos.
D. S.

Milenarismo - vd. Messianismo e milenarismo.

Minoria: O termo "minoria" designa um grupo de pessoas que diferem pela raa, pela religio, pela lngua ou 
pela nacionalidade do grupo mais numeroso no meio do qual vive. Duas precises devem ser feitas. Em 
primeiro lugar, um grupo s constitui uma minoria se tomar conscincia de si prprio enquanto grupo 
diferente dos outros e, na maioria das vezes, socialmente inferiorizado, sobretudo se  assim visto pelos 
outros. Os ruivos so menos numerosos que os morenos nas nossas sociedades, mas no formam uma 
minoria, na medida em que, no tendo a cor dos cabelos significao social, eles no tm conscincia de 
constituir um grupo particular. Por outro lado, o termo "minoria" tem sempre uma dimenso social e poltica: 
na maioria das vezes, a minoria constitui um grupo ao mesmo tempo menos numeroso, menos considerado e 
menos poderoso; mas no  necessariamente esse o caso. Os Negros, maioritrios pelo seu nmero na frica 
do Sul, constituem no entanto uma minoria na ordem social e poltica instalada naquela repblica.
As relaes entre maioria e minorias so habitualmente conflituosas, mas nunca se fixam uma vez por 
todas (Blalock 1967). Entre a maioria e a ou as minorias existem conflitos, mas tambm acordos e formas de 
aculturao (Barth 1969). As populaes judaicas, sempre minoritrias, conheceram formas de aculturao 
diferentes nas naes ocidentais e nos pases muulmanos. 
A situao de uma ou das minorias varia segundo a natureza dos regimes polticos e sociais, a sua 
possibilidade ou a sua vontade de reconhecer, de maneira formal ou informal, a existncia das minorias. No 
seu princpio, o Estado-nao, elaborado na Europa na poca dos nacionalismos, no admite a existncia das 
minorias nacionais ou culturais e ignora as minorias religiosas. Os negociadores do Tratado de Versalhes 
esforaram-se depois da Primeira Guerra Mundial - sem de resto o conseguirem - por reconstruir a Europa 
com base no princpio das nacionalidades e por suprimir as minorias no interior das naes europeias. Em 
contrapartida, a Sua ou o Lbano foram fundados por um acordo poltico entre grupos religiosos e nacionais 
quantitativamente desiguais, que reconhecia a existncia e os direitos de todos esses grupos. O nmero das 
minorias modifica tambm o sentido da relao maioria-minoria. Nos Estados Unidos, quando os 

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160
talo-americanos, os polaco-americanos ou os judeus americanos se tornaram mais numerosos que os wasp, 
deixaram de constituir minorias para se tornarem componentes de uma nao fundada num consenso poltico 
de grupos culturais diferentes (Glazer, Moynihan 1964; Greenley 1974). No sistema democrtico, fundado no 
princpio do respeito das minorias polticas, as minorias religiosas e culturais podem ter um poder de 
bloqueio. Assim, os muulmanos minoritrios da Unio Indiana souberam utilizar os meios do funcionamento 
democrtico para impedir o voto de leis laicas contrrias s tradies cornicas (Krishna 1986).
D. S.

Mobilidade social: A expresso designa a circulao dos indivduos entre as categorias ou classes sociais. H 
dois tipos de mobilidade. A mobilidade intrageneracional  a passagem dos indivduos de uma categoria para 
outra durante a mesma gerao: compara-se neste caso a classe  qual pertence o indivduo em fim de 
carreira, por exemplo,  classe  qual ele pertencia no incio de carreira. A mobilidade intergeneracional  a 
circulao de um indivduo do grupo social a que pertence a sua famlia (pai e/ou me) para um outro grupo: 
comparamos a classe social  qual pertence o indivduo  classe a que pertence a sua famlia. Uma sociedade 
dividida em duas classes, com dois fluxos que a caracterizam, pode ser representada pelo seguinte quadro:


filho: C1 - C2
pai:
C1 ... 25 -  5 - 30
C2 ... 15 - 55 - 70
       40 - 60

Na gerao do pai (linhas horizontais), a classe C1 tem 30 indivduos e C2 tem 70. Na gerao do filho, 
C1 tem 40 e C2 tem 60. Alguns filhos pertencem  mesma classe que os seus pais (todos os que esto situados 
na diagonal noroeste, sudeste): so os imveis em nmero de 80. Outros, pelo contrrio, no pertencem  
mesma classe que os seus pais (todos os que no esto situados nessa diagonal): so os mveis em nmero de 
20. Se se suposer que a classe C1  superior  C2 em termos de rendimento, nvel de instruo, prestgio ou 
poder, verifica-se que 5 filhos pertencem a C2 ao passo que os seus pais pertenciam  C1: chamar-lhes-emos 
os mveis descendentes. Por simetria, qualificaremos de mveis ascendentes os 15 filhos que fazem parte de 
C1 mas cujos pais estavam em C2.
Os socilogos da mobilidade tentaram responder a pelo menos dois conjuntos de questes. O primeiro  
relativo aos factores que determinaram a mobilidade, o segundo s consequncias da mobilidade na sociedade 
e/ou nos comportamentos individuais. Comearam por pr em evidncia a heterogeneidade dos factores que 
influenciam na mobilidade. Os 20 mveis no mudaram de classe pelas mesmas razes. Dez dentre eles foram 
forados a passar de C2 para C1. Com efeito, se se comparar as distribuies dos indivduos entre as classes 
nas duas geraes, C2 perdeu 10 indivduos (70-60), que C1 deve recuperar. Esta mudana das estruturas d 
origem a uma mobilidade estrutural, ou forada, que pode ser, por exemplo, o resultado do xodo rural se a 
sociedade se urbaniza e se industrializa, de uma diminuio dos operrios no qualificados se se verificarem 
reestruturaes da indstria, do comrcio ou do sector 

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161
tercirio que exigem pessoal cada vez mais qualificado. Assim, em 20 mveis, 10 so mveis estruturais; os 
outros 10 so mveis puros. A mobilidade pura est na base dos clculos dos ndices de mobilidade, das 
comparaes internacionais ou das comparaes da mesma sociedade em momentos difceis da sua histria. 
Tais comparaes permitem saber se uma sociedade  mais ou menos aberta, se o  mais que uma outra, se 
enfim as hipteses de mobilidade que concede aos societrios aumentam ou diminuem a sua estabilidade 
poltica e social. Um dos determinantes da mobilidade pura que constituiu objecto das mais numerosas 
pesquisas  o sistema de ensino. Um aumento do nvel de instruo gerar uma maior mobilidade? A resposta 
a esta simples questo no  de facto fcil. Verifica-se na verdade uma influncia do nvel de instruo dos 
indivduos sobre o seu estatuto, mas isso nem sempre significa uma melhoria das suas posies em relao s 
dos seus pais. Uma das razes avanadas para explicar tal paradoxo  o facto de a estrutura educativa mudar 
mais rapidamente que a estrutura profissional. O segundo tipo de questes que os socilogos levantam  
relativo s consequncias da mobilidade. Uma grande mobilidade gerar a estabilidade poltica? Reduzir as 
posies polticas extremistas? Tornar os estilos de vida das classes menos heterogneos? Ser, pelo 
contrrio, um factor de instabilidade, de tenso e de anomia? As concluses de numerosas pesquisas 
corroboram em parte as primeiras hipteses.
M. C.
- Boudon (1973), Thlot (1982), Weiss (1986).

Mobilizao poltica: Na linguagem corrente, a mobilizao evoca a afectao de civis para postos e 
actividades militares. Os socilogos e os politlogos retiveram desse sentido primeiro a dimenso de 
disponibilidade para a aco.
Segundo uma primeira concepo defendida por K. Deutsch (1961), a mobilizao est intimamente 
ligada  modernizao, cujo aprofundamento favorece. Implica ao mesmo tempo uma profunda eroso dos 
compromissos tradicionais nos planos econmico, social e psicolgico e, sob o efeito desse desmoronamento, 
uma disponibilidade dos actores para novos modelos de socializao e de conduta. A mobilizao tenderia 
assim a fundir cada indivduo num "pblico social e poltico". P. Nettl (1967) distanciou-se relativamente a 
esta concepo ao sublinhar que a mobilizao constitui um processo autnomo, analiticamente independente 
da modernizao. Distinguiu igualmente dois tipos principais de mobilizao: ascendente (denominada 
"estalagmite") e descendente ("estalactite"). De social que era em Deutsch, a mobilizao torna-se aqui 
essencialmente poltica. Enfim, toda uma corrente de pensamento se definiu a partir da sua concepo da 
mobilizao, encarada como "mobilizao dos recursos". Ao ver na mobilizao um processo que visa 
instaurar o controlo de uma unidade social sobre recursos de que no dispunha anteriormente, A. Etzioni 
(1968) desempenhou um papel de precursor; mas a nova concepo no se reconhece apenas neste tipo de 
definio. No seu conjunto, os autores desta corrente propem uma imagem realista - e no romntica - da 
mobilizao, insistem nas suas dimenses racionais, por oposio s teorias clssicas do comportamento 
colectivo, e esforam-se por explicar o prprio desenrolar do

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162
processo, por meio de uma anlise dinmica: a partir deste fundo de orientaes comuns desenvolvem-se 
passos originais, como o de A. Oberschall (1973), que ps em evidncia condies cruciais de emergncia da 
mobilizao no quadro global do conflito sociopoltico. O carcter inovador desta perspectiva  indiscutvel, 
mas pode lamentar-se que ela se fique por uma concepo demasiado instrumental dos recursos, como o 
assinalou M. Dobry (1986), e que tenda a subestimar o peso das lealdades, nas quais F. Chazel (1975) colocou 
a tnica, como as ideologias e, mais geralmente, das concepes do mundo.
F. C.
- Germani (1971).

Moda: O termo "moda" aplica-se na linguagem corrente quer ao favor particular e momentneo de que goza 
alguma coisa, quer s mudanas que afectam o vesturio e os adornos, quer ainda a prpria roupa. Em 
sociologia, a moda  concebida como o processo de transformao incessante e de tendncia cclica das 
preferncias prprias dos membros de uma dada sociedade, em todas as espcies de domnios. A noo no se 
limita  moda do vesturio nem aos entusiasmos sbitos e efmeros por objectos ou comportamentos fteis 
que a lngua inglesa designa pela palavra fad (capricho). No entanto, restringe-se geralmente s preferncias 
que no se reduzem a uma funo propriamente utilitria. Donde o carcter de arbitrrio ou de irracional que 
comummente se atribui aos movimentos da moda.
Nos incios da sociologia, a moda era a referncia quase obrigatria que permitia manifestar a parte do 
social nos comportamentos individuais. Como forma de regulao, como mecanismo ou expresso da 
mudana e da estratificao, as suas relaes com os problemas centrais da disciplina parecem evidentes. G. 
de Tarde (1890) via nela uma das formas da imitao dos contemporneos, do estrangeiro, prpria das 
sociedades de classes, por oposio ao costume, imitao dos antigos, dos predecessores. Na esteira de H. 
Spencer, G. Simmel (1904) sublinhava a sua dupla funo, satisfazer ao mesmo tempo o desejo de 
conformismo e a preocupao de diferenciao e analisava-a como o resultado de uma rivalidade entre classes 
sociais. O seu movimento perptuo viria da procura de sinais de distino adoptados primeiro pela classe 
superior e que deslizam em cascata de uma camada social para outra. Para se demarcarem, as classes 
superiores vem-se obrigadas  renovao dos seus sinais, e assim sucessivamente.
Este modelo de difuso vertical dos bens da moda foi largamente aceite ainda que no tenha sido 
praticamente submetido  prova dos factos, por falta de um material adequado. De uma maneira mais geral,  
flagrante o contraste entre a massa das reflexes sobre a moda, considerada como o "fenmeno social por 
excelncia" e a raridade dos estudos empricos. Isso deve-se  identificao muito forte da moda com a moda 
do vesturio, ou mesmo com a prpria roupa (Besnard 1979). A moda do vesturio , no entanto, um exemplo 
particularmente impuro do fenmeno. A escolha de uma roupa  em parte determinada pela sua 
disponibilidade e pelo seu custo. Alm disso, neste caso, cada um sabe (mais ou menos) que se conforma 
(mais ou menos) com a tendncia colectiva da altura. Ora, o que  fascinante no fenmeno da moda  que ele 
 o exemplo mais imediato da eterna 

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163
questo da sociologia: a das relaes entre o individual e o colectivo. So as nossas escolhas individuais 
adicionadas que formam o "gosto colectivo" da poca; no entanto, tudo se passa como se essas escolhas 
individuais se conformassem com esse gosto colectivo. E a conformidade das escolhas individuais com a 
escolha colectiva pode ser no apenas ignorada mas receada.
V-se isso bem no caso da escolha dos nomes, objecto privilegiado para o estudo da moda porque a 
encontramos a tenso entre o receio do comum e o do excntico, mola do seu movimento, e tambm porque o 
nome  um bem gratuito, cujo consumo  obrigatrio, o que permite captar o fenmeno no que ele tem de 
puramente social. O estudo estatstico dos nomes dados em Frana desde h um sculo (Besnard, Desplanques 
1986) permitiu pr  prova os modelos de difuso da moda (vd. difuso), precisar o seu andamento social e 
geogrfico e tambm pr em evidncia ciclos do gosto colectivo, de perodo varivel segundo a carreira 
passada de cada nome. Tal como o estudo de A. L. Kroeber e J. Richardson, que tinham encontrado variaes 
cclicas de longa durao em certos parmetros do vesturio feminino, estes resultados sugerem que a 
evoluo cclica das preferncias obedece a uma dinmica que lhe  prpria.
PH. BD.
- Koenig (1967).

Modelo em sociologia: Procurar compreender um fenmeno social,  fazer-se dele uma representao, ao 
mesmo tempo simplificada e, no entanto, respeitadora da sua complexidade. Essa representao, que se apoia 
na observao,  uma construo que visa explicar o objecto, na sua sincronia e na sua diacronia. Chamar-se- 
"modelo" ao produto dessa elaborao. Resulta de um esforo de formalizao do objecto estudado e tem 
como finalidade propor uma interpretao - do ponto de vista do investigador - desse objecto. A utilizao de 
modelos em sociologia  to antiga como a prpria sociologia.
Em tempos, procurou-se construir modelos por analogia, em particular assimilando os fenmenos sociais 
a um mecanismo ou a um organismo. Tratava-se de modelos materiais concebidos a partir da observao das 
estruturas existentes na realidade:  o que acontece quando se fala de escala para explicar a estratificao 
social ou quando se descreve a evoluo das sociedades por analogia com o ciclo da vida humana.
Actualmente, h uma maior tendncia para elaborar modelos formais que se podem definir como "uma 
construo simblica e lgica de uma situao relativamente simples, elaborada mentalmente e dotada das 
mesmas propriedades estruturais que o sistema factual original" (Rosenblueth, Wiener 1954).
Reserva-se muitas vezes o termo de modelo formal aos modelos matemticos que fazem apelo a 
representaes cifradas da realidade e que estabelecem entre esses dados relaes que se exprimem por meio 
de equaes. Dentro dessa classe, podem distinguir-se os modelos estatsticos (como a anlise de similitude 
ou a anlise factorial), que no esto associados a nenhum contedo sociolgico; os modelos experimentais 
directamente tirados da observao, de natureza hipottico-dedutiva; os modelos simulveis, isto , 
"manipulveis", a maior parte dos quais so aleatrios e tm em conta o acaso como um elemento importante 
da simulao. Estes ltimos possuem a propriedade de 

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164
uma quase experimentao; so teis quando a realidade social que se pretende explicar no se presta a uma 
experimentao directa ou quando essa experimentao, embora possvel, ponha quer problemas 
deontolgicos quer problemas de tempo e de custo.
H tambm uma classe de modelos formais qualitativos, representao simblica das relaes que existem 
entre os elementos de uma realidade social. O ideal-tipo weberiano, tal como o ideal-tipo do esprito do 
capitalismo,  um modelo formal; de igual modo, os modelos construdos no quadro da abordagem 
sistemtica em que "um modelo de um fenmeno ou de um processo  essencialmente um modo de 
representao tal que permite, por um lado, explicar todas as observaes feitas e, por outro, prever o 
comportamento do sistema em condies mais variadas que as que deram origem s observaes" (Naslin, 
citado por Le Moigne 1977). Quer seja matemtico- experimental ou simulvel - quer qualitativo, um modelo 
, em primeiro lugar, uma ajuda  reflexo terica. Pela exigncia de formalizao, e portanto de rigor, que 
preside  sua construo, permite avaliar a sua coerncia interna e a sua adequao com o objecto, e da tirar 
todas as consequncias.  tambm, numa perspectiva operacional, uma ajuda  aco.
Y. C.
- Boudon, Grmy (1977), Grmy (1971).

Modernidade: A modernidade designa ao mesmo tempo um perodo da histria humana inaugurado na 
Europa e o conjunto dos fenmenos que o caracterizam. No se discute quanto ao lugar do seu aparecimento 
mas quanto  altura em que se produziu. Uns inclinam-se para o sc. XVI e a sua convico de inaugurar uma 
era nova reatando com a Antiguidade. Outros ligam-se, com maior verosimilhana, ao sc. XVII e ao 
aparecimento da cincia e da filosofia poltica contratualista. Outros ainda descem at ao sc. XVIII,  
filosofia das Luzes e aos primeiros passos da industrializao, ou at ao sc. XIX e ao triunfo da cincia, da 
tcnica e da indstria.
Quase no se discute a lista dos traos distintivos da modernidade. No domnio poltico, manifesta-se, por 
um lado, pela instaurao de poltias estveis empenhadas no concerto das naes europeias e, por outro lado, 
pela construo de regimes polticos fundados na distino do privado e do pblico, no direito, na limitao e 
no controlo do poder poltico e na capacidade de viver desenvolvimentos democrticos. No domnio religioso, 
traduz-se pela laicizao, isto , pelo acantonamento da religio no mbito privado, e pela irreligio. A 
economia moderna  caracterizada pelo esforo constante em injectar nas tcnicas de produo e de 
distribuio processos cada vez mais eficazes, porque inspirados pelo progresso cientfico. Porque a 
modernidade  tambm caracterizada por um crescimento exponencial do saber racional. Estes traos e 
outros, como o desenvolvimento das naes, o florescimento do individualismo, etc., so to macios e 
determinantes que tm repercusses decisivas sobre todos os aspectos da condio humana. A modernidade 
pode, sob este aspecto, ser tida como o emergir de uma civilizao nova, fora da civilizao europeia. Como, 
por outro lado, os seus caracteres decisivos so universalizveis e imitveis seja onde for, a modernidade  
muito mais ainda que o avatar de uma civilizao, podendo 

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165
ser tida como uma nova etapa da aventura humana em geral. A unanimidade desaparece a partir do momento 
em que se trata de isolar o ou os factores decisivos da modernidade. Cada um isola um trao e tende a 
consider-lo como fundador. Para A. Comte, a cincia era a abertura decisiva, para Saint-Simon era a 
indstria, para Marx o capitalismo, para Tocqueville a igualizao das condies sociais e a democracia, para 
M. Weber a racionalizao. De facto, todo o ponto de vista argumentado sobre a modernidade  uma teoria 
sociolgica e toda a teoria sociolgica deve ser avaliada na sua capacidade para justificar a modernidade.
J. B.
- Aron (1962), Bell (1973), Durkheim (1983), Landes (1969).

Modo de produo: A noo de modo de produo  de origem marxista. Supe que uma sociedade  
caracterizada quanto ao essencial pela sua maneira de produzir, ou seja, pelas relaes que se estabelecem 
entre os produtores, por um lado, e os meios de produo e os produtos, por outro. O seu valor heurstico 
permite estabelecer comparaes no tempo e no espao, mas alguns marxistas quiseram fazer dela uma chave 
universal em detrimento da reflexo crtica e cientfica. Estaline, em 1938, reduziu a histria das sociedades 
humanas a uma sucesso linear de cinco modos de produo: comunismo primitivo, escravismo, feudalismo, 
capitalismo, socialismo ou comunismo. Outros tiveram tendncia para fazer do movimento das ideias e da 
cultura um reflexo das estruturas de produo. Estes desenvolvimentos dogmticos obscureceram a questo e 
fizeram esquecer que o prprio Marx procurava alargar a sua problemtica. Avanando a concepo de um 
modo de produo asitico (China, ndia, etc.), Marx invalidou de facto a ideia de uma sucesso teleolgica 
dos modos de produo. Nos seus ltimos escritos, ele tentou restringir o emprego da noo de modo de 
produo unicamente  sociedade capitalista.
J.-M. V.
- Althusser (1966).

Modo de vida: A vida quotidiana difere quando, por exemplo, comparamos os urbanos aos rurais. Para L. 
Wirth (1938), socilogo da escola de Chicago*, o facto de habitar numa cidade  um modo de vida.
A noo de modo de vida no tem definio convencional na tradio sociolgica e a sua voga recente nos 
estudos de marketing no precisou o seu sentido. Em geral, o modo de vida faz referncia a uma combinao 
de caractersticas que o estudo sociolgico ou etnogrfico estabelece como especfica dos comportamentos de 
um dado grupo social. A maneira de gastar os seus proventos, a natureza das actividades de subsistncia e o 
emprego do seu tempo livre, a forma e o ritmo dos convvios constituem um conjunto de traos susceptveis 
de identifcar uma populao. 
O modo de vida, assim entendido,  uma noo mais ampla que a de nvel de vida. O tempo livre e a 
sociabilidade figuram, de facto, de maneira explcita nessa definio. A categoria socioprofissional, que foi 
utilizada como indicador do modo de vida, no tem na devida conta estas duas dimenses da vida quotidiana; 
porque esta classificao continua marcada pelo emprego, seu domnio de origem. Ser preciso alargar ainda 
mais a noo de modo de vida incluindo nela as disposies culturais especficas (Scardigli 1987)? Os autores 
clssicos,

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166
de M. Weber a M. Rokeach (1973), convidam a limitar a extenso desta expresso ao domnio dos 
comportamentos e a reservar o das normas e das atitudes  noo de estilo de vida.
N. H.

Monografia: A monografia apresenta-se como estudo do singular e do particular. Em sociologia, utilizam-se 
monografias de indivduos, ou biografias, monografias de localidade (os community studies da tradio anglo-
saxnica) e monografias de profisso ou de meio profissional.
Em que medida o estudo de casos contribuir para um conhecimento geral de alcance universal? A 
maneira de encarar as relaes entre abordagem microssociolgica e conhecimento (macro)sociolgico da 
realidade variou muito no tempo. No incio do sculo passado, a monografia era uma componente 
indispensvel da estatstica administrativa nascente. As "estatsticas dos prefeitos" lanadas por J. A. Chaptal 
em 1800 eram compilaes de monografias locais. Em meados do sculo, os "militantes da estatstica" 
comeam a diferenciar-se: aos que implantam estatsticas estatais opem-se os membros da escola de F. Le 
Pay, que se limitam a uma "estatstica privada". Fazendo monografias de famlias operrias, centradas no 
estudo do oramento familiar, Le Play e seus discpulos (1856) pretendem isolar o elemento de base sobre o 
qual o edifcio social est construdo. A autoridade do pai de famlia prefigura o poder do prncipe no Estado. 
O recurso  monografia justifica-se neste caso por um postulado de homologia estrutural entre o microcosmo 
familiar e o macrocosmo social. 
Este princpio de homologia est na base, no sc. XX, de numerosas monografias de localidade, feitas nos 
Estados Unidos da Amrica a partir de 1920, na Frana a partir de 1950. A imagem ampliada de uma pequena 
unidade local supe-se que proporciona a viso da inapreensvel totalidade social. No estudo de R. e H. Lynd 
(1929) sobre uma cidade mdia americana, tal como no trabalho de L. Wylie (1957; sobre uma aldeia do 
Vaucluse, os autores procuram representar a Amrica mdia ou o mundo rural francs, atravs da explorao 
exaustiva de uma localidade mdia, e portanto "exemplar". O desmoronamento do mito do todo integralmente 
presente em cada uma (ou pelo menos em algumas) das suas partes levou a sociologia a enveredar 
duravelmente por estratgias de pesquisa em que a monografia deixava de ter o seu lugar. Contudo, o 
recrudescer de interesse pela abordagem monogrfica em Frana a partir dos anos 70 e a persistncia de uma 
corrente sociolgica qualitativa nos Estados Unidos (etnometodologia) sugerem que o estudo do singular e do 
total correspondem a necessidades profundas da sociologia. S a monografia, pelo seu afinco em reconstituir 
as relaes entre elementos pertencentes a uma mesma unidade concreta, permite analisar a classe dos 
fenmenos "locais". Por este termo genrico, designam-se primeiro todos os sistemas fechados, pelo menos 
parcialmente: funcionamento de uma instituio, mas tambm organizao de um sistema poltico local, 
estrutura de um campo profissional, segregao social no espao, etc. Inclui-se a tambm o estudo dos 
territrios, dos cortes, das identificaes, das delimitaes de grupos locais ou profissionais, assim como a 
descrio dos rituais da interaco. 

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168
Analisar os efeitos ligados a meios ou a espaos fechados no  um inventrio interminvel; supe-se, com 
efeito, que a diversidade dos processos e das formas de organizao  limitada (hiptese de parcimnia). A 
monografia enriquece igualmente a anlise de problemas sociolgicos gerais. Um bom exemplo  o das 
classes sociais ou das relaes intertnicas: os laos concretos que uma dada classe (ou uma etnia) estabelece 
com os outros grupos presentes num mesmo contexto local influenciam com frequncia mais sobre o seu ser 
social ou sobre a sua ideologia que o seu lugar na estrutura "nacional".
A abordagem monogrfica mantm uma funo especfica em sociologia. Mas  tanto mais produtiva 
quanto confrontada com outras abordagens mais globais da realidade.
M. B.
- Goffman (1961).

MONTESQUIEU (Charles de SECONDAT, baro de LA BRDE e de), escritor francs (castelo de la 
Brde, perto de Bordus, 1689 - Paris 1755): Montesquieu pertence pela sua famlia  nobreza da 
magistratura. Magistrado e membro da Academia de Bordus, conhece o xito em Paris com as suas Lettres 
persanes (1721). Em 1734, publica Considerations sur les causes de la grandeur des Romains et de leur 
dcadence; retira-se para La Brde. Manda publicar em Genebra a sua obra principal De l'esprit des lois 
(1749). 
Fundador do direito pblico comparado e da sociologia do direito, Montesquieu foi reconhecido por A. 
Comte e por . Durkheim (1953) como um precursor da sociologia e considerado por R. Aron (1967) como o 
primeiro dos socilogos. As leis so definidas por Montesquieu como "as relaes necessrias que derivam da 
natureza das coisas". Estudou os costumes e as leis de numerosos povos, e na sua diversidade soube ver 
regularidades, relaes inteligveis. A partir da, estabeleceu princpios que mostram que os homens no so 
conduzidos pela sua fantasia e que o direito positivo das sociedades humanas pode ser o objecto de uma 
cincia. Mas, quando analisa a relao das leis com a constituio de cada governo, com o clima, os costumes, 
o comrcio ou a religio, faz aparecer um tipo de legalidade que no se confunde com o estrito determinismo 
do mundo fsico. Procura a explicao dos fenmenos sociais numa combinao muito delicada de causas 
diversas, fsicas ou morais, e, na sua opinio, a arte do legislador pode e deve por vezes combater o efeito de 
certas causas. No se contenta com explicar, chega mesmo a denunciar o mal social, a escravatura por 
exemplo. 
No domnio poltico, combate o despotismo, definido como o exerccio de um poder arbitrrio por um 
nico homem. Identificou lucidamente a sua causa natural: " uma experincia eterna que todo o homem que 
tem poder  levado a abusar dele." E deu muito logicamente o remdio: "Para que no se possa abusar do 
poder  preciso que, pela disposio das coisas, o poder trave o poder." A liberdade, para Montesquieu, supe 
que o poder actue por meio de "leis fixas e estabelecidas", e que seja distribudo de tal maneira que um 
equilbrio possa estabelecer-se pelo controlo mtuo dos poderes. Os exemplos histricos de governos 
moderados e equilibrados so raros: a repblica romana durante um certo tempo, ou a antiga monarquia 
francesa, mas, para a sua poca,  a monarquia

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168
inglesa que Montesquieu apresenta como modelo, em dois captulos de De l'esprit des lois (6, XI, e 27, XIX).
J.-C. L.
- Shacketon (1977), Vernire (1977).

Morfologia social: No seu ltimo livro, Morphologie social (1938b), M. Halbwachs precisou o que convm 
entender por esta expresso tirada de . Durkheim. Todo o agrupamento humano, do mais restrito ao mais 
vasto, da famlia por exemplo  nao,  um conjunto de indivduos que ocupam um certo lugar no espao. O 
seu volume, o nmero e a natureza das suas partes, a maneira como elas esto dispostas no solo, o ritmo da 
sua renovao, o seu crescimento ou a sua decadncia so outras tantas caractersticas que constituem o 
substrato material sobre o qual assenta a vida do grupo.
Cada associao, religiosa, poltica, econmica, tem a sua morfologia prpria. Baptismos e enterros pela 
Igreja so como que outros tantos nascimentos e mortos, converses ou abandonos da f ou da prtica como 
que outros tantos movimentos migratrios que modificam os efectivos. A natureza e o volume das trocas entre 
os grupos, a actividade econmica esto em funo do nmero total de produtores e de consumidores, da sua 
idade e da sua repartio nas diversas categorias sociais. As formas de governo no podero ser as mesmas 
para um povo pouco numeroso ou fortemente concentrado em cidades e num vasto imprio cujos habitantes 
vivem dispersos e longe do centro. Num sentido restrito, portanto, a morfologia social confunde-se com a 
cincia da populao, isto , com as condies espaciais e o movimento natural da populao nas suas 
componentes, de repartio geogrfica e de densidade, de sexo e de idade, de reproduo.
Mas as formas exteriores ou materiais so insuficientes em si prprias para constituir uma sociedade. S 
representaes colectivas lhes do uma significao. O indivduo tem conscincia de ser porque tem um 
corpo, mas passa. O corpo do grupo preexiste aos indivduos e no se extingue com eles, dura. Os seus 
membros tm de submeter-se a regras comuns, precisam de um sentimento de pertena, de uma vida 
psicolgica e uma conscincia colectiva para lhes conferir, por assim dizer, a existncia social. "Tudo se passa 
como se a sociedade tomasse conscincia do seu corpo", e  essa conscincia que  capaz de moldar as formas 
e as dimenses do prprio corpo. Os indivduos no sofrem as leis biolgicas sem serem susceptveis de 
exercer uma aco, porque conformam a sua conduta com as normas e hbitos que encontram  sua volta e 
interiorizaram. A morfologia social  descritiva e explicativa. Apoia-se na demografia e prope uma 
explicao psicolgica e social para os fenmenos demogrficos.
A. G.
- Girard (1984).

MOSCA (Gaetano), socilogo italiano (Palermo 1858 - Roma 1941): Gaetano Mosca  um dos mais clebres 
fundadores das teorias elitistas contemporneas. Torna-se professor em vrias universidades italianas antes de 
ser eleito deputado; interessado inicialmente pelo movimento fascista de B. Mussolini, afasta-se dele muito 
rapidamente preferindo defender o regime parlamentar que antes tanto criticara.
Juntamente com V. Pareto e R. Michels, Mosca props demonstrar, 

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169
sobretudo, o carcter fundamentalmente inigualitrio de todas as sociedades historicamente conhecidas nas 
quais reina de cada vez uma classe poltica diferente que se apropria de todo o poder. Na sua opinio, mesmo 
as sociedades democrticas e parlamentares so dirigidas por uma classe poltica exclusiva que pretende 
justificar o seu poder soberano com a ajuda de uma "frmuma poltica", isto , de uma ideologia. No seu livro 
Elementi di scienza politica, traduzido parcialmente em ingls sob o ttulo de The Ruling Class, considera que 
"em todas as sociedades h duas classes de indivduos: os governantes e os governados".
Mosca, diferentemente de Pareto, deseja confiar o poder no a uma nova elite nica mas antes a elites 
mais numerosas que realizariam, ao seu nvel, uma espcie de pluralismo que o regime parlamentar seria 
incapaz de assegurar. Entre elas, a nova elite de tcnicos recrutada com base em critrios de competncia mais 
meritocrtica deveria desempenhar um papel essencial na gesto quotidiana dos regimes parlamentares.
P. B.
- Albertoni (1984).

Movimento social: Empresa colectiva que visa estabelecer uma nova ordem de vida. 
Marx mostrou o papel central que o movimento operrio desempenhou na sociedade industrial. Podemos, 
no entanto, perguntar-nos com A. Touraine (1973) se o advento da sociedade "ps-industrial", no ter 
favorecido a emergncia de "novos" movimentos sociais trazidos por "novos actores" (movimentos 
femininista, regionalista, ecologista, etc.). Nem todos os movimentos sociais se reduzem a esta nica 
dimenso social: alguns envolvem uma dimenso mais poltica, como o movimento das nacionalidades no 
sc. XIX. Outros movimentos podem ter por finalidade resistir a um desmoronamento da ordem social:  com 
frequncia esse o caso dos movimentos de dimenso religiosa (milenarismos, messianismos, etc.). Todo o 
movimento social supe uma mobilizao prvia dos actores que o compem. Essa mobilizao no implica 
necessariamente a criao de novos compromissos e de novas identidades colectivas; pode igualmente 
assentar na reactivao de lealdades e identidades j constitudas. Nas teorias do "comportamento colectivo", 
os movimentos sociais remetem para um campo no qual as condutas no esto - ou ainda no esto - 
institucionalizadas (Smelser 1962). As teorias da "mobilizao dos recursos" (Oberschall 1973) recusam a 
pertinncia desse critrios, ao porem a tnica nas caractersticas organizativas que servem de enquadramento 
 aco colectiva. Alguns autores batem-se, no entanto, por uma sntese das duas abordagens.
P. M.
- Chazel (1975), Birnbaum, Chazel (1971).

Movimentos religiosos (novos) [NMR]: Os NMR so grupos de criao mais ou menos recente, de origem 
ou de inspirao extremo-oriental (Soka Gakkai, Igreja da Unificao do Reverendo Moon, movimento de 
Bhagwan Shree Rajneesh, etc.) ou de origem ocidental ("novas revelaes"  volta dos OVNI, Cientologia, 
Synanon, etc.); alguns vm do Mdio Oriente (Baha'is, sofisma e nossofisma). 
Os NMR conheceram um importante sucesso no Japo, nos anos de forte crise cultural e social posteriores 
 Segunda Guerra Mundial. 

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170
O seu desenvolvimento a partir de ento - cifra-se em milhes de membros - no se reduz, no entanto, a essas 
causas, como o demonstra a sua persistncia e a sua extenso muitas vezes internacional.
No Ocidente, os NMR no deixam de manter alguma relao com as bases da contracultura dos anos 70. 
O seu xito relativo coincide com a crise de mltiplos aspectos que se manifesta desde o fim dos anos 60. A 
juventude e as classes mdias, mais tocadas que outras por este fenmeno, mostram-se tambm as mais 
sensveis s mensagens dos NMR.
J. S.
- Mayer (1985, 1987), Wilson (1970).

Mudana: Dois pontos de vista so possveis. Ou se considera a estabilidade como primordial e a mudana 
em segundo lugar, no segundo o tempo mas segundo a prioridade do ser. A sociologia da mudana assenta 
ento nos factores que afectam um estado A para transform-lo num estado B. Esta posio exige uma 
precauo, porque  tentador ter apenas em conta factores exteriores e esquecer tanto a natureza de A como a 
dinmica prpria da transformao para explicar B como resultado destas trs componentes. Este  
provavelmente o ponto de vista natural e espontneo. Um segundo ponto de vista consiste em inverter as 
prioridades ontolgicas e em afirmar que a mudana  primria e que a estabilidade  apenas um 
afrouxamento da mudana. De igual modo, a fsica foi abalada quando foi estabelecida a lei da inrcia. Nesta 
perspectiva, a matria histrica e social  feita de processos incessantes e dos seus resultados, com fases de 
acelerao e de afrouxamento.  preciso, alm disso, capt-las como actividades humanas, conduzidas pelos 
indivduos e, mais correntemente, por grupos concretos (casais, famlias, linhagens, Igrejas, seitas, empresas, 
grupos polticos, etc.). Em suma, a matria histrica que muda  a agregao de multides de actos humanos 
de conhecimento, de criao e de aco.
Este ponto de vista leva a duas sries de anlises. As primeiras procuram explicar porqu e como essas 
agregaes podem conduzir a estados determinados e relativamente estveis, que podemos convir em chamar 
instituies (polticas, econmicas, religiosas, pedaggicas, estticas, ldicas, etc.). As segundas investigam 
as agregaes que desembocam em algo de novo. Consoante o ponto de vista adoptado,  claro que entre as 
instituies e as mudanas h um continuum, sobre o qual  possvel referenciar pontos de acelerao. 
Reteremos quatro, indo da mudana menos marcada para a mais radical.
O "desvio"  uma mudana imperceptvel para os contemporneos. Consiste na acumulao de mudanas 
minsculas e insignificantes em si mesmas, mas que desembocam em resultados inovadores, o que d um 
sentido retrospectivo  acumulao e a subtrai ao puro acaso. A humanidade paleoltica deve ter conhecido 
um desvio deste gnero. De gerao em gerao, ganhos nfimos em nmero acabaram pela ocupao de todo 
o planeta e pela necessidade de inventar solues originais, para fazer coexistir grupos que j no tinham a 
possibilidade de resolver os conflitos eliminando-os pela formao de novos grupos em terrenos de percurso 
virgens. De igual modo, durante centenas de milhares de anos, o trabalho da pedra desviou-se insensivelmente 

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171
para o emprego cada vez mais econmico e eficaz da matria-prima.
Uma segunda forma de mudana seria a evoluo, que seria preciso definir como a actualizao 
progressiva no tempo de um programa, dado  partida e subtrado a toda a perturbao importante. Poder-se-
ia ilustrar esta forma pelo desenvolvimento doutrinal das religies reveladas num livro sagrado. A mensagem 
nunca  expressa de maneira unvoca, pois que exprime a transcendncia e o inefvel. Mas ela no diz tudo o 
que se quiser. Da resultam controvrsias entre interpretaes, que fazem evoluir a doutrina no sentido de uma 
explicitao crescente do seu contedo latente. Consoante ela  ou no tomada a cargo por um clero 
organizado ou no, essa explicitao traduz-se quer pela definio cada vez mais precisa da ortodoxia, como 
no cristianismo dos primeiros sculos, quer, no outro extremo, na multiplicao das escolas e das seitas, como 
no budismo.
Uma terceira forma seria a revoluo. Ela designaria uma ruptura que afecta uma evoluo. Neste sentido, 
todas as actividades humanas podem conhecer revolues, por exemplo, a tcnica. Mas vale mais reservar a 
palavra para as rupturas polticas. Uma revoluo  uma ruptura da legalidade que resulta da substituio de 
um regime antigo por um regime novo. Quando a ruptura  endgena - revoluo inglesa, americana e 
francesa -, sanciona um movimento de maturao.  assim que as monarquias constitucionais e as repblicas 
da Europa contempornea podem ser consideradas como os resultados das gestaes seculares comeadas na 
poca feudal. Quando resulta da vontade de introduzir pela fora um modelo estrangeiro - revolues russa e 
chinesa -, a ruptura acaba rapidamente por deixar reaparecer as continuidades com os regimes autocrticos 
anteriores. 
Podemos, finalmente, refernciar mutaes, que designariam a implantao de programas novos.  
verdade que no h nada de radicalmente novo nos assuntos humanos, no sentido em que o novo no pudesse 
ser ligado a qualquer desenvolvimento anterior. Mas o que  prprio de uma mutao  que esses 
antecedentes s se tornam esboos uma vez sobrevinda a mutao. E possvel ligar Buda, Cristo ou Maom ao 
seu ambiente cultural, mas o seu surgimento no pode em caso nenhum ser dele deduzido, mesmo 
retrospectivamente. De igual modo, a redescoberta pelos pintores italianos, no fim do sc. XIII e no incio do 
sc. XIV, do projecto dos antigos de atribuir  arte a tarefa de imitar a natureza significou uma mutao da 
arte europeia, abrindo-lhe um campo novo dos possveis. De igual modo ainda, a mutao industrial do sc. 
XIX arrastou a Europa e depois o mundo para uma fase indita da aventura humana.
J. B.
- Baechler (1971), Boudon(1984).

Multido: No sentido mais habitual, uma multido  uma reunio de seres humanos temporariamente 
reunidos sob o efeito de projectos individuais (celebrar, aclamar, aguardar, insultar, etc.) que os fazem 
convergir para um mesmo lugar, a se aglomerando mecanicamente. Estao de metropolitano nas horas de 
ponta, fila diante de uma loja ou de um teatro, espectadores de uma partida desportiva: nem vestgios entre 
eles de um projecto comum que implicaria diviso do trabalho 

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172
e solidariedade colectiva. Mas uma multido  verstil, instvel: sob a aco de um condutor, pode passar 
bruscamente da apatia  organizao, levantar uma barricada, pilhar um armazm, linchar um suspeito, 
marchar sobre a Bastilha ou sobre Versalhes (Rud 1982). S. Sighele e G. de Tarde escreveram muito sobre as 
multides "criminosas" que marcaram a Revoluo e a Comuna.
Trabalhos recentes (Rud 1982; Tilly 1986) abrandaram esta viso "patolgica" das multides 
insurreccionais, ao insistirem, pelo contrrio, na racionalidade que, em muitos casos, as inspira no seu 
recrutamento no seio das camadas mais "ss" da populao e no entre os marginais.
A sociologia das multides no deve confundir-se com a sociologia das massas, a despeito da 
ambiguidade do termo anglo-americano masss phenomena.
J.-R. T.

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173

N

Nao: A nao  uma certa maneira de agrupar os homens em sociedade, aparecida na Europa nos scs. XIV 
e XV, desenvolvida do sc. XVI ao sc. XVIII e desabrochada nos scs. XIX e XX. No sc. XX, o mundo 
inteiro procura imitar essa organizao. O agrupamento operado pela nao funda-se em paixes, interesses e 
representaes comuns, que impregnam os nacionais da convico de terem um destino comum diferente do 
das outras naes. Esse destino est enraizado num passado comum, feito de provas ultrapassadas em comum. 
E por isso que a nao comea sempre por uma historiografia que confina com o mito, porque apresenta a 
formao da nao como uma sucesso de etapas orientadas num sentido definido e conduzidas por heris 
fundadores. O destino forjado por um passado comum exprime-se num presente comum. Este presente  visto 
como uma rede densa de relaes e de interesses, que fazem com que cada um se sinta parte de um todo, sem 
o qual a parte perderia sentido e substncia. Este todo no est isolado, confronta-se com outros todos numa 
concorrncia permanente pela superioridade, que se exprime em termos militares, econmicos, cientficos, 
culturais ou desportivos. No quadro europeu, este sentimento mantido pela nao de constituir um organismo 
do qual os nacionais seriam as clulas e os orgos correspondeu a uma realidade cada vez mais presente,  
medida que a industrializao intensificava a repartio das tarefas e a diviso do trabalho. O destino comum 
proposto pelo passado e realizado no presente , por fim, visto como um projecto para o futuro. A nao no  
apenas um dado, torna-se um ideal, a vontade de continuar a viver em conjunto, ultrapassando em conjunto 
novas provas e conquistando a glria de novas proezas. A natureza da nao, tal como a histria europeia a 
definea, incita-a espontaneamente a querer agrupar todos os nacionais numa poltia nica. Com efeito, s a 
coincidncia da nao e da poltia permite quela cumprir o seu destino. Mas a criao das poltias resulta de 
inmeras guerras e de equilbrios instveis de foras. A coincidncia entre nao e poltia pode ser tida por 
puramente casual. Da resulta que o aparecimento das naes e das paixes nacionais provocou, primeiro na 
Europa e depois no mundo inteiro, inmeras perturbaes. Umas resultam da vontade de reunir numa s 
poltia os membros dispersos de uma nao; outras, inversamente, so provocadas pela vontade de 
independncia de nacionais, reais ou potenciais, incorporados em imprios.
J. B.
- Gellner (1983), Plumyne (1979), Renan (1882).

Nacionalismo: O nacionalismo  uma corrente de pensamento e um sistema de atitudes que exaltam os 
valores nacionais, ou seja, as referncias a uma comunidade humana  qual se pertence de maneira prioritria, 
em funo de critrios materiais (o solo, o territrio) ou culturais (a histria comummente partilhada) e com a 
qual se tem o sentimento de identificar-se.
Sado da Revoluo Francesa, o nacionalismo foi primeiramente uma corrente de pensamento ocidental, 
fixado  esquerda. A partir de 1789, exprimia uma vontade revolucionria de transformao e transferncia da 
dependncia do indivduo 

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174
para com o rei, monarca absoluto, para uma colectividade abstracta com pretenses  soberania. A este ttulo, 
inspirou a maioria dos movimentos revolucionrios que marcaram a histria da Europa no sc. XIX e 
encontrou-se associado  reivindicao de Constituies.
Em finais do sc. XIX forja-se pouco a pouco um nacionalismo de direita, que eclipsa progressivamente o 
anterior. A significao  ento diferente: em vez de afirmar-se contra as formas tradicionais de dependncia, 
este novo nacionalismo exalta a referncia  comunidade nacional para melhor se distinguir de certas formas 
polticas modernas de dominao: o Estado, a repblica e at o governo representativo.
O nacionalismo regressa ento  tradio,  histria e  natureza, valorizando as referncias ao solo,  
terra, s rvores (ver M. Barrs). Afirmando-se num contexto histrico dominado pela rivalidade franco-
alem e pelo desejo de desforra, torna-se militarista e exibicionista, depois de ter sido sobretudo 
revolucionrio e civil. Estas componentes encontram-se nos inquritos psicossociolgicos que investigam os 
traos caractersticos do sistema de atitudes nacionalistas (Michelat, Thomas 1966).
A contestao progressiva do jugo colonial contribuiu para deslocar o nacionalismo do mundo ocidental 
para as sociedades da frica, da Amrica Latina e da sia. O nacionalismo sado da Revoluo Francesa viu-
se assim implicado em culturas inteiramente diferentes que dele tiraram em particular a ideia de nao, 
reconstituda em funo de dados scio-histricos prprios (ver, por exemplo, a "nao rabe") e do contexto 
novo de mobilizao contra os imperialismos: o nacionalismo encontra ento uma nova significao 
revolucionria.
B. B.
- Girardet (1966), Smith (1971).

Necessidade: Ao nvel mais elementar, a expresso "ter necessidade de" exprime uma situao de tenso ou 
um sentimento de falta resultante de um desequilbrio.
A necessidade  geralmente apresentada como o motor de toda a actividade econmica. Na lgica dos 
economistas clssicos, as necessidades, que, ao exprimirem-se, criam a procura, so consideradas como 
invariantes da natureza humana. Uma tal concepo remete para uma hiptese implcita do sujeito portador de 
necessidades inatas, imutveis, que se podem determinar, classificar, hierarquizar objectivamente e que sero 
mais ou menos satisfeitas consoante o grau de desenvolvimento econmico da sociedade. 
A sociedade contribuiu amplamente para pr em causa esta concepo, designadamente pelo estudo das 
prticas de consumo. As necessidades no so invariantes da natureza humana, mas uma criao permanente 
da histria das sociedades. E verdade que a intensidade e a prpria natureza da relao entre as necessidades e 
o sistema social so apreciadas de maneira diversa pelos socilogos. Mas, quer sejam consideradas como 
determinadas, condicionadas, quer simplesmente orientadas por uma srie de factores de ordem social ou 
econmica, as necessidades so, acima de tudo, produtos sociais.
As necessidades nem por isso so dados que se possam inventariar objectivamente. Muitas necessidades 
so sentidas por razes subjectivas muito afastadas do seu objecto. Os fenmenos de consumo ostentativo - 
adquire-se determinado 

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175
bem para mostrar, acima de tudo, que se tem os meios para adquiri-lo - mostram que as necessidades remetem 
para outra coisa que no simplesmente os objectos materiais que so os seus suportes. As necessidades so 
cada vez mais sentidas por comparao intersubjectiva ou por comparao de grupo a grupo. Satisfazer uma 
necessidade  muitas vezes comprar um sinal de pertena a uma categoria social (Baudrillard 1972). Alguns 
socilogos afirmaram mesmo que as necessidades no existem, sendo o sinal o verdadeiro motivo da 
aquisio (Mendras, Fors 1983). M. Halbwachs mostrava a partir de 1912 que, com rendimentos iguais, os 
empregados gastam menos com a alimentao e mais com o vesturio e os divertimentos que os operrios. E 
J. M. Keynes (1924) distinguia as necessidades absolutas, aquelas que sentimos sejam quais forem as 
situaes de outrem, e as necessidades relativas, cuja satisfao nos distinguem dos nossos semelhantes.
Mas nada permite pensar que as segundas sejam menos essenciais que as primeiras. Porque as 
necessidades no so hierarquizveis. Assim, a distino entre as necessidades elementares que todo o 
indivduo deveria necessariamente satisfazer e as necessidades secundrias que no seriam essenciais  sua 
sobrevivncia parece sem fundamento. Isso leva, alis, a pr em causa a prpria ideia de uma "sociedade de 
consumo" que segregaria necessidades cada vez mais artificiais.
D. D.

Neutralidade axiolgica: A expresso  uma traduo da palavra Wertfreiheit, a que M. Weber (1922) 
consagra um ensaio. No  aceitvel qualquer confuso entre uma proposio cientfica e um juzo de valor. 
Existe uma heterogeneidade irredutvel entre a esfera das proposies cientficas deduzidas ou empiricamente 
estabelecidas e a esfera das avaliaes prticas. 
A cincia estabelece juzos vlidos universalmente. Os juzos de valor so pessoais. Uma vez esta 
diferena estabelecida, podemos perguntar-nos se a cincia pode travar as avaliaes subjectivas como 
objecto de pesquisa. Pode-o, de facto, responde Weber, na condio de distinguir um juzo de valor 
(Werturteil) e uma relao com os valores (Wertbeziehung). A relao com os valores significa que um valor, 
como a igualdade, que  objecto de conflitos entre os homens, torna-se um conceito que servir para recortar a 
realidade examinada pelo socilogo, quer este lhe esteja pessoalmente ligado ou no.  portanto uma 
condio da interpretao e da compreenso das condutas humanas.
M. C.

Norma: Indissociveis de uma ordem de valores que em cada sociedade orienta os comportamentos dos 
actores e dos grupos, as normas so regras que regem as condutas individuais e colectivas. Organizadas em 
sistema, constituem um modo de regulamentao social estudado pelos socilogos a partir de Durkheim 
(1893, 1895, 1897).
O respeito das regras foi primeiro pensado como a obedincia s leis, em referncia  autoridade social 
que se impe na norma jurdica. A espera de sanes positivas e o receio de sanes negativas asseguram, 
nesta ptica, o funcionamento do sistema normativo.  claro, no entanto, que no so apenas normas 
juridicamente codificadas que o indivduo interioriza no decurso do processo de socializao. O que obriga o 
sujeito, e donde

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176
procede a oposio entre aces permitidas e aces proscritas, explica-se tambm pelo estado dos costumes 
numa dada poca. O fenmeno normativo deve igualmente ser referido a cdigos morais inerentes a prticas 
particulares; apresenta-se ento, como na medicina, sob a forma de deontologias profissionais. Em todos os 
casos, a interiorizao das normas pode efectuar-se de maneira interessada, por clculo, ou resultar de uma 
identificao altrusta com o grupo. O desfasamento entre o que as regulamentaes promulgam e o que  
efectivamente praticado leva por fim a privilegiar, no estudo das condutas sociais, as categorias de 
conformidade e de desvio.
B. V.
- Merton (1949), Parsons (1951).

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177

O

Observao: Cincia de observao, a sociologia reserva um lugar muito reduzido  experimentao.  
praticamente impossvel fazer variar, de maneira controlada, os parmetros de um fenmeno social. Tal como 
as outras cincias sociais, a sociologia nem por isso est reduzida a um registo passivo dos factos e dos 
fenmenos. Os socilogos constroem as suas observaes. A descrio dos factos e a verificao dos 
resultados intervm apenas no termo de um processo emprico e terico, que produziu uma interrogao da 
realidade; a observao  inseparavelmente processo e resultado.
A partir dos temas, das hipteses e das estratgias de pesquisa que ele prprio define, o socilogo elabora 
protocolos de observao do mundo social. Conduzindo um inqurito por meio de entrevistas, constri um 
guia de entrevista. Para um inqurito estatstico, utiliza um questionrio fechado. Para sries de observaes 
repetitivas, tem de recorrer a esquemas de tipo monogrfico. Estas grelhas de apreenso da realidade 
permitem limitar o levantamento  compilao dos factos pertinentes. Metodicamente construdos mais que 
dados sem mais, os arquivos do socilogo resultam na maioria das vezes de um trabalho sobre um meio 
humano, cuja cooperao, requerida, nunca est totalmente adquirida; o historiador, em contrapartida, depara 
apenas com corpus escritos. A observao constri-se numa dialctica entre o mundo social e o socilogo. 
Numa investigao por entrevistas, so colocadas questes e dadas respostas que podem modificar por 
repercusso a sequncia das perguntas. Num inqurito por questionrio, s a entrevista-piloto apresenta um 
verdadeiro carcter interactivo. A recolha dos dados propriamente dita faz-se de seguida como um 
levantamento de informao de sentido nico, com um questionrio fixo.
Os socilogos no podem ser eles prprios os produtores de todos os seus dados; contentam-se por vezes 
em analisar observaes construdas por outros. Seria necessrio sistematizar esta diviso do trabalho 
reservando a tarefa de recolha das observaes sociolgicas a observatrios especializados? A fora dos 
observatrios  tambm o que faz os seus limites: os inquritos so a produzidos de maneira a constiturem 
sries cronolgicas. Tende-se a retomar sempre os mesmos questionamentos e as mesmas variveis 
estandardizadas para descrever o mundo social. Os instrumentos de observao adquirem uma inrcia e uma 
autonomia tais que j no  possvel adapt-los a hipteses novas.
H formas de sociologia que apreendem aparentemente os fenmenos sociais de maneira transparente, 
nomeadamente as que se fundam na observao directa e na observao participante dos etnlogos. A imerso 
do observador no meio observado no faz dele, no entanto, um indgena, mesmo que o torne mais apto a 
interpretar as reaces dos membros do grupo. Opera uma seleco e uma reordenao sistemticas dos 
fenmenos pertinentes, e tem-nos em conta para a escolha dos seus informadores. A sua simples presena 
modifica as condies da observao, como o notava, aps muitos outros, J. Favret-Saada aquando das suas 
investigaes sobre a bruxaria no Bocage normando.
Na maior parte dos trabalhos, o

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178
ideal do mtodo experimental mantm-se presente no esprito do socilogo. Mas o dispositivo de pesquisa 
apenas pode propor uma simulao de situao experimental. Assim, o socilogo H. Coing, para estudar a 
renovao de um bairro de Paris, interrogava um certo nmero de habitantes no enquadramento antigo, e 
depois de novo alguns anos mais tarde no bairro renovado, aps a sua instalao num novo alojamento. Por 
mais engenhoso que seja, este dispositivo de pesquisa no pode permitir distinguir um efeito puro da 
renovao e efeitos associados. De igual modo, quando se observa um mesmo fenmeno, por exemplo os 
mtodos de educao das crianas, em contextos sociais diferentes, jamais se podero imputar as diferenas 
observadas a uma nica varivel ou a um pequeno grupo de variveis. Ao passo que em cincias exactas uma 
srie de factos organizados metodicamente pela variao de elementos previamente definidos constitui uma 
experincia que tem valor de prova, uma sequncia de observaes aparentadas, em sociologia, leva quando 
muito a comparaes. Em todos os casos, para bem interpretar dados sociolgicos, continua a ser necessrio 
ter um conhecimento ntimo do processo que os produziu.
M. B.

Oligarquia (lei de bronze da): Formulada por R. Michels* (1911), esta lei estabelece que as grandes 
organizaes de massa (principalmente polticas, mas tambm sindicais), a despeito da sua constituio e do 
seu programa democrticos, do inevitvel e universalmente origem a uma estrutura de poder oligrquico no 
seu seio. O poder  nelas monopolizado por uma pequena elite de dirigentes que se perpetua graas  
renovao assegurada dos seus mandatos.
O conjunto dos processos complexos que do origem  lei so provocados pela dimenso e pela 
complexidade das organizaes envolvidas e podem resumir-se numa palavra: a burocratizao (aqui Michels 
junta-se a M. Weber). Pela burocratizao, os interesses dos dirigentes, que tm todos os trunfos para se 
manterem no poder, em breve divergem e se opem aos das "massas incompetentes": os dirigentes tm 
interesse em manter o statu quo, ao passo que os aderentes querem mudanas. Se estes ltimos, considerando-
se trados, desertam e fundam uma organizao nova, a lei da oligarquia exerce de novo a sua coaco de 
bronze: a burocracia dirigente conservadora instala-se de novo. Por fim, Michels s ver soluo no recurso a 
um chefe carismtico (vd. carisma), B. Mussolini.
B.-P. L.

Operrio: O operrio foi durante muito tempo confundido com o proletrio da grande indstria. A imagem  
excessiva e falsa. Excessiva porque os operrios no so os nicos a viver de um salrio, a exercer uma 
actividade rotineira, a estar colocados num nvel baixo da hierarquia social. Falsa porque os operrios, apesar 
de uma real fluidez da sua condio, foram identificados como tais antes da descolagem industrial do sc. 
XIX. Num primeiro tempo, portanto, considera-se que o grupo rene o conjunto dos trabalhadores manuais 
assalariados.
G. Noiriel (1986) lembra como a formao de uma "classe", moderna e homognea, foi tardia em Frana 
em relao  Inglaterra ou  Alemanha. No  antes dos anos 1880 que se desenha a operarizao

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179
de um proletariado industrial nas minas e na metalurgia pesada. E, durante as dcadas 1930-1940, o grupo 
enraza-se, por geraes sucessivas, em alguns sectores-piloto (minas, estaleiros navais, caminho-de-ferro, 
automvel), que muito fizeram pela constituio da sua identidade  volta da figura, altamente simblica, do 
metalrgico.
Em 1954, em pleno esforo de industrializao, os operrios, no sentido em que os define o INSEE, 
representam 6,5 milhes de indivduos, ou seja, 61 por cento dos assalariados e 34 por cento da populao 
activa. O seu nmero aumenta at 1975, data em que eles so perto de 8,5 milhes. Mas j h anos que o 
nmero dos operrios no aumenta entre os assalariados. A sua percentagem baixa mesmo para 48 por cento 
ainda no mesmo ano de 1975, antes de baixar o nmero dos prprios efectivos, que em 1986 se reduzem a 6 
milhes. No decurso da ltima dcada, o grupo conheceu uma evoluo contrastada segundo o sector de 
actividade e a competncia profissional, que continuam a ser os maiores eixos de polarizao. Os empregos 
qualificados de tipo artesanal foram os nicos que progrediram. Por seu turno, as mulheres, assim como os 
estrangeiros sem qualificao profissional, viram a sua proporo aumentar. Em 1986, um operrio em cinco 
 mulher e um em oito  estrangeiro. Muitas vezes de origem rural, tanto elas como eles dedicam-se s tarefas 
mais baixas em regies de recente industrializao, sem tradies polticas nem sindicais. Situao perniciosa 
para os partidos e sindicatos "operrios", que sempre se apoiaram nas profisses melhor organizadas.
Pode fazer-se remontar a Saint-Simon e a Marx a literatura sobre o assunto, cuja dimenso polmica 
eclipsa rapidamente qualquer outra considerao. De incio, a sociologia universitria, afora M. Halbwachs, 
interessa-se pouco pelos operrios. Depois da ltima guerra, o estado de esprito dos socilogos muda. Mas, 
retrospectivamente, podemos espantar-nos do carcter conjuntural da sua problemtica, apenas com raras 
excepes como G. Friedmann (1950). Ao longo da fase de reconstruo, os operrios das grandes indstrias 
de transformao so privilegiados (Touraine 1955). Depois alguns interrogam-se sobre as metamorfoses de 
uma classe cujas qualificaes se modificam ao sabor da modernizao do aparelho de produo (Mallet 
1963). Com os anos 70, os operrios especializados e as greves selvagens chamam  ateno. A sociologia do 
trabalho redescobre ento categorias que, no entanto, j existem desde as origens: os operrios do artesanato, 
as mulheres, os imigrados. Actualmente, a capacidade dos operrios para formarem uma classe, o seu 
voluntarismo poltico so postos de novo em causa sob pretexto de que o ciclo histrico que lhes deu origem 
(e que  o do capitalismo tayloriano) estaria a esgotar-se. A hiptese  plausvel, e funda-se no recuo da 
identidade operria nas representaes colectivas, mas chega a um impasse quanto aos modelos actuais de 
dominao no mundo do trabalho que no desapareceram.
F. G.

Opinio pblica: Agregado de opinies individuais semelhantes sobre problemas de interesse pblico. 
Parece difcil dar uma definio mais rigorosa desta noo que se caracteriza acima de tudo pela sua 
impreciso e da qual o socilogo americano H. L. Childs (1965) pde recensear umas cinquenta significaes

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180
diferentes. Houve quem julgasse poder recomendar a eliminao da noo da linguagem cientfica; para 
outros, a opinio pblica seria simplesmente o que medem as sondagens de opinio; sendo estas ltimas 
consideradas por alguns como uma manipulao, a opinio pblica que elas medem no seria ela prpria mais 
que uma mistificao.
A opinio pblica no poder ser reduzida aos resultados brutos dos inquritos de opinio. Podem 
distinguir-se quatro abordagens diferentes do fenmeno da opinio pblica, que se recortam parcialmente, e 
que os socilogos puderam combinar de maneira varivel, multiplicando assim as acepes: 1. a medida 
quantitativa da distribuio das opinies. A opinio pblica no  ento nada mais que a reaco dos 
indivduos a proposies e questes precisamente formuladas nas condies do inqurito por entrevista 
(Stoetzel, Girard 1973); 2. a opinio pblica como fora poltica: nesta perspectiva e segundo a frmula de V. 
O. Key (1961), "a opinio pblica recobre as opinies dos cidados que os governantes acham prudente ter 
em conta"; 3. a opinio pblica como organizao. A opinio pblica v ento conferirem-se-lhe propriedades 
diferentes da soma das opinies individuais, que so ligadas umas s outras como uma organizao. Nesta 
perspectiva, prestou-se uma ateno particular  interaco entre os lderes de opinio e a massa; 4. a opinio 
pblica em termos de comunicao poltica. Aqui a situao de opinio pblica  definida pela existncia e 
pelo reconhecimento, por indivduos ou grupos, de um problema poltico no qual encontram pretexto para a 
comunicao e empreendem aces a fim de influenciar as autoridades polticas (Padioleau 1981).
As incertezas que pesam sobre a noo de opinio pblica reflectem, por um lado, a dificuldade da 
sociologia em apreender este nvel intermdio de agregao situado entre os grupos primrios, as 
organizaes formais, e, por outro lado, a massa indiferenciada dos indivduos. A articulao ao mesmo 
tempo emprica e terica dos quatro nveis de abordagem deveria permitir avanar para uma conceptualizao 
mais coerente.
D. D.

Organicismo: O organicismo estabelece um paralelo entre corpo social e organizao fisiolgica; exerceu 
sempre um forte atractivo desde Aristteles. Mas  no sc. XIX que se v de maneira consequente o modelo 
biolgico impor-se como modelo de explicao sociolgica, depois de Lamarck, G. Cuvier e por fim C. 
Bernard terem mostrado a integrao das funes e dos orgos num todo coerente, no mundo vivo.
O verdadeiro pai do organicismo , no entanto, H. Spencer (1862). Depois de ter enunciado a lei da 
evoluo segundo a qual as sociedades se transformam elas prprias, integrando a mudana e adaptando-se ao 
meio ambiente, enumera as caractersticas comuns ao sistema social e ao organismo fisiolgico, sem deixar 
entretanto de sublinhar as diferenas importantes. Este organicismo perpetuou-se apurando-se na sociologia 
contempornea, sob a forma do funcionalismo de B. Malinowski. Este escreve: "Em todos os tipos de 
civilizao, cada costume, cada objecto material [...] desempenha uma funo vital, tem uma tarefa a cumprir, 
representa uma parte dispensvel de uma totalidade orgnica." Deve sublinhar-se o carcter contestvel destas 
analogias, quanto mais no seja mostrando

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181
- como fez R. K. Merton - a existncia de instituies ou de fenmenos a-funcionais ou disfuncionais em toda 
a sociedade. Mas sobretudo o organicismo e um funcionalismo absoluto impedem que os conflitos sociais e as 
crises sejam pensados de outro modo que no como sinais patolgicos.
Fora de toda a teleologia, fora de todo o organicismo, fica por dar  noo de "funo" uma delimitao 
sociologicamente frutuosa.
A. A.

Organizao: A palavra "organizao" designa ao mesmo tempo um objecto social e um problema central da 
sociologia da aco.
O objecto social  bem conhecido: as administraes pblicas, as empresas industriais, comerciais e de 
servios, tal como os partidos polticos e as associaes de toda a espcie de que somos ao mesmo tempo os 
assalariados, os membros e/ou militantes e os clientes, so todas elas organizaes, isto , conjuntos humanos 
ordenados e hierarquizados em ordem a assegurar a cooperao e a coordenao dos seus membros para 
determinadas finalidades. Segundo os fins visados, os mecanismos de constrangimentos postos em aco no 
seu seio e os modos de legitimao da autoridade, essas organizaes so muito diferentes e tm 
caractersticas e modos de funcionamento dissemelhantes que podemos classificar em diversas tipologias. 
Mas, para alm de tais diferenas, tm todas elas um "problema" em comum: o de obter dos seus membros o 
mnimo de cooperao indispensvel  sua sobrevivncia. Esta no  um dado natural, mas um facto a 
explicar na medida em que supe sempre o estabelecimento e a manuteno de um mnimo de cooperao 
entre actores que mantm cada qual um mnimo de autonomia e cujos interesses no so forosamente 
convergentes.
Tendo partido de uma viso puramente descritiva e instrumental das organizaes,  numa tal 
"problematizao" do facto organizacional que desembocam os estudos psicossociolgicos e sociolgicos das 
organizaes, insistindo por um lado no carcter "construdo" de um funcionamento organizacional e por 
outro na sua dinmica endgena, ou seja, nos seus mecanismos de automanuteno que lhe conferem uma 
certa autonomia.
O carcter no natural de uma organizao resulta do facto de ela ter de construir-se e manter-se num 
contexto marcado por uma tripla limitao: 1. a interdependncia limitada dos membros de uma organizao: 
estes nunca so totalmente dependentes uns dos outros, mas tm sempre uma margem de liberdade ,que 
procuram defender, e at aumentar, na medida em que ela constitui sempre a prpria base da sua capacidade 
de aco na organizao (Crozier, Friedberg 1977); 2. a racionalidade limitada dos comportamentos de todos 
os actores envolvidos que escolhem os seus comportamentos segundo as vises locais e parciais que so as 
nicas de que so capazes (March, Simon 1958) e que nenhuma racionalidade superior e englobante faz 
coincidir espontaneamente; 3. a legitimidade limitada dos fins da organizao: estes tm apenas uma limitada 
capacidade de integrao na medida em que no existem sozinhos, mas entram em concorrncia com os 
objectivos que os membros da organizao desenvolvem no prosseguimento dos seus interesses prprios 
(Silverman 1970).
Uma organizao e o seu modo de funcionamento aparecem nesta 

---
182
perspectiva no como o produto mecnico de um conjunto de engrenagens perfeitamente ajustadas umas s 
outras e movidas por uma racionalidade nica, mas como o resultado de uma estruturao contingente de um 
campo de aco. Esta estruturao preenche funes latentes, a saber: tornar possvel e resolver o problema da 
cooperao entre actores que se mantm relativamente autnomos e que prosseguem interesses divergentes. 
E, uma vez instituda, desenvolve uma dinmica autnoma na medida em que as suas caractersticas induzem 
efeitos no pretendidos sobre os comportamentos dos membros da organizao, que por sua vez arrastam 
consigo a manuteno ou mesmo a acentuao das caractersticas primeiras. Este fenmeno  bem conhecido 
sob o nome de crculos viciosos organizacionais (Crozier 1964).
E. F.

Organizao cientfica do trabalho (OCT): Designam-se por organizao cientfica do trabalho (OCT) [em 
ingls Scientific Management ou Scientific Administration] os esforos conduzidos a partir do fim do sc. 
XIX em vrios pases por diversas personalidades (dirigentes de empresa, engenheiros, por vezes 
sindicalistas...) no sentido de substituir o empirismo e a desordem no funcionamento corrente das empresas 
por princpios gerais de fundamento cientfico cuja validade possa mesmo estender-se a outros tipos de 
organizaes.
A expresso e o movimento de ideias do Scientific Management so devidos ao engenheiro e inventor 
americano F. W. Taylor (1856-1915), autor de uma verso particular da OCT denominada o "taylorismo", da 
qual se pode dizer que se interessa mais pela organizao dos trabalhos de execuo:  a OCT no sentido 
estrito do termo. Outros autores favorveis tambm eles  OCT, entre os quais H. Fayol, interessaram-se, 
sobretudo, pela estrutura administrativa das empresas e das grandes organizaes (Mottez 1971).
O sistema de Taylor em 1901 comporta cinco tipos de reformas: 1. medidas preparatrias j conhecidas 
que ele aperfeioa, como a racionalizao dos mtodos de aquisio e de armazenamento, de estandardizao 
das ferramentas e das ferramentarias, de reforma na concepo e na disposio das mquinas, das correias de 
transmisso e da sua manuteno, assim como da contabilidade; 2. um sistema de controlo da produo que 
assenta num departamento especializado na planificao. A especificidade do sistema de controlo (mais que o 
prprio controlo), a sua extrema elaborao no pormenor e a sua complexidade so caractersticas de Taylor; 
3. uma direco de um gnero novo, que ele qualifica de "funcional", destinada a suprir os defeitos da 
direco tradicional; 4. a cronometragem dos trabalhos, outra ideia prpria de Taylor que a inventa em 1882; 
5. finalmente, os sistemas de remunerao pelo rendimento, quer a uma taxa diferencial segundo as peas 
(sistema introduzido em 1884) quer a uma taxa fixa consoante a tarefa acrescida de um bnus (sistema 
introduzido em 1901)) [Nelson].
Taylor expe os seus pontos de vista nos seus artigos "A piecerate svstem" (1895) e "Shop management" 
(1903) e no seu livro The Principles of Scientific Management (1901). No debate de ideias muito vivo que se 
desenvolve  escala internacional ainda em vida de Taylor e, aps a sua morte, entre as duas guerras 
mundiais, a OCT e o taylorismo so correntemente reduzidos a trs princpios essenciais:

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1. a separao rigorosa entre a concepo das tarefas e a sua execuo; 2. a existncia de um sistema de 
peritagem independente para a definio dos tempos e das remuneraes que escape por isso mesmo a toda a 
discusso; 3. os sistemas de remunerao ligados ao estabelecimento dos tempos e por isso mesmo tambm 
eles indiscutveis em princpio. As aplicaes efectivas da OCT e do taylorismo, embora numerosas, foram 
sempre parciais e dependentes das condies locais (Nelson 1980, Montmollin, Pastr 1984). Os resultados 
so por isso difceis de imputar apenas aos efeitos da OCT e do taylorismo. A produtividade parece ter sido 
consideravelmente acrescida (Nelson 1980, Montmollin, Pastr 1984). Taylor defendia que o seu sistema 
asseguraria aos salrios operrios uma progresso comparvel ou superior  da produtividade: este gnero de 
efeito  muito mais difcil de mensurar. Mas os sindicatos no foram unanimemente hostis ao taylorismo.  
preciso tambm lembrar que Lenine se afirmou a partir de 1918 partidrio resoluto das ideias de Taylor.
A partir de 1940, a OCT, sempre muito praticada na indstria,  suplantada de facto nos crculos 
intelectuais pelo movimento das relaes* humanas, que contesta nela o primado das precaues econmicas 
e do prisma individual, opondo-lhe o sentimento de pertena ao grupo e a lgica dos sentimentos. Este 
movimento prolonga-se pela busca de novas formas de organizao do trabalho (NFOT): enriquecimento das 
tarefas, grupos semiautnomos. Desde 1980 manifesta-se uma nova curiosidade pela OCT e pelo taylorismo 
"de rosto humano" (Montmollin 1981; Montmollin, Pastr 1984).
Por sua natureza, toda a forma de organizao do trabalho que se quer cientfica recorre a princpios 
essencialmente taylorianos. Libertos das suas contingncias histricas, que os historiadores precisamente 
comeam a conhecer melhor, os princpios de base da OCT e do taylorismo no tero pois perdido, longe 
disso, toda a sua eficcia.
B.-P. L.
- Copley (1923), Coriat (1979).

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185

P

Painel: Designa correntemente no vocabulrio americano uma "mesa-redonda" em linguagem televisiva, isto 
, um grupo de pessoas de competncias variadas reunidas para discutir um dado problema a partir de pontos 
de vista diferentes.
Um segundo sentido prprio da sociologia de investigao foi introduzido por P. Lazarsfeld et al. (1944) 
na sequncia de uma interpretao errnea cometida por Lazarsfeld sobre o vocabulrio americano que ele 
dominava mal. Neste segundo sentido, um painel  um grupo estvel de pessoas que se submetem a 
interrogaes repetidas por questionrio a intervalos de tempo regulares mais ou menos espaados. Tenta-se 
por meio deste mtodo introduzir nos inquritos uma dimenso temporal e medir a mudana, respondendo  
objeco que lhes  muitas vezes feita de apenas captarem configuraes instantneas (vd. sondagens de 
opinies).
B.-P. L.
- Chazel, Boudon, Lazarsfeld (1970), Lazarsfeld (1978).

Papel: O papel  um conceito fundamental para definir a identidade social dos indivduos. Em R. Linton 
(1936), para o qual o ponto de partida  a sociedade, o papel est ligado aos conceitos de norma e de modelo 
cultural. A norma  uma obrigao de desempenhar um papel, um constrangimento social que liga o indivduo 
a um ou a vrios grupos. A norma serve para descrever e explicar as uniformidades do comportamento dos 
membros de um mesmo grupo. Os papis prescritos so regras sociais. Representam modelos abstractos 
apresentados pelo grupo. O conceito mais ligado ao papel  o de estatuto ou posio social. Para Linton, no 
h papel sem estatuto nem estatuto sem papel. Mas a maioria dos autores rejeita a correspondncia pura e 
simples entre os dois conceitos. A um estatuto particular, o de pai, correspondem de facto vrios papis. Se 
tomarmos como ponto de partida o indivduo, estaremos confrontados com o problema da regularidade dos 
comportamentos que no pode explicar-se ao nvel do prprio indivduo. Essa regularidade provm da 
identidade da posio que os indivduos detm. Neste caso, o papel  tomado em sentido institucional e 
manifesta-se pelo consenso dos membros do grupo que fundamenta as expectativas recprocas desses 
indivduos. As expectativas de funo so aces esperadas daquele que ocupa uma posio e que  suposto 
ter sido socializado para esse efeito. Para executar um papel, o sujeito tem pois de estar a par dos direitos e 
deveres da posio que ocupa. As expectativas podem especificar de maneira estrita o comportamento 
requerido ou serem simplesmente indicaes que oferecem ao actor a possibilidade de desempenhar 
livremente o seu papel. Tais variaes so funo da sano, da certeza e do consenso relativo s 
expectativas. Distinguiremos, com S. F. Nadel (1957), trs tipos de atributos do papel: os atributos 
fundamentais cuja ausncia ou modificao transforma radicalmente a identidade do papel (por exemplo, um 
mdico que no exerce); os atributos de segundo tipo cuja modificao ou ausncia faz aparecer uma 
diferena na percepo da eficcia do papel (um mdico que exerce mas no se recicla); finalmente, os 
atributos perifricos cuja ausncia ou variao no afecta a eficcia do papel 

---
186
(um mdico que exerce, que se recicla, mas que  celibatrio).
M. C.
- Merton (1949), Rocheblave-Spenl (1962).

Paradigma: Esta noo descreve as convices na maioria das vezes implcitas com base nas quais os 
investigadores elaboram as suas hipteses, as suas teorias e mais geralmente definem os seus mtodos. Assim, 
Descartes estava convencido de que todo o fenmeno fsico pode ser analisado como um sistema de aces e 
de reaces mecnicas, como no caso dos relgios e dos turbilhes. No domnio das cincias sociais, M. 
Weber cria que a explicao de um fenmeno colectivo implica que sejam postas em evidncia as aces, 
crenas e atitudes individuais de que ele  a resultante. Influenciado pelo positivismo de A. Comte, . 
Durkheim cria pelo contrrio que esses dados subjectivos so incompatveis com a prpria noo de cincia. 
As sociologias de Weber e de Durkheim assentam, portanto, em "paradigmas" diferentes.
A noo de paradigma foi posta na moda pelo historiador e socilogo das cincias T. Kuhn (1962). Este 
efeito de moda provm sem dvida sobretudo do facto de ela ter legitimado uma viso relativista da cincia. 
Contudo, o filsofo clssico fizera notar que toda a demonstrao assenta em princpios indemonstrveis sem 
da tirar uma concluso relativista.
R. B.

Parentesco (moderno): O parentesco designa um conjunto de pessoas reunidas por laos de filiao 
(pais/filhos), de germanidade (irmos e irms) e de aliana (marido/mulher), conjunto cuja composio  
gerida por regras variveis segundo as culturas (vd. parentesco* primitivo). Nas sociedades ocidentais 
modernas, a filiao  dita indiferenciada: as duas linhas genealgicas de uma criana (a do pai e a da me) 
tm sensivelmente a mesma importncia e geram obrigaes e privilgios semelhantes (Murdock 1949).
Num tal sistema indiferenciado, as redes de parentesco no tm fronteiras precisas, e os laos no interior 
da rede so regidos mais por um princpio de selectividade (afinidades pessoais) que por um critrio de 
estatuto (em que uma atitude caracterizaria as relaes com todos os membros de uma categoria de parentes).
Este duplo carcter, aliado ao facto de o destino social dos indivduos se jogar em grande parte  margem 
das redes de parentesco, pde deixar crer que a famlia moderna est isolada e funciona "sem parentesco". 
Mltiplas investigaes mostram que pelo contrrio: 1. temos hoje uma probabilidade muito mais forte que no 
passado de poder contactar os seus ascendentes (impacte do aumento da durao mdia de vida) [Le Bras 
1982]; 2. os laos de sociabilidade com o parentesco so numerosos e valorizados, mais particularmente 
ainda, nos meios populares (Roussel, Bourguignon 1976; Sussman 1965); 3. a rede de parentesco funciona 
frequentemente como uma instncia de mediao essencial na integrao das populaes rurais e/ou 
migrantes nas condies industriais e urbanas de produo (Hareven 1987); 4. as trocas funcionais entre 
geraes desempenham um papel notvel no equilbrio de vida dos casais (trata-se mais particularmente de 
servios "quotidianos" nas camadas populares e de ajuda financeira ou de promoo nos meios

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187
abastados) [Pitrou 1978]. Notar-se- a este propsito que vrios autores sublinham uma ligeira predominncia 
feminina (de me para filha) na constituio ou na gesto dessas relaes (Lee 1979).
A importncia e a multifuncionalidade destas trocas no os impedem de ser muito sensveis  distncia 
geogrfica que aparece como o melhor prenunciador da sua intensidade concreta.
Quando examinamos precisamente os primeiros trabalhos sobre este tema, o aumento dos divrcios e das 
famlias monoparentais parece dever reforar a especializao funcional, a flexibilidade e a selectividade 
dessas relaes (Sussman 1987; Settles 1987).
J. K.

Parentesco (primitivo): Esta primeira forma de organizao da vida colectiva consiste, ao definir os limites 
da famlia, em atribuir estatutos e papis a indivduos e subgrupos, em regular a circulao das mulheres, em 
exprimir relaes econmicas segundo a idade, o sexo e o lugar dos indivduos no grupo.
O parentesco define-se pelo conjunto das relaes que unem geneticamente (filiao, descendncia) ou 
voluntariamente (aliana, pacto de sangue) um certo nmero de indivduos. Reveste um carcter sociocultural 
mais que biolgico, tanto mais que laos de consanguinidade podem no ser reconhecidos socialmente e que 
inversamente o parentesco social nem sempre assenta numa consanguinidade real (descendncia totmica, 
adopo). Especifica-se atravs de cinco ordens particulares de fenmenos:
1. a filiao  o conjunto das regras que definem o estatuto de uma criana em relao a alguns dos seus 
ascendentes, quer seus pai e me indiferentemente (relao cogntica), quer apenas em linha agntica 
(patrilinearidade) se os direitos sociais, a categoria, o nome, a religio, os antepassados, os bens so 
transmitidos pelo lado paterno, quer em linha uterina (matrilinearidade) se se liga aos seus ascendentes pela 
sua me;
2. a aliana compromete dois ou vrios grupos exgamos numa relao de permuta matrimonial. Nas 
sociedades tradicionais, a troca restrita e directa supe que os pares que permutam do uma mulher, quer 
imediatamente quer no prazo de uma ou vrias geraes. Na troca indirecta ou generalizada, o grupo dador de 
mulheres recebe em compensao um valor admitido (bois, objectos, dinheiro...), que lhe permitir arranjar 
mulheres para os homens que tem de casar;
3. as denominaes de parentesco variam conforme se trata de termos de comunicao (pap) ou de 
designao (o meu pai) e consoante o sistema  descritivo (o termo "pai" convm apenas ao progenitor) ou 
classificatrio (o termo "pai" designa toda uma classe de parentes reais ou possveis);
4. a residncia  tambm um critrio para a edificao das comunidades locais: a instalao dos esposos 
pode de facto verificar-se em casa dos pais do esposo ou da esposa, do tio materno da esposa, no habitat de 
um dos cnjuges, etc.;
5. as atitudes entre geraes vizinhas ou alternas, assim como entre afins, vo desde a afeio at  frieza 
autoritria, da brincadeira at ao desdm.
O parentesco inclui tambm fenmenos de poder intrafamiliar e de herana de bens e ttulos.
C. R.
- Aug et al. (1975), Fox (1967), Lvi-Strauss (1949), Needham (1949).

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188

PARETO (Vilfredo), economista e socialista italiano (Paris 1848 - Cligny, Sua, 1923): Comeada como 
engenheiro  frente dos caminhos-de-ferro da Toscana, a carreira de Pareto prosseguiu e terminou fora da 
Itlia, por um tardio acesso ao ensino universitrio. Pareto  em primeiro lugar o sucessor de L. M. E. Walras 
na ctedra de Economia Poltica na Universidade de Lausana. Ardente partidrio da livre-troca e defensor de 
"novas teorias" centradas na formalizao matemtica do equilbrio geral, escreve o Cours d'conomie 
politique (1897) e o Manuel d'conomie politique (1906).  tambm um dos principais membros, juntamente 
com G. Mosca, daquilo a que se costuma chamar a "escola elitista italiana", e o autor do Trait de sociologie 
gnrale (1916-1917). No entanto, estas duas espcies de obras procedem do mesmo desgnio: a aplicao  
economia e  sociologia de uma postura correntemente empregada nas matrias experimentais, a das 
aproximaes sucessivas que tem o seu ponto de chegada terico na afirmao da mtua dependncia dos 
fenmenos sociais. O tema central  a distribuio das riquezas a propsito da qual Pareto formulou a lei que 
tem o seu nome: sejam quais forem os pases, as pocas, os regimes, os rendimentos tm "tendncia a 
agrupar-se de uma certa maneira", a sua repartio apresenta esquematicamente a forma de um pio, com a 
ponta virada para cima.
A classificao pormenorizada dos resduos e das derivaes, a oposio da fora e da astcia, dos lees e 
das raposas, dos capitalistas e dos especuladores, a periodizao dos fenmenos sociais em ciclos, fases, 
oscilaes, que do a todas as manifestaes da actividade humana "a forma de uma curva ondulada", 
constituem, juntamente com a lei da repartio das riquezas, a teoria da circulao das elites e os 
desenvolvimentos sobre a instabilidade do equilbrio social, sendo estes os principais temas da sociologia de 
Pareto.
Vrias razes, como os evidentes defeitos de composio do Trait, ou a aprovao dada  poltica 
conduzida por B. Mussolini, explicam que a obra de Pareto suscite ainda hoje um grande nmero de 
interrogaes suspeitosas e de leituras divergentes.
B. V.
- Pareto (1964-1988), Busino (1967), Freund (1974).

PARK (Robert Ezra), socilogo americano (Harveyville, Pensilvnia, 1864 - Nashville, 1944): Antigo 
discpulo do filsofo alemo G. Simmel, Robert E. Park  um dos socilogos mais marcantes da escola da 
ecologia urbana de Chicago. Depois de ter sido jornalista, globe-trotter, secretrio de uma associao de 
defesa dos Negros do Sul, entra na Universidade de Chicago em 1913. Fascinado pela diversidade da vida 
urbana, lana em 1916 um programa de pesquisa, que incide primeiro sobre Chicago antes de ser alargado a 
outras cidades americanas. "Laboratrio social" por excelncia, a cidade  para ele o objecto de estudo 
privilegiado do socilogo. Ela pede de facto uma abordagem  maneira do modelo da ecologia natural que 
estuda as relaes entre as diferentes espcies animais e vegetais presentes num mesmo territrio. A inteno 
de Park  captar em toda a sua complexidade as relaes que os citadinos mantm com um meio ao mesmo 
tempo material e humano que eles prprios modelaram e que permanentemente se transforma. Sendo a vida 
urbana feita de rupturas

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189
e de reorganizaes, o seu estudo passa em particular pelo da patologia urbana que acompanha com 
frequncia os fenmenos de imigrao. Park  o autor de: Introduction to the Science of Sociology, 1921.
Y. G.
- Grafmeyer, Joseph (1979).

PARSONS (Talcott), socilogo americano (Colorado Springs 1902 - Munique 1979): Em The Structure of 
Social Action (1937), Parsons pretendia estabelecer a convergncia entre as obras de . Durkheim, V. Pareto e 
M. Weber, que, tendo partido de horizontes metodolgicos muito diferentes, teriam sido levados a reconhecer 
o lugar central do conceito de aco social. Parsons tinha o duplo mrito de introduzir no campo da reflexo 
da sociologia americana noes como as de aco e de compreenso, e de chamar  ateno para a 
importncia dos sistemas de valores, designadamente no domnio da religio.
Em 1951, Parsons publica The Social System e, juntamente com Shils, Toward a General Theory of 
Action: o estrutural-funcionalismo de Parsons apresenta-se ento como uma teoria da aco e como uma 
teoria dos sistemas sociais. Toda a aco  um sistema de alternativas que permite ao prprio e a outrem 
orientar-se, a si prprio e um em relao ao outro, segundo "variveis de configurao" (pattern variables).
Nos anos 60, Parsons regressa aos problemas clssicos da sociologia comparativa. Regressa ento ele, 
graas  emergncia daquilo a que chama evolutionary universals, ao evolucionismo que condenara nos seus 
primeiros escritos? Finalmente, Parsons alarga o campo da sua reflexo a um certo nmero de factos 
biolgicos (tais como o sexo, a idade, a morte, a sade) e procura compreender como  que esses dados da 
human condition se exprimem em cdigos simblicos mais ou menos estritamente institucionalizados no 
sistema social e no sistema cultural. 
F. B. 
- Bourricaud (1977), Parsons (1967), Parsons, Smelser (1956).

Partido poltico: Um partido poltico  um grupo social, organizado de maneira durvel, articulado at ao 
escalo local, e que solicita o apoio popular em ordem ao exerccio directo do poder.
O aparecimento dos partidos polticos sob a sua forma moderna  um fenmeno recente (segunda metade 
do sc. XIX). Este tipo de organizao s aparece, portanto, quando esto reunidas certas condies. Trs 
tipos de explicaes foram propostos sobre a origem dos partidos: 1. a abordagem institucional, que liga o seu 
desenvolvimento ao alargamento do sufrgio e ao papel das assembleias parlamentares (Duverger 1951); 2. a 
abordagem histrica, que associa o seu nascimento a uma situao de crise; 3. a abordagem 
desenvolvimentista, que liga a sua formao a um processo geral de modernizao (La Palombara, Weiner 
1966).
O desenvolvimento dos partidos polticos apresenta-se igualmente como um fenmeno geral. Eles 
preenchem de facto por todo o lado duas funes essenciais:
1. uma funo de estruturao. Organizam a expresso da opinio e transmitem os pedidos aos centros de 
deciso. Esta funo, que nos pases democrticos vai at  estruturao do voto, pode exercer-se em sentido 
inverso nos regimes autoritrios, pelo controlo e pelo enquadramento da populao. Nos

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190
pases em desenvolvimento, a funo de enquadramento est muitas vezes associada ao desejo de criao de 
uma identidade nacional;
2. uma funo de recrutamento, assegurando os partidos a seleco e a renovao das elites polticas. O 
estudo dos partidos polticos foi em grande parte orientado para a anlise das suas estruturas, e desembocou 
na elaborao de diversas tipologias, que distinguem, por exemplo, os partidos de massa, os partidos de 
quadros e os partidos de unio (catch-all party). Mas, numa postura inspirada na sociologia das organizaes, 
um partido pode igualmente ser compreendido como um sistema constitudo por elementos interdependentes; 
este sistema  integrado num conjunto mais vasto que constitui o sistema dos partidos, ele prprio em 
interaco com o eonjunto do sistema poltico.
Prestou-se uma ateno particular  influncia do modo de escrutnio no nmero e na estrutura dos 
partidos. Os modos de escrutnio no so mais que instrumentos polticos, e o sistema dos partidos  menos 
dependente deles do que por vezes se pretendeu.
D. D.
- Cotteret, Emeri (1970), Offerl (1987).

Pauperizao: Fala-se de pauperizao quando, numa dada sociedade, camadas sociais inteiras se 
empobrecem com regularidade, isto , vem os seus rendimentos e os seus patrimnios diminuir de maneira 
constante. Observam-se fenmenos de pauperizao em toda a parte, particularmente quando sociedades so 
afectadas por crises duradouras ou se encontram envolvidas em processos de reajustamento ou de adaptao a 
ambientes em mutao (ambientes naturais degradados, por exemplo).
Na esteira de alguns marxistas, houve quem se interrogasse se as economias capitalistas modernas no 
produziriam inevitavelmente a pauperizao das camadas operrias. A tese mais extrema foi defendida pelos 
comunistas nos anos 50: a classe operria veria o seu nvel de vida diminuir de maneira absoluta  medida que 
fossem crescendo as economias capitalistas. Rapidamente abandonada, essa tese foi geralmente substituda 
por uma teoria sobre a pauperizao relativa dos trabalhadores assalariados; as camadas desfavorecidas s 
lentamente poderiam aumentar os seus rendimentos, a um ritmo muito mais lento que as camadas 
privilegiadas. Esta ltima concepo tambm no reuniu a unanimidade. Alguns economistas fizeram questo 
em corrigi-la e sublinharam que fortes tenses sobre o mercado do trabalho podiam favorecer os salrios em 
relao ao lucro. Admite-se agora que os fenmenos de pauperizao envolvem, sobretudo, as camadas que se 
encontram expulsas ou mantidas fora da produo dos bens e servios. A pauperizao, neste sentido, 
apresenta-se como a sano de verdadeiras discriminaes sociais.
J.-M. V.
- Mandel (1962).

Planificao: Modo de organizao da vida econmica de um pas em que a oferta e a procura, em vez de 
serem determinadas pelas foras do mercado, so orientadas por um plano plurianual previamente 
estabelecido. Esta orientao reveste formas mais ou menos constrangedoras, e distinguem-se a este respeito 
duas grandes categorias: a planificao centralizada imperativa e a planificao flexvel ou indicativa.
A planificao centralizada, introduzida

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191
aps 1928 por Estaline na Unio Sovitica e alargada depois de 1945 a todos os pases sob regime comunista, 
substitui a economia capitalista por um sistema radicalmente diferente, em que os meios de produo 
pertencem ao Estado e em que se produz para executar os objectivos do Plano e no para obter lucros ao 
satisfazer uma procura solvvel. Consequentemente, as economias de planificao imperativa tm moedas 
inconvertveis; o comrcio externo  monoplio estatal; nem os assalariados nem os consumidores podem 
organizar-se para reivindicar; quanto s empresas, dependem todas de ministrios de tutela que fixam cada 
ano as quantidades e os preos do que compram e fabricam.
Na planificao indicativa, de que a Frana oferece um bom exemplo, j no se trata de criar um novo 
sistema econmico, mas de corrigir as imperfeies do mercado e do processo poltico. A mensagem 
econmica difundida pelo Plano junto das empresas, das administraes e dos parceiros sociais visa de facto o 
duplo objectivo de introduzir a preocupao do futuro e o empenho da coerncia nas aces pblicas e 
privadas, por meios que assentam essencialmente na persuaso e no incitamento.
Estes dois tipos de planificao esto ambos em crise. Crise de credibilidade para os planos indicativos. 
Depois dos choques petrolferos, da revoluo informtica, das oscilaes das taxas de cmbio e das taxas de 
juro, o mundo econmico tornou-se mais turbulento e menos previsvel, portanto menos controlvel. Tendo 
sido um dos meios desse controlo, a planificao sofre com isso. Para os planos imperativos, trata-se de uma 
crise mais global, porque a rigidez da planificao centralizada convm cada vez menos a uma economia 
moderna, mas dar mais autonomia aos agentes econmicos  politicamente arriscado porque  o monoplio 
do partido nico que ento se encontra posto em causa.
B. C.
- Asselain (1981), Mass (1965), Quinet, Touzery (1986).

Poder: Em sentido geral, o poder designa a faculdade de agir prpria do ser humano e, num sentido derivado, 
a aptido de um dado actor para levar a cabo aces eficazes. Esta acepo ampla do poder preside a 
definies conhecidas, como a de B. Russell (1938), para o qual o poder consiste na "produo de efeitos 
procurados". A prpria generalidade deste tipo de definio pode, no entanto, tornar-se um obstculo, em 
particular quando se trata de apreender o poder nas suas dimenses especificamente sociais ou polticas. E de 
facto ao poder sobre que o investigador deve ento prioritariamente prestar a sua ateno, sem descurar o 
poder de. Pelo facto de observar o fenmeno no prprio jogo e trama das relaes entre as pessoas e os 
grupos, ele  levado a pr em evidncia o carcter relacional do poder. A despeito da frmula de Hobbes 
(1651), segundo a qual "o poder de um homem consiste nos seus meios presentes de obter algum bem 
aparente futuro", no podemos hoje ater-nos a uma concepo substancial, que faria do poder um puro 
atributo do actor: se  verdade que no h poder sem recursos,  preciso ainda que estes sejam mobilizados e, 
se for caso disso, postos em aco para que se torne apropriado falar de poder. Em ltima anlise, o poder 
consiste essencialmente em relaes assimtricas entre actores e grupos de actores; e o seu exerccio  
condicionado por uma distribuio desigual de recursos.

---
192
Ser legtimo, nesse caso, substituir, segundo a sugesto de H. Simon (1957), a proposio "F tem poder 
sobre S" pela seguinte proposio: "a conduta de F causa a conduta sobre S"? A resposta  manifestamente 
no, se se trata, como o fez W. H. Riker (1964), de associar  anlise do poder uma concepo da causalidade 
definida em termos de condio necessria e suficiente: a linguagem da implicao recproca no  aplicvel 
ao poder, tal como  maioria dos objectos da pesquisa em cincias sociais. Mais globalmente, se a 
complexidade do fenmeno nem por isso impede o recurso  noo de causalidade,  preciso admitir que a 
retraduo da ideia de poder numa linguagem metodolgica apropriada choca com mais obstculos que o que 
pensava Simon. Alm disso, o paradigma inerente  anlise da causalidade talvez no seja o mais fecundo 
neste domnio: pela sua concentrao unicamente nos resultados, ele deixa escapar a dimenso estratgica do 
poder e no permite praticamente elucidar os seus modos especficos de aco. Deste ltimo ponto de vista, 
convm sublinhar que a capacidade de impor sanes negativas desempenha um papel muitas vezes decisivo 
nas relaes de poder. O exerccio do poder de A pode de facto encontrar resistncias da parte de B e implica 
que esta eventual resistncia seja vencida, como bem sublinhou M. Weber (1922a) na sua definio do poder, 
que faz dele "a possibilidade de fazer triunfar no seio de uma relao social a sua prpria vontade, mesmo 
contra a resistncia de outrem". Mas o poder nem sempre choca com resistncias. Primeiro, pode desencorajar 
toda a tentativa de resistncia por aces de preveno ou de demonstrao simblica. Seguidamente, as 
relaes de poder nem todas se reduzem ao modelo extremo do jogo de somatrio nulo, no qual todo o ganho 
de A traz consigo uma perda equivalente para B. Por fim, no h que descurar os casos em que um poder 
legtimo beneficia, por um lado, de um consentimento activo e, por outro, de uma aquiescncia resignada da 
maioria daqueles sobre os quais se exerce. H pois que evitar oposies ingnuas entre legitimidade e fora: 
um poder legtimo reconhece-se, sem dvida, pela extenso do seu apoio mas tambm pelo direito 
reconhecido de obrigar um eventual recalcitrante.  por isso que a anlise dos modos de combinao entre 
coero e legitimidade nas relaes de poder, nas quais D. Wrong (1979) ps justamente a tnica, deve 
constituir um tema central da investigao sociolgica neste domnio.
F. C.
- Aron (1964b), Chazel (1974), Parsons (1967).

Poliarquia: Porque a noo de "democracia" lhes pareceu demasiado geral, socilogos polticos (Dahl 1961) 
preferiram o termo "poliarquia" para designar de maneira mais precisa a forma assumida pela democracia nos 
regimes representativos ocidentais. A democracia moderna no  e no pode ser o governo do povo pelo 
povo. E este ltimo nunca governa a no ser por delegao da sua soberania numa elite poltica, por meio dos 
seus votos, na pluralidade das candidaturas e dos partidos. A lgica  a da representao poltica e da consulta 
eleitoral, com as suas vicissitudes. Quando se descreve a poliarquia como o lugar dos confrontos pblicos 
entre patres, lderes 

---
193
sindicais, homens polticos, quando se sublinha o pulular das associaes de defesa de interesses diversos e o 
mpeto de cada uma, no se faz mais que descrever o funcionamento normal da democracia. Num tal espao, 
o governo no pode ser seno o resultado de um compromisso negociado. O que o termo "poliarquia" quer 
sublinhar , por um lado, a pluralidade das foras polticas e dos centros de deciso capazes de se 
equilibrarem a fim de que seja garantida a liberdade; por outro lado, o facto de os detentores do poder terem a 
convico da precariedade, no tempo, do seu reinado e, opositores de ontem, sabem que so opositores 
potenciais de amanh.  esse o "esprito" da poliarquia.
A. A.

Polcia: Instituio ou organismo encarregado de fazer respeitar a ordem; em sentido amplo, implementao e 
organizao dessa ordem. Para alguns no h polcia que no dependa do monoplio estatal, ao passo que 
outros concebem polcias no estatais.
A polcia pblica tornou-se o provedor habitual da justia penal. Actua quer por sua iniciativa 
(proactividade) quer por impulso externo (reactividade). No primeiro caso, garante a segurana do Estado e 
intervm, sobretudo, nos lugares pblicos (circulao rodoviria, controlo de identidade...). Esta tarefa no 
corresponde, no entanto, a uma lista precisa de actividades definidoras do ofcio de polcia. No outro caso, a 
vtima apresenta queixa (tanto mais facilmente quanto o autor lhe  desconhecido); autoridades polticas e 
administrativas assim como pessoas privadas dirigem-se  polcia de cada vez que nenhum outro organismo  
competente ou est disponvel.
A ordem pblica estatal no se reduz ao que a polcia gere. Uma multido de rgos administrativos 
(fisco, alfndega, inspeco de trabalho...) ou para-administrativos (comisso das operaes de Bolsa...) 
dispe de poderes e efectua tarefas anlogas em domnios especializados, mas recorrem  transaco e  
regularizao de preferncia  aco penal.
Alm disso, fenmeno fundamental da nossa poca, organismos privados e empresas desenvolvem 
autnticas polcias privadas no seu domnio de actividade recrutando agentes de segurana ou recorrendo a 
firmas especializadas. A demanda penal  ento apenas uma ultima ratio desse controlo privado que obedece 
a lgicas e a prioridades muito diferentes.
PH. R.
- Sociologie du travail (1985), Demonque (1983), Lvy (1987), Ocqueteau (1986).

Poltia.
Grupo humano particular. Vd. Guerra.

Poltica (sociologia): Podemos dizer com alguns autores que a sociologia poltica consiste simplesmente no 
estudo sociolgico da poltica; mas esta frmula permanece ambgua enquanto no nos pusermos de acordo 
sobre a noo de poltica e em particular sobre a sua extenso: por si mesma, no basta para circunscrever o 
domnio da sociologia poltica. A sociologia poltica reconhece-se primeiramente em algumas grandes 
orientaes j referenciveis antes que a nova disciplina tivesse sido institucionalmente reconhecida. Sob 
muitos aspectos, M. Weber (1922a) pode ser considerado como o verdadeiro fundador da sociologia poltica: 
por um lado, sublinhou a importncia

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194
geral dos fenmenos de poder e de dominao; por outro, viu o critrio da modernidade na emergncia da 
burocracia, com a total separao entre funcionrios e meios de administrao, assim como a estrita 
especializao das tarefas que a caracterizam, e portanto do Estado legal-racional. O seu discpulo, R. Michels 
(1911), ps em evidncia as tendncias oligrquicas dos partidos polticos. Avalia-se assim o contributo dos 
weberianos para a constituio da sociologia poltica: R. Bendix e S. Lipset (1957) fazem mesmo da dupla 
burocracia/oligarquia um dos eixos fundamentais da disciplina.
A sociologia poltica deve tambm muito  obra de um pioneiro, Alexis de Tocqueville, que tem o duplo 
mrito de analisar a mudana poltica - eventualmente revolucionria - a partir das caractersticas da 
sociedade global em que apareceu. A sua postura, implicitamente comparativa, consiste em tirar lies da 
experincia americana  luz do caso francs em De la dmocratie en Amrique (1835) ou em confrontar os 
destinos histricos contrastados da Frana e da Inglaterra em L'Ancien Rgime et la Rvolution (1856).
Por fim, a sociologia poltica soube tirar partido da herana de Marx. Sem adoptar as solues 
excessivamente deterministas que decorrem do seu modelo dominante, retoma por sua conta um certo nmero 
de problemas que ele propusera: grau de concentrao do poder econmico, relao entre poder econmico e 
poder poltico, condies de emergncia e natureza das ideologias. Estes temas, directamente sados da 
tradio clssica e que podem ser hoje abordados diferentemente, nem por isso deixam de fazer parte 
integrante da sociologia poltica. Basta acrescentar-lhes os estudos eleitorais, que esto plenamente inseridos 
no mbito da sociologia poltica a partir do momento em que se interessam prioritariamente pelas bases 
sociais da diversidade poltica, para termos uma imagem mais ou menos correcta das tendncias dominantes 
da sociologia poltica nos anos 60.
A partir de ento, dois objectos de estudo conquistaram progressivamente uma grande importncia: as 
polticas pblicas, por um lado, e o processo de mobilizao e os movimentos sociais, por outro. A anlise das 
polticas pblicas permitiu enriquecer consideravelmente o estudo das decises, encaradas doravante no j 
apenas na sua fase de elaborao mas tambm na da sua implementao. O estudo das mobilizaes e dos 
protestos colectivos chamou de novo a ateno para o poder virtual das aces dirigidas contra o Estado. 
Contribuiu tambm para pr em evidncia a influncia do parapoltico sobre o poltico. A sociologia poltica 
mantm-se assim fiel  sua vocao primeira; contrariamente a uma opinio muitas vezes espalhada - pelo 
menos em Frana -, sociologia poltica e cincia poltica no so simplesmente duas designaes de uma 
nica disciplina fundamental; a sociologia poltica, que no poder reduzir-se a uma perspectiva institucional, 
examina os processos polticos a partir da sociedade: convm pois no identific-la com a cincia poltica em 
geral mas reconhecer nela uma cincia do poltico que tem uma postura e objectivos especficos.
F. C.
- Birnbaum, Chazel (1971), Dogan, Pelassy (1982), Lipset (1960).

Populismo: O populismo (em russo narodnichestvo) designa o movimento

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195
dos intelectuais russos (como A. Herzen e sobretudo N. Tchernychevski) que, nos anos 1850-1880, se ops ao 
czarismo. Os populistas, desconfiados relativamente ao liberalismo ocidental, queriam educar os camponeses 
(identificados com o "povo"), nos quais viam os guardies naturais das tradies e da alma russa, para 
mobiliz-los contra o despotismo e para fundar um comunismo agrrio. Marx e depois Lenine opuseram-se 
aos populistas, a quem censuravam o facto de no verem o carcter de classe da sociedade e a confuso que 
arrastava consigo a noo de "povo".
Actualmente, e por analogia, denomina-se populista todo o movimento ou toda a doutrina que faz apelo de 
maneira exclusiva ao "povo" ou s "massas", de maneira indiferenciada e, por vezes, mstica. So neles 
secundrios os antagonismos de classe;  negado o papel do proletariado urbano (e das suas organizaes) 
como vanguarda revolucionria. A ideologia populista est muito espalhada nos pases antigamente 
colonizados ou semifeudais e concilia-se muitas vezes com um poder ditatorial, evidentemente "anti-
imperialista".
A. A.

Positivismo e neopositivismo: O positivismo, cujo pai em filosofia  Auguste Comte, define-se primeiro pela 
recusa de toda a legitimidade da metafsica. O princpio do conhecimento consiste em partir do observvel e 
ater-se a ele. O pensamento s pode atingir relaes e leis. A interrogao sobre os fins e sobre a essncia 
oculta das coisas no  mais que iluso religiosa. O neopositivismo lgico do crculo de Viena aparenta-se 
com este positivismo pela mesma recusa de reconhecer toda a pretenso filosfica a um saber distinto do 
saber cientfico entendido stricto sensu. A metafsica  citada como o exemplo da ausncia de sentido gerada 
pelo menosprezo da lgica real da linguagem. Quanto ao critrio de verdade objectiva, ele s pode ser o 
critrio da experincia sensvel.
O positivismo sociolgico e o neopositivismo so evidentemente fiis a este conjunto de princpios 
epistemolgicos e postulam que o tratamento matemtico e lgico dos factos e a prova emprica so as fontes 
exclusivas de uma sociologia cientfica, que exclui qualquer outro projecto para alm da descoberta entre os 
factos de relaes constantes, de semelhana, de sucesso ou de interaco.
A. A.

Potlatch: Dom cerimonial orientado para a conquista ou manuteno do prestgio. O potlatch, palavra da 
lngua ndia nootka, foi observado entre os ndios da costa noroeste dos Estados Unidos da Amrica, 
designadamente entre os Kwakiutl, por F. Boas. Aplica-se a festas dadas por ocasio de cerimnias habituais 
(nascimento, casamento, iniciao, etc.) ou provocadas, durante as quais os anfitries distribuem aos seus 
convidados toda a espcie de bens. Obrigados a aceitar, os donatrios vem-se obrigados, sob pena de 
perderem o rosto e o seu prestgio, a retribuir, dando eventualmente ainda mais. A rivalidade pela categoria 
social entre chefes de cl, famlias, confrarias traduz-se tambm pela destruio de bens por ocasio das 
cerimnias. M. Mauss (1925), que falava, a propsito do potlatch, de "prestaes totais de tipo agonstico", 
via a o prottipo do sistema de troca-dom caracterstico de numerosssimas sociedades arcaicas. Muitos 
durkheimianos, Mauss, G. Davy (1922), M. Granet,

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196
atribuam um lugar central  instituio do potlatch na evoluo das sociedades humanas, vendo nela um 
perodo de transio em que aparecem as diferenciaes hierrquicas, a individualizao da autoridade, as 
premissas do direito contratual, a particularizao dos cultos (Goudineau 1986).
PH. BD.

Preconceito: Estreitamente ligada  noo de atitude, por um lado, e  de esteretipo, por outro, a ideia de 
preconceito foi elaborada por socilogos americanos para explicar o fenmeno do racismo. G. W. Allport 
(1954) definiu-o como o juzo feito sobre um grupo antes de qualquer experincia e anlise; tem portanto uma 
funo de simplificao, ao permitir a implementao de um processo de categorizao social e ao fazer apelo 
a uma causalidade unidimensional; funciona com base no princpio da generalizao - todo o grupo, e cada 
um dos seus membros indistintamente, leva as marcas estereotipadas que o estabelecem numa singularidade. 
O preconceito implica ao mesmo tempo, naqueles que o utilizam, uma componente afectiva e valorativa que 
no  determinada pela realidade do grupo objecto do preconceito. T. Adorno e os seus colaboradores (1950) 
mostraram que, no indivduo, o preconceito - e mais em geral a atitude - no podia ser isolado; integra-se no 
sistema que forma a sua personalidade. Estas diversas caractersticas explicam, por um lado, que, porque est 
ligado ao sistema de valores do sujeito, o preconceito resiste fortemente a toda a informao contraditria; 
mas, por outro, que o preconceito pode ter uma funo de integrao social, pois que permite a criao de 
uma identidade colectiva entre os que partilham o mesmo preconceito.
Y. C.

Predio criadora: Adaptao dan expresso self fulfilling prophecy,  a profecia que se realiza por si 
prpria, popularizada por R. K. Merton (1949). Trata-se do mecanismo pelo qual o anncio da previso basta 
para produzir o acontecimento previsto. O facto de uma autoridade reconhecida anunciar uma queda da Bolsa 
arrastar efectivamente a sua queda. Exemplo particularmente marcante dos efeitos de composio, a predio 
criadora tem um alcance muito geral e pode ser alargada ao caso das crenas colectivas, que, embora sem 
fundamento objectivo, se verificam e se mantm porque produzem efeitos conformes com o que enunciam. 
Fala-se de predio destruidora a propsito do mesmo mecanismo funcionando no outro sentido: a previso 
de um acontecimento impede a sua realizao. Uma sondagem pr-eleitoral pode ter uma funo de predio 
criadora se leva os eleitores a votar pelo candidato melhor colocado ou de predio destruidora se os leva a 
votar contra.
PH. BD.

Profetismo: Por profetismo designa-se uma constelao de papis sociais que remetem para o tipo central do 
profeta. Este (Weber 1922a, 1921a)  uma personagem que sai do comum, e  caracterstica dos perodos de 
crise; pretende ter uma vocao, uma misso e um carisma religioso pessoais reconhecidos por um grupo de 
discpulos.
Geralmente leigo e tendo usurpado a sua misso, ope-se ao mesmo tempo ao sacerdote e ao mgico. M. 
Weber (1920) insistiu no papel importante que o profetismo judaico 

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197
e cristo (profecia tica) desempenhou na racionalizao das atitudes da vida quotidiana no Ocidente; a ascese 
monstica (extramundana) e o protestantismo asctico (intramundano) do puritanismo e das seitas foram os 
portadores e os motores deste processo. Em contrapartida, o profetismo (exemplar) extremo-oriental, mais 
voltado para a meditao que para a ascese tica no mundo, no produziu - em geral - os mesmos efeitos.
Prximos do profeta, mas no se confundindo com ele, encontram-se (Weber 1922a, 1921a) os 
reformadores religiosos e sociais, o legislador (Moiss, por exemplo), e sobretudo o demagogo. Por este 
ltimo termo, Weber (1921b) entende o poltico por vocao, que pretende ter uma misso e a v reconhecida 
por partidrios; esta misso apoia-se num passado herico ou na pretenso a uma relao pessoal privilegiada 
com a nao, o povo, o partido, etc. O demagogo  o "profeta poltico" dos tempos modernos; estes ltimos 
nem por isso esto necessariamente desprovidos de profetas religiosos.
J. S.

Profisso: Durante muito tempo, as profisses foram identificadas com as profisses liberais, que, longe de 
desaparecerem aquando do advento do capitalismo industrial, antes se desenvolveram nas suas margens. Por 
isso vemos os socilogos interessarem-se por elas desde muito cedo. . Durkheim (1893) interrogava-se j 
sobre o papel das corporaes que ele considerava essenciais ao funcionamento democrtico da sociedade. 
Essa ideia ser sistematizada por T. Parsons numa perspectiva funcionalista. Mas, entrementes, o estudo das 
profisses tornara-se um tema recorrente da sociedade americana (Herpin 1973). Em 1915, S. Flexner, a 
propsito do exerccio da medicina, do direito, da engenharia e das artes, enumerava os seus atributos 
distintivos, aos quais se referiram todos os que, seguidamente, abordaram o domnio das profisses. Trs 
critrios ocorrem, sobretudo, na maioria das definies: a especializao do saber, que traz consigo uma 
determinao precisa e autnoma das regras da actividade; uma formao intelectual de nvel superior, que 
supe a existncia de escolas de formao devidamente reconhecidas; um ideal de servio, que apela ao 
estabelecimento de um cdigo deontolgico e ao seu controlo pelos pares. Em todos os casos estudados, que 
incidem sobre profisses liberais, sublinha-se a implantao progressiva dos mesmos elementos 
significativos, no quadro de uma sociedade que parece ganha pelos valores profissionais. Donde a tentao de 
utilizar o conceito fora do seu quadro de origem, estendendo-o s ocupaes assalariadas. Mas essa  uma 
postura arriscada, porquanto a profissionalizao de certas actividades - como a dos engenheiros - tropea 
numa tendncia geral contrria: a burocratizao, que no favorece a autonomia nem o ideal de servio. 
Nestes ltimos anos, multiplicaram-se as crticas em relao  profisso e ao modelo funcional subjacente 
(Maurice 1972). A comunidade "liberal" j no  apresentada como um meio sociocultural homogneo, como 
se v no direito ou na arquitectura (Moulin 1973). O profissionalismo reconhecido dos quadros  uma falsa 
aparncia para assalariados que jamais tero acesso s funes dirigentes. J no estamos no tempo em que o 
conceito parecia dever transformar a sociologia do trabalho. A profisso pode ser abordada como uma forma 
de

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198 
actividade entre outras no contexto global da diviso social do trabalho.
F. G.

Progresso: A noo de progresso implica que a histria tem um sentido e que esse sentido  linear, contnuo, 
que vai da noite para o dia, da indigncia para a abundncia, da selvajaria para a civilizao, em suma, vai em 
direco ao Verdadeiro e ao Bem confundidos num s objectivo.
Este progresso na histria  gerado pela acumulao indefinida dos progressos tcnicos que permitem o 
domnio da natureza e geram, por sua vez, o progresso da conscincia. Identifica-se com o progresso da 
Razo. Pode, evidentemente, limitar-se a noo de progresso a uma dada sociedade e ao sistema de valores 
que  o seu.  o que pretende o socilogo que no faz do "progresso" um conceito mas uma crena que ele 
tem de estudar como tal. Quanto ao conceito, preferir o de desenvolvimento (desenvolvimento econmico, 
desenvolvimento poltico, etc.).  com Condorcet e a sua obra pstuma (1795) que o "progresso" faz a sua 
entrada na cena intelectual e poltica. O autor, a partir de um quadro exaustivo das "pocas" da humanidade, 
estabelece a lei que governa o seu curso: a aquisio do conhecimento, o aperfeioamento das tcnicas, o 
aumento das riquezas que da decorre trazem a felicidade, a segurana, num mundo pacificado. Esta crena 
optimista na histria constitui o essencial do pensamento republicano do sc. XIX que gostava de conjugar 
progresso cientfico e progresso moral. O sc. XX ser, por seu turno, o das "desiluses do progresso" (para 
retomar o ttulo do livro de R. Aron publicado em 1969). Viu-se nele que o crescimento econmico no gera 
necessariamente a eliminao das desigualdades nem a reconciliao entre os homens, e menos ainda entre os 
povos. Ope-se por vezes sem razo a noo de progresso  de tradio. Com efeito, a dupla vlida  a de 
"progresso-declnio", na medida em que ope duas filosofias da histria, semelhantes mas de sinais 
contrrios.
A. A.

Proletariado: Designa-se, sob este termo, a classe dos mais desfavorecidos, que, na sociedade capitalista, tem 
como nica riqueza uma fora de trabalho que tem de vender aos proprietrios dos meios de produo.
A noo de proletariado difere da de classe operria. A classe operria, elemento da estratificao social,  
um objecto de investigao sociolgica banal. O proletariado remete para uma abordagem ideolgica - moral 
ou poltica - da sociedade. Do que se trata  de designar a classe dos pobres, dos excludos, e de interrogar-se 
sobre o seu destino histrico.  assim que com Marx o proletariado ser esse messias que, porque encarna a 
privao integral, pode tornar-se o agente pelo qual a humanidade acaba com a sua infelicidade secular 
(explorao do homem pelo homem) e recupera a sua prpria substncia.
No podemos compreender a noo de proletariado se a no referirmos ao duro perodo dos incios da 
industrializao (Villerm 1840). Mas o proletariado tornou-se classe integrada na sociedade e dispe de 
fortes aparelhos para defender os seus interesses materiais e morais. O nosso mundo j no  o que  descrito 
por E. Sue, ou mesmo por . Zola.
A. A.

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199

Prospectiva: O adjectivo "prospectiva", que existia em T. Gautier com o sentido de "voltado para o futuro", 
foi transformado em substantivo por G. Berger (1957) para designar uma atitude de esprito que encara o 
futuro no como uma realidade escrita antecipadamente que se pode descobrir cientificamente, mas como o 
resultado, por vezes involuntrio, das aces humanas no dia-a-dia. Mais ou menos na mesma altura, B. de 
Jouvenel (1964) criava a noo prxima de futuriveis para designar "os descendentes do estado presente que 
nos aparecem actualmente possveis".
Esta perspectiva no  inteiramente nova. Desde a Antiguidade, os homens esforaram-se, de facto, no 
apenas por adivinhar o futuro mas tambm por desenhar o rosto que desejariam que ele assumisse (Cazes 
1986). Mas trata-se essencialmente de imagens do futuro cuja procura era inteiramente passiva, ao passo que 
a oferta era marcada por um ntido amadorismo. A mudana verificada aps 1945 traduz-se, pelo contrrio, 
por um duplo movimento de institucionalizao e de profissionalizao das reflexes sobre o futuro. Houve 
em primeiro lugar fixao institucional, no sentido de que as pesquisas sobre o futuro so doravante uma 
preocupao permanente das grandes empresas, dos governos, das organizaes internacionais. Estes 
"consumidores" de prospectiva no se limitam a acompanhar o que se publica, mas encomendam 
sistematicamente estudos sobre o futuro,  medida do presidente H. Truman, que, durante a Guerra da Coreia, 
criou em 1951 a Comisso Paley, encarregada de examinar as necessidades dos Estados Unidos em recursos 
naturais no horizonte 1975.
A prospectiva acabou por profissionalizar-se porque os seus praticantes manejam instrumentos muito 
diversos (extrapolao de tendncia, modelizao, cenrios, etc.). Esta sofisticao metodolgica no deve 
fazer esquecer que permanecemos ainda muito desguarnecidos face a trs questes fundamentais: 1. que 
elementos da realidade presente se mantero "invariantes"?; 2. que tendncias fortes estamos em posio de 
prolongar?; 3. que novidades sobrevivero sem pr-aviso, infirmando simultaneamente as conjecturas tiradas 
do ajustamento das invariantes e das tendncias fortes?
B. C.
- Lesourne, Godet (1985).

PROUDHON (Pierre-Joseph), terico socialista francs (Besanon 1809 - Paris 1865: Desde a publicao do 
seu memorial em 1840, Qu'est-ce que la proprit?, torna-se um dos mais importantes tericos do socialismo 
francs. O seu livro de 1846, Systme des contradictions conomiques, suscitou a crtica de Marx e a ruptura 
das suas relaes. Deputado em 1848, depois preso durante trs anos, no deixou de polemizar contra o 
Segundo Imprio e foi de novo condenado aps a publicao de De la justice dans la rvolution et dans 
l'glise (1858). No pde acabar a sua ltima obra escrita, De la capacit politique des classes ouvrires 
(1865).
Uma trplice crtica atravessa as suas obras: crtica da propriedade privada, dos capitais e da desigualdade; 
denncia do Estado centralizador, fonte da alienao poltica; crtica das religies e de toda a ideologia da 
transcendncia. A estas trs alienaes ope Proudhon uma organizao autogestionria da produo, o 
federalismo social e poltico, uma moral exigente fundada na justia. Esta filosofia social comporta um 
conjunto de indicaes

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200
de carcter sociolgico sobre o pluralismo social, a violncia do Estado centralizado, as formas de resistncia 
s opresses, o carcter destruidor das ideologias polticas, o dinamismo dos grupos naturais.
P. A.
- Ansart (1967), Bancal (1970), Haubtmann (1982), Voyenne (1973).

Psicanlise e sociologia: A psicanlise, cincia do inconsciente, no ultrapassa os seus direitos quando 
estende a sua pesquisa e a sua interrogao s produes simblicas que constituem o tecido social. Certas 
obras de S. Freud (1913, 1927, 1929, 1939...) fazem parte do campo sociolgico de maneira original. Depois 
de Freud, a psicanlise foi utilizada como instrumento de pesquisa por numerosos etnlogos e socilogos que 
viam nela a chave que abria as portas do simbolismo social. Isso fez-se muitas vezes a partir de uma analogia 
rpida com o sonho. Mas o mau uso da psicanlise no deve hipotecar o seu uso legtimo. Certos temas de 
Freud que dizem respeito ao socilogo merecem ser retidos: a universalidade do complexo de dipo, que 
fornece um modelo para esclarecer a articulao de "civilizao", "interdito", "culpabilidade", "rituais"; o 
conflito original entre Eros e pulso de morte, que permite avanar explicaes quanto aos fenmenos sociais 
paradoxais ou paroxsticos; a lgica do inconsciente tal como ela se apresenta nos sonhos, nas neuroses, etc., e 
que induz hipteses para apreender o espao codificado das produes simblicas diversas.
A psicanlise no  uma chave para o socilogo,  um conjunto de indicaes e de advertncias que ele 
faria mal em no ter em conta.
A. A.

Publicidade: O conceito de publicidade designa no tanto uma coisa como um movimento que vai do privado 
ao pblico; enquanto actividade econmica, a publicidade contempornea refere-se a um processo de 
promoo comercial realizado por meio de anncios e pelo jogo de trs actores: o anunciador que emite a 
mensagem, o suporte que difunde o anncio no pblico e a agncia que concebe e realiza os produtos 
publicitrios.
O agente de publicidade aparece por volta de 1840 e desenvolve-se depois como intermdio entre os 
anunciadores e os suportes. A agncia-conselho moderna articula a sua estrutura em funo deste papel 
fundamental; "criativos" e "comerciais" colaboram nela para fabricar anncios de todas as espcies e 
organiz-los em campanhas de publicidade em funo das necessidades dos anunciadores e dos suportes. No 
incio do sc. XX elabora-se nos Estados Unidos uma disciplina nova, o marketing. A publicidade figura nela 
como um fluxo de informaes econmicas que vo da oferta para a procura, simtrica e inversa de um fluxo 
de estudos de mercados - econmicos e psicolgicos - que informam os anunciadores sobre os "alvos" visados 
pelas suas campanhas. Duas expresses tentam descrever a influncia exercida pela publicidade de massa: a 
"sociedade de consumo" supe que o sistema do marketing no se regula por si prprio, mas suscita 
cronicamente um sobreaquecimento da mquina econmica, alimentada por uma estimulao publicitria 
abusiva. A "sociedade do espectculo" denuncia uma situao em que a produo de sinais se substitui 
progressivamente  dos bens reais, em que os prprios anncios se consomem. A crtica marxista, por seu 
turno, continua

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201
a ver no reclamo o instrumento da dominao de uma classe sobre o conjunto da populao. Ao nvel dos 
factos, verifica-se que a "presso publicitria" (que mede o investimento em anncios por habitante) depende 
sobretudo do grau de desenvolvimento industrial, mas tambm que ela varia notavelmente de pas para pas. 
Em 1985, andava  volta de 66 dlares nos pases desenvolvidos (60 em Frana) e ultrapassava 200 dlares 
em quatro: Estados Unidos, Sua, Finlndia e Emirados rabes.
Pelo que se refere  coaco social, as partes envolvidas na actividade publicitria esto em situaes 
tipicamente diferentes:
1. o anunciador procura "agarrar" uma clientela e fazer com que a sua marca seja preferida s 
concorrentes. A sua publicidade serve-lhe para estabelecer com o seu alvo relaes extra-econmicas, de 
ordem do desejo;
2. o suporte procura optimizar as suas receitas, que lhe vm parcialmente dos anncios que difunde. Isso 
leva-o, com frequncia, a evitar especializar-se num pblico preciso, mas tem ento de aceitar exercer uma 
influncia tanto mais incerta quanto se exerce sobre o conjunto fluido do "grande pblico"; 
3. por fim, o publicitrio v-se envolvido num dilema: ou convencer muito pouco e perder os seus clientes 
anunciadores, ou convencer de mais e suscitar a hostilidade de uma opinio pblica que tem constantemente 
de seduzir sem no entanto despertar a sua desconfiana para com a manipulao suave.
G. L.

Pblico/privado: Estas noes saram da revoluo das ideias que, nascida no Ocidente no sc. XVII, fundou 
a democracia liberal. Ao apresentarem como nica fonte de legitimidade dos poderes a noo de contrato, isto 
, ao definir de maneira precisa o espao do poltico, os liberais reivindicam os direitos originais do indivduo 
e desenham as fronteiras para alm das quais nenhum poder  legtimo (trata-se daquilo a que Hobbes 
chamava o "foro interno", ou seja, liberdade de pensar e de crer). A partir da impe-se uma distribuio entre 
espao pblico e espao privado, constituindo um o domnio do Estado e o outro o dos egosmos da sociedade 
civil.
As coisas so de facto mais complexas. H o espao pblico da sociedade poltica, o espao privado da 
sociedade civil (famlia, propriedade privada, mercado, etc.) e o espao privado da subjectividade individual. 
Porque como abstrair do facto de que sociedade poltica e sociedade civil tm por nico e mesmo fundamento 
o sujeito livre? A evoluo das sociedades liberais mostrou alis que a separao, a diferenciao de princpio 
dos domnios da sociedade civil e do Estado (sem o que deixa de haver democracia liberal) em nada 
contradizem o facto de uma crescente inter-relao.
A.A.

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202

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203

Q

Quadro: Sob o ponto de vista das convenes colectivas, os quadros - e engenheiros aos quais esto 
associados - definem-se por referncia a um diploma de escola superior que se supe eles deterem. Mas 
nenhuma nomenclatura assenta na tomada em considerao deste nico critrio. Com frequncia, a 
experincia profissional vem disfarar a ausncia ou insuficincia do diploma, porque a funo de quadro 
requer iniciativa, criatividade e responsabilidade no trabalho. A despeito destas precises, os critrios oficiais 
no so satisfatrios. O grupo dos quadros, que progrediu desde h quinze anos a ponto de reunir perto de 10 
por cento dos activos, apresenta-se compsito, se nos referirmos s suas trajectrias escolar e profissional, aos 
seus rendimentos ou ao seu modo de vida. Depois de terem tomado os quadros por uma categoria tcnica que 
poderamos encarar com critrios objectivos (Benguigui, Monjardet 1970), os socilogos reataram contacto 
com uma certa tradio realista: os quadros s teriam existido a partir do momento em que, pela luta social e 
poltica (1936), foram etiquetados pelos outros e se identificaram como tais num jogo complexo de discurso e 
de auto-representao no termo do qual o grupo se "naturalizou" (Boltanski 1982).
F. G.

Questionrio: Srie de questes que se pe a um informador, que podem envolver as suas opinies, as suas 
representaes, as suas crenas ou vrias informaes factuais sobre ele prprio ou o seu meio. O questionrio 
 o instrumento de base de todo o inqurito extensivo. Pode ser administrado por um inquiridor (directamente 
ou por telefone), por Minitel ou minicomputador, ou ainda proposto por escrito s pessoas interrogadas que o 
preenchem elas prprias (questionrio auto-administrado, utilizado, por exemplo, nos inquritos postais). 
Cada um destes modos de administrao apresenta caractersticas prprias, nomeadamente no que se refere  
durao e ao custo da outorga e  confiana que se pode conceder s respostas a certas questes "delicadas". 
Distinguem-se as questes abertas, nas quais a resposta  totalmente livre ("que representa para si a 
Revoluo de 1789?"), e as questes fechadas, que propem uma lista de respostas ("na sua opinio, a 
celebrao do bicentenrio da Revoluo  um acontecimento muito importante, medianamente importante, 
pouco importante ou sem nenhuma importncia?"). As respostas s questes abertas so geralmente mais 
ricas, mas tm de ser em seguida interpretadas e codificadas (por anlise do contedo). Para os inquritos por 
meio de inquiridor, h uma forma intermdia, as questes pr-codificadas, que se apresentam a quem 
responde como uma questo aberta, mas para as quais o inquiridor interpreta a resposta e a codifica (numa 
lista preestabelecida) em vez de transcrev-l integralmente.
A elaborao de um questionrio exige uma slida formao tcnica e uma experincia do inqurito sob 
todas as suas formas. O socilogo tem de ser capaz de traduzir cada uma das questes que ele prprio se pe 
num conjunto de perguntas concretas e escolher palavras que sejam compreendidas da mesma maneira por 
todas as pessoas interrogadas, seja qual for o seu meio

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204
social, o seu nvel de instruo ou a sua regio de origem. Alm disso, a ordem pela qual as questes so 
postas e a maneira como so enunciadas influenciam as respostas obtidas.  por isso que a interpretao dos 
resultados de um inqurito por questionrio s deve ser realizada por socilogos competentes. Como todo o 
instrumento de medida, o questionrio tem os seus limites. Em vez de se adaptar  forma de pensamento da 
pessoa interrogada, como faz a entrevista no directiva, impe-lhe um quadro rgido idntico para todos, alis 
indispensvel para comparar os respondentes entre si.  por isso que o inqurito extensivo deve ser preparado 
por uma abordagem qualitativa (utilizando a entrevista no directiva, por exemplo), cujos resultados servem 
de base para a elaborao do questionrio. Por outro lado, o questionrio  pouco apto ao estudo das redes de 
relaes inter-individuais. Em contrapartida, nas mos de socilogos experimentados, o inqurito por 
questionrio  uma ferramenta insubstituvel para estudar as diferenas de opinio e acompanhar a sua 
evoluo no tempo, ou ainda para descrever a estrutura e as condies de vida de uma populao.
J.-P. G.
- Javeau (1971).

Quotidiano (sociologia do): Toda a sociologia que se ocupa do desenrolar habitual da vida social poderia ser 
considerada como uma sociologia do quotidiano. Mas a vida de todos os dias, pela sua regularidade temporal, 
pelo facto de ser uma experincia universalmente vivida, suscita interesses sociolgicos mais especficos. Ao 
estud-lo, o socilogo espera ter acesso a um nvel de realidade que escapa a anlises mais globais e que tem 
uma importncia decisiva no funcionamento da sociedade.
Desde G. Simmel, pelo menos (1917), o tema do quotidiano interessou correntes de pensamento diversas. 
A escola de Chicago*, com os seus estudos espaciais e biogrficos da cidade e das migraes, e a maior parte 
das pesquisas interaccionistas (por exemplo, sobre o desvio) ilustram bem a preocupao de captar a verdade 
do fenmeno social pela descrio qualitativa das formas da vida quotidiana. Um objectivo anlogo  por 
vezes atingido por mtodos muito diferentes - como o testemunha o estudo de P. Lazarsfeld (1932), por 
exemplo, que descobre o significado social do desemprego nas contas da vida quotidiana. Seria preciso citar 
tambm a sociologia fenomenolgica, que procura no mundo da vida os modos de construo da realidade 
social (Berger, Luckmann 1966). Os trabalhos de E. Gaffman sobre a encenao da vida quotidiana(1956) e 
de H. Garfinkel sobre os pressupostos da vida quotidiana (1967) merecem uma meno especial. Devemos de 
facto a estes dois autores o terem prolongado as intuies de Simmel ao tratar as condutas banais da vida 
corrente (conversaes, concertaes para agir, classificaes dos objectos, etc.) como um fenmeno 
sociolgico de pleno direito. Mostraram assim empiricamente que os mtodos prticos e as formas de vida 
quotidiana desempenham um papel essencial na manuteno da ordem social. Em Frana, a sociologia do 
quotidiano foi primeiro uma sociologia crtica (Lefebvre 1947), inspirada no marxismo e que denuncia o 
domnio da ideologia burguesa e das relaes mercantis sobre a vida de todos os dias. Inspirando-se nesta 
crtica, algumas correntes literrias conferiram um atractivo particular s "coisas" (G. Perec, por exemplo)

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205
do quotidiano, atractivo testemunhado o tambm pela ecloso da Nova Histria. Este interesse pela sociedade 
no quotidiano est presente em muitos estudos sociolgicos recentes, atentos ao significado endgeno das 
prticas e das situaes, concorrendo tambm para renovar os mtodos qualitativos (interveno sociolgica, 
compilao de relatos de vida, anlise de interlocues, etc.).
Nos seus trabalhos mais significativos, a sociologia do quotidiano abre caminhos novos  sociologia 
concebida como cincia humana e cincia da descoberta. Designa de facto de maneira precisa objectos que 
podem ser objecto de hipteses demonstrveis - como as formas lingusticas ou gestuais da inter-
compreenso.
P. P.
- Schtz (1971).

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206

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207

R

Raa, racismo: A raciologia, ou estudo das raas, remonta em Frana ao sc. XVIII. (A palavra racisme s 
aparece em francs por volta de 1930, mas em ingls  muito mais antiga.) A raa foi primeiramente uma 
classificao em botnica, e depois em zoologia; aplicada ao homem, era muitas vezes sinnimo de linhagem. 
Teorias filosficas e religiosas enxertam-se muito rapidamente neste estudo. Tendo Deus criado um universo 
completo, essa completude exige que haja um intermedirio entre todos os nveis da grande cadeia dos seres. 
O homem branco est no topo dessa escala, o homem negro em baixo e os grandes smios no ponto mais alto 
da escala dos animais.
No sc. XVIII, os antroplogos opem-se sobre a origem das raas: os monogenistas pensam que a 
descendncia do casal original, Ado e Eva, se diferenciou por degenerescncia do tipo branco original 
(Buffon) ou pela melhoria graas  civilizao at chegar ao Branco. Os poligenistas, entre os quais Voltaire, 
rejeitam o relato do Gnesis e crem numa criao separada das diferentes raas. Mas, em geral, 
monogenistas e poligenistas todos eles aceitam a ideia de raas distintas e de uma hierarquia entre elas.
Entre 1750 e 1870, os gelogos descobrem que a teoria bblica dos 6000 anos no resiste aos seus estudos. 
Os homens so muito mais antigos e contam a sua evoluo em milhes de anos, e a sua prpria origem perde 
muito do seu interesse. Doravante, prevalece apenas a necessidade de preservar a pureza da raa. P. Broca 
funda a Sociedade de Antropologia para estudar os cruzamentos e a suposta degenerescncia dos mestios. 
Gobineau teme que as raas superiores, combativas e conquistadoras, ao misturarem-se com os seus vencidos, 
venham a degenerar e a desaparecer. Ao longo do sc. XIX, comea a procurar-se subdivises no interior das 
grandes raas: assim, os Norte-Africanos, considerados inicialmente como Brancos, tornaram-se uma raa  
parte. Ainda entre os Brancos, distinguiram-se as raas nrdica, alpina e mediterrnica, tendo cada uma as 
suas caractersticas prprias.
As diferentes teorias racistas aparecem como formas de hereditarismo, concepo biolgica e gentica das 
diferenas, que apresenta estas como fixas, contra as quais no se pode ir e que estabelece em geral uma 
hierarquia de valor entre os grupos ou os indivduos assim distinguidos. Mais recentemente, dir-se-ia que se 
assiste a formas no j biolgicas mas culturais de diferenciao, de hierarquizao e de rejeio. Os 
socilogos, por seu turno, procuram compreender como  que, a partir dos critrios antropomtricos ou 
culturais, se chegou a criar uma hierarquia, porqu e como se adere a esta concepo, mais ou menos segundo 
as pessoas, os grupos sociais, os lugares ou as pocas. O racismo  um aspecto do funcionamento social que 
se estuda como uma atitude particular e que se tentou ligar quer a personalidades particulares (por exemplo, a 
"personalidade autoritria" de T. W. Adorno), quer a condies de crise, quer ainda ao desejo de manter e de 
perpetuar a sua prpria identidade.
B. M.
- Taguieff (1988).

Racionalidade: A noo de racionalidade pode ser definida de vrias

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maneiras, todas elas defensveis. Assim, admite-se por vezes que uma aco racional  a que testemunha uma 
adequao objectiva dos meios escolhidos relativamente aos fins prosseguidos. Mas uma tal definio tem o 
inconveniente de ser muito estreita. Tende a considerar como irracionais todas as aces que se afastam do 
caso simples que representa a deciso de tipo "tcnico", a do engenheiro que constri uma ponte e que escolhe 
determinado material, por exemplo. Uma definio mais ampla e sem dvida mais til para o socilogo 
prope que se considere uma aco como racional desde que possa emitir-se a seu propsito um enunciado de 
tipo "o indivduo X tinha boas razes para fazer Y, porque...". Esta definio tem relativamente  primeira a 
vantagem de poder aplicar-se tanto s crenas como s aces ("X tinha boas razes para crer Y, porque..."). 
Tem alm disso a vantagem de ter em conta o facto de muitas decises ou aces poderem pela natureza das 
coisas ser objectivamente fundadas. O caso simples do eleitor a quem se prope que escolha entre duas 
polticas A e B ilustra bem este tipo de situao. Geralmente ele no tem os meios para determinar com 
preciso o nico ponto que verdadeiramente o interessa, a saber: os efeitos que as ditas polticas so 
susceptveis de arrastar consigo; ele ter pois boas razes para fixar a sua, escolhe a partir de outras 
consideraes, como os princpios em que se inspiram A e B ou eventualmente a "sinceridade" aparente dos 
homens que propem A e B. Embora esta definio seja ampla, nem por isso traduz todas as crenas ou 
aces racionais. Assim, de uma me que por "enervamento" esbofeteia o seu filho, dir-se-: "Ela no tinha 
razes para esbofetear o filho, mas..." Este comportamento  compreensvel, mas no  racional.
Quando o comportamento de outrem lhe parece estranho, no vendo o observador razes para ele, tende 
muitas vezes a interpret-lo de maneira irracional, como resultante de causas ou de foras que escapam ao 
controlo do prprio actor. 
Assim, os observadores ocidentais e mesmo certos etnlogos colocaram com frequncia as prticas 
mgicas ao nvel de supersties que se imporiam ao esprito dos "primitivos". As anlises sociolgicas mais 
conseguidas so muitas vezes as que conseguem mostrar que um comportamento ou uma crena que tendem a 
ser vistos como irracionais se explicam de facto por muito boas razes. A teoria da magia de M. Weber 
(1922a), ou a de . Durkheim (1912),  exemplo clssico a este respeito.
R. B.
- Boudon (1988).

Rede: Uma empresa, uma associao ou uma aldeia podem ser representadas como um conjunto de vnculos 
que unem entre si os membros do grupo. Alguns indivduos mantm numerosos vnculos, outros esto 
isolados. A rede  a configurao das relaes observadas. A sua densidade, a transitividade das relaes, o 
tamanho dos subgrupos so outras tantas propriedades desse conjunto.
A estrutura da rede pode ser concebida como um constrangimento, que actua como tal sobre os 
comportamentos. Assim, entre os operrios urbanos ingleses, E. Bott (1957) estudou a famlia alargada como 
uma rede. A mulher mantm vnculos privilegiados com a sua me aps o casamento. Consequentemente, os 
dois esposos tm poucas actividades comuns. A distribuio

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209
das tarefas dentro do lar e a concepo que os cnjuges tm da familia so explicadas como consequncias 
dessa forte integrao da linhagem, do lado das mulheres. Esta abordagem no se limitou ao estudo do 
parentesco. A noo de rede permite compreender porque  que uma localidade possui ou no a capacidade de 
agir colectivamente (Galaskiewicz 1979) ou como  que um desempregado reencontra trabalho (Granovetter 
1973). Em vez de interpretar os comportamentos dos indivduos a partir dos seus atributos intrnsecos (sexo, 
idade, qualificao, profisso...), a anlise da rede toma como princpios a estrutura das relaes nas quais 
esses indivduos esto inseridos e pe a tnica nas modalidades de acesso aos recursos e s informaes. 
N. H.

Regulao social: Conjunto de presses directas ou indirectas exercidas sobre os membros individuais ou 
colectivos de um grupo ou de uma sociedade para corrigir os seus desvios de comportamento, de expresso ou 
de atitude em relao a regras e normas adoptadas pelo grupo social ou pela sociedade considerada.
A regulao social difere da influncia* social pelo seu exerccio consciente e deliberado, exercido em 
nome do grupo ou da sociedade, por rgos especficos ou no especficos. Com a socializao*, a regulao 
social contribui ao mesmo tempo para a manuteno flexvel da estrutura social* e para a sua adaptao.
B.-P. L.
- Comte (1826), Ross (1901), Landis (1939), Lcuyer (1967).

Relaes humanas (movimento das): Constitudo nos Estados Unidos da Amrica nos anos 30  volta da 
personalidade de E. Mayo*, o movimento das relaes humanas conserva o seu impacte at cerca de 1950. 
Tal como a organizao cientfica do trabalho (OCT)*, que se prope suplantar, o movimento das relaes 
humanas  um esforo para analisar as relaes de trabalho nas empresas e, no termo dessas anlises, para 
reform-las. , tal como a OCT, indissociavelmente ideolgico e cientfico (Lcuyer 1988). O seu interesse 
principal reside actualmente na deslocao da anlise para conceitos que designam objectos ento novos. 
Completou assim a OCT mais do que a suplantou, e enriqueceu a sociologia (Mottez 1971).
Na base do movimento encontram-se as experincias Hawthore conduzidas nas fbricas deste nome da 
Western Electric perto de Chicago, de Novembro de 1924 a Fevereiro de 1933. Concebidas para resolver um 
problema tayloriano (impacte da iluminao sobre a produo), as experincias deslocam-se 
progressivamente para a sugesto muito forte da ligao entre a satisfao no trabalho e os factores humanos 
(coeso do grupo, bom entendimento com a chefia, resistncia  mudana): F. J. Roethlisberger e L. E. 
Dickson (1939), B. P. Lcuyer (1988b).
A resistncia  mudana  um tema favorito das relaes humanas,  escala de comunidades inteiras 
(Warner 1951-1959) como a da empresa. A mudana  melhor aceite pelos executantes se ela lhes for 
explicada por uma dinmica de grupo. De igual modo, para a travagem, F. M. Whyte (1955) retoma por sua 
conta as anlises de F. W. Taylor mas completa-as ao sublinhar o papel do grupo no estabelecimento de uma 
norma de produo que assegure o equilbrio entre os membros: um estimulante

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210
colectivo seria por isso prefervel. Numerosas pesquisas foram consagradas no mesmo esprito s funes da 
direco e  noo de moral que permite ligar o sentimento de satisfao aos comportamentos que asseguram 
rendimentos elevados. Esses trabalhos foram integrados ao nvel terico por G. C. Homans (1946, 1950).
No fim dos anos 50, as pesquisas empricas mostram progressivamente a estreiteza excessiva do ponto de 
vista das relaes humanas, estigmatizado a partir de 1940 por numerosas crticas que permaneceram a um 
nvel demasiado geral (Friedmann 1946). A ateno exclusiva dada aos grupos primrios impede a tomada em 
considerao de factores estruturais indispensveis quer  soluo satisfatria dos problemas postos quer a 
uma definio mais satisfatria dos problemas.  ento a sociologia das organizaes que tende a tomar 
posies.
B.-P. L.
- Friedmann (1950).

Relaes profissionais: Relaes sociais estabelecidas  volta do trabalho assalariado; aces s quais elas 
do lugar (conflitos, negociaes entabuladas por iniciativa dos assalariados, dos empregadores ou das foras 
que eles representam: sindicatos, patronato, poderes pblicos); configurao das regras que da resultam 
(desenvolvimento do direito social). Sob a influncia dos pases de lngua inglesa, aquilo a que a se chama 
"relaes industriais" designa tambm um campo cientfico autnomo cujo objecto  distinguir sistemas 
nacionais e interpretar as suas diferenas. As variveis avanadas so os actores, as regras (de processo, de 
fundo), o contexto (econmico, tcnico, poltico), assim como o quadro ideolgico em que envolvem os 
parceiros (Dunlop 1958). Em sociologia, a noo de sistema permite sublinhar os efeitos de interaco 
dinmica a que do lugar as relaes profissionais (Adam, Reynaud 1978).
Na Frana, simultaneamente  institucionalizao crescente do sindicalismo, a tendncia dominante  a da 
descentralizao das relaes para com a empresa. Isso poderia invalidar a noo de relaes "profissionais", 
atribuda a um modelo que favorecia o nvel mdio do ramo.
D. SN.

Religio (sociologia da): Os trabalhos sociolgicos actuais sobre a religio inspiram-se em trs fontes 
tericas principais: a dupla Marx-Engels, . Durkheim, M. Weber.
K. Marx encara a religio como ideologia; v nela uma das produes no materiais que toda a sociedade 
faz nascer. Tal como o direito, a moral, as concepes polticas, etc., que um grupo ou uma sociedade para si 
cria, a religio aparece necessariamente condicionada pelas relaes sociais e polticas. Reflexo de um mundo 
que tem necessidade de iluses, a religio  tambm a sua "conscincia invertida". Exprime "a misria real" 
das sociedades edificadas sobre a injustia;  tambm protesto em relao a essa misria. Contudo, "pio do 
povo", deve ser sujeita  crtica filosfica, primeiro passo para uma crtica global da sociedade. A "sociologia 
religiosa" de F. Engels (1850), de carcter histrico, articula-se  volta do conceito de luta de classes que 
exerce efeitos diferenciadores no domnio religioso. Sendo toda a religio "disfarce" de interesses, de classe, 
cada classe tem a sua, legitimadora dos seus interesses. Durkheim no se interessa pela histria, mas pela 
"essncia" de toda a religio. Para ele, 

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"uma religio  um sistema de crenas e de prticas, relativas a coisas sagradas, isto , separadas, interditas, 
crenas e prticas que unem numa mesma comunidade moral, chamada Igreja, todos os que a ela aderem" 
(1912). Estamos aqui perante um fenmeno colectivo, que se ope  magia, que  individual. Em primeiro 
lugar, a religio , para Durkheim, administrao do sagrado. Encontra-se assim referida ao domnio do extra-
quotidiano.  nos grandes ajuntamentos peridicos que ritos e crenas religiosas exprimem ao mximo a sua 
intensidade e a sua predominncia. No culto, o homem religioso experimenta a coeso social como 
comunho; adora nele, nos ritos e nos smbolos, a sociedade que o constrange, tal como ele a pode conceber 
lentamente como fonte de liberdade. A vida quotidiana usa os sentimentos de fora, de coeso e o entusiasmo 
que os ajuntamentos culturais excepcionais criam. Donde a necessidade da sua repetio peridica. Assim,  
nos momentos de efervescncia de tipo revolucionrio que nascem as novas religies, quando as mais antigas 
se revelaram ultrapassadas.
Com Weber, a sociologia religiosa regressa  matria histrica e privilegia o comparatismo. Isolando o 
processo de racionalizao no cerne da modernidade como caracterstica do Ocidente, pergunta-se se ele no 
manteria relaes com certas formas assumidas pelo cristianismo ocidental (1920). A partir da impe-se-lhe a 
comparao dos cristianismos entre si e com as outras religies. Donde os seus trabalhos sobre as da China, 
da ndia e sobre o judasmo antigo (1921a). Donde tambm o seu interesse pela religio como forma 
especfica do agir social. Donde ainda a interrogao que anima a sua obra: quais so as religies mais aptas a 
produzir uma finalizao sistemtica (racionalizao) da vida quotidiana  volta da sua mensagem (1922a)? 
Por razes diversas, o monaquismo e depois o protestantismo asctico (puritanismo, seitas) foram, segundo 
Weber, os vectores privilegiados e sucessivos do processo ocidental de racionalizao pr-capitalista. O 
protestantismo asctico criou um tipo de homem em afinidade com o capitalismo: individualismo, 
democracia, tolerncia, autonomia das formas do agir social, etc. (1920 e 1922a). Weber nota que o 
cristianismo, nisso herdeiro dos profetas de Israel, "desencantou" o mundo antigo em seu proveito, que 
seguidamente racionalizou o agir social no Ocidente e que actualmente parece por fim vtima da sua prpria 
dinmica. A modernidade, para cuja criao contribuiu, elimina a sua presena da esfera pblica, 
acantonando-o  esfera privada, onde entra em concorrncia com a arte, os passatempos, a famlia, etc.
Seria o cristianismo "religio da sada da religio" (Gauchet 1985)? Perante o "regresso do religioso", 
muitos socilogos perguntam-se hoje se a modernidade se esgota verdadeiramente na secularizao* e no 
"definhamento necessrio da religio" prognosticado por alguns (Hervieu-Lger 1986).
J. S.

Reproduo: No vocabulrio proposto originariamente por Marx (1867), um sistema est submetido a um 
processo de reproduo simples quando as "sadas" (output) do sistema: 1. so estveis; 2. no afectam as 
condies de funcionamento, mais precisamente a estrutura, ou seja, as caractersticas essenciais do sistema. 
Assim, certos sistemas econmicos simples permanecem idnticos a si prprios no

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tempo, na sua estrutura e nas suas sadas. H "reproduo alargada" quando a estrutura do sistema se mantm 
estvel, embora as sadas do sistema sejam variveis, como no caso de um sistema agrcola cuja produo  
crescente, mas a estrutura estvel. Quando a estrutura do sistema evolui sob o efeito quer de factores externos 
quer de mudanas nas sadas do dito sistema, fala-se de transformao. S sistemas sociais simples e 
relativamente separados do seu meio ambiente podem ser duravelmente a sede de processo de reproduo.
R. B.
- Boudon (1973), Bourdieu, Passeron (1970).

"Retrait" : A palavra retrait (retreatism em ingls) foi introduzida em sociologia por R. K. Merton (1949) 
para designar um tipo particular de desvio. Tomemos o caso de um indivduo que interiorizou fortemente ao 
mesmo tempo os valores, os objectivos prescritos pela cultura e as normas que definem os meios lcitos que 
permitem atingir esses objectivos. Se esse indivduo falha utilizando meios lcitos, nem por isso utilizar 
meios ilcitos em virtude dos interditos morais que fez seus. Eliminar a contradio entre a valorizao dos 
fins e a ausncia de meios retirando-se do jogo social, rejeitando ao mesmo tempo os fins e os meios:  esse o 
caso, segundo Merton, dos pedintes, dos alcolicos, dos drogados ou dos doentes mentais.
R. A. Cloward e L. E. Ohlin (1960) prolongaram esta anlise vendo no retrait (marginalidade) o resultado 
de um duplo fracasso: fracasso no acesso aos meios lcitos, mas tambm no acesso aos meios ilcitos, que nem 
sempre esto disponveis e devem ser objecto de uma aprendizagem cultural. Esta explicao permite 
localizar os comportamentos de retrait (marginalidade) nas classes desfavorecidas, ao passo que a de Merton 
quase s poderia aplicar-se s pessoas sadas das classes mdias ou superiores.
PH. BD.
- Besnard (1987).

Revoluo: Ruptura profunda consecutiva de uma mudana rpida e violenta da ordem social e poltica numa 
sociedade. Contrariamente aos "golpes de Estado", as revolues no visam uma simples renovao do escol 
dirigente. Uma importante participao popular associada a um alto grau de violncia constituem com 
frequncia as suas duas caractersticas principais. Mas os movimentos colectivos que recorrem  violncia no 
se catalogam todos na categoria de fenmenos revolucionrios. Para tanto seria ainda necessrio que eles 
tivessem como objectivo uma mudana radical da ordem social e poltica existente. Ora, por muito violentas 
que possam ter sido, as revoltas camponesas do sc. XVI mantinham-se prisioneiras da tradio. O mesmo 
acontece com os movimentos milenaristas: se  possvel que certos movimentos de inspirao religiosa 
adquiram uma dimenso revolucionria, na maioria das vezes esses movimentos tm como nica finalidade 
resistir a um desmoronamento da ordem social. Enquanto desafio  ordem instituda, as revolues supem 
uma profunda crise de legitimao. Na teoria marxista, esta dimenso cultural  dissimulada pela dimenso 
econmica: a tnica  colocada nos antagonismos de classes. Pode, com Tocqueville, juntar-se ao carcter 
social das revolues uma dimenso propriamente poltica: tratar-se-

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ento de pensar os processos revolucionrios na sua relao com o Estado.
P. M.
- Chazel (1985), Furet (1983), Hagopian (1975), Marx (1895), Tocqueville (1856).

Rito: Conjunto de actos repetitivos e codificados, muitas vezes solenes, de ordem verbal, gestual e postural de 
forte carga simblica, fundados na crena na fora actuante de seres ou de poderes sacros, com os quais o 
homem tenta comunicar, em ordem a obter um efeito determinado. Por extenso, o termo designa toda a 
conduta estereotipada, repetitiva e compulsiva (ritos de seduo no animal, de submisso, de marcao de um 
territrio).
O rito deve considerar-se analiticamente: 1. como sequncia temporal de aces: um rito sistmico total 
(iniciao) recorta-se em ritos sistmicos elementares (purificao, sacrifcio), cada sequncia ritual 
comportando ritemas (circum-deambulao) e estes motivos (sentido da girao, nmero de voltas). Muitas 
vezes a durao estruturada remete para uma durao estruturante, a do mito ou do evento fundador que serve 
de paradigma  srie dos ritemas; 2. como conjunto de funes: a situao dos actores (indivduos implorantes 
e poderes implorados), a sua posio (oficiante, aclitos, participantes) e as suas condutas estereotipadas so 
teatralizadas huma espcie de drama institudo. Funcionando segundo o eixo controlo-dependncia, o rito 
sublinha ao mesmo tempo as relaes assimtricas interindividuais, a reciprocidade dos papis e a partilha de 
ideais comuns; 3. como estrutura teleolgica dos valores: numa linguagem alusiva exprimem-se as escolhas 
primordiais de um grupo. Verbalmente podem ser enunciadas aspiraes a realizar e comportamentalmente 
so traduzidos hbitos ticos e preferncias colectivas. Ao contedo cognitivo junta-se uma ressonncia 
afectiva ligada  participao,  emoo,  memria dos actores e espectadores; 4. como meios simblicos 
ordenados aos fins a realizar: um lugar santuarizado, um tempo definido e peridico, objectos significativos 
(estandarte, po zimo, mscara, vestes), atitudes (punho levantado, cautela) so outras tantas metforas que 
catalisam a imaginao e de inteno integradora; 5. como sistema de comunicao: em redes de permuta que 
comportam emissores, transmissores e destinatrios, circulam mensagens que se inscrevem em sistemas de 
sinalizao a partir de cdigos culturalmente definidos.
M. Mauss distingue os ritos positivos (orao, sacrifcio, etc.) e os negativos (tabus, ascese).
C. R.
- Cazeneuve (1971), Isambert (1979), Rivire (1988), Thomas (1975).

Ritualismo: Respeito exagerado pelas regras ou processos, tnica excessiva colocada nos meios em 
detrimento dos fins. Na tipologia do desvio de R. K. Merton (1949), o ritualismo designa a situao em que o 
indivduo se conforma escrupulosamente com as normas que definem os meios lcitos da aco, abandonando 
ao mesmo tempo os objectivos prescritos pela cultura ou, pelo menos, baixando-os a um nvel tal que as 
aspiraes podem ser facilmente satisfeitas.
Esta reduo do nvel de aspirao  uma maneira de evitar expor-se a uma situao frustrante. Seria 
imputvel, segundo Merton, a um tipo de socializao que pe fortemente a tnica nos imperativos morais

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214
e particularmente espalhado na classe mdia.
PH. BD.

Rumor: Informao ou relato que se transmite oralmente, e que assim se espalha. Foi no decurso da Segunda 
Guerra Mundial, nos Estados Unidos da Amrica, que o fenmeno dos rumores comeou a ser seriamente 
estudado. Investigadores registaram e estudaram os rumores ento existentes; descobriram alguns muito 
antigos; nestes casos, foram os folcloristas que tomaram o lugar dos psiclogos na investigao. Outros 
rumores tm uma durao muito curta. Tentou-se lanar rumores a fim de ver se eles se propagavam, como, 
entre quem e porqu. Cada rumor tem o seu pblico, que avalia a verosimilhana da informao segundo a 
sua experincia, as suas rejeies, as suas aspiraes, as suas preocupaes do momento. Difunde-se portanto 
de maneira irregular na populao. Alguns contextos favorecem-na: o rumor atinge mais os quadros 
superiores que os operrios, mais os jovens que as pessoas idosas, mais os meios de trabalho que os lugares 
privados ou de diverso.
Algumas experincias mostraram que o rumor se deforma ao espalhar-se, modificando-o cada um, sem se 
dar conta disso, na maioria das vezes no sentido de esteretipos previamente existentes. 
B. M.
- Allport, Postman (1947), Kapferer (1987), Morin (1969), Rouquette (1975).

Rural (sociologia): Anlise dos factos sociais no campo, a sociologia rural nasceu aps a Segunda Guerra 
Mundial (nos Estados Unidos da Amrica a partir dos anos 20) de uma necessidade de conhecer melhor os 
agricultores. Caracteriza-se mais pelo seu campo de aco que por uma colorao terica original. 
Diversidade na unidade, tal parece ser o trao essencial do mundo rural: 1. diversidade dos tipos de paisagens 
(regies arborizadas, campos abertos...) e das estruturas de explorao (dimenso, modos de explorao, 
produes). Longe de se esbaterem com a modernizao dos campos, estas diferenas perduram: 2. unidade, 
porque o fundamento das sociedades rurais  o mesmo em toda a parte: a explorao familiar, simbiose da 
empresa agrcola e da famlia camponesa (oramento nico para a vida quotidiana da famlia e para a 
empresa).
Consequentemente, as categorias da economia capitalista, tais como lucro ou investimento, so estranhas  
mentalidade camponesa. O campons no procura o lucro a todo o custo, mas produzir pelos seus prprios 
meios. Assim, contrariamente  indstria, quanto mais a agricultura se mecaniza, menos assalariados conta. 
Estas caractersticas foram teorizadas de maneiras diversas, tendo no entanto todas em comum o descreverem 
um mundo dominado econmica, poltica e culturalmente. A sociologia rural emprica dedicou-se a duas 
espcies de estudos: a mudana e as monografias de aldeias. Os primeiros relacionaram-se primeiramente 
com a difuso da inovao imposta do exterior s sociedades rurais. Os segundos desembocaram na nica 
teoria global do campesinato elaborada at hoje (Mendras 1967): as exploraes familiares esto agrupadas 
em sociedades (ou colectividades) locais - aldeias -, includas como tais numa sociedade englobante nacional. 
S os notveis so membros plenos de ambas as sociedades.

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215
A sociologia rural marxista recorre tambm  ideia de incluso. Para C. Servolin (1972), rege-se por um 
modo de produo especfica, pr-capitalista, o da pequena produo mercantil que no  destrudo mas 
utilizado pelo capitalismo: a lgica da explorao familiar permite exigir do campons um trabalho que s 
seria aceite por operrios mediante salrios elevados.
Por seu turno, o polaco J. Tepicht (1973) elabora o conceito similar de economia camponesa. Alm disso, 
aps 40 anos de estudos, a sociologia rural continua a ser mal denominada; ela , acima de tudo, sociologia 
dos agricultores. Ora, estes vo-se tornando largamente minoritrios nos campos. A sociologia rural tem de 
adoptar, se tal for possvel, uma abordagem terica da ruralidade no seu conjunto.
M. R.
- Bodiguel (1986), Gervais, Jollivet, Tavernier (1974), Robert (1986).

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217

S

Sacrifcio: Enquanto instaurao ritual e religiosa de uma relao entre dois plos - o sacrificante, que pede 
ou prov, e o poder destinatrio concebido como fonte energtica -, o sacrifcio supe como intermedirio, 
por um lado, uma vtima ou uma matria oblativa e, por outro lado, um sacrificador, agente que executa ou 
dirige os ritos, e eventualmente um altar, considerado como acumulador de energia ou como lugar de 
oferenda.
Materialmente, o sacrifcio implica imolao ou abandono do objecto oferecido. Espiritualiza-se quando, 
reconhecimento de uma transcendncia e homenagem de submisso,  renncia de um indivduo aos seus 
prprios sentimentos e interesses para se oferecer ele prprio a Deus. Que tenha sido inicialmente um dom 
interessado aos espritos (E. B. Tylor) ou uma sobrevivncia da morte dos homens-deuses (J. Frazer), que a 
comunho totmica tenha sido anterior  oblao sacrificial (W. R. Smith), eis outras tantas especulaes que 
no podem comprovar-se sobre a origem do sacrifcio.
M. Mauss (1969) e G. Bataille fazem apenas uma aproximao  significao do sacrifcio por meio de 
imagens: o primeiro, ao afirmar que o animal sacrificial  suposto transferir para o sacrificante a marca divina 
que recebeu da consagrao; o segundo, ao supor que o sacrifcio actua como a morte pelo facto de restituir 
um valor perdido atravs de um abandono desse valor. A partir de casos africanos, M. Griaule insiste na 
redistribuio de energia: a imolao liberta a fora vital contida no sangue da vtima; alimentada desse 
sangue, a divindade faz em contrapartida beneficiar o homem de uma parte da sua fora. Quanto a R. Girard 
(1972), analisa o sacrifcio como um esconjuro da violncia para manter a ordem social pela via de um 
simulacro catrtico. Mas a variedade das formas de sacrifcio desafia uma teoria unitria.
As diversas finalidades do sacrifcio sugerem a seguinte tipologia: 1. sacrifcios de expulso de um mal 
(purificao, cura, reparao, esconjuro, exorcismo); 2. sacrifcios de propiciao pelo xito de, uma empresa; 
3. sacrifcios de aco de graas, muitas vezes ligados aos anteriores nos sacrifcios votivos ou nas oferendas 
de primcias de colheitas; 4. sacrifcios de sacralizao de um lugar ou de um indivduo aquando da sua 
iniciao.
C. R.
- Dieterlen et al. (1976-1986), Van der Leeuw (1933).

Saint-simonismo: De 1802 a 1825, Henri de Saint-Simon desenvolve uma crtica de ordem social e poltica: 
afirma a inelutvel regresso do "sistema" feudal e militar, o triunfo da classe industrial e das capacidades, o 
advento do sistema industrial organizado segundo um plano concertado. Aps o seu desaparecimento, S. A. 
Bazard, B. P. Enfantin, rodeados de fervorosos discpulos, fundaram a Escola e depois a Igreja Saint-
Simoniana. Acentuaram a crtica econmica ao denunciar, segundo a sua expresso, "a explorao do homem 
pelo homem". Inculpados em 1832, foram condenados no tribunal de 1 instncia. Aps 1850, os mais 
moderados dentre eles (M. Chevalier, os irmos Pereire) participaram com sucesso no desenvolvimento do 
sistema bancrio e na extenso dos caminhos-de-ferro. Este movimento saint-simoniano teve influncias

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218
mltiplas, sobre Auguste Comte assim como sobre Marx, mas igualmente sobre as ideologias polticas e as 
mentalidades. Historicamente, a obra de Saint-Simon marcou os incios da industrializao e favoreceu o seu 
desenvolvimento; muitas vezes considerada como fundadora das teorias socialistas, a doutrina saint-
simoniana constituiu, mais amplamente, uma primeira reflexo sobre as sociedades industriais e o seu futuro.
P. A.
- Ansart (1970), Charlty (1931), Perroux (1964), Durkheim (1928).

Salrio: O salrio no  apenas um rendimento monetrio entregue por um empregador a um trabalhador que 
exerce uma actividade no quadro de uma empresa ou de uma administrao durante um determinado lapso de 
tempo.  primeiro que tudo a manifestao de uma relao social complexa.
Como o demonstrou M. Weber, o salariado supe o "trabalho livre", isto , o direito que cada um tem de 
firmar livremente um contrato de trabalho com o possuidor dos meios materiais e financeiros de produo. O 
trabalhador assalariado  na realidade um competidor no mercado do trabalho que no mantm vnculos de 
dependncia pessoal com os dirigentes da empresa. Pode movimentar-se  sua vontade para procurar as 
condies mais favorveis de emprego e de trabalho, ou seja, vender ou alugar a sua fora de trabalho nas 
melhores condies possveis. A relao que mantm com o empregador , por conseguinte, uma relao 
ambivalente. Por um lado, tem interesse em que o dirigente da empresa possa obter lucro e assegurar assim a 
continuidade do emprego; por outro, tem interesse em que o montante do lucro no seja aumentado em 
detrimento dos salrios.  isso que explica que desde muito cedo os assalariados se tenham coligado para 
opor ao patronato uma fora colectiva e obrigar a reconhecer que a remunerao da fora de trabalho no  
simplesmente um custo, mas tambm um rendimento para um certo nvel de consumo. No entanto, a unio 
dos assalariados raramente  completa porque eles so na maioria das vezes concorrentes no mercado do 
trabalho e nem sempre tm interesses idnticos (diversidade de profisses e de qualificaes). Esta relao 
entre empregadores e assalariados imprime uma dinmica muito particular ao conjunto da sociedade. Implica 
em primeiro lugar uma interveno estatal para fixar e implementar regras mnimas de boa conduta de 
maneira que os conflitos no impeam a cooperao. Exige igualmente uma regulamentao jurdica 
extensiva para a proteco dos assalariados para alm das relaes contratuais (individuais ou colectivas). O 
Estado apresenta-se de facto como o garante da relao salarial e da sua reproduo alargada (durao do 
trabalho, salrio mnimo, determinao das grelhas de qualificao, organizao do mercado do trabalho, 
indemnizao e gratificao do desemprego). S-lo- tanto mais quanto os sistemas de formao ganham cada 
vez mais importncia na qualificao e na medida da fora de trabalho. Actualmente, o salrio reflecte cada 
vez menos um dispndio de energia imediata e cada vez mais a retribuio de capacidades intelectuais 
especficas em vias de actualizao.
J.-M. V.
- Bartoli (1957).

SCHUMPETER (Joseph Alois), economista austraco (Tret', Morvia, 1883 - Salisbury, Connecticut,

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219
1950): Doutor da Universidade de Viena em 1906, foi ministro das Finanas no gabinete de O. Bauer (1919-
1920), depois director de um banco vienense. Mas, quanto ao essencial, a sua carreira foi a de um economista, 
professor da Universidade de Bona de 1925 a 1937, e depois na Harvard University at  sua morte.  
igualmente socilogo (Capitalisme, socialisme et dmocratie, 1942) e historiador da economia (Histoire de 
L'analyse conomique, 1954). Desafia toda a catalogao de escola. Em economia, deve a sua primeira 
formao a E. von Bhn-Bawerk e F. von Wieser, mas foi sobretudo marcado pela teoria do equilbrio 
econmico de L. Walras. Manifestou sempre um grande interesse pela tradio histrica e sociolgica de W. 
Sombart e de M. Weber, e sofreu particularmente o fascnio de K. Marx, recusando embora a teoria das 
classes e a ideia de autodestruio do capitalismo. Reconhece-lhe o mrito de ter tentado estabelecer uma 
teoria da evoluo econmica e procurado converter a teoria econmica em anlise histrica.
Em 1912, na sua Thorie de L'volution conomique, Schumpeter mostrou que o motor do progresso 
reside na inovao definida como uma combinao nova dos factores de produo. Sem ela, a economia 
manter-se-ia estacionria e reduzir-se-ia a um simples circuito reprodutor das condies do equilbrio 
walrasiano.  a inovao que cria o dinamismo e o lucro,  ela que est na origem do juro e do crdito. Em 
1939, na sua teoria dos ciclos, Schumpeter faz da inovao a causa explicativa dos ciclos econmicos. Trs 
ciclos longos marcam a histria do capitalismo: 1787-1843, algodo, ao, mquinas fixas a vapor; 1842-1897, 
caminhos-de-ferro, barcos a vapor; 1897-1930, electricidade, qumica, automvel.
Segundo Schumpeter, o capitalismo  "essa forma de economia  base de propriedade privada na qual a 
inovao  realizada por meio de emprstimos que resultam eles prprios da criao de crdito". Em 
Capitalisme, socialisme et dmocratie, mostra como a lgica econmica do capitalismo, fundada no lucro 
pela inovao, se encontra, nas nossas sociedades, limitada pela lgica da democracia e contrariada por uma 
cultura cada vez mais hostil. Contrariamente ao que Marx afirmou, no  a evoluo econmica que condena 
o capitalismo mas a oposio crescente entre as exigncias da economia capitalista e as da civilizao  qual 
ele deu origem.
J.-C. L.
- Schumpeter (1929).

Secularizao/laicizao: A unanimidade religiosa absoluta raramente foi a regra em qualquer pas, mesmo 
quando uma religio ou uma confisso nele dominava a vida pblica e regulava a vida privada. Com a 
Revoluo Francesa, a difuso da racionalidade cientfica e a tcnica moderna, a Revoluo Industrial, a 
urbanizao industrial, o nascimento de uma classe operria, que escapa em grande parte  influncia das 
Igrejas, e a laicizao da vida social, a relao entre religio e cultura tornou-se, no Ocidente, cada vez mais 
problemtica. O pluralismo e a liberdade das opes religiosas individuais, a indiferena religiosa e o atesmo 
tornaram-se elementos constitutivos da situao.
As instituies religiosas tradicionais tiveram de constatar, a partir do sc. XIX, o declnio progressivo da 
sua influncia, a baixa da taxa de prtica dos seus fiis, dificuldades crescentes no recrutamento do seu clero. 
Destinadas a avaliar 

---
220 
a importncia do fenmeno, as "sondagens de prtica", s quais G. Le Bras e F. Boulard ligaram o seu nome, 
multiplicaram-se entre o fim da Segunda Guerra Mundial e o incio dos anos 60. A procura de explicaes 
cientficas para o processo de "descristianizao" registado abriu o caminho s teorias sociolgicas da 
secularizao. A tnica passava assim da perda de influncia constatada de uma religio (descristianizao) 
para o carcter absolutamente no religioso (neste sentido, secular ou laico) presumido constitutivo da 
modernidade. Desde o fim do sc. XIX, M. Weber tinha falado de um "desencantamento [*] do mundo" 
devido  autonomizao das esferas do agir social e  privatizao da religio nas sociedades modernas. As 
teorias da secularizao propostas a partir dos anos 60 centravam o problema nas ideias desenvolvidas pelos 
clssicos da sociologia no que se refere  religio, ao seu lugar e ao seu futuro nas sociedades modernas. A 
obra de S. Acquaviva (1961) prognosticando "o eclipse do sagrado" teve uma certa retumbncia. As teorias de 
B. R. Wilson (1976), de D. A. Martin (1978), assim como as de P. L. Berger (1967) e de T. Luckmann (1963), 
influenciaram igualmente a pesquisa de modo considervel. Estes tericos apresentam a secularizao quer 
como um fenmeno de individualizao da religio relativamente s instituies religiosas, quer como uma 
adaptao da religio  modernidade, quer ainda como um processo irreversvel de marginalizao social do 
religioso e das suas instituies (Gauchet 1985).
Em fins dos anos 70, o "regresso do religioso e/ou do sagrado" (expresso infeliz) forou  reabertura de 
um dossier em vias de se fechar: opor-se-o de facto modernidade e religio a ponto de no poder conceber-se 
uma "modernidade religiosa"? (Hervieu-Lger 1986).  doravante a questo que se pe.
J. S.

Segmentria (sociedade):  preciso distinguir nitidamente a segmentao social, diviso de um grupo em 
subconjuntos separados pela sua existncia e pela sua actividade, e a noo de sociedade segmentria. no se 
trata neste ltimo caso de simples subdiviso em cls, subcls, linhagens e sublinhagens, nem do simples 
processo de ciso em funo do crescimento demogrfico, de deslocamentos mais ou menos importantes, de 
querelas internas, mas sim de um tipo de organizao social sem governo estvel, recortado em segmentos e 
subsegmentos que se ressoldam segundo certas normas sociais para fazer face temporariamente a conflitos, 
porque um princpio de solidariedade une esses segmentos graas  existncia de uma moral e de rituais 
comuns.
A afirmao de pertena, quer ao subsegmento, quer ao segmento, quer ao conjunto, varia segundo a 
origem das presses exteriores. Assim, os segmentos A' e A" fundir-se-o face  agresso de um membro de 
B' que ter ento como aliados os B" porque a unio de todos os A contra os B  requerida. Mas solidariedade 
e hostilidade so questes de situao e de regras de pertena aos segmentos encaixados. As tendncias 
centrpetas afirmam-se no perigo, as tendncias centrfugas na vida corrente.
No mais na Crsega que entre os Nuer do Sudo estudados por E. Evans-Pritchard (1939), a vindicta no 
destri a unidade global e a solidariedade do grupo. Entre os Tiv da Nigria, a organizao segmentria 
permite a mobilizao de

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221
milhares de pessoas sem a ajuda de uma organizao estatal.
C. R.
- Balandier (1967), Lombar (1972).

Segregao: A segregao  uma forma institucionalizada de distncia* social que se traduz por uma 
separao no espao. Essa separao ganha sentidos diferentes consoante os contextos sociais. A segregao 
constitui o princpio de base da organizao da aldeia na ndia tradicional, fundada na separao absoluta das 
vrias castas.  imposta e sancionada pela lei no regime do apartheid na frica do Sul, justificada pelo 
princpio do "desenvolvimento separado" das vrias componentes tnicas. Pode ser costumeira e social, por 
exemplo nas cidades do Magrebe na poca colonial ou nas cidades americanas dos nossos dias, onde os 
negros continuam a habitar em bairros separados (Taeuber, Taeuber 1965). no parece, neste ltimo caso, que 
os progressos globais da populao negra sejam suficientes para atenuar ou eliminar a segregao. As 
sociedades constitudas por populaes de origens nacionais e religiosas diferentes so mais susceptveis de 
conhecerem estes fenmenos de segregao (Wirth 1928). Em Frana, os bairros habitados por emigrantes 
incluem populaes de origens variadas, que se misturam com os Franceses do mesmo meio social, ao passo 
que nos Estados Unidos, pas de imigrao onde a conscincia "tnica" permanece viva, os bairros negros, 
italianos ou chineses esto justapostos e separados uns dos outros (Gans 1962; Williams 1964).
Na sociologia crtica ou radical, o conceito de segregao, que, em sociedades dominadas pelos valores de 
igualdade, tem uma conotao fortemente pejorativa, foi utilizado para designar toda a forma de repartio no 
espao urbano, mesmo no institucionalizada.
D. S.

Seita - vd. Igreja e seita.

Senso comum: Uma parte da tradio sociolgica exerceu a sua crtica em sentido oposto ao do senso 
comum, que assimilou a prenoes (Durkheim 1895) ou a evidncias imediatas e muitas vezes ilusrias 
(Bourdieu et al. 1968). P. Bourdieu em particular (1980) considera o senso comum como um produto do 
ajustamento entre as situaes e as inculcaes (ou hbitos) que os indivduos receberam ao longo da sua 
histria. Nesta perspectiva, a sociologia tem de operar uma ruptura radical em relao ao senso comum (dita 
tambm corte epistemolgico), de maneira a descobrir relaes objectivas que escapam  conscincia dos 
agentes mas condicionam o seu comportamento.
O senso comum desempenha, no entanto, um papel essencial nas actividades sociais, dado que  ele que 
permite s pessoas orientar as suas condutas umas em relao s outras (Weber 1922b). O senso comum 
peem jogo um verdadeiro saber social Schtz 1971) partilhado pelos membros de uma sociedade e que lhes 
permite reconhecer as pessoas e as situaes em funo de certas caractersticas tpicas, como a profisso, o 
estatuto social, as finalidades e as normas de aco ligadas a funes institucionais. Alm disso, fez-se notar 
(Garfinkel 1967) que a competncia que permite ao senso comum exercer a sua sagacidade no  de uma 
natureza diferente da que fundamenta as anlises efectuadas pelos socilogos, porquanto se trata em ambos os 
casos de interpretar factos sociais. 

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222
Nesta perspectiva, a sociologia no teria de corrigir os erros do senso comum mas sim de estudar as suas 
propriedades formais. Contudo, uma tal sociologia afasta-se fortemente dos processos do senso comum e 
confirma a contrario a especificidade do trabalho cientfico frente ao senso comum.
P. P.

Sexualidade: Tomado no seu sentido estrito (o de numerosos sexlogos actuais), o termo "sexualidade" 
designa o conjunto dos comportamentos que visam directamente o prazer ertico. Mas  difcil dissociar as 
prticas e os prazeres sexuais dos sentimentos que podem acompanh-los (amor, pudor, cime, etc.) e das 
representaes (por palavras, imagens, fantasmas) que essas prticas, essas sensaes e esses sentimentos 
suscitam.
A sociologia da sexualidade tem de tomar em considerao a totalidade destes elementos. O seu ponto de 
partida  a diversidade das atitudes e dos comportamentos sexuais: diversidade no tempo (na Europa 
Ocidental, por exemplo, a masturbao, condenada pelos mdicos no sc. XVIII, , em certos casos, 
encorajada pelos sexlogos contemporneos) e diversidade no espao (os muulmanos aceitam a poligamia 
simultnea ao passo que as sociedades influenciadas pelo cristianismo toleram a poligamia sucessiva, isto , 
vrias unies livres e/ou casamentos ao longo de uma vida). No que se refere  evoluo recente e previsvel 
dos pases ditos desenvolvidos, os socilogos da sexualidade pem geralmente a tnica nas seguintes 
tendncias: 1. a proliferao dos discursos sobre a sexualidade mas igualmente das imagens qualificadas de 
erticas ou de pornogrficas; 2. a progresso da concepo higienista da sexualidade encarada como uma 
"tcnica" ou um passatempo sem risco; 3. o progresso da contracepo como prtica e como norma 
(considera-se que os nascimentos deveriam ser doravante desejados e programados); 4. o florescimento da 
unio livre, primeiro nas jovens geraes das classes mdias, depois nos mais velhos e em outras camadas 
sociais; 5. a masculinizao dos comportamentos sexuais das mulheres sob o efeito do feminismo, do 
igualitarismo democrtico, da extenso do trabalho assalariado feminino.
Um certo nmero de autores interroga-se, entretanto, se a liberalizao sexual dos anos 60 e 70 no ir ser 
posta em causa na sequncia do medo suscitado pelo vrus da sida. Esse medo poderia; nomeadamente, 
contribuir para uma revalorizao da virgindade e da fidelidade.
A. B.
- Aris, Bjin (1982), Balandier, Bjin (1984), Garcia Guadilla (1981), Schelsky (1955).

Smbolo social: Segundo a etimologia grega, a palavra refere-se ao sinal de reconhecimento de duas pessoas 
que possuem cada uma delas pedaos de um objecto quebrado, que serve de meio de identificao. 
Actualmente, o smbolo associa um significante concreto (gesto, frmula, animal, cor, ponto cardeal) a um 
significado geralmente abstracto e valorizado (bandeira = nao, punho levantado = protesto, nmero 3 = 
perfeio).
Diferente do do signo matemtico ou lingustico, que  uma conveno para uma compreenso e para 
operaes logsticas, o smbolo tem a ver com a expresso pela sua iconicidade e pela sua ressonncia 
afectiva. A aco simblica, por seu turno, significa uma actividade de 

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223
substituio e de compensao  falta de um resultado obtido previamente. Equvoco dentro de uma mesma 
cultura (lua: smbolo de fecundidade, de feminidade, de regime nocturno), o mesmo smbolo pode ter vrias 
dimenses, poltica, econmica, religiosa, etc., e entrar como elemento em diversos sistemas mticos e rituais. 
Reveste significaes diferentes segundo os povos (elefante real: na ndia, poder; na frica, longevidade) e 
segundo as circunstncias histricas (sustica, cruz gamada).
Para . Durkheim e M. Mauss, os smbolos sociais do sentido a estatutos e papis desempenhados num 
cerimonial. Traduzem a adeso de uma comunidade a valores que a especificam. Para M. Leenhardt e M. 
Griaule,  a ordem csmica e social que uma cultura enuncia por metfora nos seus sistemas simblicos de 
mitos e de ritos. Para alm destes smbolos culturais, C. G. Jung pressupe a existncia de arqutipos 
universais que exprimem as relaes constantes entre o homem e o universo. Descurando no simbolismo os 
seus aspectos cognitivo e objectivo, S. Freud encara-o, nomeadamente atravs do sonho, como uma maneira 
de encobrir o recalcado e de operar um compromisso entre o prazer e a realidade. G. H. Mead, F. de Saussure 
e E. R. Leach insistem, sobretudo, nos fenmenos de interaco e de comunicao que facilitam as 
associaes simblicas. A semiologia indica a aura de sentido  volta de signos arbitrrios e definidos. Se o 
simbolismo remete por vezes para um imaginrio desligado da realidade, permite em outros casos a 
codificao de acontecimentos por meio de ritos que somarcadores de lugar e de identidade.
C. R.
- Alleau (1958), Aug (1979), Durand (1969), Eliade (1952).

SIMMEL (Georg), filsofo e socilogo alemo (Berlim 1858 - Estrasburgo 1918): Redescobre-se 
actualmente em Frana a sociologia de Simmel que por duas vezes foi vtima do esquecimento: primeiro, por 
causa das reticncias de . Durkheim; depois, em virtude da voga do estruturalismo e do neo-marxismo que, 
entre 1960 e 1970, no reconheceram a legitimidade da sociologia da aco que inspira a sua obra. Se a sua 
psicologia social pde inspirar a escola de Chicago*, se os seus estudos sobre a galantaria, a conversa e o 
segredo interessam os socilogos da vida quotidiana, o essencial do seu interesse est noutro lado. Na sua 
opinio, so as aces recprocas (que implicam necessariamente interaco com pelo menos um outro 
indivduo) que criam em cada indivduo caractersticas que permaneceriam inexplicveis se o 
considerssemos isoladamente. Assim, instaurou uma sociologia formal que, abstrada dos contedos que tm 
a ver com outras cincias (economia, direito, etc.), toma em conta as formas de uma socializao em vias de 
concretizao: em grupos sociais que correspondem a fins diferentes, encontram-se formas semelhantes 
(forma da concorrncia, da hierarquia, etc.). A sua sociologia das formas* pretende, graas  sua generalidade 
e  sua idealidade, tornar inteligveis sequncias do real sem se aplicar a isso de maneira realista. No se trata 
pois de subsumir a vida social sob leis. Entre as obras de Simmel traduzidas em francs contam-se: 
Philosophie de l'argent (1900), Problmes de la philosophie de l'histoire (1892).        
L. D.-G.
- Simmel (1892, 1900, 1917).

Simulao: Tcnica que permite experimentar sobre um modelo terico,

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224
a fim de observar as consequncias (output) de manipulaes dos parmetros de entrada do modelo (input). 
Por exemplo,  possvel construir vrios modelos tericos que visem explicar o funcionamento do sistema 
educativo, a maneira como a origem social das crianas influencia sobre o seu sucesso escolar e a sua insero 
profissional (output) e a maneira como esse funcionamento evolui sob a influncia de factores econmicos, 
demogrficos e polticos exteriores ao modelo (input). Um modelo deste tipo  necessariamente complexo se 
se pretender que ele traduza correctamente o conjunto das observaes passadas e presentes;  portanto difcil 
deduzir todas as implicaes. E ento cmodo "fazer virar" esse modelo em computador, como se se tratasse 
de uma maqueta da sociedade real, e examinar as consequncias sobre o sucesso escolar de certas decises 
polticas. Pode assim reconstituir-se um passado hipottico (que se teria passado se a III Repblica tivesse 
criado um tronco comum indiferenciado para todos em vez de um ensino com dois ramos distintos?) ou 
experimentar diversos cenrios para prognosticar a evoluo do sistema e suas consequncias sociais (que se 
passar se se modificarem as modalidades de atribuio das bolsas de estudo?; quais seriam os efeitos a prazo 
de tal reforma, tendo em conta a evoluo demogrfica?).
A simulao de um modelo sociolgico complexo  uma tcnica muito flexvel de explorao das 
consequncias concretas de uma teoria. Permite fazer previses condicionais, da forma: "se sobrevier tal 
acontecimento, ou se se tomar tal deciso, e se o meu modelo traduz completamente a realidade, ento 
observar-se- tal resultado". Esta tcnica pode igualmente servir para comparar entre si vrias teorias relativas 
a um mesmo processo social.
J.-P. G.

Sindicatos: Associaes privadas que representam um agrupamento de indivduos ou de instituies 
encarregadas de defender os seus interesses (sindicatos operrios e patronais, sindicatos de interesses locais).
O sindicalismo em Frana e na Europa est em crise, seno mesmo em declnio. O fenmeno  
comummente apreciado a partir das taxas de sindicalizao: as taxas francesas baixaram em cerca de metade 
em 15 anos, passando de 20 para cerca de 10 por cento. Mas esta avaliao no  nem fivel nem 
verdadeiramente significativa do alcance da crise. Mais importante  a combinao da dessindicalizao com 
o movimento de institucionalizao do sindicalismo: as organizaes acabam por apoiar-se mais no seu 
eleitorado que nos seus aderentes; mais no reconhecimento que o Estado lhes confere que no que lhe 
concedem os empregadores. Por outro lado, pe-se a questo da adaptao dos sindicatos a um salariado em 
evoluo rpida e demasiado heterognea para se reconhecer nos discursos unificadores herdados do passado. 
A questo sindical d lugar a duas orientaes intelectuais diferentes. Para quem privilegia o critrio poltico, 
o facto sindical reduz-se a uma forma social contingente, adaptada num dado momento da evoluo do 
sistema democrtico: no contexto da III Repblica, o florescimento do sindicalismo permitiu conciliar a 
subida da conscincia de classe e a salvaguarda da integrao social. De igual modo compensou os 
inconvenientes 

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225
individualistas do sufrgio universal ao legitimar uma concepo orgnica da representao dos interesses 
(Rosanvallon 1988). Para quem observa o facto sindical de um ponto de vista propriamente sociolgico, a 
tnica  colocada na continuidade mais que nas rupturas: alm da coligao ter preexistido  organizao, o 
sindicato alimentou-se na fonte das corporaes do Antigo Regime. A lgica sindical  em parte intangvel: 
no h aco colectiva sem afirmao de um princpio de solidariedade; no h verdadeira participao na 
regulao produtiva sem aptido para se manter rgo fundador de vida social. Confrontadas com a crise 
sindical, as duas teses no chegam ao mesmo prognstico. O primeiro anuncia uma reconverso radical do 
sindicalismo: deixando de identificar-se com o movimento social, este  chamado a tornar-se uma agncia de 
servios e de negociao, trabalhando na redefinio das regras de abono na sociedade global (Touraine 
1984). A segunda aposta na existncia de um futuro para um sindicalismo de movimento social, na condio 
de este aceitar redefinir a sua identidade a partir das realidades do mundo do trabalho tal como ele .
D. SN.

Sistemas (teoria dos): Proposta em 1930 por L. von Bertalanffy (que elaborou a sua teoria geral em 1968), a 
noo de sistema serve para designar um objecto complexo formado por elementos distintos ligados entre si 
quer por relaes de interaco quer por relaes de interdependncia. Tais elementos so considerados como 
subsistemas, ou seja, pertencem  mesma categoria que o conjunto de que fazem parte. O sistema, sendo 
aberto, est por outro lado situado num meio com o qual est em interaco (caso contrrio, trata-se de um 
sistema fechado).
A ideia essencial  que o sistema constitui um todo de um grau de complexidade superior ao das suas 
partes, isto , que tem propriedades prprias. A teoria dos sistemas prope-se ao mesmo tempo traduzir o 
estado do sistema num momento (equilbrio) e as leis de transformao de um estado para o outro 
introduzindo, entre outras, a noo de retroaco (em ingls feed-back).
Em fsica (mecnica, termodinmica), em biologia e em ciberntica, a teoria dos sistemas recebeu 
numerosas e fecundas aplicaes. Actualmente, o problema consiste em encarar a possibilidade de alargar 
este tipo de anlise aos sistemas sociais que tm a particularidade de serem hipercomplexos. Tentativas como 
a de M. Crozier e a de E. Friedberg (1977), ou a de A. Wilden (1972), mostram que, se  preciso evitar uma 
generalizao demasiado apressada, a teoria dos sistemas pode, no entanto, ser de uma grande utilidade na 
anlise dos processos estratgicos.
Y. C.

Sociabilidade: O termo "sociabilidade" designa ao mesmo tempo o estado que resulta imediatamente das 
faculdades do homem (estado de sociedade) e um trao de psicologia colectiva atribudo a grupos mais ou 
menos alargados.  esta ltima acepo que  introduzida nomeadamente por Mme. de Genlis (citada por 
Littr), no incio do sc. XIX, quando escreve que "a temperana natural dos Franceses contribui muito para 
essa sociabilidade que os distingue". Definida por M. Agulhon (1977) como "a aptido geral de uma 
populao para viver intensamente as relaes 

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226
pblicas", a sociabilidade apresenta uma srie de contedos que o estudo dos caracteres nacionais, dos 
temperamentos regionais e das mentalidades sociais permite especificar. A nvel domstico, poder-se- 
distinguir, como o prope M. Fors (1981), uma sociabilidade interna, centrada no lar, e uma sociabilidade 
externa, orientada para os amigos, as relaes de trabalho, o meio social.
No entanto, a sociabilidade reveste sobretudo formas nas quais, sem razo, no se quis ver seno as 
figuras da frivolidade e da futilidade mundana. Com efeito, para alm da elaborao dos materiais necessrios 
 vida colectiva e dos contedos prprios aos modos de participao social, apercebemo-nos como pode 
operar-se a sublimao da troca numa sociabilidade sem fins prticos e inteiramente centrada em 
personalidades que esto empenhadas em puras relaes de reciprocidade. Desta sociabilidade desligada de 
referncias materiais, G. Simmel disse que ela  "a forma ldica da socializao" (1918).
A conversa, que G. de Tarde defniu como "o exerccio contnuo e universal da sociabilidade",  uma das 
componentes essenciais desse jogo social traduzido pela categoria analtica de Geselligkeit; "me da 
delicadeza", cria entre os conversadores uma igualdade fictcia, mas  no fundo discriminante pelo teor dos 
assuntos sobre que incide. Na verdade, a troca de conversas num caf, num crculo, num salo, etc.,  
regulada por estratgias verbais sadas do processo de psicologizao das relaes sociais, assinalado por N. 
Elias.
Na medida em que os desnveis entre as condies se reduziram consideravelmente, reforou-se a ateno 
 forma at tornar-se um verdadeiro imperativo categrico. "No  um acaso de linguagem, escreve ainda 
Simmel, se toda a sociabilidade atribui tanta importncia  boa forma." Os cdigos de boas maneiras na poca 
da III Repblica exprimem essa importncia assim como a preocupao de manter, seno de recriar, 
intervalos entre os grupos. Tanto como os efeitos da mobilidade sobre a Geselligkeit, eles manifestam a 
dimenso simblica da vida colectiva, o carcter convencional da existncia social e a tenso entre o 
demasiado subjectivo e o demasiado objectivo que atravessa toda a sociabilidade.
B. V.
- Agulhon (1977).

Socialismo: O termo "socialismo" apareceu nos escritos de diferentes autores nos anos 1830 (R. Owen, P. 
Leroux) para designar as doutrinas, crticas relativamente ao liberalismo econmico, que apelam para uma 
organizao econmica que faz prevalecer o interesse geral por meio de um plano concertado. A partir desta 
altura, fortes divergncias aparecem entre os socialismos qualificados de utpicos (C. Fourier) e o socialismo 
que se pretende cientfico (F. Engels), entre partidrios de uma socializao dos meios de produo (P. J. 
Proudhon) e defensores da apropriao colectiva (Marx), entre estatistas e anarquistas. Aps 1870, o termo 
"socialista"  retomado por associaes operrias, partidos polticos, sindicatos operrios; seguidamente, aps 
1920, para se diferenciar dos partidos comunistas. O termo foi utilizado em mltiplas significaes e entrou 
em palavras compostas (radical-socialismo, social-democracia, nacional-socialismo, etc.) em situaes sociais 
e polticas muito diversas. Sem corresponder actualmente a 

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227
uma definio nica, este termo designa uma orientao geral, uma tendncia a privilegiar os organismos e 
administraes pblicas de preferncia s iniciativas privadas nas relaes entre o poltico e o econmico, a 
organizao da propriedade, a gesto das empresas.
P. A.
- Droz (1974-1978), Kriegel (1964), Ligou (1962).

Socializao: Em sentido forte, socializar  transformar um indivduo de um ser associal num ser social 
inculcando-lhe modos de pensar, de sentir, de agir. Uma das consequncias da socializao  tornar estveis 
as disposies do comportamento assim adquiridas. Esta interiorizao das normas e valores tem igualmente 
por funo tornar suas as regras sociais, que so por definio exteriores ao indivduo, e aumentar a 
solidariedade entre os membros do grupo. Enquanto instrumento da regulao* social, permite a economia de 
sanes externas. O grupo no tem necessidade, neste sentido, nem de lembrar indefinidamente ao indivduo a 
existncia dessas regras nem de exercer sobre ele uma coaco para que elas sejam observadas: viol-las gera 
um sentimento de culpabilidade. Os estudos sobre a socializao tentam pr em evidncia os processos pelos 
quais um indivduo interioriza contedos e estruturas e analisar os efeitos desta interiorizao sobre o 
comportamento. Um dos objectivos destas pesquisas  fornecer uma soluo ao problema da permanncia, 
atravs das geraes, das culturas e subculturas especficas de certos grupos, dos comportamentos de 
indivduos que foram submetidos aos mesmos tipos de aprendizagem, sejam eles lingusticos, cognitivos, 
polticos ou morais.
Estes estudos mostraram, nomeadamente, que existe uma forte semelhana de comportamentos polticos 
entre os filhos e seus pais, que certos valores, como o do sentido da solidariedade colectiva, so mais 
privilegiados na classe operria que o sucesso individual, que caracterizaria as classes mdias. Pretendeu-se 
ver no sistema de valores interiorizado prprio da classe a que o indivduo pertence a determinante do destino 
deste. Com efeito, esta definio da socializao supe o primado da sociedade sobre o indivduo, o exerccio 
de uma coaco por parte de uma autoridade considerada como legtima e um objectivo definido ao nvel 
social. Assenta, alm disso, numa teoria rudimentar da aprendizagem como condicionamento. O indivduo , 
de facto, pensado como um ser passivo cujo comportamento se resume a uma reproduo de esquemas 
adquiridos. A esta viso determinista, pode opor-se uma concepo mais flexvel que toma em considerao a 
relativa autonomia do indivduo, a capacidade deste para adaptar as disposies adquiridas s situaes 
vividas, e mesmo para modificar quando necessrio as normas e valores interiorizados em funo de certos 
problemas que  chamado a resolver.
M. C.
- Bernstein (1971), Bordieu, Passeron (1970), Durkheim (1922, 1925), Percheron (1974).

Sociedades (tipos de): A enumerao e a classificao das sociedades globais so uma das tarefas que os 
socilogos se atriburam desde a constituio da sua disciplina. Os inventrios e as tipologias que da 
resultaram manifestam, pela sua prpria diversidade, a relatividade de uma empresa que est em primeiro 
lugar estreitamente dependente

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228
dos critrios escolhidos. Alm disso, uma hierarquizao das diferentes formas de organizao social acha-se 
a muitas vezes sub-reptcia ou abertamente associada.
A distribuio das sociedades entre diferentes tipos  solidria de qualificaes ("tribal", "teocrtica", 
"industrial"...) que condensam os traos especficos respectivamente comuns a agrupamentos humanos. 
Podemos classificar estes ltimos em funo do modo de ocupao do solo, do volume e da densidade. 
Distinguiremos assim as sociedades de caadores e as de agricultores, opondo o nomadismo pastoril ao tipo 
de vida sedentria.  a partir deste ponto de vista, que  o da morfologia social, que . Durkheim estabeleceu 
os grandes tipos de estrutura social. Da horda, simples justaposio de indivduos s sociedades 
polissegmentrias complexas, passando pelo cl, pelas sociedades polissegmentrias simples, etc., foram 
"unidades sociais" que ele combinou, adiantando que as sociedades so tanto mais volumosas quanto mais 
avanadas. A diviso do trabalho forneceu a Durkheim um princpio geral de oposio entre a solidariedade 
mecnica e a solidariedade orgnica, do mesmo modo que a anlise do acordo social levou F. Tnnies (1887) 
a distinguir o tipo comunitrio e o tipo societrio, categorias fundamentais que seguidamente cruzou com as 
noes genricas de relaes, agrupamentos e associaes.  igualmente qualificando-as de primitivas ou 
modernas, de arcaicas ou desenvolvidas, de tradicionais ou industriais, de holistas ou individualistas, que 
historiadores, etnlogos e socilogos distinguem os principais tipos de sociedades. Estas sries de oposio 
assentam na tomada em considerao de variveis diferentes. Estas ltimas so, por exemplo, essencialmente 
econmicas na dupla tradicional/industrial concebida a partir das mudanas consecutivas  Revoluo 
Industrial; a sua valorizao corresponde, portanto,  do econmico na sociedade moderna e  acompanhada 
de uma alterao dos caracteres originais das sociedades "tradicionais".
Simples ou complexa, a distribuio das sociedades em tipos distintos no chega, em ltima anlise, a 
desligar-se de um esquema evolutivo. Se fica claro que o nomadismo pastoril no  "inferior"  vida 
sedentria,  igualmente evidente que a corrente principal da evoluo histrica vai da caa para a agricultura, 
que traz consigo a fixao ao solo. Centrada no papel determinante dos modos de produo, a tipologia das 
sociedades globais em Marx reconduz-se tambm a uma sucesso dialctica de tipos sociais que vo da 
sociedade primitiva - fundada no parentesco, na apropriao colectiva do solo e das ocupaes "naturais" 
(caa, pesca, apanha) -  sociedade comunista sem classes. A diferenciao complica-se com a especificao 
dos modos de produo: escravista, feudal, germnica, asitica, capitalista, socialista.
A questo da escolha dos critrios e dos tipos intermdios coloca-se igualmente a partir do momento em 
que se pretende classificar politicamente as sociedades. Deste ponto de vista,  preciso ter em conta a 
utilizao do espao, a forma do governo e a estrutura da colectividade, assim como o sistema jurdico em 
vigor. Mas o critrio fundamental ser a atribuio do poder global. 
A dupla preocupao de evitar toda a categorizao prvia e de afinar ao mximo a tipologia das 
sociedades

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229
globais levou G. Gurvitch (1955) a distinguir uma enorme variedade de tipos sociais. Decomps as 
sociedades arcaicas em quatro espcies, as sociedades histricas em seis (carismticas, patriarcais, feudais...) 
e as que so posteriores  Revoluo Industrial do lugar a uma longa enumerao (sociedades democrtico-
liberais, dirigistas, planificadas...) de difcil explorao. Privilegiando os sistemas de valores e as orientaes 
fundamentais, T. Parsons (1966) props tambm ele uma tipologia complexa. Voltamos pois  questo 
formulada por A. Giddens a propsito da pesquisa dos princpios estruturais: "Quais so os nveis de 
abstraco que valem a pena ser distinguidos no estudo das propriedades estruturais dos sistemas sociais?" 
Para lhe responder, abandonou o lado formal da tarefa para se pr  procura "de elementos situados mais 
perto do contedo emprico". Definiu assim os princpios estruturais como "princpios de organizao das 
totalidades societais" e, mais precisamente, como conjunto de "factores postos em jogo no alinhamento global 
das instituies de uma sociedade ou de um tipo de sociedade". A distribuio dos tipos de sociedades em trs 
grupos que ele prope (sociedade tribal/sociedade dividida em classes/sociedade de classes) tem o mrito de 
integrar um nmero bastante elevado de elementos distintivos, sem cair na esquematizao demasiado 
sumria nem na interminvel enumerao.
B. V.

Sociobiologia: Este termo designa ao mesmo tempo uma teoria dos comportamentos sociais dos animais, 
fundada na teoria da evoluo, a etologia e a gentica das populaes, de que pretende ser a sntese, e a sua 
extenso ao homem.
Esta distino  importante, porque o acolhimento que lhe foi feito  muito diferente: se a primeira foi em 
geral bem aceite, suscitando apenas discusses cientficas normais, a sua aplicao ao homem foi objecto de 
violentas polmicas. Estes dois aspectos encontram-se nas obras do seu fundador, o especialista dos insectos 
sociais E. O. Wilson, cuja obra principal foi publicada em 1975.
Podemos tomar como ponto de partida um paradoxo: a vida em sociedade implica que certos indivduos se 
sacrifiquem pelos outros. Se se admitir que este comportamento, como todos os outros,  geneticamente 
determinado, como  que o gene que o impe pde manter-se, e portanto ter sido seleccionado, uma vez que 
aquele que se sacrifica tem menos hipteses de sobreviver, e portanto de se reproduzir? A resposta da 
sociobiologia  que a seleco, e portanto a evoluo, incide de facto sobre genes e no sobre organismos. A 
reproduo nunca  idntica; s os genes se transmitem. Se um indivduo se sacrifica por parentes prximos, 
favorece a reproduo destes, e portanto a transmisso dos seus genes, em particular daqueles que eles tm em 
comum. O indivduo pode ser altrusta, mas -o para melhor permitir a perpetuao de um gene egosta. 
Raciocnios deste tipo permitiram  sociobiologia explicar um grande nmero de comportamentos sociais, 
considerados como o produto de uma evoluo cujo mecanismo principal  a evoluo que incide sobre os 
genes e sobre as populaes, intervindo os indivduos apenas como transmissores dos genes. Enquanto a 
teoria sociobiolgica incidia apenas sobre os animais, foi relativamente bem aceite, embora se lhe tenha 
oposto um certo nmero de objeces, como o

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230
facto de os genes jamais se exprimirem de maneira isolada, mas sempre em interaco com outros;  portanto 
difcil falar da tendncia de um gene para reproduzir-se. Perguntou-se tambm como  que um gene poderia 
reconhecer que um outro organismo traz um gene semelhante.
Mas a sociobiologia no se fica por a: pretende aplicar os mesmos raciocnios, e portanto transpor a 
mesma concepo do determinismo gentico ao homem, tornando-se a sociologia apenas um dos ramos da 
sociobiologia. As hierarquias sociais, os papis masculino e feminino, a homossexualidade, etc., so 
explicados pelo seu suposto papel na transmisso dos genes. Como todos os hereditarismos, dos quais ela  a 
forma mais recente, a sociobiologia afirma um determinismo biolgico rigoroso: o homem, ou melhor, a 
sociedade humana, tais como os conhecemos, so os produtos da evoluo, e portanto da seleco. Os traos 
que observamos so os que esta conservou, os que sobreviveram. Subentendido:  perigoso, ou impossvel, 
tocar neles. Neste sentido, podemos interpret-la como fundamentalmente conservadora, e no deixou de se 
lhe censurar tal facto.
Mas o essencial das objeces est noutro lado: ao fazer a transposio dos outros animais para o homem, 
no se estar a menosprezar uma caracterstica humana especfica e essencial, a cultura, produto de uma 
funo simblica, que no se encontra nos outros animais, ou s neles est sob uma forma rudimentar, e que 
permite, seno libertar totalmente dos determinismos biolgicos, pelo menos modul-los? No se v bem, por 
exemplo, como a preocupao de transmisso dos genes pode explicar a diversidade das culturas, ou mesmo 
simplesmente tom-las em considerao. Donde uma das censuras mais frequentemente dirigidas  
sociobiologia, a do etnocentrismo: tomar como "natureza humana" os humanos da nossa sociedade ocidental 
actual.
B. M.
- Sahlins (1976), Veuille (1986), Wilson (1975, 1978).

Sociologia: Uma grande diversidade caracteriza os objectivos e os mtodos da sociologia. Ela apresenta-se 
como a prpria gnese da disciplina, a partir das tentativas de aritmtica poltica de W. Petty nos scs. XVII e 
XVII, dos quadros descritivos de J. P. Sssmilch, da matemtica social de Condorcet. Esta diversidade  
tambm patente entre os dois precursores, Montesquieu e J.-J. Rousseau, entre a cincia recentemente criada 
por A. Comte e a concepo que dela tem . Durkheim. De chofre, a constituio da sociedade como objecto 
de anlise provocou o aparecimento de mltiplos discursos sobre o carcter relativo, ou mesmo artificial, de 
enquadramentos sociais tidos at ao sc. XVIII como imutveis e garantidos pela divina Providncia.
A sociologia crtica, nomeadamente com a escola de Francoforte, encontra a sua origem no processo 
intentado pelos filsofos das Luzes  sociedade que eles intimaram a comparecer perante o tribunal da Razo. 
Aps os abalos polticos do fim do sculo, a Revoluo Industrial teve igualmente como efeito orientar a 
reflexo para a reorganizao geral das disposies sociais. Este projecto "construtivista" inspirou no sc. 
XIX especulaes de toda a espcie, umas ao lado da utopia, como em H. de Saint-Simon e sobretudo C. 
Fourier, outras apoiadas por uma filosofia da histria do tipo da que foi formulada

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231
em 1936 por Comte na lei dos trs estados.
A vontade de Marx de instituir uma sociedade sem classes tem igualmente a ver com esse desgnio de 
conjunto. Podemos, em ltima anlise, ligar a esta viso global do social os trabalhos de Durkheim, de M. 
Weber e de V. Pareto. Nas suas obras, que constituem o corpus da sociologia clssica, so as grandes 
componentes e as principais tendncias da sociedade moderna que so estudadas por vias diferentes, que se 
renem na integrao sistemtica de elementos tirados de todas as disciplinas constitutivas das cincias 
humanas: o direito, a histria, a economia, a etnologia, etc.
Assim, num contexto duplamente marcado pelo positivismo de Comte e pelo evolucionismo de H. 
Spencer, os objectivos visados (a identificao de regularidades histricas, o enunciado das leis da evoluo 
ou o estabelecimento de grandes relaes funcionais) traduzem a preocupao de compreender o 
funcionamento da sociedade. Diferentemente das outras cincias, a sociologia no tinha de preocupar-se com 
delimitar o seu domnio de investigao.
Os trabalhos que incidem sobre questes nitidamente circunscritas no tm, no entanto, faltado no sc. 
XIX. Ao escolher estudar a democracia na Amrica e depois o Antigo Regime e a Revoluo, A. de 
Tocqueville escapava  urgncia de uma "reorganizao da sociedade europeia". Numa direco inteiramente 
diferente, L. A. Quetelet aplicava-se a introduzir o nmero e a medida na cincia do homem. F. Le Play e os 
seus discpulos multiplicavam as monografias sobre pequenas unidades sociais. Estas pesquisas mostram bem 
a heterogeneidade dos quadros em que elas se inscrevem: a filosofia poltica, a sociologia quantitativa, a 
sociografia descritiva. Por razes que tm a ver com as suas orientaes metodolgicas ou ideolgicas, 
exerceram menos influncia que as filosofias sociais e os estudos gerais da sociedade.
O desenvolvimento destas ltimas foi acompanhado de uma exigncia de positividade e de objectividade 
que se viu satisfeita pelo recurso s cincias fsicas ou biolgicas para explicar os fenmenos sociais; da 
derivam as metforas mecanicistas e organicistas que abundam nas sociologias gerais. Por outro lado, a 
obsesso de afirmar a especificidade do social contra a singularidade subjectiva levou Durkheim a construir a 
sociologia fora de toda a referncia  psicologia, tapando deliberadamente as vias fecundas abertas por G. de 
Tarde para a psicologia social. As vicissitudes, os falsos debates (indivduo/sociedade) e as falsas querelas 
(qualitativo/quantitativo) que a sociologia conheceu, nomeadamente na Frana, devem relacionar-se com 
essas orientaes primeiras. Devem sem dvida ser tomadas em considerao, como fez P. Lazarsfeld, "as 
variaes nacionais das aces sociolgicas", assim como os constrangimentos institucionais e materiais a que 
estas ltimas esto sujeitas. Mas nota-se em toda a parte uma partilha entre sociologia crtica e sociologia 
emprica, filosofia social e sociografia, pontos de vista especulativos e trabalhos descritivos. Tambm por 
todo o lado, ensaios e pesquisas distinguem-se pelo nvel privilegiado - macrossociolgico ou 
microssociolgico -, o tipo de observao escolhido, a natureza dos indicadores retidos... Por todo o lado, 
enfim, o recorte, quer horizontal (por exemplo, a sociologia urbana) quer vertical (por

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232
exemplo, a mobilidade social), do terreno do socilogo deu lugar a estudos especializados, sem que 
desaparea a procura de uma teoria geral, como testemunham T. Parsons e G. Gurvitch, etc. Numa poca em 
que os media difundem informaes que do a cada indivduo a iluso de conhecer a sociedade em que vive, 
uma dupla advertncia, histrica e metodolgica, sobre o que  a sociologia se impe.
Comeou com a recapitulao dos contributos anteriores que integram as contribuies a que no se tinha 
prestado suficiente ateno (as de Tarde, de G. Simmel, de G. Mosca, por exemplo) e com a implementao 
de princpios explicativos claramente definidos, como os do individualismo metodolgico conceptualizado 
por R. Boudon.
B. V.

Sociologismo: Este termo designa, no sem inteno pejorativa, um modo de interpretao sociolgica que 
atribui  sociedade um poder explicativo total na anlise das condutas humanas. Foi utilizado contra . 
Durkheim e os durkheimianos para denunciar os excessos de um preconceito metodolgico que visa 
sistematicamente explicar os elementos pelo conjunto. O sociologismo aparenta-se pois com o realismo 
totalitrio (oposto por J. Piaget tanto ao individualismo atomista como ao interaccionismo relativista) que 
credita  estrutura social o que  recusado ao indivduo. O individualismo metodolgico , de algum modo, a 
sua crtica.
B. V.

Sociometria: Embora esta palavra tenha em princpio uma significao muito geral (medida do social), 
acabou por identificar-se com as tcnicas elaboradas por J. L. Moreno (1934) para captar e medir as relaes 
interpessoais dentro de um grupo. O "teste sociomtrico" consiste em perguntar a cada membro de um grupo 
restrito e natural (formado por pessoas que j se conhecem) com que outros membros do grupo desejaria 
associar-se (ou no associar-se) para determinada actividade ou em determinada situao. O apuramento desta 
sondagem permite conhecer, em funo do volume das escolhas feitas ou recebidas e da sua reciprocidade, o 
estatuto de cada membro do grupo, identificar os lderes ou estrelas sociomtricas, os isolados ou os 
excludos, fazer aparecer pares (escolhas ou rejeies recprocas), trades, cadeias, cliques, que so subgrupos 
dentro de um grupo. O conjunto destas relaes e destas configuraes pode ser representado num sociograma 
que permite visualizar a estrutura das relaes afectivas dentro do grupo e ter uma ideia da sua coeso. Na 
esteira de Moreno, o inqurito sociomtrico foi alargado  percepo por cada indivduo das escolhas ou 
rejeies emitidas pelos outros membros do grupo e mesmo das suas expectativas de escolha.
PH. BD.

Solidariedade (polticas de): As polticas de solidariedade podem ser definidas como o conjunto das aces 
pblicas que exprimem e regulam a solidariedade social, entendida como designando o estado pelo qual os 
membros de uma sociedade tm obrigaes uns para com os outros e cada um para com todos. Esta noo 
funda-se, portanto, na verificao de uma interdependncia de facto e nas obrigaes que da decorrem.
As polticas de solidariedade que dependem assim do Estado e dos seus diferentes segmentos s puderam

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233
constituir-se uma vez as solidariedades "curtas" (familiares, religiosas, corporativas) dissociadas pela 
industrializao e pela urbanizao (David 1982). Apoiam-se numa reformulao da noo de solidariedade 
que implica uma nova concepo da sociedade concebida como entidade solidria. Autores do fim do sc. 
XIX, tais como . Durkheim (1893) ou L. Bourgeois (1899), contriburam muito particularmente, a nveis 
distintos, na elaborao dos fundamentos tericos destas polticas. O primeiro introduz a noo de 
solidariedade social orgnica (oposta  de solidariedade mecnica ou por similitudes), cuja manifestao mais 
visvel  um novo tipo de regras jurdicas que promulgam sanes restitutivas e no j repressivas. O segundo 
enuncia a doutrina do "solidarismo", que conferir a sua legitimidade  legislao social do incio do nosso 
sculo. Cada um destes autores elabora,  sua maneira, a noo de solidariedade social, colocando-a em 
relao com o Estado e o Direito. Esta noo de solidariedade foi posta em aco graas  mediao da 
tcnica de seguros (Ewald 1986). Esta ltima vai permitir substituir o conceito de risco aos de 
responsabilidade e de falta, os nicos inscritos na viso liberal de uma sociedade em que o indivduo  
considerado como a entidade primeira, livre e responsvel. Assim, as polticas de solidariedade, pela 
instaurao das polticas de seguro social, depois de Segurana Social, vo permitir ultrapassar a antinomia 
que existia entre, por um lado, os mecanismos do mercado prprios do liberalismo e suas consequncias 
inigualitrias e, por outro lado, os valores de igualdade, que esto na base da democracia (Jobert 1985). O 
campo destas polticas de solidariedade no vai deixar de alargar-se. Foram primeiro concebidas como 
polticas de reparao dos riscos sociais reservadas a uma classe social definida por um fundo de recursos (os 
Seguros Sociais) e depois viro a ser mais tarde definidas como uma cobertura geral dos riscos  escala 
nacional, que encarnar a Segurana Social. Por fim, verificar-se- que o exerccio da solidariedade no pode 
ser reduzido a uma simples distribuio, ex post, de prestaes reparadoras, e que o tratamento dos riscos 
sociais implica, em particular, aces ex ante, destinadas a diminuir as probabilidades de realizao do risco. 
A partir da, as polticas de solidariedade vo englobar uma multiplicidade de dispositivos de polticas sociais. 
As polticas de solidariedade no se reduzem actualmente  distribuio de prestaes aos segurados, pem 
em jogo um feixe de processos multiformes de redistribuio e de regulao.
A.-M. G.

SOMBART (Werner), economista alemo (Ermsleben, distr. de Halle, 1863 - Berlim 1941): Sombart estudou 
direito, economia, histria e filosofia, antes de ensinar na Universidade de Breslau, e depois na de Berlim. Foi 
influenciado por G. Schmoller e por M. Weber, por . Bernstein e por K. Marx, que ele tanto corrige como 
prolonga. Em 1896, publicou Le Socialisme et le mouvement social ao XIXe. sicle. A obra contm vivas 
crticas do socialismo em geral e do marxismo em particular; conheceu um grande sucesso e foi traduzido em 
24 lnguas.
O interesse principal de Sombart incidia nas origens, no sentido e no futuro do capitalismo, como o 
testemunha a sua obra, Le Capitalisme moderne (1902), assim como Les Juifs et la vie conomique

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234
(1911), ou, em 1913, Le Bourgeois, contribution  l'histoire morale et intellectuelle de l'homme conomique 
moderne. As duas ltimas obras alimentaram uma polmica com Weber, porque Sombart, em oposio  tese 
expressa em L'thique protestante et l'esprit du capitalisme, situa em Florena, no fim do sc. XIV, a 
formao do esprito burgus. Sombart distingue vrios perodos da histria do capitalismo: o capitalismo 
primitivo, o alto capitalismo, o capitalismo tardio. Com o tempo, o capitalismo acentuou a organizao e a 
racionalizao mais que o dinamismo, e o esprito burgus afirmou-se em detrimento do esprito de empresa.
J.-C. L.

Sondagem: Tcnica que consiste em administrar um questionrio a uma amostra de indivduos representativa 
de uma populao mais ampla chamada populao-me ou populao-alvo.
A sondagem no  pois mais do que um processo particular de inqurito. Assim, ainda que seja a sua 
forma mais habitual, a sondagem de opinio  apenas uma modalidade do inqurito de opinio. Por outro 
lado, a sondagem no est reservada ao estudo da opinio. Pode tambm, por meio desta tcnica, procurar-se 
validar hipteses num estudo de motivaes ou de atitudes ou procurar a distribuio de caractersticas 
objectivas (por exemplo, a posse de certos bens de equipamento).
Puderam formular-se contra as sondagens trs crticas fundamentais: a sua natureza "atomista" que faz do 
indivduo uma unidade estatstica desligada do seu contexto social; a impossibilidade de efectuar todos os 
cruzamentos de variveis desejveis em virtude da dimenso limitada das amostras; a sua incapacidade de 
captar a dimenso temporal dos fenmenos em razo do seu carcter instantneo. Tais obstculos so, no 
entanto, ultrapassveis: as sondagens contextuais permitem estudar as relaes recprocas entre as 
caractersticas do espao social e as variveis individuais; pela construo de planos de observaes 
especficos, podemos dotar-nos dos efectivos necessrios ao estudo de subpopulaes, que uma amostra 
nacional no permite analisar; a tcnica do painel permite a observao longitudinal de certos processos. Mas 
estas solues mantm-se largamente tericas em virtude do seu custo e do seu interesse demasiado 
especificamente cientfico.
D. D.
- Brl (1988), Desabie (1966).

SPENCER (Herbert), filsofo e socilogo britnico (Derby 1820 - Brighton 1903): A obra principal de 
Spencer  representada pelo seu Trait de philosophie em dez volumes, quatro dos quais so ocupados pelos 
Principes de sociologie. Este contemporneo de Marx conheceu em vida uma glria imensa. Em 1854, na 
obra Social statics, enunciou hipteses evolucionistas que reapareceram em 1857 em L'Origine des espces de 
C. Darwin. Muitas das ideias, dos conceitos, dos modelos que props fazem parte integrante da sociologia 
moderna. No entanto, j quase ningum se lembra de atribuir-lhe a sua paternidade. Este esquecimento 
explica-se talvez sobretudo porque Spencer foi um dos raros socilogos liberais e um dos grandes tericos do 
liberalismo. Este whig estava convencido de que a sociedade industrial no pode desabrochar se o Estado se 
arroga funes que no lhe competem e via na evoluo das sociedades do estdio militar para o

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estdio industrial, no refluxo dos constrangimentos que o Estado faz pesar sobre a sociedade, a principal 
marca do progresso. A sua influncia junto das elites das sociedades industriais no resistiu ao crescimento 
contnuo do Estado nas democracias, dos anos 20 aos anos mais recentes.
Spencer  sobretudo conhecido como um dos pioneiros da sociologia evolucionista: por diferenciao e 
por agregao, as sociedades tendem a evoluir de formas simples para formas complexas. Quando a densidade 
social aumenta, as funes sociais tendem a diferenciar-se e a diviso do trabalho a desenvolver-se. Estes 
temas sero retomados por . Durkheim (1893). Mas o que impressiona no evolucionismo de Spencer  a sua 
grande prudncia: as leis da evoluo apenas descrevem tendncias, e as circunstncias, as contingncias 
histricas podem muito bem contradiz-las. Por um lado, as noes de "sociedade militar" e de "sociedade 
industrial" descrevem tipos-ideais no sentido de M. Weber, e encontram-se em todas as pocas sociedades 
que se inclinam mais para um ou outro destes tipos. Por fim, cada sociedade comporta componentes que tm a 
ver com os dois tipos. O evolucionismo de Spencer  muito menos rgido que o de A. Comte, de Durkheim ou 
de Marx e pelo menos to aceitvel como o de F. A. Hayek (1973).  que Spencer  muito sensvel  
complexidade dos determinismos sociais. Assim, um tipo de sociedade tende a gerar comportamentos 
individuais congruentes com esse tipo. Reciprocamente, os indivduos podem desenvolver comportamentos 
que reforcem ou enfraqueam o sistema. Mas a ligao entre comportamentos individuais e caracteres do 
sistema nada tem de necessrio ou de mecnico.
R. B.
- Spencer (1873, 1874-1875).

Suicdio: O suicdio era definido por . Durkheim (1897) como "todo o caso de morte que resulta directa ou 
indirectamente de um acto positivo ou negativo, levado a cabo pela prpria vtima e que ela sabia de antemo 
dever produzir esse resultado". Esta definio demarca-se da acepo comum ao incluir o sacrifcio do 
soldado que corre para uma morte certa a fim de salvar o seu regimento ou do mrtir que morre pela sua f. 
M. Halbwachs (1930) rejeitava semelhante assimilao. Este gnero de discusso praticamente no tem 
alcance se se considerar que Durkheim, tal como os seus continuadores, utilizava estatsticas oficiais que no 
podiam deixar de reflectir as definies comuns do fenmeno.
Neste sentido, no h definio do suicdio prpria da sociologia, a qual, em contrapartida, tem uma 
orientao particular em relao ao fenmeno. O seu objectivo essencial no  perscrutar o fundo das almas 
para reconstituir os motivos que levam este ou aquele indivduo a suicidar-se, mas utilizar as taxas de suicdio 
(a sua frequncia em tal populao ou tal subpopulao) como indicador social.  esse o caso em Durkheim, 
que via na taxa de suicdio de um grupo social o ndice do seu estado de normalidade ou de patologia, a 
expresso cifrada da sua "felicidade mdia". Muito antes de Durkheim, os "estatsticos morais", 
designadamente A. Quetelet, A. M. Guerry, E. A. Morselli, tinham-se interessado pelo suicdio, acto 
individual por excelncia que obedece, no entanto, a regularidades estatsticas surpreendentes. Era man para 
quem queria fundar a sociologia como cincia autnoma com um objecto prprio. Quando empreende o seu 
estudo sobre o suicdio, Durkheim pode pois

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236
apoiar-se num corpus de resultados e de saberes acumulados a que ele junta a explorao de dados franceses 
recentes. Mas integra essas generalizaes empricas numa teoria que explica as variaes da taxa de suicdio. 
O suicdio  mais frequente nas sociedades ou grupos sociais caracterizados por uma falta ou um excesso de 
integrao e por uma falta ou um excesso de regulao ou coaco social. Voltando ao assunto trinta e trs 
anos mais tarde, Halbwachs confirmou ou rectificou os resultados de Durkheim sendo ao mesmo tempo muito 
crtico em relao ao seu enquadramento terico.  excepo dos trabalhos conduzidos pela escola de 
Chicago* entre as duas guerras, o livro de Durkheim continuou a inspirar os estudos sociolgicos sobre o 
suicdio, nomeadamente o de A. Henry e J.-F. Short (1954), que se ocupa das relaes entre a taxa de suicdio 
e flutuao da conjuntura econmica, e o de J.-P. Gibbs e W. T. Martin (1964), centrado na influncia da 
integrao social. Esta tradio de pesquisa fundada no uso de estatsticas oficiais foi objecto de crticas de 
autores como J. Douglas (1967) ou de J. Baechler (1975), que defendem abordagens fenomenolgicas e 
individualistas do suicdio com o objectivo de restabelecer o vivido, se assim se pode dizer, dos actos 
suicidrios.
PH. BD
- Besnard (1976, 1987).

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237

T

Tabu: O tabu designa um interdito sacralizado ao mesmo tempo que a qualidade daquilo que  ferido de 
proibio porque consagrado ou porque impuro.  suposto que a sua transgresso trar consigo uma 
calamidade, um infortnio ou uma mancha. Muitas vezes,  estabelecido por pessoas de autoridade, aps 
interpretao de experincias infelizes, de sonhos, de vises ou de mitos. Tem como funo proteger o valor 
de certos bens e de seres frgeis, submetendo ao mesmo tempo o indivduo  lei do grupo.
J. Frazer (1911-1915) distingue vrias formas de tabus, tais como actos (incesto, assassnio, etc.), pessoas 
(reis, sacerdotes, carpidores, mulheres na menstruao, guerreiros, etc.), coisas (armas cortantes, sangue, 
cabelos, alimentos, etc.), palavras (nomes de divindades, de pessoas consagradas, de mortos, de objectos 
impuros, etc.). . Durkheim (1912) liga a noo  de mana totmico e S. Freud (1912-1913) considera-o 
como um constrangimento limitador do desejo, regulado pela lei do pai. Entre outros exemplos 
desenvolvidos: o evitamento da sogra. Para C. Lvi-Strauss, o tabu entraria nos jogos de oposio lgica que 
marcam a diferena e a ordem dos valores.
C. R.
- Douglas (1966), Makarius (1974).

TARDE (Gabriel de), socilogo francs (Sarlat 1843 - Paris 1904): Antes de aceder, em 1900, ao Colgio de 
Frana, Tarde faz uma carreira de magistrado que explica o seu interesse primordial pela criminologia (1886). 
Pelo primado que atribui aos factores psicolgicos e sociais, contribui para minar a influncia que o 
determinismo biolgico (criminoso-nato, etc.) de C. Lombroso e da escola italiana exerce na Europa. Tarde 
alarga ento o mbito dos seus trabalhos ao conjunto da vida social, que explica (1890) pela conjugao de 
duas foras fundamentais: a imitao e a inveno.  o jogo complexo de processos de repetio, de oposio 
e de adaptao que explica a mudana social. A tnica que Tarde coloca assim nos factores psicolgicos pe-
no em oposio directa com . Durkheim, cujo objectivo  "explicar o social pelo social" e faz dele um dos 
seus alvos favoritos. Tarde  o autor de: Les Lois de l'imitation (1890).
J.-R. T.
- Tarde (1895, 1898), Milet (1970).

Taylorismo - vd. Organizao cientfica do trabalho (OCT).

Tempos livres (sociologia dos): Os tempos livres agrupam actividades que se distinguem das tarefas 
domsticas, das obrigaes fisiolgicas (sono, refeies, cuidados corporais) ou do trabalho. Os socilogos 
estudam a natureza e a diversidade dos tempos livres segundo os grupos sociais.
Os primeiros trabalhos neste domnio devem-se a T. Veblen (1899), que define como classe de tempos 
livres a elite do seu tempo. Todo o trabalho produtivo  tido por aviltante numa sociedade dominada pelos 
capitalistas. Consequentemente, os tempos livres inscrevem-se em todos os aspectos da vida social, a comear 
pelo consumo. Alimentos pesados e bebidas alcolicas prolongam a digesto para alm do tempo passado  
mesa. As excentricidades da moda e as suas variaes rpidas ocupam o dia dos

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238
elegantes e das elegantes. A aprendizagem escolar est orientada para a conversao mundana, as boas 
maneiras e o desporto, e no para os saberes produtivos da cincia ou da tcnica. A sociologia dos tempos 
livres confunde-se ento com o estudo do modo de vida das classes altas. Para as classes trabalhadoras, os 
tempos livres so momentos de recuperao fsica aps o esforo do trabalho. E assim que M. Halbwachs 
(1913) interpreta o tempo que o operrio consagra ao espectculo da rua, ao caf e, sobretudo,  refeio da 
noite, tempo forte da sua vida de famlia.
O argumento do nvel de vida e a diminuio dos desnveis entre grupos sociais, a instaurao das frias 
pagas em 1936 e a grande difuso dos equipamentos audiovisuais e dos transportes individuais renovam a 
abordagem dos socilogos. Nos Estados Unidos da Amrica, os trabalhos incidem sobre a audio da rdio e 
a influncia que estas novas prticas de tempos livres introduzem, designadamente, no consumo e nos 
comportamentos eleitorais (Lazarsfeld et al. 1944). Em Frana, os tempos livres so analisados como uma 
maneira de compensar a alienao do trabalho taylorizado. Assim, G. Friedmann escreve em 1949: "Os 
tempos livres no so apenas tempo, so a prpria condio de um trabalho pessoal, humano." Os pequenos 
trabalhos ou o hobby so tratados como tempos livres exemplares na medida em que a pessoa leva at ao fim 
a produo de um objecto.
A conquista dos tempos livres foi recentemente substituda pelo tema da perturbao. Contrariamente ao 
que pensava Friedmann, no basta estar privado de toda a iniciativa criadora no trabalho para dar provas disso 
nos tempos livres. Como ocupar um dia que, para retomar o termo utilizado por D. Riesman (1965), est cada 
vez mais "invadido" pelos tempos livres? De uma gerao  outra h mais pessoas que trabalham mas a 
durao do trabalho de um activo diminui.
O dia de trabalho  menos longo e sobretudo a vida activa  mais curta. A sociologia dos tempos livres 
transformou-se na sociologia do tempo livre.
N. H.

Teocracia: Na histria da sociologia, doutrina poltica e social dos tericos tradicionalistas (vd. 
tradicionalismo) mais extremistas, que defendem o restabelecimento da sociedade teocrtica, na qual a 
autoridade  olhada como emanando de Deus e  exercida pelos ministros do culto.  a supresso da 
sociedade civil que  assim preconizada. J. de Maistre (1753-1821) distingue-se sensivelmente de L. de 
Bonald ao desejar que o papa exera sobre "todas as soberanias crists [...] a supremacia comedida do poder 
espiritual supremo" (Maistre 1819). Pelo contrrio, Bonald, embora teocrata, estabelecia uma dialctica subtil 
entre os dois poderes, espiritual e temporal. F. de Lamennais (1782-1854) vai ainda mais longe que Maistre, 
pois que considera que a prpria noo de uma sociedade civil  absurda. A encclica Mirari Vos de 1834 
condena o princpio teocrtico mais directamente ainda que o tradicionalismo.
A. Comte (1826, 1851-1854) vai buscar a Maistre e a Lamennais a expresso "poder espiritual", mas 
modifica o seu sentido: encarrega apenas este poder de elaborar e de propagar uma doutrina universal. 
Podemos pois consider-lo como um dos mais eminentes defensores, no seio da sociologia, de uma concepo 
atenuada da teocracia.
B.-P. L.

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239
- Bnichou (1977), Lamennais (1822), Nisbet (1966).

Terrorismo: Estratgia poltica cujo princpio assenta na utilizao sistemtica de actos de violncia para 
espalhar a insegurana.
O terrorismo reveste formas diversas. Certas teorias procuraram identificar essas formas de terrorismo 
com ideologias ou movimentos, ao passo que, com frequncia, o recurso ao terrorismo  apenas passageiro 
(salvo, provavelmente, para os regimes totalitrios). Uma outra anlise sublinha a fraqueza actual da causa 
(proletariado, nao...),  qual o terrorismo se reporta: em caso de declnio durvel da causa ou se a referncia 
a ela se tornar mtica ou abstracta, o terrorismo pode transformar-se num fim em si. Procurando criar e 
alimentar o medo, o terrorismo mantm com os media relaes complexas porque tem de dirigir-se a vrios 
pblicos ao mesmo tempo.
PH. R.
- Sociologie du travail (1986), Michaud (1978), Wieviorka, Wolton (1987).

Tipo-ideal ou ideal-tipo: O tipo-ideal  um modelo. Embora pertena  metodologia de M. Weber e nela seja 
intensamente utilizado, o conceito encontra-se em outros socilogos, particularmente em . Durkheim. O 
tipo-ideal do "esprito do capitalismo" no  uma hiptese mas um guia para elaborar hipteses.  um 
conjunto de conceitos integrados indispensveis para captar o real. Enquanto modelo abstracto,  um meio 
para captar as relaes entre fenmenos concretos, a sua causalidade e o seu significado. Serve para recortar o 
real, para seleccionar uma pluralidade de fenmenos isolados, para orden-los em funo de um ou de vrios 
pontos de vista.
"O esprito do capitalismo" no  uma mdia dos princpios ou das actividades econmicas que 
dominaram em todas as sociedades capitalistas.  um conceito gentico na medida em que  o resultado de 
uma sntese abstractiva daquilo que  comum a vrios fenmenos. Se  uma utopia no sentido em que 
nenhuma realidade emprica lhe corresponde, serve no entanto para medir a distncia que separa o real 
daquilo que  construdo logicamente. Esta comparao  lgica e no axiolgica. Enquanto conceito 
heurstico, o nico critrio que permite julgar do fundamento da sua construo e do seu uso  a sua eficcia 
metodolgica.
M. C.
- Durkheim (1893), Weber (1920, 1922a).

Tirania: Em sentido amplo, a tirania  uma forma de regime poltico em que o poder, conquistado pela 
usurpao e apoiado na fora, se exerce de maneira opressiva e viola os costumes tradicionais ou os interesses 
legtimos da populao. Velho termo da filosofia poltica,  herdado do grego. No sentido clssico, a tirania  
definida por oposio  realeza. Esta  o governo de um s exercido sobre sbditos consencientes e de acordo 
com as leis da cidade. A tirania  o governo de um s que no segue nenhuma lei mas apenas a sua vontade e 
se exerce sobre sbditos no consencientes. O governo tirnico  portanto encarado pelos seus sbditos como 
ilegtimo.
Actualmente, o termo no  de uso corrente nas cincias sociais, na medida em que estas entendem 
demarcar-se da filosofia poltica. Se se admite tal uso,  preciso marcar bem o que constitui a especificidade 
da tirania moderna: ela exerce-se em nome de uma doutrina de

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transformao social e assenta na fico da soberania do povo. A tirania moderna no requer apenas a 
obedincia, exige sinais do consentimento (atravs nomeadamente de eleies falaciosas).
A forma extrema da tirania moderna  a tirania totalitria, que no apenas absorve a sociedade civil no 
Estado mas tambm se esfora por eliminar toda a autonomia da conscincia humana.
PH. BN.
- Strauss (1954).

TOCQUEVILLE (Charles Alexis Clrel de), escritor e poltico francs (Paris 1805 - Cannes 1859): Nascido 
numa famlia aristocrtica, Tocqueville nunca deixou de reflectir sobre a crise revolucionria aberta em 1789, 
e soube compreender que os sculos seguintes imporiam cada vez mais a igualizao das condies. Tal como 
A. Comte, analisou a passagem das sociedades tradicionais para as sociedades modernas, mas mostrou que, 
sobre a base do Estado social democrtico, podiam elevar-se dois tipos de regime poltico: democracia ou 
despotismo democrtico.
Jovem magistrado enviado em misso  Amrica (1831-1832), conhece um imenso sucesso a partir da 
publicao em 1835 da primeira metade da sua obra De la dmocratie en Amrique. Nos Estados Unidos, viu 
o desenvolvimento do princpio democrtico em estado puro, sem entrave aristocrtico e sem sequelas das 
lutas revolucionrias. A repblica americana aponta o futuro  Europa. A obra assenta numa anlise 
comparativa e procura mostrar os parentescos e as diferenas da Frana, da Gr-Bretanha e dos Estados 
Unidos, na sua maneira de se tornarem sociedades democrticas. Eleito deputado em 1839, publica em 1840 
De la dmocratie en Amrique (segunda metade). Actualmente,  a que retm mais a ateno. Descreve o 
tipo-ideal do homem democrtico, mostrando os efeitos da igualdade sobre as suas ideias e sentimentos. 
Sublinha os efeitos ambguos do individualismo e mostra o perigo de um culto excessivo do indivduo, que 
desembocaria num despotismo administrativo. Para combater os males que nascem da igualdade, preconiza 
uma poltica liberal: liberdade poltica e liberdade de imprensa, liberdades locais e liberdades de associao. 
Na posio oposta  dos mitos jacobinos, De la dmocratie en Amrique apresenta a primeira teoria da 
democracia pluralista: soberania limitada por direitos individuais garantidos e tomada em considerao da 
pluralidade irredutvel dos interesses e das ideias.
Membro da Comisso de Constituio de 1848, ministro dos Negcios Estrangeiros no segundo gabinete 
Odilon Barrot, de Junho a Outubro de 1849, Tocqueville ope-se ao golpe de Estado de 1851 e depois retira-
se da vida poltica para escrever L'Ancien Rgime et la Rvolution (1856). A poltica centralizadora dos reis 
est na origem das corrupes do esprito pblico e das divises dos Franceses.
Por detrs da instabilidade poltica da Frana e na sua origem, Tocqueville mostra que a estabilidade da 
nossa administrao centralizada constitui o mais durvel obstculo  liberdade dos Franceses.
J.-C. L.
- Aron (1967), Jardin (1984), Lamberti (1983), Manent (1982).

TNNIES (Ferdinand), socilogo alemo (Riep, auj. Oldenswort, Schleswig, 1855 - Kiel 1936): Ferdinand 
Tnnies distinguiu na sua psicologia a vontade orgnica que caracteriza uma tonalidade afectiva

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e a vontade reflexa concebida mais como um produto do pensamento. Na sua sociologia, a comunidade 
(Gemeinschaft) apresenta-se como um efeito da primeira, concorrendo a segunda para o nascimento da 
sociedade (Gesellschaft). A comunidade, forma de vida antiga, desenvolve-se a partir da famlia e encontra o 
seu lugar de eleio na aldeia ou na vila. Na primeira, as pessoas dedicam-se  agricultura, ao passo que, na 
segunda, as corporaes elevam os ofcios  categoria da arte, dando-lhes ao mesmo tempo uma conotao 
religiosa. A economia, por seu turno,  estranha  procura do ganho. Os laos do sangue e da amizade, do 
costume e da f atestam o carcter vivido da moral comunitria. O progresso do urbanismo faz evoluir a 
comunidade para a sociedade. Esta mutao produz-se sob o signo de uma abstraco que se verifica no facto 
de cada um viver para si, num estado de concorrncia ao mesmo tempo social e econmica. A procura do 
lucro e o comrcio deveriam a prazo levar a melhor sobre a sociedade de que so o princpio.
Ferdinand Tnnies descreveu estas duas formas de vida social na sua obra Communaut et socit (1887).
L. D.-G.

Totalitarismo: O totalitarismo pode ser definido como um regime poltico que tende  absoro da sociedade 
civil pelo Estado, at  destruio da conscincia humana. O termo  relativamente recente- nasceu na Itlia 
nos anos 20 - e oscilou entre sentidos mais ou menos amplos. A significao aqui retida permite isolar um 
regime moderno irredutvel s experincias anteriores, aquele do qual G. Orwell (1949) forneceu um retrato-
caricatura e que pretende transformar o homem num objecto malevel, "descerebriz-lo" pelo corte da sua 
conscincia da realidade objectiva. Nenhum autor antigo descreveu um tal mundo;  algo de novo. O 
totalitarismo resulta ao mesmo tempo da vitria durvel do poder ideolgico e da falncia da ideologia, ou 
seja, da impossibilidade de manter a promessa da ideologia, a de uma humanidade nova e reconciliada. 
Confrontado com a realidade rebelde, o poder esfora-se ento por corroer a conscincia que os homens 
ganham dessa realidade. O totalitarismo integral nunca foi realizado e  sem dvida irrealizvel; mas os 
regimes comunistas mais completos tendem ou tenderam a aproximar-se desse "modelo".
PH. BN.
- Kolakovski (1983).

Trabalho (sociologia do): Aplicao da postura sociolgica aos problemas da indstria e do trabalho 
assalariado.
A subdisciplina, nascida nos Estados Unidos da Amrica sob o nome de "sociologia industrial", foi de 
incio uma rplica  racionalizao do trabalho empreendida  volta das posies de F. W. Taylor e H. Ford. 
As pesquisas conduzidas por volta de 1930 pela escola dita das relaes humanas puseram em evidncia a 
importncia do social e "a irracionalidade do factor humano" no sistema industrial. Criticadas, nem por isso 
deixaram de ser o facto fundador da sociologia do trabalho (Desmarez 1986). Em Frana, a seguir  Segunda 
Guerra Mundial, serviram de ponto de partida aos trabalhos de G. Friedmann e suscitaram dois 
acontecimentos fundamentais: a elaborao do Trait de sociologie du travail (1961-62); a criao, em 1959, 
da

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revista Sociologie du travail, cujos trinta anos de publicao revelam a diversidade dos temas abordados. 
Entre eles, h conjuntos que se evidenciam: a diviso e a organizao do trabalho; a durao, os ritmos e 
tempos do trabalho; as questes da qualificao, do salrio e da formao; a do emprego e do desemprego; a 
diviso sexual do trabalho e a questo do trabalho feminino; a sociologia das profisses; a sociologia da 
organizao industrial; estudos sobre a classe operria, sobre os sindicatos e os conflitos sociais.
A enumerao revela que o peso da "procura social" - suposta caracterstica de uma sociologia inventada 
por engenheiros e peritos em management - no  verdadeiramente hegemnico. Encontramos tambm nela a 
marca das filosofias proudhoniana e marxista, das grandes pesquisas do sc. XIX sobre a situao da classe 
operria e, mais em geral, a de um empenhamento a favor da humanizao da civilizao ndustrial, causa 
para a qual G. Friedmann mostrou o caminho (1950, 1970). Ao lado da sociologia do trabalho desenvolveu-se 
uma "sociologia das organizaes": dominada pela obra de M. Crozier, esta deve sem dvida muito s 
pesquisas conduzidas em meio industrial nos Estados Unidos. Mas a sofisticao intelectual a que deu lugar 
impede tambm neste caso que se possa ver nela apenas um apndice da procura dos actores econmicos 
(Crozier, Frieberg 1977). Quais so neste domnio as tendncias da investigao? A que problemas sociais 
responde ela?
1. As anlises sobre o emprego e as qualificaes foram renovadas no contexto da crise dos anos 70. A 
crise avanou, por exemplo, com o tema da excluso social, que estava mais ou menos esquecida. A ateno 
incidiu sobre a segmentao do mercado do trabalho, sobre a distncia que separa a lgica dos "mercados 
internos" protegidos e a dos "mercados externos" sujeitos a todas as flutuaes. Paralelamente, a subida 
regular da parte das mulheres na populao activa deu lugar a trabalhos sobre o deslizar da posio social das 
mulheres em relao aos homens assalariados, no sem revelar a permanncia das discriminaes que a 
legislao se esfora alis por reduzir.
2. A inovao tcnica e os seus efeitos sobre a organizao produtiva suscitam numerosos trabalhos, a 
despeito do desejo unnime de ultrapassar o "determinismo tecnolgico". Para alm dos discursos na moda, 
os socilogos observam a centralidade e a autonomia nova do factor humano na organizao produtiva. Ao 
faz-lo, confirmam a importncia dos debates suscitados pela prtica das tcnicas de "gesto participativa", 
no sem a si consignarem a tarefa de compreender as condies (estreitas?) que fazem passar a mobilizao 
dos recursos humanos do estado de slogan ao estdio de mudana real na gesto e nas relaes sociais.
3. Pe-se finalmente a questo de saber se as evolues em curso suscitam ou no novos actores 
colectivos, susceptveis de confirmar o lugar do trabalho e dos trabalhadores nas representaes colectivas. 
Por exemplo, haver doravante lugar para uma sociologia da comunidade de empresa? Esta questo, delicada 
e de forte carga ideolgica, foi durante muito tempo uma questo interdita. Ora, actualmente, ela encontra-se 
no nmero daquelas que as permutas disciplinares puseram na ordem do dia (Sociologie du travail, n 3, 
1986). A sociologia do trabalho procura h muito tempo as suas marcas distintivas. Umas vezes confundida 
com a sociologia

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243
geral em virtude do seu objectivo hegemnico, outras vezes relegada para os confins das cincias aplicadas, 
ou ligada  economia,  histria,  antropologia, s cincias polticas, anda hoje  procura de um estatuto 
intermdio. A sociologia do trabalho encontrar o seu lugar ao interessar-se pelo peso real da relao de 
produo no interior da sociedade. Encontrar por fim o seu lugar ao clarificar a sua relao com a 
interdisciplinaridade, virtude totmica desta disciplina-encruzilhada, mas que, mais que p-la em prtica, nos 
limitamos a venerar ritualmente.
D. SN.

Tradio: No seu sentido primeiro, a tradio designa tudo o que  transmitido do passado para o presente: os 
objectos, os monumentos, as crenas, as prticas e as instituies (Shils 1981). Mas no se trata de uma 
simples recorrncia estatstica;  o valor atribudo pelas geraes presentes ao que  transmitido pelas 
geraes do passado que constitui a tradio. O carcter normativo da tradio  a fora que faz existir uma 
sociedade atravs do tempo. Na maioria das vezes, utiliza-se o termo "tradio" no sentido de M. Weber, 
opondo as sociedades cuja legitimidade  tradicional s sociedades modernas ou industriais, cuja legitimidade 
 legal-racional. A legitimidade tradicional funda-se no valor do passado enquanto tal e na "autoridade do 
eterno ontem, isto , a dos costumes santificados pela sua validade imemorial e pelo hbito enraizado no 
homem de respeit-los". Mas os tipos de legitimidade elaborados por Weber so tipos-ideais: na realidade, 
nenhuma instituio, e a fortiori nenhuma sociedade,  inteiramente tradicional ou totalmente racional (Gerth, 
Mills 1958). A sociedade moderna comporta uma parte de tradies e de novidades inextricavelmente 
misturadas (Eisenstadt 1973). A prtica mais racional funda-se nos conhecimentos acumulados pelo trabalho 
das geraes passadas: a vida industrial assenta na cincia e nas tcnicas herdadas de uma tradio intelectual. 
Certos traos caractersticos das sociedades tradicionais, como formas de autoridade pessoal, subsistem em 
todas as sociedades modernas. Mesmo nas sociedades ou nas instituies tradicionais, o valor atribudo ao 
passado nem por isso implica que as prticas transmitidas permaneam imutveis. A tradio no  simples 
reproduo. Nenhuma sociedade poderia sobreviver sem adaptar os objectos, as crenas ou os modelos 
transmitidos pelo passado. Esta transmisso traz consigo a reinterpretao das tradies por cada gerao.
As sociedades modernas tm tendncia para subestimar o papel das tradies, na medida em que atribuem 
um valor privilegiado  inovao econmica e  novidade poltica, econmica, social ou cultural.  por isso 
que as tradies so de bom grado associadas  irracionalidade e s supersties, analisadas como traves  
racionalidade da modernizao e ao progresso. Associados com frequncia s foras "progressistas", os 
socilogos tm por vezes tambm a tendncia para subestimar o peso das heranas e da histria e do papel 
que elas desempenham na vida dos grupos, ou mesmo da sociedade no seu conjunto.
D. S.

Tradicionalismo: Corrente francesa de pensamento poltico e social hostil  Revoluo Francesa e  filosofia 
das Luzes. Os tradicionalistas fazem da tradio o alicerce

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da ordem social, por oposio s especulaes racionais que fundamentam a sociedade em construes 
hipotticas (tais como a ideia do contrato social). Segundo os tradicionalistas, os indivduos s so 
plenamente eles prprios, isto , seres sociais, graas  sociedade que lhes  anterior, superior e que os eleva  
dignidade de seres humanos, isto , sociais.
Agrupam-se na escola tradicionalista (chamada "retrgrada" por A. Comte 1826) dois tericos, L. de 
Bonald (1754-1840) e J. de Maistre (1753-1821), e dois polemistas, Chateaubriand (1768-1848) e F. de 
Lamennais (1782-1854). Maistre (1821) pe sobretudo a tnica na necessidade do sofrimento, dos castigos e 
da guerra na ordem do mundo assegurada pela Providncia, e no papel de um poder pontifical forte (1819). 
Bonald (1802) considera que a linguagem no  um produto da sociedade como o supunham os filsofos das 
Luzes, mas um dom de Deus. Da deduz uma construo da ordem social conforme  Santa Trindade: 
soberano, ministro, sbdito; pai, me, filho, etc. (Koyr 1946). Lamennais (1817-1822) fundamenta as 
crenas crists no "consentimento universal", o que lhe vale a condenao explcita de Roma (Mirari Vos, 
1834). Como Comte bem o reconheceu, os tradicionalistas foram os primeiros a formular certos temas 
centrais da sociologia: a concepo holstica da sociedade (exagerada na sua origem divina), a noo do 
indivduo como ser essencialmente social e a do poder espiritual. Para alm da sua luta contra a Revoluo 
Francesa, reside actualmente a o interesse principal dos seus trabalhos.
B.-P. L.
- Bnichou (1977), Brchier (1932), Brunschvicg (1927), Nisbet (1966).

Trade: Sistema social composto por trs elementos (indivduos ou grupos) ligados entre si por uma relao 
durvel.
Aos olhos de alguns socilogos, toda a interaco social  por essncia triangular. Mesmo nas relaes 
entre duas pessoas interfere a presena de um terceiro ou de um pblico, presente ou prximo. G. Simmel foi 
o primeiro socilogo a insistir neste ponto ao analisar as trs funes do terceiro: mediador, tertius gaudens 
ou dspota. As modernas pesquisas sobre as trades centraram-se nas coligaes de dois contra um que tm 
tendncia a formar-se no seu seio. Podemos definir oito tipos possveis de trade consoante a importncia ou a 
fora de cada elemento.
Experincias em laboratrio precisaram a maneira como se estabeleciam as coligaes. T. Caplow (1968) 
esforou-se por transpor este modelo de coligaes para clarificar fenmenos muito diversos: hierarquia nas 
organizaes, coligaes parlamentares, relaes no seio da famlia e da parentela. Apoia-se tambm na noo 
de equilbrio tridico formalizado por F. Heider: uma trade no ser vivel, porque estar nesses casos em 
desequilbrio estrutural, se compreender duas relaes positivas ou trs negativas.
PH. BD.
 
Tribo (organizao poltica da): A tribo  uma organizao segmentria de organizao social. O segmento 
de base  uma famlia alargada, de uma profundidade de trs ou quatro geraes. Cada segmento de base 
funde-se espontaneamente com um outro num segmento de definio superior, desde que se sente ameaado. 
Por sua vez, este segmento de segundo nvel funde-se com um outro num terceiro nvel. De prximo a 

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prximo, toda a tribo e mesmo um grupo de tribos podem unir-se num conjunto transitrio, para se oporem a 
um inimigo exterior.
A tribo assenta assim no princpio do confronto em cada nvel de unidades de poderes aproximadamente 
iguais. Instaura-se assim um equilbrio geral fundado em equilbrios sucessivos, que garante a todos uma certa 
segurana. Cada nvel de segmentao tem os rgos polticos necessrios para assegurar a este nvel os 
interesses comuns. Na familia, um decano e um conselho de famlia asseguram a concrdia, a gesto do 
patrimnio e a resoluo dos diferendos. Mais acima, um conselho dos decanos ou dos representantes das 
famlias arbitram os conflitos, fazem respeitar as regras comuns, mobilizam as foras contra as agresses 
externas. Ainda mais acima, os rgos deixam de ser permanentes e s so constitudos em caso de 
necessidade.  medida que se sobe de nvel em nvel, os conflitos so cada vez menos controlados e a guerra 
cada vez mais selvagem.
J. B.
- Evans-Pritchard (1940), Montagne (1930).

Troca: A troca, entendida como movimento de inteno recproca entre duas partes ou ento cedncia de um 
servio ou de uma coisa como contrapartida de uma outra,  a regra fundamental de toda a relao social.
A antropologia poderia reduzir-se, no dizer de C. Lvi-Strauss, a diferentes modalidades de uma tripla 
troca: a das pessoas, designadamente mulheres, na base do sistema de parentesco; a dos bens e servios que 
fundamenta o sistema econmico; a das palavras e das mensagens presente dos domnios religiosos (mitos e 
ritos) e lingustico, assim como no domnio poltico que regula o conjunto da vida cvica. Lvi-Strauss (1949) 
distingue dois tipos de troca. Um  restrito: os homens de um grupo cedem as suas irms aos de um outro 
grupo e reciprocamente. O outro  generalizado, com compensao matrimonial por um dote: um grupo cede 
uma mulher a um outro que por sua vez ceder uma mulher a um terceiro, etc., at que o ltimo grupo cede 
uma esposa ao primeiro.
A troca de mensagens tem a ver com a comunicao e com a linguagem; est carregada de significaes e 
de smbolos em parte codificados e em parte dependentes das situaes de emisso e de recepo. A troca 
econmica faz intervir as noes de contrapartida e de equivalncia nas transferncias de bens e servios. S 
se verifica de maneira muito reduzida nas comunidades auto-subsistentes, em que as relaes de produo so 
relaes de dependncia pessoal. Desenvolve-se, com a diviso do trabalho, a privatizao da propriedade e a 
generalizao do contrato. Na sociedade capitalista, a troca mercantil  o princpio organizador da economia. 
No que se refere s economias ditas primitivas, convm diferenciar os bens de subsistncia e os bens de 
prestgio, ainda que uma distino menos rgida permitisse classificar os bens em categorias hierarquizadas. 
Assim, os Tiv da Nigria no trocavam produtos do solo por gado, escravos ou metal, nem a fortiori por uma 
mulher. De igual modo, nem a terra nem o trabalho eram permutveis por dinheiro.
Convm tambm situar a troca numa teoria geral do dom como o propuseram F. Boas, B. Malinowski e 
M. Mauss. No grande movimento de troca (braadeiras por colares de conchas) prprio da kula das ilhas da 
Melansia estudada por Malinowski (1922), bens de

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prestgio circulam segundo ritos precisos e numa base de reciprocidade entre parceiros titulares, 
acompanhados de transaces com ajustamentos incidindo sobre bens de consumo. A troca com obrigao de 
entregar pelo menos tanto como se recebeu sela a aliana das comunidades. Atravs do estudo do potlatch, 
Boas analisa a prtica do dom ostentativo (potlatch). A ddiva, a patrulha, a reciprocidade, a redistribuio 
constituem as modalidades principais da troca no mercantil, ao passo que a troca e a permuta monetria so 
as formas de troca mercantil. A reciprocidade funciona nas sociedades agro-pastorais, em que os dons supem 
contra-dons, quer na mesma altura quer a prazo. Diferente da pura reciprocidade, a redistribuio, 
nomeadamente nas circunscries tradicionais e nos imprios,  um processo segundo o qual uma instncia 
central rene as prestaes de bens ou de trabalho (tributo, imposto braal) e depois redistribui-as pelos 
contribuintes e outros que a isso tenham direito.
Ao passo que a permuta, circulao mercantil de bens produzidos para troca imediata segundo taxas 
acordadas, se verifica sem interveno de uma moeda, a troca monetria faz corresponder uma oferta de bens 
e servios a um pedido solvente. A moeda (conchas, sal, gado, metais) serve ao mesmo tempo de medida de 
valor, de reserva de valor e de meio de pagamento. Quando a troca monetria no  orientada para o lucro, a 
moeda no funciona como capital mas como meio de circulao entre as mercadorias. Num mercado, a 
revenda  operada com lucro por compradores e vendedores especializados como categorias profissionais. A 
moeda circula nesse caso como capital.
Na sociedade asteca, por exemplo, agentes especializados, os pochteca, asseguravam o comrcio entre os 
produtos das terras altas (milho, feijo, etc.) e os das terras baixas costeiras tropicais (cacau, algodo, penas 
de aves para os enfeites). Este comrcio mercantil acompanhava a circulao dos mesmos produtos sob forma 
de tributo ao Estado asteca. Nos mercados sectoriais berberes, a troca verificava-se numa base exclusivamente 
regional entre produtos de bens complementares. Mas na China tradicional, redes de mercados ligavam os 
produtores locais  economia nacional e, para alm dele, ao mercado mundial.
Se, actualmente, uma economia da generosidade perdura ao lado de uma economia de lucro, as relaes 
de fora no comrcio internacional tornam muitas vezes desigual a troca entre produtos primrios do Terceiro 
Mundo e produtos manufacturados dos pases industrializados.
C. R.

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247

U

Urbano, urbanizao, urbanismo - vd. Cidade.

Utilitarismo: O utilitarismo  uma filosofia moral e poltica conceptualizada na Gr-Bretanha, no decurso da 
industrializao, entre o fim do sc. XVIII e o do sc. XIX. Esta corrente de pensamento reporta-se a um 
princpio nico: o principio de utilidade, que  o meio pelo qual devem harmonizar-se os interesses privados e 
os interesses pblicos, e graas ao qual sero alcanadas tanto a felicidade individual como a prosperidade 
pblica.
J. Bentham estabeleceu este princpio (1780-1789) a partir de um sensualismo elementar e de um 
postulado: a identidade dos interesses. A sua doutrina, que associa a uma no interveno natural alguns 
elementos de regulamentao, tem uma base psicolgica: o clculo dos prazeres. E atravessada por uma 
tenso entre a optimizao dos prazeres subjectivos e a procura da "maior felicidade do maior nmero".  esta 
tenso que j antes pensadores como J. Bentham, B. de Mandeville, D. Hume, A. Smith, entre outros, se 
aplicaram precisamente a reduzir. O utilitarismo foi moralizado num sentido solidarista por J. S. Mill (1863) e 
depois situado numa perspectiva de racionalidade prtica por H. Sidgwick (1874). O utilitarismo exaltou o 
mrito pessoal, o gosto do risco, o esprito de competio. Esta teoria da agregao das escolhas calculadas e 
do ajustamento, ao mesmo tempo espontneo e regulado, dos interesses individuais viria a convergir com o 
evolucionismo, nomeadamente pela via da concepo spenceriana da cooperao.
Sem romper completamente com o esquema utilitarista, a sociologia submeteu os seus fundamentos a um 
exame muito crtico. Ps em dvida a identidade e a harmonia dos interesses; e sobretudo denunciou possveis 
contradies nos interesses prosseguidos por um mesmo actor social e colocou a tnica nas relaes 
complexas mantidas pelas paixes e pelos interesses, pelos valores e pelas crenas, na sociedade global.
B. V.

Utopia: A utopia prope-se transformar, de maneira mais ou menos radical segundo os casos, as estruturas e 
os valores sociais em vigor. Podemos qualificar de "utpicos" escritos (a Utopia de T. More, 1516, foi o 
primeiro de uma longa srie), prticas (as de certos movimentos sociais), "sonhos" (toda a utopia ainda no 
praticada nem escrita). Podemos igualmente distinguir: 1. "utopias absolutas", em contradio com a 
experincia humana mais elementar; so sobretudo mitos: pas de Abundncia, Fonte de Juventude, etc.; 2. 
"utopias relativas", projectos sem precedentes histricos mas susceptveis de realizao parcial ou total (o 
Oceana de F. Bacon ou o "Programa do Partido Comunista" de Marx e F. Engels); 3. "utopias negativas", que 
prognosticam sociedades em que a mais aperfeioada tcnica  posta ao servio de um projecto de 
escravizao humana.
Houve quem opusesse uma sociedade utpica, fechada, totalitria a uma sociedade aberta, liberal, 
democrtica (K. R. Popper). Marx e Engels distinguiram "socialismos utpicos" (os pr-marxistas) e 
"socialismo cientfico". K. Mannheim (1929) ps em paralelo ideologia (conservadora) das classes superiores 
e utopia (progressista) das classes

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248
subalternas; designou tambm uma "inteligentzia sem prises" como a camada social apta a produzir utopias.
Podemos considerar que toda a utopia critica o presente em nome de um passado arqutico ou de um 
princpio supostamente elementar, e em vista de um futuro que pende para a mudana social valorizada 
(utopia progressiva) ou denunciada (utopia retrogressiva). Denominam-se agrupamentos voluntrios utpicos 
os que correspondem a este modelo de funcionamento (seitas, ordens religiosas, certos agrupamentos polticos 
e sindicais, certas formas de comunidade e de cooperativismo, etc.).
Mais que qualquer outro membro da escola de Francoforte, H. Marcuse (1964) viu o futuro aberto  utopia 
de uma libertao humana total, uma vez a tcnica posta ao servio de um projecto humanista. Viria no 
entanto a decretar, em 1968, "o fim da utopia". Actualmente, nos escritos de J. Habermas, a "comunicao" 
desempenha um papel utpico.
J. S.
- Desroche (1975), Giannitti (1971), Ruyer (1950), Sguy (1971).

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249

V

Valores: Os valores so a expresso de princpios gerais, de orientaes fundamentais e primeiramente de 
preferncias e crenas colectivas.
Em toda a sociedade, a determinao dos objectivos efectua-se a partir de uma representao do desejvel 
e manifesta-se em ideais colectivos. Tais valores, que, sistematicamente ordenados, se organizam numa viso 
do mundo, aparecem muitas vezes como um dado irredutvel, um ncleo estvel, um conjunto de variveis 
independentes.
Empreendeu-se a tarefa de comparar os sistemas que os integram nas diferentes reas culturais. T. Parsons 
(1951) distinguiu assim quatro modelos de organizao, caracterizados cada um deles pela preponderncia de 
certos tipos de valores; a sociedade americana, por exemplo, privilegia menos os valores associados  
manuteno dos modelos culturais que os que esto ligados  realizao (achievement). Mais empiricamente, 
F. R. Kluckhohn e F. L. Strodtbeck propuseram, por seu turno, que se distribussem os sistemas de valores por 
meio de critrios gerais de diferenciao, como a relao ao tempo,  natureza, etc. Na sua esteira, reter-se- 
aqui a especificao dos valores em dominantes, desviantes e variantes - manifestando estes ltimos, entre as 
duas primeiras categorias, ao mesmo tempo a latitude de que o indivduo dispe na escala em questo e a 
plasticidade do sistema em cujo seio eles se encontram distribudos.
Tratando-se dos valores dominantes, eles foram sucessivamente - no Ocidente medieval, moderno e 
contemporneo - religiosos, polticos e econmicos. Coube portanto  Igreja, depois ao Estado e finalmente  
empresa encarregar-se deles, control-los, imp-los. Necessariamente combinados, retiram no fim de contas a 
sua eficcia de uma tradio de que so solidrios. Esta ltima confere-lhes um poder que arrasta a convico, 
suscita a adeso e assegura a integrao. Seria errado exagerar o papel dos valores na realizao da coeso 
social:  verdade que eles congregam o grupo, mas tambm o separam. Por fim, a sensibilidade ao que eles 
representam no  idntica no conjunto do corpo social; os intelectuais, nomeadamente, caracterizam-se por 
uma maior ateno em relao a eles, particularmente vigilante em certas ocasies.
Entre as grandes sociologias clssicas, a de M. Weber atribui uma importncia considervel aos valores, 
tanto na constituio de uma organizao econmica e social como na evoluo social e poltica. Os 
socilogos, actualmente - F. Bourricaud e F. Chazel, em particular -, salientaram um deslocamento do 
interesse daquilo que  valorizado no duplo processo de avaliao e de valorizao. A noo de conflito de 
valores ganha nesta perspectiva um relevo novo; d disso testemunho, por exemplo, a anlise, feita por D. 
Bell (1976), das contradies culturais do capitalismo.
B. V. 

Vanguardismo: A noo de vanguarda  indissocivel da de modernidade, tal como ela foi elaborada ao 
longo do sc. XIX. A arte moderna caracterizou-se pela sua vontade de ruptura com os valores sociais 
dominantes e com as convenes artsticas estabelecidas. Num mundo concebido no j como uma natureza 
mas como uma histria, os 

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250
artistas instalaram-se na ruptura permanente e a prioridade tornou-se o critrio mximo da apreciao esttica 
(Klein 1970).
No espao da alta cultura foi possvel, a partir de ento, distinguir a cultura "clssica" no sentido de 
"classificada", integrada no patrimnio histrico, e a cultura de vanguarda. Esta ltima exigia, para ser 
compreendida na negatividade das suas intenes, um grau elevado de cumplicidade cultural e/ou um forte 
desfasamento cronolgico. Aps 1945, este foi-se encurtando. O mercado e os museus, se no o gosto 
maioritrio, acolheram sem demora as vagas sucessivas do estilo vanguardista internacional e 
institucionalizaram-no.
Esta oficializao coincidiu com o esgotamento progressivo das vanguardas arrastadas por um turbilho 
mais repetitivo que inovador. Na frente avanada da arte so actualmente objecto de concorrncia por parte 
dos produtos de uma nova cultura "mdia" onde os elementos tirados da cultura popular esto lado a lado com 
as bases da cultura erudita. Se a novidade continua a ser o critrio de referncia, doravante ela  dissociada de 
uma viso linear da histria. Parece de facto que a moda tomou o lugar das vanguardas, parntese da histria 
da arte.
R. M.
- Bell (1976), Clair (1983).

VEBLEN (Thorstein), economista e socilogo americano (Manitowoc, Wisconsin, 1857 - perto de Menlo 
Park, Califrnia, 1929): Autor da Thorie de la Classe de Loisir (1899), Veblen produziu uma crtica do 
capitalismo selvagem e especulativo da Amrica dos anos 1880-1890. Essa anlise mantm-se pertinente para 
todas as sociedades que permitem realizar lucro sem fornecer trabalho produtivo. Da sua concepo 
evolucionista da histria destaca-se a ideia de uma interpretao desta ltima a partir de um feixe de instintos. 
O instinto arteso, pacfico, que supe o gosto pelo trabalho e pelo trabalho bem feito, deveria concorrer em 
ltima anlise para o bem da humanidade. Distingue-se do instinto predador, caracterstico de uma sociedade 
de tempo livre em que a especulao desabrocha  custa da produo, em que se colhe o que no se semeou. 
O termo "tempo livre" no supe nem descanso nem preguia; evoca um consumo improdutivo do tempo que 
exprime o desdm para com um trabalho produtivo e testemunha com ostentao a capacidade pecuniria para 
proporcionar a si prprio uma vida ociosa. O tempo livre supe a propriedade, e a inveja que se suscita 
naquele que, para viver, tem de sujar as suas mos  o padro com que se mede a estima de que se  objecto. 
Na cultura humanista, isto , no prtica, o requinte das maneiras apontam outras tantas formas de tempo 
livre.
L. D.-G.

Velhice: A velhice deve ser compreendida como uma construo social produzida pelos quadros sociais, 
perpetuamente renegociada e redefinida em funo desses quadros. no pode ser reduzida a uma realidade 
biolgica feita de usuras e de incapacidades, que resultam do processo contnuo da desgenerescncia. Cada 
sociedade, em cada perodo da histria, reinterpreta socialmente as diferenas biolgicas e cronolgicas que 
separam os indivduos, a fim de elaborar a organizao social do ciclo de vida e de atribuir papis e estatutos 
sociais especficos a cada escalo de idade. Os papis e os estatutos dos velhos foram

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251
flutuantes ao longo da histria (Minois 1987). A velhice nas sociedades pr-industriais no foi 
sistematicamente dotada de um estatuto prestigioso em virtude da valorizao da sua sabedoria e da sua 
experincia. Se o advento da sociedade industrial se traduziu, sobretudo, por uma degradao do estatuto 
social dos velhos, este movimento no envolveu todas as classes sociais desta sociedade com a mesma fora. 
Podemos encontrar uma ilustrao disso mesmo no facto de a entrada na velhice, identificvel na nossa 
sociedade pelo acesso ao estatuto de inactivo, no se verificar na mesma idade em todas as classes sociais. A 
perda da insero social e a reduo do sistema de funes, ou mesmo "a morte social", intervm mais cedo 
para as classes populares que para as classes superiores, sendo estas ltimas susceptveis de pr a render o 
conjunto dos seus recursos sociais para prolongar os seus papis e as suas funes da idade adulta 
(Guillemard 1971). O limiar da velhice  pois flutuante em funo das sociedades, e, no interior de uma 
mesma sociedade, segundo a classe a que se pertence.  preciso sublinhar que o desenvolvimento dos 
sistemas de reforma que acompanham o florescimento da sociedade industrial levou a fazer da idade da 
reforma um dos limiares significativos da entrada na velhice. Nestas sociedades, a velhice ganhou os 
contornos da reforma. Mas, progressivamente, novos recortes interiores  ltima etapa da vida emergiram, tais 
como a terceira e a quarta idades, que traduzem tanto o prolongamento deste perodo da vida (na Frana, a 
esperana de vida aos 60 anos  da ordem dos 20 anos, INSEE, 1985) como a tomada em considerao da 
velhice como problema social e no j como questo meramente privada e familiar. Nestas condies, a 
multiplicao das intervenes em favor da velhice levou a distinguir uma velhice dependente que tem a ver 
com as instituies mdico-sociais, de uma velhice autnoma, que tem mais a ver com polticas de animao 
e de integrao social (Guillemard 1980).
A.-M. G.
- Communication (1983).

Violncia colectiva: Utilizao, por um conjunto de indivduos, da fora fsica em ordem a atingir a 
integridade das pessoas ou dos bens. Este comportamento pode ser politicamente orientado.  excepo da 
viso apologtica que dela do F. Nietzsche ou G. Sorel (onde ela aparece como a parteira da Histria), a 
violncia colectiva  geralmente marcada com o sinete da ilegitimidade. , entendido que os opositores 
podem recorrer a outros meios de aco para se fazerem ouvir. Se a violncia  efectivamente susceptvel de 
cessar a partir do momento em que se instaura o dilogo, ser ainda necessrio que as condies estruturais de 
um tal dilogo estejam reunidas: a violncia colectiva, que pode ser trazida pelos excludos do sistema, no 
tem como nico suporte os "falhados" da socializao. Ao apoiarem-se na hiptese frustrao = agresso, 
certos autores (Gurr 1970) contriburam para reforar a impresso de irracionalidade contida no fenmeno: 
este -nos apresentado sob os traos de uma sbita exploso de clera. Outros autores contestaram a hiptese 
segundo a qual os indivduos mais frustrados seriam os mais inclinados a participar em tais manifestaes de 
violncia. Nesta perspectiva, a irracionalidade j no pode ser o agente da violncia colectiva: analisando o 
movimento 

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252
luddita (destruio das mquinas no incio da era industrial), alguns historiadores mostram que a violncia 
contra os bens pode, na realidade, disfarar uma estratgia relativamente racional ("arrematao colectiva pela 
via do tumulto"). Desligada do puro juzo moral, a violncia no se apresenta portanto necessariamente ao 
socilogo sob o prisma de um fenmeno disfuncional.
P. M.
- Aron (1973), Coser (1956), Tilly (1978).

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253

W

WEBER (Max), economista e socilogo alemo (Erfurt 1864 - Munique 1920): Aps uma tese de 
doutoramento sobre a histria agrria romana, Weber consagra ao ensino universitrio apenas alguns anos. 
Primeiramente,  a sua sade que dele o afasta; seguidamente, uma herana permite-lhe voltar-se em 
definitivo para a investigao. No apenas Weber domina a sociologia alem na viragem do sculo, mas a sua 
influncia , ainda hoje, considervel, em todas as especialidades da sociologia.
As anlises do poder e dos seus tipos de legitimidade, da burocracia e das suas estruturas e funes 
forneceram o enquadramento conceptual e o contedo de numerosos captulos da cincia poltica e da teoria 
das organizaes. A sua reflexo sobre a epistemologia das cincias sociais, as solues que ele prope 
mantm-se actuais: quer se trate da especificidade das cincias sociais relativamente s cincias da natureza, 
da elaborao dos conceitos ideais-tpicos, do papel da compreenso das aces humanas no trabalho do 
socilogo, da seleco de objectos cientficos na infinidade do real graas s relaes, aos valores da 
diferena entre essas relaes aos valores e os juzos de valor, ou finalmente do pr em evidncia a 
causalidade nomeadamente atravs da comparao.
Mas o seu estudo mais clebre  L'thique protestante et l'esprit du capitalisme (1920), onde Weber 
demonstra que os comportamentos dos indivduos s so inteligveis se se tomar em considerao as suas 
concepes do mundo, uma parte das quais  constituda pelas crenas religiosas.  pois bem sem razo que 
se reduz por vezes a tese weberiana a uma crtica de Marx segundo a qual a religio explicaria a economia.  
verdade que h homologia estrutural entre o capitalismo e a tica protestante; e  de facto esse ethos, que 
caracteriza o puritano e que est ausente de todas as civilizaes no ocidentais, que os seus Aufstze zur 
Religions soziologie (1920) puseram em evidncia. Para falar verdade, todos os trabalhos de histria social e 
econmica de Weber so uma procura da soluo para a obsidiante questo da especificidade histrica do 
capitalismo. Ser no seu magnum opus inacabado, Economie et socit (1922a), que ele sistematizar a sua 
sociologia religiosa integrando-a numa sociologia geral. Embora esta obra no esteja escrita more geometrico, 
o projecto weberiano  de facto o de construir todo o edifcio social a partir de elementos irredutveis, de 
formas complexas a partir de tipos puros. Ora, para Weber, o tomo sociolgico  o indivduo e no as 
estruturas que se tem tendncia a coisificar. A partir das aces dos indivduos que classifica em quatro tipos 
(racional em finalidade, racional em relao a um valor, afectiva, tradicional), Weber deduz os conceitos de 
relaes sociais de comunidade, de agrupamento, etc., explica as regularidades e as legitimidades. Assim, por 
sntese abstractiva, progressiva, constri os "tipos-ideais" das sociologias econmica, poltica, religiosa, 
jurdica.
M. C.
- Besnard (1970), Freund (1966), Weber (1921a, 1921b, 1922b, 1923).

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Bibliografia estabelecida por Jacqueline Lcuyer.
